Perturbação de Jogos de Internet

A Internet permite uma vasta utilização, que vai desde a comunicação aos mais variados níveis, até entretenimento e lazer. Porém, nos dias de hoje, assiste-se cada vez mais a sérias dificuldades no controlo da sua utilização, nomeadamente no que se refere aos jogos, que vai desde uma utilização equilibrada á dependência.

O Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V) descreve a Perturbação de Jogos de Internet (também referida como Adição á Internet ou Adição a jogos) como o uso persistente e recorrente da Internet para envolvimento em jogos, frequentemente com outros jogadores, que conduz a défices ou mal-estar clinicamente significativo, indicado por critérios específicos. De notar que esta perturbação é distinta da Perturbação de jogo patológico na Internet, que se inclui noutra categoria. Assim, a Perturbação de Jogos de Internet implica que por um período de 12 meses o jogador torna na principal atividade da sua vida, o jogo na Internet, antecipando a realização do próximo jogo e pensando constantemente sobre as atividades do jogo.

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A autoestima á luz da psicologia

A autoestima tem um papel fulcral no bem-estar emocional e na saúde mental dos indivíduos. Em psicologia, prioriza-se a compreensão do que é a autoestima e os seus pilares fundamentais, bem como se procura promover o seu fortalecimento, no sentido de potenciar um maior equilíbrio emocional e aumentar a satisfação com a vida.

Podemos entender a autoestima como a avaliação subjetiva que cada indivíduo faz de si próprio, isto é, a forma como se valoriza e se sente digno. A autoestima vai-se construindo ao longo da vida, sendo influenciada por experiências passadas, pelas relações com os outros, pelos sucessos e conquistas pessoais, mas também por acontecimentos negativos e pela forma como cada indivíduo lida com esses acontecimentos. Compreender a autoestima é reconhecer que ela não é uma entidade estática, é um processo dinâmico que se altera e evolui ao longo do ciclo de vida.

Ter uma boa autoestima, o que é afinal?

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Ser adolescente

Ao atingir a puberdade, as crianças experienciam grandes e rápidas mudanças físicas, emocionais e sexuais, sobre as quais não têm controlo. Estas mudanças requerem uma adaptação e uma compreensão, sendo por vezes difícil ao adolescente lidar com o seu corpo e com os seus pensamentos, o que pode conduzi-lo a sentimentos de ansiedade ou ao isolamento social.

Perante questões como “será normal a minha aparência’” ou “o que é que os outros pensam de mim?”, o adolescente toma consciência de si mesmo, mas também pode sentir alguma angústia pela inevitabilidade das mudanças com as quais está a ter que lidar, sem que por vezes esteja preparado para tal. É relativamente comum que a segurança e as certezas da infância desapareçam, dando lugar á dúvida e à ansiedade. Estes sentimentos são normativos, desde que o jovem consiga manter a sua funcionalidade e aos poucos se vá adaptando a um novo corpo, a um novo modo de estar, de pensar e de sentir. No entanto, alguns adolescentes, pelas suas características individuais, demoram mais tempo a fazer essa adaptação, por vezes com custos elevados para o seu bem-estar pessoal, familiar e relacional.

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As crianças e a gestão do tempo

Uma das estratégias mais eficazes para o aumento da produtividade é a adequada gestão do tempo. Se para os adultos, o seu quotidiano beneficia de uma boa gestão do tempo, esta competência não é menos importante e benéfica, quando se trata de crianças e de adolescentes.

A gestão do tempo é um fator relevante e muitas vezes apontado pelos mais novos como uma dificuldade e preocupação. As crianças e adolescentes vêm-se confrontadas com múltiplas tarefas e exigências, que incluem a escola, a família, as atividades extracurriculares e as exigências sociais, fundamentais para um ótimo desenvolvimento enquanto seres humanos. Aprender a gerir o tempo é muito importante, não apenas para que consigam dar resposta adequada a todas as solicitações, mas também para que o tempo possa ser aproveitado com qualidade e para que haja um bom ajustamento psicossocial.

A gestão do tempo é um processo de priorização e organização de tarefas que envolve o seu planeamento e execução, orientados para o melhor aproveitamento do tempo investido nas mesmas, tendo como resultado uma maior produtividade e eficiência. O modelo de gestão do tempo de Lakein, é um modelo simples que sugere 3 fases distintas. Na 1ª fase o objetivo é incentivar a criança/adolescente a definir o que é mais importante para si, de modo que consiga determinar os seus objetivos a alcançar, ou seja, definir prioridades. Na 2ªfase, a criança/adolescente deverá definir tarefas para conseguir realizar de forma bem-sucedida as prioridades que estabeleceu, ou seja, o que é que precisa de fazer para atingir determinado objetivo. Na 3ª fase, a criança/adolescente deverá ser orientada na divisão do seu tempo disponível e na sua distribuição pelas tarefas definidas, começando pelas prioritárias.

Podemos entender a gestão do tempo como uma estratégia para hierarquizar os objetivos pelo seu grau de prioridade, pela definição das tarefas, pela sua execução e monitorização do seu progresso. Treinar este tipo de estratégias e aplicá-las às exigências do quotidiano tem certamente efeitos benéficos ao nível do autoconceito, autoeficácia, autoestima e satisfação, mas também na redução dos níveis de ansiedade, que podem por vezes comprometer o bom desempenho. Ao aprender a gerir o tempo, a criança/adolescente deverá contemplar não só as tarefas inerentes àquilo que gosta e deseja fazer, mas também as tarefas decorrentes de obrigações pessoais ou sociais. O desequilíbrio entre estas duas áreas pode tornar irrealista a divisão do tempo e a sua eficácia. A objetividade é um fator muito relevante quando se trata de gerir o tempo, ou seja, todas as tarefas devem ser claras e concretas no sentido da criança/adolescente saber exatamente o que tem que fazer e como fazer, para que se torne fácil estabelecer o limite de tempo necessário a cada uma delas.

Sabemos que os imprevistos acontecem, e daí a importância de haver um plano B. Deverá ser definido um plano de ação para lidar com as situações inesperadas. Gerir bem o tempo é não só cumprir com o planeado mas também saber ajustar o seu plano, sendo flexível perante o imprevisto, sem que algumas tarefas tenham que ficar para trás. Dar mais tempo ao tempo, poderá ser uma forma de ter tempo para se lidar com o inesperado não descurando outros afazeres. Prever no planeamento do tempo intervalos que permitam incluir novas atividades sem que seja necessário sacrificar outras mais importantes, pode ser o ideal!

A vida não é o que o tempo vai fazendo connosco, mas sim o que escolhemos fazer com o nosso tempo!

Fonte:

Lakein, A. (1973). How to get control of your time and your life. New York: New American Library.

Como estudar? A leitura ativa

Muitas das dificuldades de aprendizagem existentes entre os estudantes, podem ser explicadas pela falta ou pelo uso desadequado de métodos de estudo e de hábitos de trabalho, que facilitem a aprendizagem. Neste texto irei abordar o tema da leitura ativa como método de estudo.

Embora esta seja a época das tecnologias e do audiovisual, o livro continua a ser um importante instrumento de estudo. No entanto, muitos alunos confundem o saber estudar com um tipo de leitura superficial que não conduz à compreensão das ideias principais nem à respetiva assimilação. Uma leitura orientada para o estudo deverá fazer-se de acordo com regras específicas que passo a descrever.

A leitura ativa compreende duas etapas distintas. A primeira é a leitura “por alto” ou na diagonal. Nesta etapa recomenda-se um olhar rápido pelo conteúdo, de forma a obter uma “visão panorâmica” do assunto a explorar. Poderá passar pela leitura de um ou dois parágrafos do início, do meio ou do fim e pela exploração de títulos e subtítulos, esquemas, ilustrações e frases destacadas. Esta leitura destina-se a fornecer ao estudante a ideia principal do texto, orientando o trabalho para os aspetos mais importantes.

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Perturbação do Uso da Cannabis

A Perturbação do Uso da Cannabis é uma perturbação do foro da saúde mental, resultante do consumo da substância ou substâncias derivadas da planta com o mesmo nome, ou de compostos sintéticos quimicamente semelhantes. Ao longo do tempo, esta planta tem vindo a acumular vários nomes, entre eles weed, grass, belota, liamba, erva, charro, sendo hoje em dia talvez este último o mais comum. Cannabis é o termo mais genérico e cientificamente mais apropriado.

Define-se Perturbação do Uso da Cannabis como um padrão problemático do seu uso, que conduz a mal-estar ou défice clinicamente significativo, manifestado por pelo menos dois comportamentos ou sintomas a ele associados, ocorridos num período de 12 meses. Os comportamentos /sintomas incluem, consumir Cannabis em quantidade superior ou por um período mais longo que o pretendido, manifestar um desejo persistente ou esforços malsucedidos para diminuir ou controlar o seu uso, despender uma grande quantidade de tempo em atividades necessárias á obtenção do produto ou a recuperar dos seus efeitos, ter um impulso ou desejo forte de consumir Cannabis (craving), uso continuado de Cannabis apesar de ter consciência de que este lhe causa problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes, utilização desta substância de forma recorrente em situações em que pode ser fisicamente perigoso ou a utilização continuada da Cannabis mesmo sabendo que tem um problema físico ou psicológico, persistente ou recorrente e que pode ter sido causado ou exacerbado pelo seu consumo (ex. episódio psicótico, ansiedade…).

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A criança enquanto testemunha da violência doméstica

Todos os dias há milhares de crianças que são vítimas de violência por exposição ao conflito parental, o que leva a que fiquem mais vulneráveis ao aparecimento de problemas emocionais, com repercussão no seu comportamento, desempenho cognitivo e desenvolvimento global.

A violência doméstica, nomeadamente entre casais, é um flagelo da sociedade, tanto em termos de violação dos direitos humanos, como de saúde pública. O conflito violento sistemático entre os pais ou outras figuras presentes no contexto familiar, quer envolva agressão física, psicológica, verbal ou sexual, afeta gravemente a criança a ele exposta, ainda que os atos violentos não sejam perpetrados diretamente sobre ela.

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O meu filho desafia-me a toda a hora!

A Perturbação Desafiante de Oposição (PDO) enquadra-se nas Perturbações Disruptivas do Controlo dos Impulsos e do Comportamento e constitui um problema que tem vindo a crescer e a preocupar cada vez mais as famílias, profissionais de saúde e do ensino, bem como a sociedade em geral, não só pela sua prevalência mas também pelo impacto que pode ter no desenvolvimento da criança e na sua relação com os outros, nos vários contextos da sua vida.

A POD caracteriza-se pela presença de um padrão persistente de comportamentos conflituosos e desafiantes, humor irritável, atitudes rancorosas e vingativas, desobediência e hostilidade,  particularmente perante as figuras de autoridade (e. g. pais, outros cuidadores e professores). Trata-se de uma perturbação psicológica algo comum na criança e no adolescente, que pode uma forma bastante significativa, influenciar e condicionar negativamente o seu percurso,  nos vários contextos das suas vidas.

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Ingestão Alimentar Compulsiva

As perturbações da alimentação e da ingestão são caracterizadas por uma perturbação persistente na alimentação ou na ingestão, que resulta na alteração do consumo dos alimentos e que provoca défice significativo na saúde física e psicológica, e/ou no funcionamento psicossocial. Entre estas perturbações encontram-se a anorexia nervosa, bulimia nervosa, a perturbação de ingestão alimentar restritiva ou compulsiva, entre outras.

Quando uma pessoa ingere alimentos de forma rápida, numa quantidade muito abundante, de forma descontrolada ou até mesmo em segredo, muitas vezes em resposta a emoções negativas, stresse ou preocupações emocionais, poderá estar a sofrer de uma perturbação de ingestão alimentar compulsiva, os seja, uma perturbação do comportamento alimentar. Durante os episódios de compulsão alimentar, a pessoa experimenta uma sensação de perda do controlo sobre a ingestão dos alimentos, sentindo por vezes uma enorme urgência ou necessidade irresistível de comer até ficar indisposta, mesmo sem ter fome física real.

Após esses episódios de ingestão compulsiva, para além do mal-estar físico marcado, é frequente a ocorrência de sentimentos de culpa e de vergonha ou até raiva para consigo mesma. A pessoa sente-se mal e recrimina-se por não ter conseguido controlar o impulso de comer, mesmo sem fome, e de ingerir quantidades exageradas de alimentos (habitualmente pouco saudáveis), no sentido de obter um alívio das suas emoções negativas, ainda que apenas temporário.

As Perturbações do Comportamento Alimentar não devem ser subestimadas nem ignoradas, pois podem conduzir a estados de saúde física e mental muito graves e por vezes à morte. Os principais fatores de risco para a perturbação de ingestão alimentar compulsiva são os genéticos, podendo ocorrer em famílias, o que pode refletir influencias genéticas adicionais. Esta é uma perturbação que se revela de frequência semelhante na maioria dos países industrializados.

Estas perturbações podem condicionar a adaptação ao desempenho dos papéis sociais, originar défices na qualidade de vida por problemas de saúde, pode contribuir para o aumento do peso/desenvolvimento de obesidade, bem como aumento da morbilidade e da mortalidade médicas. De referir ainda o aumento do recurso aos serviços médicos e de saúde, por parte destes indivíduos, em consequência da sua perturbação. De salientar que esta é uma perturbação que apresenta maior prevalência em indivíduos que procuram tratamentos de emagrecimento, do que na população em geral.

É extremamente importante que este tipo de perturbações sejam diagnosticadas o mais precocemente possível, sendo que em estádios iniciais o problema poderá ser resolvido apenas com recurso à psicoterapia. Casos mais graves e perturbações já instaladas há muito tempo necessitam de uma abordagem mais abrangente, podendo ir do acompanhamento psiquiátrico e nutricional em ambulatório, até ao internamento em unidade hospitalar especializada. A perturbação de ingestão alimentar compulsiva está associada a comorbilidade psiquiátrica significativa, comparável á bulimia ou á anorexia nervosas, sendo as perturbações mais frequentes a doença bipolar, perturbação depressiva, perturbação de ansiedade e ainda a perturbação de uso de substâncias.

No entanto, a recuperação é possível e a procura de apoio psicológico é certamente o primeiro passo, para uma vida mais equilibrada, saudável e feliz!

Fonte:

DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.