Estabelecer limites nas relações pessoais é importante para o nosso bem-estar psicológico. No entanto, para muitas pessoas, dizer «não», expressar desacordo ou comunicar aquilo de que precisam pode ser particularmente difícil. Mesmo quando uma situação provoca desconforto ou cansaço, acabam por aceitar pedidos, assumir responsabilidades ou corresponder a expectativas que não respeitam as suas próprias necessidades.
Esta dificuldade pode estar relacionada com experiências anteriores, medos e crenças que fomos construindo ao longo da vida. Algumas pessoas cresceram em ambientes onde a obediência, a disponibilidade e a preocupação com os outros eram especialmente valorizadas. Noutras situações, expressar discordância podia desencadear críticas, desaprovação ou conflitos. Estas experiências podem favorecer pensamentos como «se disser que não, vão ficar desiludidos comigo», «tenho de estar sempre disponível» ou «se defender aquilo que quero, estou a ser egoísta».
O ciúme é uma emoção humana comum, geralmente associada ao medo de perder alguém significativo ou à percepção de ameaça numa relação. Pode surgir em diferentes contextos: perante uma mudança na disponibilidade emocional do parceiro, experiências anteriores de traição, insegurança pessoal, ambiguidade relacional ou dificuldades de comunicação.
Sentir ciúme não significa, por si só, que exista uma perturbação psicológica, nem que a relação esteja necessariamente em risco. O problema surge quando o ciúme se torna frequente, intenso e passa a condicionar o comportamento da pessoa, levando à vigilância, ao controlo, à comparação constante, à procura repetida de garantias ou à interpretação negativa de pequenos sinais.
A experiência de um diagnóstico de cancro representa, frequentemente, uma das vivências mais desafiantes do ponto de vista emocional, físico e relacional. Para além das implicações médicas e do impacto associado aos tratamentos, existem dimensões da vida que tendem a ser menos faladas, mas que assumem um papel importante na qualidade de vida e no bem-estar psicológico da pessoa. A sexualidade é uma dessas dimensões.
Apesar de muitas vezes permanecer envolta em silêncio, a sexualidade continua a fazer parte da identidade, da intimidade e da forma como cada pessoa se relaciona consigo própria e com o outro, mesmo após a doença oncológica. Contudo, é frequente que o cancro e os respetivos tratamentos provoquem alterações físicas, emocionais e relacionais que influenciam significativamente a vivência da intimidade e do desejo sexual (World Health Organization [WHO], 2006; National Cancer Institute [NCI], 2023).
Existe uma ideia silenciosa, mas persistente, de que o amor tem idade. Que pertence sobretudo à juventude, à energia dos começos, ao corpo sem marcas do tempo. Na maturidade, parece instalar-se socialmente a expectativa de que o amor abrande, se torne secundário ou até desnecessário. Do ponto de vista psicológico, esta ideia não só é redutora como profundamente injusta.
Amar na maturidade não é amar menos, é amar de outra forma. Nesta fase da vida, o amor tende a libertar-se de muitas das pressões que marcaram etapas anteriores: a necessidade de validação constante, a urgência de corresponder a expectativas sociais, o medo de “falhar” enquanto parceiro. Para muitas pessoas, é precisamente na maturidade que surge um amor mais consciente, mais escolhido e menos ansioso.
Falar de namoro tóxico na adolescência não é falar apenas de relações “difíceis” ou de dramas próprios da idade. É falar de experiências emocionais que, muitas vezes, deixam marcas profundas na forma como os jovens aprendem a amar, a relacionar-se e a ver a si próprios.
A adolescência é um período de intensa construção identitária. É nesta fase que se experimenta, muitas vezes pela primeira vez, a intimidade emocional, o desejo de pertença e o medo da rejeição. O namoro surge, assim, como um espaço privilegiado de validação emocional — mas também como um terreno fértil para inseguranças, dependências emocionais e padrões relacionais pouco saudáveis.
A experiência de estar só é transversal à condição humana, mas nem sempre é vivida da mesma forma. Na psicologia, é fundamental distinguir solidão de solitude, dois conceitos frequentemente confundidos no discurso quotidiano, mas que representam vivências emocionais e cognitivas profundamente diferentes. Enquanto a solidão está associada ao sofrimento psicológico, a solitude pode constituir uma experiência saudável, reparadora e até necessária ao desenvolvimento pessoal.
A solidão é uma experiência subjetiva de desconexão emocional. Não depende, necessariamente, do número de relações existentes, mas da percepção de que as necessidades de vínculo, compreensão e pertença não estão a ser satisfeitas. Uma pessoa pode estar rodeada de outros e, ainda assim, sentir-se profundamente só. Do ponto de vista psicológico, a solidão associa-se a emoções como tristeza, vazio, rejeição ou desamparo. Vários estudos têm demonstrado a sua relação com sintomas depressivos, ansiedade, baixa autoestima e maior vulnerabilidade ao stresse. Em contextos prolongados, a solidão pode ainda ter impacto na saúde física, podendo contribuir para alterações do sono, do sistema imunitário e do funcionamento cardiovascular.
A complexidade das relações humanas, onde a busca por amor, amizade e conexão por vezes se enreda em grandes desafios, há infelizmente casos, em que a linha entre o saudável e o tóxico se funde, e o vínculo que se quer como fonte de suporte e de crescimento, pode por vezes transformar-se numa fonte de solidão e sofrimento.
A procura e o desejo de construirmos relações significativas é uma constante, sendo fundamental compreender quando num relacionamento, as atitudes e os comportamentos ultrapassam os limites saudáveis. A crítica constante, o controlo excessivo, a manipulação, a chantagem emocional, são indícios de uma dinâmica relacional disfuncional e perigosa. Lamentavelmente, embora os sinais sejam muitas vezes evidentes, algumas pessoas “escolhem” não os ver, consciente ou inconscientemente, umas vezes por medo da solidão, outras por não se sentirem capazes para o confronto, outras ainda por consideraram normativas, tais atitudes e comportamentos.
A Sexualidade é um tema indissociável do ser humano, presente em todos os contextos e capaz de desencadear todo o tipo de reações, como o riso, a vergonha, a dúvida ou a curiosidade. Qualquer comportamento sexual tem uma componente biológica, psicológica, e interpessoal, baseando-se em conceitos culturais de normalidade e moralidade.
A Saúde Mental é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), não apenas como a ausência de doença, mas também como um estado de bem-estar em que cada indivíduo realiza o seu próprio potencial, conseguindo lidar com os desafios normativos da vida, como por exemplo, trabalhar de forma produtiva e assim contribuir para a sociedade. Para a OMS, a sexualidade inclui vários aspetos da experiência humana: as diferenças biológicas entre mulheres e homens, as identidades e papéis de género, a orientação sexual, o erotismo, o prazer, a intimidade e a reprodução. A interligação entre variáveis como o sexo atribuído à nascença, o género, e a orientação sexual, e a forma como estas se relacionam é tão fluída e livre como a complexidade da própria existência humana.
A história pessoal de cada indivíduo e a forma como se relaciona com os outros e com o mundo, é de certo modo influenciada pelo género e pela sexualidade. A a sua expressão pode mudar ao longo da vida, desde a adolescência até à idade adulta avançada. O género e a sexualidade estão presentes na vivência humana, na forma como a paixão é experienciada, na intimidade, no amor, no modo como cada um de nós se afirma perante a sociedade, na elaboração e na construção das relações afetivas e na forma como cresceremos nessas mesmas relações.
As diversas formas de expressão da sexualidade humana são todas elas normativas e legítimas, desde que sejam vivenciadas de forma saudável e que não interfiram com a liberdade e a vontade dos outros. A vivência da sexualidade pode por vezes conduzir a períodos de angústia, tristeza, ansiedade, medo, vergonha, ou até mesmo desalento e resignação. Em alguns desses momentos, a partilha com um profissional de saúde habilitado, poderá ajudar a encontrar soluções para as dificuldades apresentadas. Estes podem oferecer informação, sugestões e estratégias para ajudar a lidar com as dificuldades, assim como poderá, após avaliação do caso, encaminhar para outro profissional especializado.
As crenças e normas sociais atuais, podem por vezes ainda não estar ajustadas à diversidade humana, que se vê forçada muitas vezes a inserir numa sociedade que ainda pune e ostraciza muitas das expressões individuais da sexualidade, como é o caso dos indivíduos com incongruência entre o género sexual vivenciado e o seu género atribuído à nascença. A mudança de género e o processo de reatribuição sexual são processos organizadores na vida dos indivíduos, no entanto, são questões ainda fraturantes numa sociedade binária, apesar de terem vindo a ser feitos progressos nesta área.
A sexualidade e a doença mental podem influenciar-se ou determinar-se mutuamente. As perturbações depressivas, as perturbações de ansiedade, o consumo de substâncias psicoativas, a perturbação bipolar ou a esquizofrenia, são exemplos de perturbações que podem dar origem ou estar em comorbilidade com dificuldades ao nível da sexualidade. Por outro lado, as disfunções sexuais podem de igual modo agravar ou desencadear patologia do foro psicológico ou psiquiátrico.
O estilo de vida é também por si só potenciador das dificuldades ao nível da sexualidade, como por exemplo os consumos de álcool, tabaco ou drogas, que influenciando a saúde física se podem repercutir na saúde mental e sexual. Também as perturbações do sono, a alimentação e a ausência de atividade física, têm impacto a esse nível o que não deve ser desvalorizado. Outro fator que pode ter grande impacto na função sexual do indivíduo é alguma medicação crónica, pelos seus efeitos secundários. Este é um fator muito relevante e que merece toda a atenção, uma vez que é muitas vezes é a causa principal para o abandono da medicação, com todo o risco que isso pode implicar.
As dificuldades ao nível da sexualidade e da sua vivência, podem ocorrer em qualquer idade e relacionam-se com a forma como o corpo, a mente, a intimidade se relacionam. As dificuldades sexuais resultam muitas vezes em sentimentos de culpa e de falha e fracasso. O apoio psicológico pode ser uma importante ajuda uma vez que fornece um “lugar” de contenção, de segurança para a expressão emocional, para a reestruturação de alguns pensamentos desadaptativos e também para o ensino e treino de estratégias para lidar com o problema. Estas perturbações são geralmente reversíveis com abordagens relativamente simples, sendo a sua maior barreira a desvalorização do problema ou a tardia procura de ajuda.
Não deixe que sentimentos de vergonha, culpa, inferioridade ou desalento tomem conta da situação. Procure ajuda!
Em contexto escolar, nem todas as relações são pacíficas entre pares. Gosta-se mais de uns do que de outros, como é natural, e o mesmo acontece em relação aos professores. Cada professor tem a sua personalidade, a sua forma de comunicar, de ensinar e até de repreender, o que faz com que por vezes alguns alunos não gostem de alguns professores.
Á semelhança do que pode acontecer com qualquer outra pessoa, por vezes a criança/adolescente pode não gostar de um determinado professor. Pode acontecer que haja um “choque” de personalidades e que nem sempre a relação do aluno com um certo professor, seja a melhor. Por outro lado, assim como há alunos mais aplicados e bem-comportados do que outros, também há professores mais competentes e mais assertivos do que outros. No entanto, de um modo geral, os professores gostam dos alunos, querem dar-se bem com eles, têm prazer em ensina-los, em transmitir-lhes conhecimento, bem como a ajudar nas dificuldades e a elogiar e reforçar os bons desempenhos.
Síndrome de “ninho vazio” é a denominação dada a um conjunto de sentimentos e emoções que os pais habitualmente experienciam, aquando da saída dos seus filhos da casa da família. Esta síndrome não é uma patologia, no entanto pode ser vivida de forma mais ou menos intensa e ser algo perturbadora.
Independentemente de se ter apenas um filho ou vários, vê-los sair de casa para estudar, trabalhar, casar ou o que quer que seja, desencadeia nos pais sentimentos por vezes muito contraditórios. A ambivalência de sentimentos como orgulho de os ver crescer e atingir autonomia e independência, e a sensação de vazio que causa a sua ausência, podem afetar tanto o pai como a mãe. No entanto, a mãe é tipicamente a que mais se manifesta… Muitos pais têm extrema dificuldade em conceber as suas vidas longe dos filhos, vivendo esta fase com muita angústia e sofrimento.