Eu quero a mãe…

Dentro do espectro das perturbações de ansiedade na infância e na adolescência, a ansiedade de separação é uma das formas mais expressivas e que pode ter consequências com impacto muito significativo na vida da criança e da família.

A ansiedade de separação caracteriza-se essencialmente por um medo excessivo da separação das figuras de vinculação ou de referência, habitualmente os pais ou outros cuidadores que os substituem. Este medo pode começar a manifestar-se por volta dos oito meses de idade, no entanto, a perturbação de ansiedade de separação tem por norma o seu início entre os 7 e os 12 anos, podendo em alguns casos ter um começo mais precoce e manifestar-se antes dos 6 anos. A investigação nesta área aponta para uma prevalência de 3 a 13% em crianças e 1,8 a 2,4% em adolescentes, com maior incidência no sexo feminino (Costello & Angold, 1995).

Dentro dos critérios de diagnóstico desta perturbação, encontram-se manifestações como a ansiedade excessiva e desadequada para a idade da criança/adolescente em situações em que tem que se separar dos pais, como por exemplo quando tem que ficar na escola ou na casa de outro familiar. Estas crianças tendem a sentir um mal-estar desmedido e persistente sempre que situações de separação são antecipadas, podendo manifestar sintomas físicos como dores de barriga, náuseas ou dores de cabeça, entre outros.

Crianças com perturbação de ansiedade de separação revelam uma preocupação excessiva pela perda dos pais ou por possíveis males que lhes possam acontecer, assim como um medo exagerado de poderem ser raptadas ou de se perderem. É ainda comum apresentarem grande relutância em estarem sozinhos em casa ou noutros locais sem a companhia de um adulto significativo. Também o dormir ou adormecer sozinho pode ser uma dificuldade e pode ser frequente terem pesadelos que envolvam o tema da separação das figuras parentais.

São várias são as consequências negativas desta perturbação e podem afetar a vários níveis. Por vezes, a dificuldade em ficar na escola ou em se manter lá pelo tempo que seria suposto, pode levar a uma menor participação nas atividades curriculares e ao decréscimo do rendimento escolar. Por outro lado, os pais, poderão ver a sua atividade laboral prejudicada e interrompida por telefonemas constantes por parte dos educadores/professores ou pela própria criança/adolescente, com solicitações para o irem buscar. Com o medo de se afastarem dos pais, as crianças/adolescentes podem perder oportunidades de socialização e de divertimento como festas de aniversário, passeios da escola ou estadias em campos de férias, com tudo o que de divertido e desafiante essas situações podem proporcionar e que são tão importantes para o desenvolvimento saudável das crianças/jovens.

Esta perturbação causa grande sofrimento e pode conduzir a situações extremas, devendo por isso ser tratada com cautela e ser alvo de intervenção. Situações desadequadas como ter medo de estar sozinho na casa-de-banho mesmo com os pais em casa ou recusar-se em ir à escola, podem ocorrer causando grande stresse familiar. Para além disso, este tipo de perturbação poderá ser um fator de risco para o desenvolvimento de perturbação de pânico ou agorafobia na idade adulta. Perante um quadro de manifestação deste tipo de sintomas ou comportamentos, os pais ou cuidadores deverão pedir ajuda especializada para avaliação do caso, de modo a permitir a intervenção adequada à situação, no sentido de reduzir os impactos negativos que o problema poderá ter, quer na vida emocional e social da criança/adolescente, quer nas suas rotinas diárias.

Fontes:

Costello, E. J., & Angold, A. (1995). Developmental epidemiology. In D. Cicchetti & D. J. Cohen (Eds.), Developmental psychopathology, Vol. 1. Theory and methods (pp. 23–56). John Wiley & Sons.

Figueroa, A., Soutullo, C., Ono, Y., & Saito, K. (2015). Ansiedade de separação. IACAPAP e-Textbook of Child and Adolescent Mental Health.(edição em Português.

Processo de avaliação psicológica

A avaliação psicológica insere-se nas competências profissionais exclusivas do Psicólogo/a e só a este/a é conferida legitimidade para a realização deste trabalho, com recurso a técnicas e instrumentos específicos para o efeito e para cuja utilização está capacitado.

O processo de avaliação psicológica tem início sempre que é pedida a resposta a uma questão ou um parecer profissional sobre um determinado caso ou indivíduo. O psicólogo/a analisa até que ponto se sente habilitado para dar resposta a esse pedido, mas também deve verificar se este se encontra dentro dos critérios éticos estabelecidos pelo código deontológico, que tem por objetivo guiar este profissional de saúde mental, no sentido de práticas de excelência, garantindo que o seu exercício profissional é o máximo ético e não o mínimo aceitável (Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Diário da República, 2.ª série — N.º 78 — 20 de Abril de 2011).

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A complexa tarefa de conduzir

Ao contrário de outro tipo de atividades, em que com relativa facilidade se controlam as variáveis necessárias para um bom desempenho, a atividade de conduzir um automóvel acontece num ambiente complexo e em constante mudança, muitas vezes imprevisível e que exige uma permanente atenção e adaptação por parte do condutor.

A interação entre o condutor e o veículo é condicionada tanto por estes dois elementos, como pelos restantes elementos presentes no contexto rodoviário, como até mesmo pelas condições atmosféricas ou pelas condições das infraestruturas. Para além da legal licença para conduzir, ou seja, a carta de condução, e das características do automóvel, o condutor tem a permanente necessidade de se adaptar ás múltiplas exigências do ambiente em que se desloca, que uma vez que estão em permanente mutação e que exigem comportamentos diferenciados.

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Perturbação Dissociativa da Personalidade

A Perturbação Dissociativa da Identidade (PDP) surge recentemente na literatura e envolve uma controvérsia associada principalmente à dificuldade na definição do termo dissociação. Entre outras formas, a dissociação pode ser descrita como uma falha na integração de dois ou mais diferentes sistemas de ideias e funções que constituem a personalidade.

O fenómeno dissociativo movimenta-se num espectro que vai desde a dissociação não patológica (ex. sonhar acordado ou estar intensamente focado numa tarefa) até à Perturbação Dissociativa da Personalidade, esta sim uma patologia do foro mental, habitualmente associada a experiências traumáticas. O processo dissociativo implica a alteração de um estado de consciência que não é organicamente induzida. Ou seja, envolve uma alteração temporária ou a separação de processos mentais que em situação normal estariam integrados. Segundo Bultler (2004), a natureza dos processos dissociativos normativos cinge-se a uma intensa concentração e envolvimento cognitivo em alguns aspetos da consciência, em detrimento de outros componentes. O grau de dissociação oscila num continuum desde os processos normativos e transitórios, decorrentes do dia-a-dia, até aos processos de dissociação patológicos, classificados como crónicos e severos.

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Mitos e crenças sobre luto infantil

Há por vezes uma tendência para se pensar que as crianças e os adolescentes não compreendem nem sofrem, da mesma forma que os adultos, o impacto causado por uma perda. No entanto, talvez não seja bem assim…

O senso comum tende a considerar que as crianças e os adolescentes esquecem facilmente as perdas, e necessitariam apenas de ver asseguradas as suas necessidades e ritmos diários por um outro adulto capaz, para conseguirem continuar a viver bem e felizes. Cabe então desvendar alguns mitos relacionados com o luto infantil e as reais consequências ao lidar com as perdas. O primeiro mito tem a ver com o facto de as crianças não poderem vivenciar o luto devido à sua imaturidade psicológica e por não compreenderem o conceito de irreversibilidade. É certo que muitas vezes o tema da morte não é falado com as crianças, porque “elas não compreendem” ou porque “lhes faz mal“. O facto é que, tal como os adultos, todas as crianças fazem luto em todas as idades, e o seu desenvolvimento experiências de vida influenciam o seu processo de luto, e daí se manifestar de diferentes formas.

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O psicólogo educacional

A psicologia da educação é o estudo científico dos processos psicológicos em contexto educacional. O psicólogo educacional desempenha um papel de extrema importância em contexto escolar ou académico, tendo em conta os inúmeros desafios que os tempos atuais oferecem.

A psicologia educacional é uma ciência aplicada com o rigoroso conhecimento dos métodos de investigação e avaliação em psicologia, e das formas de os utilizar na prática do dia-a-dia, em diferentes situações e de intervir e regular essa intervenção. Assim, a psicologia da educação serve para ajudar a alcançar objetivos em melhores condições, permitindo uma maior qualidade, eficácia, segurança, controlo, planeamento, flexibilidade, adaptabilidade e previsibilidade dos processos educacionais.

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Depressão depois dos 65

Podemos definir a “depressão tardia” como o aparecimento de sintomatologia depressiva, clinicamente significativa, depois dos 65 anos de idade. Este estado depressivo está muitas vezes associado à presença de doença física ou neurológica, mas também às mudanças decorrentes da situação de reforma.

As queixas somáticas mais frequentes nos doentes mais velhos são as dores de cabeça, dores reumatológicas ou músculo-esqueléticas, bem como a sintomatologia gastrointestinal. Feito o despiste de doença fisiológica que explique a referida sintomatologia, a persistência dos sintomas pode ser explicado pela depressão, se combinada com outros sintomas típicos desta doença. Estes sintomas incluem a tristeza prolongada e profunda, sentimentos de vazio, dificuldade em retirar prazer de atividades anteriormente prazerosas, falta de energia, dificuldades de sono, alterações do apetite, choro recorrente, sentimentos de culpa ou de inutilidade, entre outros.

Os fatores de risco para a depressão no idoso prendem-se com questões de género, sendo mais prevalente nas mulheres do que nos homens. No entanto, outros fatores de risco para o desenvolvimento de patologia depressiva podem estar relacionados com o sistema endócrino ou o sistema vascular. O diagnóstico de doenças médicas não psiquiátricas, nomeadamente doença oncológica, demência, doenças cardiovasculares, hipotiroidismo ou artrite, entre outras, constitui-se também como um fator de risco relevante para o desenvolvimento da depressão. O tipo de personalidade do indivíduo pode também influenciar a propensão para estados depressivos, bem como as experiências de vida e o stresse crónico a que está ou esteve sujeito (familiar, social ou económico).

Alguns fatores psicológicos podem também constituir um risco acrescido de depressão. A não-aceitação do envelhecimento, a dificuldade em lidar com a imagem corporal, a redução da atividade ou dos interesses, o apego excessivo aos bens materiais, a incapacidade em lidar com a morte dos entres queridos (que pode levar a processos de luto patológico), a dificuldade em enfrentar a reforma e a consequente redução da exposição social e por vezes até mesmo o isolamento, são fatores de risco muito significativos para o desenvolvimento de sintomatologia depressiva grave.

Associada aos múltiplos fatores de risco anteriormente mencionados, junta-se a frequente dificuldade que alguns mais velhos têm em fazer um balanço de vida positivo, em aceitar as alterações das relações com alguns familiares muito significativos (ex. filhos e netos por vezes distantes) e a dificuldade em lidar com expectativas de reciprocidade ou dependência económica, desses mesmos familiares, que por vezes podem ficar muito aquém do idealizado.

As pessoas mais velhas tendem a dar relevância às adversidades (maiores ou menores) que as preocupam, focando-se mais no que perderam do que naquilo que ainda têm e podem conseguir. A depressão nesta faixa etária parece estar frequentemente sub-diagnosticada e sub-tratada, principalmente ao nível dos cuidados de saúde primários. À semelhança das outras faixas etárias, a depressão no idoso pode ter vários níveis de gravidade, podendo ser ligeira, moderada ou grave (depressão major). De um modo geral, a depressão ligeira pode ser tratada com sucesso apenas com o recurso à psicoterapia, no entanto, a depressão moderada ou grave, necessita muitas vezes da combinação de psicoterapia com medicação (antidepressivos) como forma de intervenção. A terapia cognitivo-comportamental, combinada ou não com a medicação, tem-se revelado muito eficaz no tratamento da depressão tanto no idoso como em qualquer outra faixa etária.

A depressão não é uma consequência natural do envelhecimento. Os idosos saudáveis, independentes e principalmente ativos, apresentam uma taxa de prevalência de depressão muito inferior à da população em geral. Porém, juntamente com outras problemáticas que possam existir, a depressão reduz consideravelmente a qualidade de vida da pessoa idosa pode aumentar de forma significativa o risco de suicídio. Deste modo torna-se fundamental ficar atento aos sinais e agir de forma precoce. Uma boa e atempada avaliação psicológica e uma adequada intervenção, pode evitar consequências funestas e tratamentos mais complexos e prolongados.

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Intervenção cognitivo-comportamental na ansiedade

As perturbações de ansiedade estão atualmente entre os quadros psicopatológicos mais debilitantes e impactantes do indivíduo comum. Milhares de pessoas lutam diariamente para controlar os seus medos e preocupações, ao mesmo tempo que percebem que quanto mais tentam fugir da ansiedade e dos seus “gatilhos”, pior ficam as suas vidas e mais afetado é o seu bem-estar.

Todos nós sabemos como é sentir medo, quando somos confrontados pelo desconhecido e assustador, ou ficamos ansiosos antes de um exame ou de uma entrevista de trabalho, ou até mesmo antes de um encontro amoroso. Viver implica termos que nos deparar com uma boa dose de ansiedade, causada pelo perigo, pelos riscos, pelas incertezas ou inseguranças próprias do dia-a-dia. O medo faz parte da vida e tem também um papel de extrema importância, na medida em que pode ser protetor e fazer com que paremos e olhemos, antes de atravessar uma estrada, diminuindo significativamente o risco de sermos atropelados. A ansiedade leva-nos também a que nos preparemos melhor antes de prestar uma prova, para aumentar a probabilidade de termos um melhor desempenho. Contudo, medo em excesso pode-nos impedir de agir e causar um enorme sofrimento.

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Arquitetura da memória

A memória tem uma importância fulcral nas nossas vidas, uma vez que fazemos uso dela em múltiplas situações, desde as mais simples às mais complexas. É a memória que nos permite saber quem somos e que dá sentido e significado às nossas vidas.

A aprendizagem e a memória envolvem três estádios: codificação, armazenamento e recuperação. De uma forma muito simplificada podemos dizer que os processos que ocorrem durante a apresentação da informação se designam por codificação e incluem os processos envolvidos na perceção (sentidos). Após a codificação, a informação é armazenada no complexo sistema de memória. Ao momento em que recordamos ou extraímos a informação armazenada, chamamos recuperação. Não é pois possível haver armazenamento sem codificação, nem recuperação sem os anteriores.

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Hiperatividade e défice de atenção, como diagnosticar?

A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma perturbação do desenvolvimento cerebral caracterizada por 3 sintomas principais: desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Ouvimos muitas vezes dizer que hoje em dia há muitas crianças hiperativas ou com défice de atenção, e que muitas delas estão medicadas, o que por vezes causa grande preocupação e estranheza. No entanto, a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma das patologias mais prevalentes na infância. Porém por vezes, pode não estar bem diagnosticada, ou seja, podemos hipervalorizar alguns comportamentos das crianças ou pelo contrário, desvalorizar outros tantos, como que se estivéssemos em negação do problema. Os profissionais de saúde qualificados para avaliar este tipo de patologias são os psiquiatras e os psicólogos. Para apoiar numa correta avaliação, a Associação Americana de Psiquiatria (APA) definiu no seu Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V), os vários critérios a levar em consideração numa correta avaliação da PHDA.

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