A cama dos pais

O Jorge e a Clara são um casal jovem com dois filhos. Uma filha de 7 anos e um menino de dois. Marcaram uma consulta de psicologia no “desespero” de não conseguirem tirar a filha mais velha da cama dos pais. “Há 7 anos que não sei o que é dormir sozinho com a minha mulher”, diz o Jorge, e a Clara esboça um sorriso tímido.

Após uma avaliação psicológica feita à criança, percebe-se que não há nenhuma perturbação com significado clínico, mas sim apenas uma questão comportamental, aparentemente fácil de resolver. Com uma estratégia relativamente simples, no espaço de uma semana a menina passou a dormir tranquilamente na sua cama, no quarto que partilha com o irmão.

Três semanas depois, em consulta, os pais referem: “Nós não acreditávamos mesmo que fosse possível, estamos muito surpreendidos mas muito felizes”! O comportamento da menina mantém-se até hoje. Já passaram 6 meses.

O meu filho é um adolescente!

A puberdade traz grandes e rápidas mudanças físicas, emocionais e sexuais, sobre as quais os jovens não têm controlo. Estas mudanças requerem uma adaptação e uma compreensão das mesmas, sendo por vezes difícil ao adolescente lidar com o seu corpo e com os seus pensamentos, o que pode conduzi-lo a sentimentos de ansiedade mas também ao isolamento social.

Perante algumas questões como “será normal a minha aparência’” ou “o que é que os outros pensam de mim?”, o adolescente toma consciência de si mesmo mas também pode sentir alguma angústia, pela inevitabilidade das mudanças com as quais está a ter que lidar, sem que muitas vezes esteja preparado para tal. Por vezes, a segurança e as certezas da infância parecem desaparecer, dando lugar á incerteza e à ansiedade. Estes sentimentos são normativos, desde que o jovem consiga manter a sua funcionalidade a aos poucos, adaptar-se a um novo corpo, a um novo modo de estar e de se sentir. Porém, alguns adolescentes, pelas suas características, demoram mais tempo a fazer essa adaptação, com custos elevados no seu bem-estar pessoal, familiar e relacional.

A adolescência pressupõe uma “montanha russa” de emoções, que oscilam entre a alegria ou o entusiasmo e a tristeza ou o desespero. Crescer é difícil e emocionalmente exigente, e por vezes os sentimentos de confiança e independência dão subitamente lugar ao medo e à insegurança. Durante a adolescência, os jovens desenvolvem-se emocionalmente através de uma importante mudança no modo como se vêm a si mesmos e como compreendem a sua identidade. Procuram identificar-se com diferentes estilos de vida, modos de vestir e de se comportar, mas o autoconhecimento e a sua afirmação enquanto indivíduos, é geralmente um processo lento, stressante e doloroso.

Em termos relacionais, na adolescência os pares assumem uma importância maior, perturbando por vezes a relação do jovem com a família. Se por um lado a relação com os amigos é importante pela lealdade e amizade intensa que está implícita, bem como pela partilha e pela possibilidade de se expressarem, por outro lado, os jovens passam a aceitar dos pais uma menor influência nas suas decisões, podendo criar conflitos, com maior ou menor gravidade. No entanto, á medida que o tempo passa, o jovem vai descobrindo sua própria identidade e o seu lugar no mundo. Na maioria das vezes, ao entrarem na idade adulta, as tensões e os conflitos de gerações tendem a dissipar-se e a família volta a assumir uma importância de maior relevo na vida do jovem adulto.

O que podem os pais fazer no sentido de ajudar os seus filhos a ultrapassarem esta fase de crescimento, e ao mesmo tempo se regularem a si mesmos perante situações de conflito geracional? Esta é uma questão que muitos pais colocam com grande pertinência, uma vez que com o passar do tempo, os adultos podem ficar um pouco esquecidos e “desatualizados” acerca das tendências das novas gerações. Em primeiro lugar, perante um comportamento que possa parecer algo desadequado, é importante que os pais possam dar um passo atrás e refletir acerca do que foi a sua própria adolescência e de como se comportavam, perante determinados desafios, bem como na forma como se relacionavam com os seus próprios pais. A tolerância é a palavra-chave. Racionalizar e analisar que comportamentos podemos admitir, por serem inócuos e não constituírem perigo ou ameaça, quer à integridade dos jovens, quer ao sistema de valores da família e da sociedade, pode ser um caminho.

Por outro lado, há que estabelecer e fazer cumprir limites, o que de resto, deve já ser um hábito que vem da infância. Por vezes os pais têm sentimentos ambíguos, no que diz respeito às regras a estabelecer nesta fase da vida dos seus filhos. No entanto, estas são fundamentais tanto para a harmonia familiar como para a estruturação da personalidade do jovem. As imposições dos pais por vezes causam revolta e rebeldia nos adolescentes, que podem responder com indiferença ou revolta. Quebrar regras faz parte também do processo de desenvolvimento, porém, como em tudo na vida, o difícil é encontrar o equilíbrio entre sermos pais intransigentes ou pais negligentes. Para isso há que ajudar os jovens a entenderem o porquê de determinada regra e a razão para certos limites. É importante que os pais deixem bem claros os seus valores e até onde é que estão dispostos a serem flexíveis, assim como informarem os filhos, acerca do que para os si é inaceitável.

É bom ter em atenção outros fatores que podem coincidir com o período de adolescência dos filhos, como por exemplo uma separação ou divórcio, um novo relacionamento de um dos pais ou de ambos, o aparecimento de novos irmãos, ou situações como a mudança de casa, de cidade ou de país. Também podem ser relevantes outros acontecimentos como a mudança de emprego ou a reforma dos pais. Estas são situações comuns e que não têm necessariamente que ser um problema, mas podem potenciar algum nível de conflito ou de dificuldade de adaptação dos jovens, num momento do seu desenvolvimento em que estão naturalmente mais vulneráveis. Todos estes exemplos, por si só são potenciadores de ansiedade e de alguma instabilidade familiar, pelo que para os adolescentes, podem-se tornar mais difíceis de ultrapassar e ser necessária uma ajuda extra.

Outro assunto que surge com a entrada na adolescência é o sexo. Se para a maioria dos jovens é praticamente impossível conceberem que os pais possam ter uma vida sexualmente ativa, também para os pais pode não ser fácil de aceitar a eminência da iniciação sexual dos seus filhos. Porém, será certamente benéfico que os jovens estejam informados, no sentido de evitarem situações de risco. Assim, aos pais pode caber o papel de educadores a este nível, falando abertamente com os seus filhos adolescentes, sem tabus mas com respeito, mostrando abertura para o esclarecimento de dúvidas e o debate de ideias. Temas como a homossexualidade, a contraceção, as doenças sexualmente transmissíveis e também os sentimentos e emoções, entre outros, poderão ser debatidos em família, com maior ou menor intimidade, consoante o tipo constelação e relacionamento interpessoal familiar. Deste modo, os jovens poderão sentir-se mais confiantes e mais preparados para fazerem as suas escolhas.

Seja tolerante e principalmente atento ao seu filho adolescente. Ajude-o a atravessar esta fase por vezes difícil e solitária.

Adolescência: regulação emocional e relacional

O desenvolvimento de competências sociais resulta da aprendizagem comportamental e relacional positiva. A adolescência, é um período da vida em que o relacionamento interpessoal sofre grandes alterações, em que se estabelecem novos relacionamentos e em que as relações com o grupo de pares assumem uma maior relevância.

Atualmente, a intervenção precoce na área da saúde mental juvenil, por meio de estratégias de prevenção e promoção da saúde e de estilos de vida saudáveis, assume cada vez mais importância. As normas internacionais orientam para uma maior preocupação com este assunto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2001) determinadas perturbações mentais como a ansiedade ou a depressão, podem derivar da dificuldade de alguns jovens em lidarem com o stresse gerado pelas relações sociais. Assim, torna-se fundamental o desenvolvimento de competências socio emocionais.

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Saúde mental: atenção aos sinais e aja precocemente

Não há nada exterior a nenhum de nós que nos possa garantir ausência de sofrimento. Ainda que muitos possamos ter todas as coisas que tipicamente utilizamos para medir o sucesso externo (ex. boa aparência, pais carinhosos, filhos incríveis, estabilidade financeira, bons amigos, uma relação conjugal satisfatória, etc.) isso pode não ser suficiente para garantir o nosso bem-estar psicológico.

 Os seres humanos podem usufruir de várias formas de conforto, entusiasmo e diversão, e mesmo assim experimentar grande sofrimento emocional. Os investigadores na área da psiquiatria e psicologia estão familiarizados com as sombrias estatísticas que confirmam uma dura realidade de indivíduos com enorme dor emocional, desespero e angustia. Estudos promovidos pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), por exemplo, revelam que as taxas de prevalência de perturbação mental ao longo da vida rondam atualmente os cerca de 50%.Muitas pessoas apresentem sofrimento emocional em consequência de problemas no trabalho, nos relacionamentos, na parentalidade e com as transições naturais do curso de vida, entre outros (Kessler et al., 2005).

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Eu quero a mãe…

Dentro do espectro das perturbações de ansiedade na infância e na adolescência, a ansiedade de separação é uma das formas mais expressivas e que pode ter consequências com impacto muito significativo na vida da criança e da família.

A ansiedade de separação caracteriza-se essencialmente por um medo excessivo da separação das figuras de vinculação ou de referência, habitualmente os pais ou outros cuidadores que os substituem. Este medo pode começar a manifestar-se por volta dos oito meses de idade, no entanto, a perturbação de ansiedade de separação tem por norma o seu início entre os 7 e os 12 anos, podendo em alguns casos ter um começo mais precoce e manifestar-se antes dos 6 anos. A investigação nesta área aponta para uma prevalência de 3 a 13% em crianças e 1,8 a 2,4% em adolescentes, com maior incidência no sexo feminino (Costello & Angold, 1995).

Dentro dos critérios de diagnóstico desta perturbação, encontram-se manifestações como a ansiedade excessiva e desadequada para a idade da criança/adolescente em situações em que tem que se separar dos pais, como por exemplo quando tem que ficar na escola ou na casa de outro familiar. Estas crianças tendem a sentir um mal-estar desmedido e persistente sempre que situações de separação são antecipadas, podendo manifestar sintomas físicos como dores de barriga, náuseas ou dores de cabeça, entre outros.

Crianças com perturbação de ansiedade de separação revelam uma preocupação excessiva pela perda dos pais ou por possíveis males que lhes possam acontecer, assim como um medo exagerado de poderem ser raptadas ou de se perderem. É ainda comum apresentarem grande relutância em estarem sozinhos em casa ou noutros locais sem a companhia de um adulto significativo. Também o dormir ou adormecer sozinho pode ser uma dificuldade e pode ser frequente terem pesadelos que envolvam o tema da separação das figuras parentais.

São várias são as consequências negativas desta perturbação e podem afetar a vários níveis. Por vezes, a dificuldade em ficar na escola ou em se manter lá pelo tempo que seria suposto, pode levar a uma menor participação nas atividades curriculares e ao decréscimo do rendimento escolar. Por outro lado, os pais, poderão ver a sua atividade laboral prejudicada e interrompida por telefonemas constantes por parte dos educadores/professores ou pela própria criança/adolescente, com solicitações para o irem buscar. Com o medo de se afastarem dos pais, as crianças/adolescentes podem perder oportunidades de socialização e de divertimento como festas de aniversário, passeios da escola ou estadias em campos de férias, com tudo o que de divertido e desafiante essas situações podem proporcionar e que são tão importantes para o desenvolvimento saudável das crianças/jovens.

Esta perturbação causa grande sofrimento e pode conduzir a situações extremas, devendo por isso ser tratada com cautela e ser alvo de intervenção. Situações desadequadas como ter medo de estar sozinho na casa-de-banho mesmo com os pais em casa ou recusar-se em ir à escola, podem ocorrer causando grande stresse familiar. Para além disso, este tipo de perturbação poderá ser um fator de risco para o desenvolvimento de perturbação de pânico ou agorafobia na idade adulta. Perante um quadro de manifestação deste tipo de sintomas ou comportamentos, os pais ou cuidadores deverão pedir ajuda especializada para avaliação do caso, de modo a permitir a intervenção adequada à situação, no sentido de reduzir os impactos negativos que o problema poderá ter, quer na vida emocional e social da criança/adolescente, quer nas suas rotinas diárias.

Fontes:

Costello, E. J., & Angold, A. (1995). Developmental epidemiology. In D. Cicchetti & D. J. Cohen (Eds.), Developmental psychopathology, Vol. 1. Theory and methods (pp. 23–56). John Wiley & Sons.

Figueroa, A., Soutullo, C., Ono, Y., & Saito, K. (2015). Ansiedade de separação. IACAPAP e-Textbook of Child and Adolescent Mental Health.(edição em Português.

Processo de avaliação psicológica

A avaliação psicológica insere-se nas competências profissionais exclusivas do Psicólogo/a e só a este/a é conferida legitimidade para a realização deste trabalho, com recurso a técnicas e instrumentos específicos para o efeito e para cuja utilização está capacitado.

O processo de avaliação psicológica tem início sempre que é pedida a resposta a uma questão ou um parecer profissional sobre um determinado caso ou indivíduo. O psicólogo/a analisa até que ponto se sente habilitado para dar resposta a esse pedido, mas também deve verificar se este se encontra dentro dos critérios éticos estabelecidos pelo código deontológico, que tem por objetivo guiar este profissional de saúde mental, no sentido de práticas de excelência, garantindo que o seu exercício profissional é o máximo ético e não o mínimo aceitável (Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Diário da República, 2.ª série — N.º 78 — 20 de Abril de 2011).

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Mitos e crenças sobre luto infantil

Há por vezes uma tendência para se pensar que as crianças e os adolescentes não compreendem nem sofrem, da mesma forma que os adultos, o impacto causado por uma perda. No entanto, talvez não seja bem assim…

O senso comum tende a considerar que as crianças e os adolescentes esquecem facilmente as perdas, e necessitariam apenas de ver asseguradas as suas necessidades e ritmos diários por um outro adulto capaz, para conseguirem continuar a viver bem e felizes. Cabe então desvendar alguns mitos relacionados com o luto infantil e as reais consequências ao lidar com as perdas. O primeiro mito tem a ver com o facto de as crianças não poderem vivenciar o luto devido à sua imaturidade psicológica e por não compreenderem o conceito de irreversibilidade. É certo que muitas vezes o tema da morte não é falado com as crianças, porque “elas não compreendem” ou porque “lhes faz mal“. O facto é que, tal como os adultos, todas as crianças fazem luto em todas as idades, e o seu desenvolvimento experiências de vida influenciam o seu processo de luto, e daí se manifestar de diferentes formas.

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O psicólogo educacional

A psicologia da educação é o estudo científico dos processos psicológicos em contexto educacional. O psicólogo educacional desempenha um papel de extrema importância em contexto escolar ou académico, tendo em conta os inúmeros desafios que os tempos atuais oferecem.

A psicologia educacional é uma ciência aplicada com o rigoroso conhecimento dos métodos de investigação e avaliação em psicologia, e das formas de os utilizar na prática do dia-a-dia, em diferentes situações e de intervir e regular essa intervenção. Assim, a psicologia da educação serve para ajudar a alcançar objetivos em melhores condições, permitindo uma maior qualidade, eficácia, segurança, controlo, planeamento, flexibilidade, adaptabilidade e previsibilidade dos processos educacionais.

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Hiperatividade e défice de atenção, como diagnosticar?

A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma perturbação do desenvolvimento cerebral caracterizada por 3 sintomas principais: desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Ouvimos muitas vezes dizer que hoje em dia há muitas crianças hiperativas ou com défice de atenção, e que muitas delas estão medicadas, o que por vezes causa grande preocupação e estranheza. No entanto, a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma das patologias mais prevalentes na infância. Porém por vezes, pode não estar bem diagnosticada, ou seja, podemos hipervalorizar alguns comportamentos das crianças ou pelo contrário, desvalorizar outros tantos, como que se estivéssemos em negação do problema. Os profissionais de saúde qualificados para avaliar este tipo de patologias são os psiquiatras e os psicólogos. Para apoiar numa correta avaliação, a Associação Americana de Psiquiatria (APA) definiu no seu Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V), os vários critérios a levar em consideração numa correta avaliação da PHDA.

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A avaliação psicológica e os vários modelos teóricos

A avaliação psicológica desenvolveu-se através de diferentes quadros teóricos e modelos, com metas e objetivos distintos e complementares. Os modelos mais relevantes para a avaliação em psicologia são o traço, o médico, o cognitivo, o comportamental, o psicodinâmico e o construtivista (Fernández-Ballesteros, 2004).

O modelo traço tem por base as características individuais da pessoa. É uma abordagem que tem como objetivo primário descobrir o verdadeiro valor de uma característica específica e relacionar a sua verdadeira posição com um grupo normativo. É um modelo que utiliza várias técnicas psicométricas de recolha de informação e que tem como finalidade fazer a previsão de comportamentos futuros, ao mesmo tempo que ajuda os psicólogos na classificação e na descrição do indivíduo avaliado.

O modelo médico parte do pressuposto de que a explicação de um comportamento tem por base variáveis internas ou endógenas. Tem como foco a descrição de critérios e a classificação das perturbações mentais, tendo levado ao desenvolvimento de sistemas específicos de classificação, como é o caso do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V) da Associação Americana de Psiquiatria. Este modelo utiliza um sistema de classificação que tem como finalidade oferecer descrições claras dos critérios de diagnóstico das respetivas perturbações.

 O modelo cognitivo tem como objeto as estruturas e os processos mentais, e como objetivo a descrição, a predição, a explicação e a avaliação dos mesmos. É uma abordagem focada no estudo dos processos cognitivos e na sua influência e determinação sobre os comportamentos do indivíduo. A avaliação à luz deste modelo centra-se particularmente no desempenho dos sujeitos em tarefas cognitivas (Fernández-Ballesteros, 2004). Ao avaliar-se um indivíduo com base neste modelo, o psicólogo foca-se no que ocorre quando o indivíduo adquire informação nova e em como a elabora e imite, ou seja, como esta se manifesta no seu comportamento.

O modelo comportamental tem como objetivo a descrição, a predição, a explicação funcional, isto é a necessidade de intervenção, bem como a avaliação dos resultados da mesma. Esta abordagem sustenta-se através da premissa de que o comportamento humano pode ser explicado pela interação do indivíduo com o contexto, diferenciando 3 sistemas (motor, cognitivo, e psicofisiológico) e postulando que os problemas psicológicos advêm de múltiplas causas, principalmente ambientais. Assim, a avaliação comportamental pressupõe uma análise de múltiplos métodos, em que a avaliação das condições comportamentais, ambientais e interações adjacentes a estas, são efetuadas através da observação, do autorrelato e de técnicas psicofisiológicas.

Quanto ao modelo psicodinâmico, este centra-se essencialmente nos processos mentais inconscientes e na sua dinâmica por vezes conflituante, geradora de ansiedade. Foca-se também nos mecanismos de defesa do indivíduo e nos seus padrões interpessoais, regidos pelas suas experiências ao longo do desenvolvimento. Esta abordagem teórica explica aspetos estruturais e dinâmicos da personalidade, enfatizando os processos inconscientes do indivíduo. Como instrumentos de diagnóstico diferencial pode recorrer a técnicas projetivas, sendo estas facilitadoras das respostas livres. Este tipo de provas/testes procura obter respostas com um conteúdo rico em detalhes e centra-se na interpretação do mesmo.

Por último, o modelo construtivista, que tem como alvo o estudo dos sistemas de constructo pessoais e as narrativas do indivíduo. Ao contrário dos modelos anteriormente referidos, o modelo construtivista segue uma linha teórica que dita que cada indivíduo constrói a sua própria perceção da realidade. O principal objetivo deste modelo de avaliação é perceber a essência do indivíduo, focando-se na singularidade e unicidade de cada pessoa, bem como no modo como ela se vê a si mesmo e ao contexto onde está inserida. A avaliação do indivíduo é um processo de construção que emerge da interação entre o avaliador e o avaliado.

A avaliação psicológica é uma área amplamente desenvolvida e multimodal, uma vez que encerra em si diferentes quadros teóricos, cada um com as suas especificidades e objetivos. A diversidade de modelos permite ao psicólogo, assumir uma atitude integrativa e eclética, utilizando as múltiplas técnicas e instrumentos de avaliação que os vários modelos colocam à sua disposição.

Fonte:

Fernández-Ballesteros, R. (2004). Assement and Evaluation, Overview. In Spielberger, C. (Ed.). Encyclopedia of Applied Psychology (Vol. 2, p. 163-176). Oxford, UK: Elsevier.