Compulsão alimentar: quando a comida se torna uma resposta às emoções

Healthy grain bowl beside a burger and fries in a takeout box

Comer é uma necessidade básica, mas também uma experiência associada ao prazer, às emoções e às relações sociais. Em determinados momentos, a alimentação pode tornar-se uma forma de procurar conforto, aliviar a tensão ou lidar com sentimentos difíceis. Contudo, quando este comportamento se torna frequente, acompanhado de uma sensação de perda de controlo e de sofrimento emocional, poderá estar associado a uma perturbação do comportamento alimentar.

A compulsão alimentar é uma realidade frequentemente vivida em silêncio e que pode afetar significativamente o bem-estar psicológico e a qualidade de vida. Compreender o que está por detrás deste comportamento é fundamental para reconhecer o problema e procurar ajuda. A Perturbação de Ingestão Alimentar Compulsiva caracteriza-se pela ocorrência repetida de episódios em que a pessoa ingere uma quantidade de alimentos significativamente superior à habitual, num período relativamente curto, acompanhada da sensação de não conseguir controlar o que come. Durante estes episódios, é frequente comer rapidamente, mesmo sem sentir fome, continuar a comer apesar do desconforto físico ou fazê-lo às escondidas. Posteriormente, podem surgir sentimentos de culpa, vergonha ou desvalorização pessoal.

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Alimentação saudável e psicologia: para além das escolhas à mesa

Plate with avocado toast topped with poached egg and mixed berries, coffee mug, glass of orange juice, and bowl of yogurt with granola on wooden table near garden window

Falar de alimentação saudável é, muitas vezes, falar de nutrientes, calorias ou planos alimentares. No entanto, esta perspetiva, embora relevante, é incompleta. A forma como comemos está profundamente ligada a processos psicológicos — emoções, crenças, experiências passadas e contexto social — que influenciam não só o que escolhemos ingerir, mas também a forma como nos relacionamos com o nosso corpo e connosco próprios.

Do ponto de vista psicológico, a alimentação não é apenas uma necessidade biológica, mas também um comportamento aprendido e regulado por múltiplos fatores. Desde cedo, a comida pode assumir significados que vão para além da nutrição: conforto, recompensa, controlo ou até alívio emocional. É frequente observar que, em momentos de maior stresse, ansiedade ou tristeza, o comportamento alimentar pode-se alterar, surgindo padrões como comer em excesso, perder o apetite ou recorrer a determinados alimentos específicos em busca de regulação emocional. Este fenómeno, frequentemente designado como “comer emocional”, não deve ser entendido como uma falha individual, mas sim como uma estratégia, muitas vezes automática, de lidar com estados internos mais difíceis (Macht, 2008).

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Perturbação do Uso da Cannabis

A Perturbação do Uso da Cannabis é uma perturbação do foro da saúde mental, resultante do consumo da substância ou substâncias derivadas da planta com o mesmo nome, ou de compostos sintéticos quimicamente semelhantes. Ao longo do tempo, esta planta tem vindo a acumular vários nomes, entre eles weed, grass, belota, liamba, erva, charro, sendo hoje em dia talvez este último o mais comum. Cannabis é o termo mais genérico e cientificamente mais apropriado.

Define-se Perturbação do Uso da Cannabis como um padrão problemático do seu uso, que conduz a mal-estar ou défice clinicamente significativo, manifestado por pelo menos dois comportamentos ou sintomas a ele associados, ocorridos num período de 12 meses. Os comportamentos /sintomas incluem, consumir Cannabis em quantidade superior ou por um período mais longo que o pretendido, manifestar um desejo persistente ou esforços malsucedidos para diminuir ou controlar o seu uso, despender uma grande quantidade de tempo em atividades necessárias á obtenção do produto ou a recuperar dos seus efeitos, ter um impulso ou desejo forte de consumir Cannabis (craving), uso continuado de Cannabis apesar de ter consciência de que este lhe causa problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes, utilização desta substância de forma recorrente em situações em que pode ser fisicamente perigoso ou a utilização continuada da Cannabis mesmo sabendo que tem um problema físico ou psicológico, persistente ou recorrente e que pode ter sido causado ou exacerbado pelo seu consumo (ex. episódio psicótico, ansiedade…).

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