O psicólogo e o desenho

Avaliação psicológica e o desenhoHá pouco tempo atrás ouvi alguém que dizia “o meu filho vai ao psicólogo só para fazer desenhos”. O tom de crítica era evidente, e, de facto, se a criança é acompanhada por um psicólogo apenas com o intuito de desenvolver as suas competências artísticas, pode realmente ser algo redutor… mas o desenho não é só arte.

O desenho, em contexto de avaliação ou de intervenção psicológica, assume um valor e uma importância que transcendem a mera revelação dos dotes artísticos da criança. O desenho é para o psicólogo um instrumento muito útil na sua prática clínica, quer se trate de avaliação, seleção ou intervenção psicológica. Através do desenho, o psicólogo consegue obter informação acerca do funcionamento da criança, do seu modo de estar perante os outros, do modo como projeta através dos elementos que desenha, o seu temperamento, as suas áreas de conflito, etc. Ao mesmo tempo, com recurso ao desenho, consegue-se facilitar o estabelecimento e a manutenção da relação entre a criança e o psicólogo. A criança por vezes consegue mais facilmente desenhar do que verbalizar. O pormenor ou a falta dele, o modo como adere à tarefa e se empenha nela, o tipo de traço que apresenta, a descrição dos detalhes, entre outros, representados através do desenho, podem fornecer informação relevante acerca da problemática em foco. Continuar a ler

Resolução de problemas

Tomada de decisãoÉ comum ouvir-se dizer que todos temos problemas. Uns de nós mais dados a “problematizar” e outros menos, o facto é que os problemas existem e andam por aí para serem resolvidos, caso contrário, permanecem como uma nuvem negra que paira sobre as nossas cabeças, incomodando, incomodando…

Há problemas e problemas, ou seja, há problemas de fácil resolução, na medida em que sabemos exatamente o que fazer para nos livrarmos deles, mas há outros, que por várias ordens de razão, são mais difíceis de solucionar pois implicam a tomada de decisões importantes que têm que ser bem ponderadas. Vários são os fatores que contribuem para a dificuldade que possamos ter em resolver um determinado problema. Ou porque o assunto implica gastos inesperados, ou porque nos obriga a alterar as nossas rotinas e vem revolucionar o nosso quotidiano, ou porque pode causar algum tipo de conflito ou mal-entendido com alguém ou porque nos encontramos num período particularmente difícil, em termos emocionais, o que nos condiciona e dificulta a tomada de decisão. Certo é que resolver um problema nem sempre está ao nosso alcance mas também é certo, que muitas vezes está, só não sabemos como. Continuar a ler