Adolescentes e fobia social!

Na adolescência, o medo da avaliação dos outros é um aspeto de certo modo normativo. O grande problema é que esse medo pode tornar-se incapacitante, com prejuízo no desempenho e na funcionalidade do jovem. Nestes casos estamos perante um problema de fobia social.

Estima-se que a fobia social tenha uma prevalência de aproximadamente 0,9% em crianças e 1,1% em adolescentes, sendo este um período crítico para o desenvolvimento desta perturbação. Dos critérios de diagnóstico, destacam-se o medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais e de desempenho, nas quais o adolescente está exposto a pessoas desconhecidas ou à possível observação de outras pessoas. O jovem receia poder vir a comportar-se de modo humilhante ou embaraçador e teme revelar os sinais da sua ansiedade A exposição à situação social temida provoca quase sempre um medo muito angustiante, que pode, em casos mais extremos, chegar à forma de um ataque de pânico situacional. Num caso de fobia social, o adolescente reconhece que o medo é excessivo ou irracional, no entanto tem enorme dificuldade em gerir as suas emoções de forma a enfrentar ou a ultrapassar a situação.

É também critério de diagnóstico o facto do adolescente evitar ou antecipar de forma muito ansiosa, a situação social ou de desempenho. Isto interfere significativamente com as suas rotinas habituais, com o seu funcionamento ocupacional (ou académico) e com os relacionamentos ou atividades que impliquem interações sociais. Em sujeitos com idade inferior a 18 anos, para que seja considerada um perturbação de fobia social, os sintomas terão que ter uma duração de pelo menos de seis meses. É muito importante discriminar se os sintomas (medo e evitamento) não se devem a outra condição clínica, como por exemplo a efeitos fisiológicos diretos de uma substância (consumo de drogas ou medicação), a um estado de doença fisiológica ou a outra perturbação mental (ex. perturbação de ansiedade de separação, perturbação dismórfica corporal ou perturbação esquizoide da personalidade, entre outras).

A abordagem dimensional desta perturbação inclui aspetos cognitivos, fisiológicos e comportamentais. Os primeiros refletem-se no embaraço, vergonha, medo da rejeição e sentimento de humilhação, provocado pela convicção de uma avaliação negativa dos outros acerca de si. O jovem desenvolve auto- esquemas de ineficácia e incompetência para lidar com situações sociais e sente um desejo intenso de transmitir uma impressão favorável de si mesmo. Deste modo, tem frequentemente expectativas negativas e padrões excessivamente elevados para o seu desempenho social, tendo pensamentos disfuncionais do tipo “Vão achar-me ridículo” “Se perceberem como realmente sou vão rejeitar-me” “Tenho que parecer sempre inteligente e interessante”. Estes adolescentes tendem a revelar uma ansiedade antecipatória de foco negativo, com especial exacerbação das consequências do fracasso.

A dimensão fisiológica inclui os sinais de pânico como o aumento dos batimentos cardíacos, tremores, rubor, calor, suores excessivos, sensação de falta de ar, de aperto no peito, tensão muscular, secura da boca ou dores de cabeça. Em contexto escolar, estes jovens têm medo ou evitam ler em voz alta, participar na aula, pedir ajuda ao professor, encontrarem-se com colegas em situações não estruturadas, praticar atividades desportivas/vestirem-se ou tomarem banho no balneário, podendo mesmo em casos mais extremos, apresentar recusa em ir à escola, associada a este quadro. A fobia social pode comprometer o desempenho e o sucesso académico do adolescente, uma vez que este se inibe de participar nas atividades em sala de aula, de esclarecer as suas dúvidas com os professores, de fazer trabalhos em grupo com outros colegas, etc…  

Quanto aos aspetos comportamentais, são de referir principalmente a fuga ou evitamento de situações sociais ou de desempenho. Em contexto familiar, o adolescente procura evitar encontros mais alargados, atender o telefone fixo ou a campainha da porta ou até fazer pedidos num espaço comercial ou restaurante. Os jovens que sofrem de fobia social podem também apresentar sérias dificuldades em concretizar desafios próprios da idade, como o início de um namoro ou a procura de trabalho. São jovens que apresentam défices de competências sociais, o que os leva muitas vezes a sentimentos de solidão. São frequentemente descritos pelos adultos como sossegados e tímidos, e, se por um lado alguns pais lamentam não ter que lidar com as dificuldades próprias da idade, outros há que se sentem muito tranquilos por isso mesmo. Porém, o impacto que esta perturbação tem nos adolescentes pode levar a um grande sofrimento emocional, e, consequentemente, ao desenvolvimento de outras patologias como por exemplo a depressão.

Os casos de fobia social podem ser tratados com o apoio de um psicólogo. Após uma cuidada avaliação do caso, a intervenção cognitivo-comportamental é a mais indicada para trabalhar o autoconhecimento, aumentar a autoestima, o ensino e treino de competências sociais e pode fazer uma grande diferença no modo como estes adolescentes passam a olhar os outros, a si mesmos e a gerir as suas emoções negativas. Técnicas como reestruturação cognitiva, relaxamento, dessensibilização sistemática, entre outras, podem ajudar a enfrentar os elementos/situações fóbicas e a gerir o estado de ansiedade que estas desencadeiam, dotando o adolescente de “ferramentas” para os ajudar a reduzir o impacto negativo que esta perturbação tem no seu processo de desenvolvimento e na sua qualidade de vida.

Não ignore os sinais e procure ajuda especializada. O bem estar do seu filho é fundamental para o seu sucesso e para que se torne num adulto mais seguro, mais confiante,  mais saudável e mais feliz!

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