Como estudar? A leitura ativa

Muitas das dificuldades de aprendizagem existentes entre os estudantes, podem ser explicadas pela falta ou pelo uso desadequado de métodos de estudo e de hábitos de trabalho, que facilitem a aprendizagem. Neste texto irei abordar o tema da leitura ativa como método de estudo.

Embora esta seja a época das tecnologias e do audiovisual, o livro continua a ser um importante instrumento de estudo. No entanto, muitos alunos confundem o saber estudar com um tipo de leitura superficial que não conduz à compreensão das ideias principais nem à respetiva assimilação. Uma leitura orientada para o estudo deverá fazer-se de acordo com regras específicas que passo a descrever.

A leitura ativa compreende duas etapas distintas. A primeira é a leitura “por alto” ou na diagonal. Nesta etapa recomenda-se um olhar rápido pelo conteúdo, de forma a obter uma “visão panorâmica” do assunto a explorar. Poderá passar pela leitura de um ou dois parágrafos do início, do meio ou do fim e pela exploração de títulos e subtítulos, esquemas, ilustrações e frases destacadas. Esta leitura destina-se a fornecer ao estudante a ideia principal do texto, orientando o trabalho para os aspetos mais importantes.

Continue a ler “Como estudar? A leitura ativa” →

Perturbação do Uso da Cannabis

A Perturbação do Uso da Cannabis é uma perturbação do foro da saúde mental, resultante do consumo da substância ou substâncias derivadas da planta com o mesmo nome, ou de compostos sintéticos quimicamente semelhantes. Ao longo do tempo, esta planta tem vindo a acumular vários nomes, entre eles weed, grass, belota, liamba, erva, charro, sendo hoje em dia talvez este último o mais comum. Cannabis é o termo mais genérico e cientificamente mais apropriado.

Define-se Perturbação do Uso da Cannabis como um padrão problemático do seu uso, que conduz a mal-estar ou défice clinicamente significativo, manifestado por pelo menos dois comportamentos ou sintomas a ele associados, ocorridos num período de 12 meses. Os comportamentos /sintomas incluem, consumir Cannabis em quantidade superior ou por um período mais longo que o pretendido, manifestar um desejo persistente ou esforços malsucedidos para diminuir ou controlar o seu uso, despender uma grande quantidade de tempo em atividades necessárias á obtenção do produto ou a recuperar dos seus efeitos, ter um impulso ou desejo forte de consumir Cannabis (craving), uso continuado de Cannabis apesar de ter consciência de que este lhe causa problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes, utilização desta substância de forma recorrente em situações em que pode ser fisicamente perigoso ou a utilização continuada da Cannabis mesmo sabendo que tem um problema físico ou psicológico, persistente ou recorrente e que pode ter sido causado ou exacerbado pelo seu consumo (ex. episódio psicótico, ansiedade…).

Continue a ler “Perturbação do Uso da Cannabis” →

A criança enquanto testemunha da violência doméstica

Todos os dias há milhares de crianças que são vítimas de violência por exposição ao conflito parental, o que leva a que fiquem mais vulneráveis ao aparecimento de problemas emocionais, com repercussão no seu comportamento, desempenho cognitivo e desenvolvimento global.

A violência doméstica, nomeadamente entre casais, é um flagelo da sociedade, tanto em termos de violação dos direitos humanos, como de saúde pública. O conflito violento sistemático entre os pais ou outras figuras presentes no contexto familiar, quer envolva agressão física, psicológica, verbal ou sexual, afeta gravemente a criança a ele exposta, ainda que os atos violentos não sejam perpetrados diretamente sobre ela.

Continue a ler “A criança enquanto testemunha da violência doméstica” →

O meu filho desafia-me a toda a hora!

A Perturbação Desafiante de Oposição (PDO) enquadra-se nas Perturbações Disruptivas do Controlo dos Impulsos e do Comportamento e constitui um problema que tem vindo a crescer e a preocupar cada vez mais as famílias, profissionais de saúde e do ensino, bem como a sociedade em geral, não só pela sua prevalência mas também pelo impacto que pode ter no desenvolvimento da criança e na sua relação com os outros, nos vários contextos da sua vida.

A POD caracteriza-se pela presença de um padrão persistente de comportamentos conflituosos e desafiantes, humor irritável, atitudes rancorosas e vingativas, desobediência e hostilidade,  particularmente perante as figuras de autoridade (e. g. pais, outros cuidadores e professores). Trata-se de uma perturbação psicológica algo comum na criança e no adolescente, que pode uma forma bastante significativa, influenciar e condicionar negativamente o seu percurso,  nos vários contextos das suas vidas.

Continue a ler “O meu filho desafia-me a toda a hora!” →

Ingestão Alimentar Compulsiva

As perturbações da alimentação e da ingestão são caracterizadas por uma perturbação persistente na alimentação ou na ingestão, que resulta na alteração do consumo dos alimentos e que provoca défice significativo na saúde física e psicológica, e/ou no funcionamento psicossocial. Entre estas perturbações encontram-se a anorexia nervosa, bulimia nervosa, a perturbação de ingestão alimentar restritiva ou compulsiva, entre outras.

Quando uma pessoa ingere alimentos de forma rápida, numa quantidade muito abundante, de forma descontrolada ou até mesmo em segredo, muitas vezes em resposta a emoções negativas, stresse ou preocupações emocionais, poderá estar a sofrer de uma perturbação de ingestão alimentar compulsiva, os seja, uma perturbação do comportamento alimentar. Durante os episódios de compulsão alimentar, a pessoa experimenta uma sensação de perda do controlo sobre a ingestão dos alimentos, sentindo por vezes uma enorme urgência ou necessidade irresistível de comer até ficar indisposta, mesmo sem ter fome física real.

Após esses episódios de ingestão compulsiva, para além do mal-estar físico marcado, é frequente a ocorrência de sentimentos de culpa e de vergonha ou até raiva para consigo mesma. A pessoa sente-se mal e recrimina-se por não ter conseguido controlar o impulso de comer, mesmo sem fome, e de ingerir quantidades exageradas de alimentos (habitualmente pouco saudáveis), no sentido de obter um alívio das suas emoções negativas, ainda que apenas temporário.

As Perturbações do Comportamento Alimentar não devem ser subestimadas nem ignoradas, pois podem conduzir a estados de saúde física e mental muito graves e por vezes à morte. Os principais fatores de risco para a perturbação de ingestão alimentar compulsiva são os genéticos, podendo ocorrer em famílias, o que pode refletir influencias genéticas adicionais. Esta é uma perturbação que se revela de frequência semelhante na maioria dos países industrializados.

Estas perturbações podem condicionar a adaptação ao desempenho dos papéis sociais, originar défices na qualidade de vida por problemas de saúde, pode contribuir para o aumento do peso/desenvolvimento de obesidade, bem como aumento da morbilidade e da mortalidade médicas. De referir ainda o aumento do recurso aos serviços médicos e de saúde, por parte destes indivíduos, em consequência da sua perturbação. De salientar que esta é uma perturbação que apresenta maior prevalência em indivíduos que procuram tratamentos de emagrecimento, do que na população em geral.

É extremamente importante que este tipo de perturbações sejam diagnosticadas o mais precocemente possível, sendo que em estádios iniciais o problema poderá ser resolvido apenas com recurso à psicoterapia. Casos mais graves e perturbações já instaladas há muito tempo necessitam de uma abordagem mais abrangente, podendo ir do acompanhamento psiquiátrico e nutricional em ambulatório, até ao internamento em unidade hospitalar especializada. A perturbação de ingestão alimentar compulsiva está associada a comorbilidade psiquiátrica significativa, comparável á bulimia ou á anorexia nervosas, sendo as perturbações mais frequentes a doença bipolar, perturbação depressiva, perturbação de ansiedade e ainda a perturbação de uso de substâncias.

No entanto, a recuperação é possível e a procura de apoio psicológico é certamente o primeiro passo, para uma vida mais equilibrada, saudável e feliz!

Fonte:

DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.

O ingresso no ensino superior

A transição do ensino secundário para o ensino superior pressupõe uma série de alterações na vida dos jovens estudantes. As suas características pessoais e as exigências inerentes ao contexto académico, como a exposição a outras realidades e culturas, a saída de casa dos pais e a necessidade de maior autonomia, implicam mudanças que podem configurar o aparecimento de algumas dificuldades.

Os estudantes universitários veem-se obrigados a desenvolver mecanismos adaptativos resultantes dos diferentes graus de autonomia e de maturidade. Novas responsabilidades como a gestão de um orçamento, do aluguer de uma casa ou quarto, a sua limpeza e manutenção, a aquisição e confeção das refeições, as alterações às rotinas habituais, os novos papéis e as novas relações e até mesmo a flexibilidade de regras o ensino superior, são fatores que exigem dos jovens uma maior capacidade de fazerem escolhas, tomarem decisões e resolverem problemas.

A vida académica tem novos desafios aos quais os jovens estudantes vão ter que se adaptar. A complexidade de algumas matérias, a exigência dos trabalhos e exames, as descobertas inerentes aos novos relacionamentos, como a sexualidade, o consumo de álcool, são exemplo de alguns aspetos por vezes adversos e que podem gerar ansiedade, no entanto, também poderão contribuir de forma positiva para o desenvolvimento psicossocial e criativo dos jovens universitários.

A maioria dos alunos que ingressa no ensino superior tem expectativas positivas em relação à experiência académica e às experiencias sociais inerentes. Porém, nem sempre a realidade corresponde às espectativas construídas ao longo dos últimos anos do ensino secundário. Este “desajuste” das espectativas manifesta-se tendencialmente durante o primeiro ano de faculdade, e por conseguinte, são por vezes sentidas maiores dificuldades de adaptação e menor desempenho académico.

No final da adolescência os alunos possuem uma personalidade em construção, influenciam e são influenciados pelos grupos em que se inserem de forma recíproca. O ingresso no ensino superior vai oferecer-lhes um contexto experimentalmente estimulante, novos padrões de interação psicossocial e atividades curriculares e extracurriculares que preparam os alunos para a vida ativa, expressa pelas mudanças na sua dimensão pessoal e interpessoal ao longo do percurso académico.

Embora requeira um período de adaptação e alguns obstáculos a enfrentar, a maioria dos jovens que ingressa no ensino superior, leva a cabo com sucesso o seu percurso académico. Se este período de adaptação for demasiado exigente para os recursos emocionais do jovem, o acompanhamento psicológico poderá ser um benefício importante a considerar, tendo em vista não só o sucesso académico mas também o equilíbrio e bem-estar do jovem!

Birras à mesa

Para muitas crianças e respetivas famílias, a hora das refeições pode ser um verdadeiro tormento. Gritam porque não querem ir para a mesa, desesperam os pais com intermináveis “já vou”, reclamam da comida, recusam-se a experimentar novos alimentos, enfim, um rol de dificuldades que podem transformar a refeição numa “guerra”.

O que fazer para lidar com estas dificuldades e ter uma refeição tranquila e prazerosa? Aqui ficam algumas dicas que podem ajudar caso o leitor se identifique com este tipo de problema. Comece por avisar que a hora da refeição está a chegar e dê algum tempo para que a criança possa acabar o que está a fazer e preparar-se para o momento. Seja um bom exemplo!  Para exigir a uma criança que se sente à mesa e lá permaneça durante a refeição, nada como todos o fazerem. A criança aprende principalmente por mimetismo. Tente fazer do momento da refeição um momento agradável e de partilha, em que todos fazem parte e intervêm, falam do seu dia e das suas atividades.

Procure incluir a criança na preparação do momento, ou seja, peça-lhe para ajudar a por a mesa ou para ajudar na preparação dos alimentos mais simples, sempre com a sua supervisão e controlo, claro. Coloque pequenas doses de comida no prato da criança, especialmente se se tratar de um alimento novo ou de um alimento de que ela gosta menos. Procure introduzir os alimentos novos um de cada vez e sempre acompanhados de outro alimento familiar de que a criança goste. Ofereça à criança alimentos simples e de fácil identificação. É frequente as crianças recusarem pratos muito complexos, com muitas misturas e muita variedade.

Faça da refeição um momento também de educação. Explique à criança o que vai comer e fale sobre a origem dos alimentos, obviamente de acordo com o nível de entendimento desta. Dê a escolher, se necessário, entre 2 alimentos diferentes mas idênticos em termos nutricionais. Isso fará com que a criança tenha o poder de decidir mas claro, limite-lhe as opções para que seja mais fácil. Estabeleça um limite de tempo razoável para a refeição. Após esse limite, retire o prato à criança e só volte a oferecer-lhe comida na refeição seguinte. Uma criança saudável não terá problemas se ficar sem comer a uma refeição, e por outro lado, precisa de aprender que existe um momento apropriado para o fazer – o momento em que a família está à mesa!

Bom apetite e sejam felizes, também á mesa!

Disciplinar é sobretudo ensinar

Perante os comportamentos difíceis das suas crianças, alguns pais sentem-se frustrados, culpados e até impotentes para lidarem com elas, levando a um desajuste emocional e à deterioração das relações familiares. Alguns comportamentos como as birras e os amuos, são de alguma forma normativos, porém constituem de facto um grande desafio para muitos educadores.

Quando a criança parece ter dificuldade em ouvir os pais, obedecer, cumprir regras e respeitar limites, os pais tendem a ficar emocionalmente desorganizados, acabando muitas vezes por ceder aos caprichos dos filhos, no sentido de reestabelecerem a tranquilidade de que necessitam. Por outro lado, os pais podem ficar muito zangados, com raiva, o que leva a que não consigam dar as respostas mais adequadas à situação. A disciplina positiva visa ajudar os pais a lidarem com os seus filhos e com os seus comportamentos por vezes desadequados, de uma forma mais adaptativa, benéfica e promotora do bem-estar e da harmonia familiar.

Foi socialmente aceite durante várias gerações, que os pais utilizassem a punição física como forma disciplinar os seus filhos. Hoje em dia, essa forma de punir é considerada uma forma de abuso, sabendo-se que as suas consequências são potencialmente negativas. Bater, para além de poder magoar a criança devido ao desequilíbrio entre a força e o porte de um adulto comparativamente à da criança, é também um exemplo de como resolver os problemas com recurso á violência, o que não é um bom modelo. Do mesmo modo, a recompensa material pode não ser a melhor forma de reforçar um comportamento positivo, sendo o elogio a opção mais recomendada. Contudo, e sem pretender adotar uma atitude extremista, há que ter noção daquilo que pode ser ou não uma agressão e daquilo que pode ser ou não uma recompensa material.

Os bons comportamentos são muitas vezes recompensados com doces, brinquedos, uma refeição preferida, tempo de écran, ou seja, algo que dá satisfação à criança e que está dentro das possibilidades dos pais. Os maus comportamentos são por vezes punidos com castigos corporais, como palmadas, puxões de orelhas, bofetadas ou gritos e abanões, estratégias muito eficazes no momento mas certamente pouco eficazes a longo prazo, uma vez que incutem o medo e não ensinam à criança nada de positivo. Também a retirada de privilégios é uma forma de disciplinar bastante comum. Ficar sem o brinquedo preferido, sem poder jogar ou ver vídeos nos dispositivos tecnológicos, deixar de poder ver televisão por um período de tempo ou ficar fechado no quarto, são exemplos de castigos por vezes utilizados pelos pais com o objetivo disciplinar os filhos.

A psicologia humanista teoriza sobre a possibilidade de se poderem utilizar um conjunto de “ferramentas” para ajudar as famílias a melhorarem o relacionamento entre pais e filhos, no que diz respeito à disciplina. Estas “ferramentas” baseiam-se no pressuposto de que as crianças beneficiam se aprenderem a cooperar, a autodisciplinarem-se, a responsabilizarem-se e a resolverem problemas. Este tipo de competências leva a que as crianças se desenvolvam de forma mais autónoma e confiante. A disciplina positiva assenta em cinco pressupostos claros e muito importantes para o sucesso da complexa tarefa de educar. Em primeiro lugar, disciplinar deve incluir firmeza mas também doçura e gentileza, bem como regras e limites bem definidos e coerentes. A disciplina positiva traduz-se no equilíbrio entre o autoritarismo e a permissividade, com vista á promoção do respeito mútuo.

Em segundo lugar está a importância atribuída à criança. Respeitar e saber ouvir a criança vai ensina-la a respeitar e saber ouvir os outros. Os pais são os primeiros modelos dos filhos, e estes tendem a repetir aquilo que observam.  Incluir os filhos nas decisões da família confere-lhes importância e o sentimento de pertença, fundamental para a cooperação necessária às relações familiares. Em terceiro lugar destaca-se a importância dos pais se conseguirem colocar no lugar dos filhos, ou seja, ter em conta o que estes sentem ou pensam de modo a poderem orienta-los na busca de soluções para os seus problemas e dificuldades. Em quarto lugar é de evidenciar a necessidade de oferecer às crianças a oportunidade de fomentar competências como responsabilidade, autocontrolo, empatia e respeito pelos outros, competências estas fundamentais no desenvolvimento psicossocial ao longo da vida. Por fim, mas não menos importante, está o facto de os pais poderem ensinar aos seus filhos a serem confiantes e a terem a possibilidade de aprender com os seus erros, evitando as críticas e os julgamentos.

Os fundamentos da disciplina positiva podem ser vistos como uma filosofia de vida, como uma forma mais adaptativa de enfrentar o enorme desafio da parentalidade, com todos os obstáculos que esta pode apresentar. Educar com respeito, amor, firmeza, responsabilidade, cooperação, afeto, rigor, aceitação, compaixão, envolvimento e empatia é educar de forma positiva. Desenvolver na criança a capacidade de autoconsciência leva a que esta evite determinados comportamentos, não por medo da punição mas sim por conseguir ter a consciência de que aquela não é a maneira correta de agir e porque lhe foram oferecidas e ensinadas as alternativas adequadas.

Disciplinar é mais fácil com amor, respeito, compreensão e tolerância!

Depressão ou distimia?

A depressão tem uma prevalência elevada nas perturbações do foro mental. Porém, nem tudo o que parece é. Há que avaliar cuidadosamente cada critério, cada conjunto de sintomas, uma vez que alguns podem ser comuns a mais do que uma perturbação.

A Distimia enquadra-se nas perturbações depressivas e caracteriza-se pela presença de humor depressivo durante a maior parte do dia, apresentado durante pelo menos dois anos em mais de metade dos dias. O seu diagnóstico assenta no relato subjetivo (ou por observação dos outros) de pelo menos dois ou mais dos seguintes sintomas: aumento ou diminuição do apetite; dificuldades de sono (ex. insónia); cansaço e/ou falta de energia; baixa autoestima; dificuldades de concentração; dificuldade na tomada de decisões e sentimentos de desesperança. No indivíduo com distimia, estes sintomas podem causar mal-estar clinicamente significativo e/ou défice social, ocupacional ou em qualquer outra área do seu funcionamento.

Associado á perturbação de Distimia pode também estar um mal-estar de cariz ansioso, melancólico ou até mesmo com características psicóticas. A distimia pode ter um início precoce, se os sintomas se manifestarem antes dos 21 anos, ou tardio, se após os 21 anos, e pode ir de ligeira a grave, dependendo da intensidade e frequência dos sintomas. A Distimia tem muitas vezes um início precoce e insidioso, (infância ou adolescência), e por norma um curso crónico. O início precoce está associado a uma maior probabilidade de perturbações da personalidade ou do abuso de substâncias psicoativas.

Os fatores de risco para a Distimia são multifatoriais, podendo ser genéticos/fisiológicos, ambientais (ex. perda ou separação parental) ou temperamentais, nomeadamente níveis elevados de afetividade negativa, maior gravidade dos sintomas, pior funcionamento global do individuo e a presença de perturbações de ansiedade ou perturbações do comportamento. A Distimia pode ter consequências marcantes na funcionalidade do individuo, dependendo do grau em que o afeta.

Fazendo uma comparação entre Distimia e Depressão, pode-se dizer de forma simples que a depressão surge muitas vezes de forma abrupta, habitualmente em consequência de um evento traumático, enquanto a distimia pode “instalar-se” de forma silenciosa, durante a infância ou a adolescência, podendo ser confundida com uma característica da personalidade. Em termos de sintomatologia, a Distimia apresenta sintomas tendencialmente mais brandos, sendo exemplo o pessimismo, a irritabilidade, a fadiga, a baixa autoestima, sentimentos de culpa, de insegurança, dificuldades na tomada de decisões e dificuldades relacionais. Na Depressão, os sintomas mais típicos são a apatia, a anedonia (falta de prazer em atividades anteriormente prazerosas), a tristeza profunda, o desalento, as dificuldades de concentração, de memória, a baixa produtividade e a ideação suicida.

Em termos terapêuticos, a Distimia habitualmente responde bem ao tratamento psicoterapêutico, visto que as sessões ajudam o paciente a lidar com os sintomas e a superar as dificuldades. Os pacientes distímicos frequentemente mantêm a sua funcionalidade, no entanto, em alguns casos pode ser também necessário recorrer à medicação para equilíbrio da bioquímica cerebral. Parece haver evidência de que a intervenção de orientação cognitivo-comportamental, apresenta uma boa eficácia em termos de abordagem psicoterapêutica. A facilitação da expressão emocional, o apoio nas tomadas de decisão, o treino assertivo, e a promoção do autoconhecimento, são exemplos de dimensões a explorar, que podem dar um ótimo contributo para o aumento da satisfação com a vida.

Dê atenção aos sinais, identifique os seus sintomas e, se for o caso, procure ajuda profissional para fazer uma avaliação psicológica. Cuide de si e viva com mais qualidade!

Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.