A enurese noturna é uma perturbação de eliminação comum na infância, de etiologia multifatorial e com impacto significativo no funcionamento emocional da criança e no contexto familiar. A perspetiva cognitivo-comportamental permite integrar fatores biológicos, comportamentais e cognitivos, oferecendo um enquadramento clínico consistente e intervenções baseadas na evidência.
A enurese noturna, definida como a eliminação involuntária de urina durante o sono, em crianças numa idade em que já seria esperado controlo esfincteriano noturno, constitui uma das perturbações de eliminação mais frequentes na infância. Apesar da sua elevada prevalência, continua a ser rodeada de mitos, sentimentos de vergonha e interpretações moralizantes, o que pode agravar o impacto psicológico na criança e na família. A Psicologia Cognitivo-Comportamental (PCC) oferece um enquadramento particularmente útil para a compreensão e intervenção na enurese, ao integrar fatores fisiológicos, comportamentais, cognitivos e relacionais.
O Natal reúne símbolos que marcam a infância e influenciam a forma como crescemos. Entre eles, o Menino Jesus e o Pai Natal ocupam lugares especiais no imaginário das famílias. A psicologia ajuda-nos a compreender como estas figuras moldam emoções, crenças e memórias.
A época natalícia é um período especialmente rico do ponto de vista psicológico, combinando tradições, emoções e símbolos que acompanham as famílias ao longo de gerações. Entre esses símbolos surgem duas figuras muito presentes no imaginário infantil e adulto: o Menino Jesus e o Pai Natal. Embora pertençam a universos diferentes, um ligado à espiritualidade e à narrativa religiosa do nascimento, outro à fantasia lúdica e social, ambos desempenham papéis complementares no desenvolvimento emocional das crianças.
Nos dias de hoje, a adolescência apresenta-se como uma fase do desenvolvimento particularmente desafiadora, não apenas pelas transformações fisiológicas e emocionais, mas também pelas novas exigências sociais e tecnológicas que moldam a forma como os jovens comunicam entre si. Apesar de estarem permanentemente ligados através de redes sociais e dispositivos móveis, muitos adolescentes revelam uma acentuada dificuldade em estabelecer relações interpessoais saudáveis e eficazes com os seus pares. Este fenómeno, frequentemente observado por educadores, pais e psicólogos, levanta preocupações relativamente ao desenvolvimento de competências relacionais fundamentais para a saúde mental e bem-estar ao longo da vida.
A adolescência é uma fase crítica para o desenvolvimento das competências sociais. É nesta etapa que os jovens experimentam, constroem e consolidam a sua identidade social, explorando papéis e procurando a aceitação no grupo de pares. No entanto, o contexto atual, fortemente influenciado pela digitalização da comunicação, alterou profundamente os modos de interação entre os adolescentes. O contacto cara-a-cara, essencial para a aquisição de competências relacionais como a empatia, a escuta ativa e a leitura da linguagem não verbal, tem vindo a ser progressivamente substituído por interações mediadas por écrans, principalmente mensagens escritas (Twenge, 2017).
Atualmente, a Internet está presente em todos os contextos das nossas vidas, para o bem e para o mal. Se algumas pessoas têm mais facilidade em controlar a sua utilização e fazê-la de forma adequada, outras tendem a deixar-se levar mais facilmente pela diversidade de temas e atividades a que ela dá acesso. E como é com as crianças?
Se para muitos adultos, pode ser difícil dar bom uso à Internet e ao que ela permite, para as crianças será certamente mais difícil. Os mais novos têm tendencialmente maior dificuldade em controlar o tempo despendido em atividades online, bem como a selecionar conteúdos adequados á sua faixa etária. Quem tem filhos ou crianças pequenas a seu cargo, poderá seguir algumas recomendações muito úteis e que, se levadas a sério e de forma consistente, podem ajudar prevenir situações de dependência da Internet. Este é um tema que preocupa cada vez mais pais, educadores e outros profissionais que lidam diariamente com essa problemática.
Com o aumento da esperança média de vida, a população portuguesa está claramente a envelhecer. Nascem menos, morre-se mais tarde e temos na nossa população cada vez mais idosa, com tudo o que isso acarreta, quer a nível do bem-estar pessoal, como a nível social, pelo impacto de algumas doenças associadas ao envelhecimento. A Demência é uma delas.
Havendo mais idosos, as problemáticas que caracterizam esta faixa etária tendem a ser mais prevalentes. Se noutros tempos a maior parte das pessoas morria antes dos 75 anos, hoje em dia, houve já a necessidade de se estabelecer uma quarta idade, uma vez que há cada vez mais pessoas que ultrapassam a fasquia dos 90, bem como aqueles que chegam a centenários. Assim, se anteriormente a Demência era uma patologia que afetava principalmente os que estoicamente chegavam a velhos, hoje em dia a probabilidade de se ficar demente aumenta com a possibilidade de se poder viver mais.
Na terapia de casal a intervenção foca-se essencialmente no casal e não na relação em si. O importante é avaliar cada elemento do casal e intervir no sentido de melhorar a sua saúde emocional. Pessoas emocionalmente estáveis tendem a ter relações mais saudáveis e satisfatórias.
Os “ingredientes” mais importantes para o sucesso de uma terapia de casal são o amor e a vontade de continuarem juntos. Alguns dos erros mais comuns dos casais com dificuldades relacionais são a procura de ajuda muito tardia; quando um elemento do casal quer pedir apoio e o outro vai “por arrasto” (falta de sintonia no processo de mudança); quando um dos elementos não reconhece que há um problema (fase de não contemplação); quando um ou os dois elementos do casal reconhecem que há problemas, mas não estão preparados para a mudança (contemplação); quando um dos dois pode não estar preparado para a ação (empreender ações de mudança) e quando há a crença de que o caminho de ambos passa por continuarem juntos, o que pode não ser a melhor opção…
Para muitas crianças e respetivas famílias, a hora das refeições pode ser um verdadeiro tormento. Gritam porque não querem ir para a mesa, desesperam os pais com intermináveis “já vou”, reclamam da comida, recusam-se a experimentar novos alimentos, enfim, um rol de dificuldades que podem transformar a refeição numa “guerra”.
O que fazer para lidar com estas dificuldades e ter uma refeição tranquila e prazerosa? Aqui ficam algumas dicas que podem ajudar caso o leitor se identifique com este tipo de problema. Comece por avisar que a hora da refeição está a chegar e dê algum tempo para que a criança possa acabar o que está a fazer e preparar-se para o momento. Seja um bom exemplo! Para exigir a uma criança que se sente à mesa e lá permaneça durante a refeição, nada como todos o fazerem. A criança aprende principalmente por mimetismo. Tente fazer do momento da refeição um momento agradável e de partilha, em que todos fazem parte e intervêm, falam do seu dia e das suas atividades.
Procure incluir a criança na preparação do momento, ou seja, peça-lhe para ajudar a por a mesa ou para ajudar na preparação dos alimentos mais simples, sempre com a sua supervisão e controlo, claro. Coloque pequenas doses de comida no prato da criança, especialmente se se tratar de um alimento novo ou de um alimento de que ela gosta menos. Procure introduzir os alimentos novos um de cada vez e sempre acompanhados de outro alimento familiar de que a criança goste. Ofereça à criança alimentos simples e de fácil identificação. É frequente as crianças recusarem pratos muito complexos, com muitas misturas e muita variedade.
Faça da refeição um momento também de educação. Explique à criança o que vai comer e fale sobre a origem dos alimentos, obviamente de acordo com o nível de entendimento desta. Dê a escolher, se necessário, entre 2 alimentos diferentes mas idênticos em termos nutricionais. Isso fará com que a criança tenha o poder de decidir mas claro, limite-lhe as opções para que seja mais fácil. Estabeleça um limite de tempo razoável para a refeição. Após esse limite, retire o prato à criança e só volte a oferecer-lhe comida na refeição seguinte. Uma criança saudável não terá problemas se ficar sem comer a uma refeição, e por outro lado, precisa de aprender que existe um momento apropriado para o fazer – o momento em que a família está à mesa!
Perante os comportamentos difíceis das suas crianças, alguns pais sentem-se frustrados, culpados e até impotentes para lidarem com elas, levando a um desajuste emocional e à deterioração das relações familiares. Alguns comportamentos como as birras e os amuos, são de alguma forma normativos, porém constituem de facto um grande desafio para muitos educadores.
Quando a criança parece ter dificuldade em ouvir os pais, obedecer, cumprir regras e respeitar limites, os pais tendem a ficar emocionalmente desorganizados, acabando muitas vezes por ceder aos caprichos dos filhos, no sentido de reestabelecerem a tranquilidade de que necessitam. Por outro lado, os pais podem ficar muito zangados, com raiva, o que leva a que não consigam dar as respostas mais adequadas à situação. A disciplina positiva visa ajudar os pais a lidarem com os seus filhos e com os seus comportamentos por vezes desadequados, de uma forma mais adaptativa, benéfica e promotora do bem-estar e da harmonia familiar.
Foi socialmente aceite durante várias gerações, que os pais utilizassem a punição física como forma disciplinar os seus filhos. Hoje em dia, essa forma de punir é considerada uma forma de abuso, sabendo-se que as suas consequências são potencialmente negativas. Bater, para além de poder magoar a criança devido ao desequilíbrio entre a força e o porte de um adulto comparativamente à da criança, é também um exemplo de como resolver os problemas com recurso á violência, o que não é um bom modelo. Do mesmo modo, a recompensa material pode não ser a melhor forma de reforçar um comportamento positivo, sendo o elogio a opção mais recomendada. Contudo, e sem pretender adotar uma atitude extremista, há que ter noção daquilo que pode ser ou não uma agressão e daquilo que pode ser ou não uma recompensa material.
Os bons comportamentos são muitas vezes recompensados com doces, brinquedos, uma refeição preferida, tempo de écran, ou seja, algo que dá satisfação à criança e que está dentro das possibilidades dos pais. Os maus comportamentos são por vezes punidos com castigos corporais, como palmadas, puxões de orelhas, bofetadas ou gritos e abanões, estratégias muito eficazes no momento mas certamente pouco eficazes a longo prazo, uma vez que incutem o medo e não ensinam à criança nada de positivo. Também a retirada de privilégios é uma forma de disciplinar bastante comum. Ficar sem o brinquedo preferido, sem poder jogar ou ver vídeos nos dispositivos tecnológicos, deixar de poder ver televisão por um período de tempo ou ficar fechado no quarto, são exemplos de castigos por vezes utilizados pelos pais com o objetivo disciplinar os filhos.
A psicologia humanista teoriza sobre a possibilidade de se poderem utilizar um conjunto de “ferramentas” para ajudar as famílias a melhorarem o relacionamento entre pais e filhos, no que diz respeito à disciplina. Estas “ferramentas” baseiam-se no pressuposto de que as crianças beneficiam se aprenderem a cooperar, a autodisciplinarem-se, a responsabilizarem-se e a resolverem problemas. Este tipo de competências leva a que as crianças se desenvolvam de forma mais autónoma e confiante. A disciplina positiva assenta em cinco pressupostos claros e muito importantes para o sucesso da complexa tarefa de educar. Em primeiro lugar, disciplinar deve incluir firmeza mas também doçura e gentileza, bem como regras e limites bem definidos e coerentes. A disciplina positiva traduz-se no equilíbrio entre o autoritarismo e a permissividade, com vista á promoção do respeito mútuo.
Em segundo lugar está a importância atribuída à criança. Respeitar e saber ouvir a criança vai ensina-la a respeitar e saber ouvir os outros. Os pais são os primeiros modelos dos filhos, e estes tendem a repetir aquilo que observam. Incluir os filhos nas decisões da família confere-lhes importância e o sentimento de pertença, fundamental para a cooperação necessária às relações familiares. Em terceiro lugar destaca-se a importância dos pais se conseguirem colocar no lugar dos filhos, ou seja, ter em conta o que estes sentem ou pensam de modo a poderem orienta-los na busca de soluções para os seus problemas e dificuldades. Em quarto lugar é de evidenciar a necessidade de oferecer às crianças a oportunidade de fomentar competências como responsabilidade, autocontrolo, empatia e respeito pelos outros, competências estas fundamentais no desenvolvimento psicossocial ao longo da vida. Por fim, mas não menos importante, está o facto de os pais poderem ensinar aos seus filhos a serem confiantes e a terem a possibilidade de aprender com os seus erros, evitando as críticas e os julgamentos.
Os fundamentos da disciplina positiva podem ser vistos como uma filosofia de vida, como uma forma mais adaptativa de enfrentar o enorme desafio da parentalidade, com todos os obstáculos que esta pode apresentar. Educar com respeito, amor, firmeza, responsabilidade, cooperação, afeto, rigor, aceitação, compaixão, envolvimento e empatia é educar de forma positiva. Desenvolver na criança a capacidade de autoconsciência leva a que esta evite determinados comportamentos, não por medo da punição mas sim por conseguir ter a consciência de que aquela não é a maneira correta de agir e porque lhe foram oferecidas e ensinadas as alternativas adequadas.
Disciplinar é mais fácil com amor, respeito, compreensão e tolerância!
Síndrome de “ninho vazio” é a denominação dada a um conjunto de sentimentos e emoções que os pais habitualmente experienciam, aquando da saída dos seus filhos da casa da família. Esta síndrome não é uma patologia, no entanto pode ser vivida de forma mais ou menos intensa e ser algo perturbadora.
Independentemente de se ter apenas um filho ou vários, vê-los sair de casa para estudar, trabalhar, casar ou o que quer que seja, desencadeia nos pais sentimentos por vezes muito contraditórios. A ambivalência de sentimentos como orgulho de os ver crescer e atingir autonomia e independência, e a sensação de vazio que causa a sua ausência, podem afetar tanto o pai como a mãe. No entanto, a mãe é tipicamente a que mais se manifesta… Muitos pais têm extrema dificuldade em conceber as suas vidas longe dos filhos, vivendo esta fase com muita angústia e sofrimento.
Os desafios da parentalidade são muitos e a adolescência pode ser um dos mais complexos. No entanto, nem todos os adolescentes são problemáticos e nem todos os pais apresentam grandes dificuldades em lidar com os seus filhos, durante esta fase do seu desenvolvimento.
Não há uma fórmula mágica nem um livro de instruções que ajude os pais a educarem os seus filhos. Cada individuo e cada família têm as suas especificidades, e que está certo e resulta como regra numa família, pode não se adequar a outra. Porém, ao longo do tempo, vários estudos na área da psicologia, mais especificamente na área da parentalidade e do desenvolvimento, revelam que algumas práticas podem ser muito úteis aos pais, para ajudarem os seus filhos a ultrapassar esta fase da vida, algumas vezes muito difícil, mas também para se ajudarem a si mesmos a exercer a parentalidade de forma mais tranquila…
A primeira sugestão é que se estabeleçam regras e limites (de preferência desde a infância) uma vez que o cumprimento dos limites será uma tarefa a ter em conta ao longo da vida, sendo que vivemos inseridos numa sociedade organizada. Estabelecer regras e limites, e fazer com que sejam cumpridas, não significa sermos “pais ditadores” e as exceções também fazem parte da equação. Mantenha o controlo, mas ao mesmo tempo permita um diálogo aberto com os seus filhos, não só para que estes possam expressar os seus pensamentos e emoções, mas também para que as várias situações possam ser reavaliadas e com eles possa negociar. Procure manter em aberto, o mais possível, todas as linhas de comunicação com os seus filhos. Crianças e adolescentes que sentem que são ouvidos e compreendidos veem potenciado o seu desenvolvimento emocional e desempenho escolar.
É fundamental conseguir manter o equilíbrio saudável entre privacidade e vigilância. Se por um lado proibir aumenta a curiosidade e a vontade de desafiar a regra, por outro lado, perseguir também pode trazer consequências bastante difíceis de aceitar e entender. O ideal será dar liberdade com responsabilidade, mantendo-se atento ao que se passa com os seus filhos. Mudanças bruscas do humor ou do comportamento podem indiciar problemas que precisam de ser resolvidos. O seu papel é estar lá, estar disponível para que o seu filho em dificuldades recorra a si. Demonstrar ao seu filho adolescente que confia nele, abre espaço para que ele peça a sua ajuda quando sentir necessidade, sem medo de julgamentos ou de recriminações.
Seja presente na vida dos seus filhos, vivendo ou não na mesma casa. Valorizar as suas conquistas, mas também os seus esforços, elogiar, reforçar e encorajar as suas iniciativas pode ser uma ferramenta bem útil para lidar com a pressão dos pares, tão comum e por vezes perigosa, nesta fase do desenvolvimento. Um forte apoio emocional da família, bem como a expressão inequívoca dos afetos, são extremamente importantes para a estabilidade dos jovens, embora por vezes pareçam não o valorizar. É também muito importante que os pais procurem informação, acerca dos hábitos e passatempos dos seus filhos adolescentes, para com eles poderem discutir e avaliar os seus riscos e benefícios, e fornecer apoio às dúvidas que possam surgir (ex. consumos, sexualidade, etc.).
Quando os pais sentem dificuldade em lidar com algumas questões relacionadas com os comportamentos típicos da adolescência, então devem pedir ajuda especializada. Um psicólogo/a pode ajudar o jovem a ultrapassar esta fase por vezes tão conturbada. Contudo, alguns jovens oferecem resistência quando ouvem falar em procurar apoio psicológico. Uma forma de combater essa resistência, é explicar aos adolescentes que são os pais que vão pedir ajuda para “aprenderem” a lidar melhor com as questões que geram conflito ou preocupação na sua relação com os filhos. Num esforço conjunto e num trabalho colaborativo, psicólogo/a, pais e adolescente irão conseguir ultrapassar de uma forma adaptativa e mais tranquila os desafios desta etapa.
Todas as fases do desenvolvimento dos filhos podem ser fantásticas e enriquecedoras. Aprecie cada momento e acima de tudo procurem divertir-se!