Bullying ou intimidação: o que fazer?

Bullying e intimidação

“Ultimamente a Mariana diz que não quer ir à escola e anda muito calada e triste. Tem oito anos, tem um peso bastante acima da média e é muito tímida. Questionada acerca da razão pela qual não quer ir a escola a Mariana diz que as crianças na escola a estão a atormentar, a ridicularizar e a gozar – A Mariana está a ser vítima de bullying!”

Há certas crianças que se sentem mais importantes, melhores e mais fortes do que as outras. Isso confere-lhes uma segurança que utilizam para intimidar ou maltratar outras crianças que veem como piores, mais fracas, logo mais indefesas. A intimidação permite a algumas crianças dominar e maltratar outras, e assim conseguirem o que querem e quando querem. E o que podemos nós, os adultos, fazer perante uma situação como esta? Pois bem, em primeiro lugar devemos conseguir entender o que é a intimidação, ou seja, que o bullying consiste no uso frequente e regular de agressão física ou verbal, neste caso de uma criança, para dominar ou para se vingar de outra. Esta intimidação ocorre quando não há supervisão por parte de adultos, quer seja em casa, quer seja na escola e sempre que há diferenças de poder, isto é, uma criança mais velha, fisicamente mais forte ou mais popular, quer dominar, maltratar ou humilhar outra criança mais nova, mais fraca ou socialmente mais isolada. Continuar a ler

Adolescência e ansiedade social: as possíveis consequências

Adolescentes e ansiedade socialDe um modo relativamente consistente, precoce e estável, as manifestações de ansiedade social revelam-se desde a infância, tornando-se tendencialmente mais expressivas e intensas na fase da adolescência.

A adolescência é um período da vida em que há uma particular vulnerabilidade à ansiedade social. As manifestações deste tipo de ansiedade interferem no desempenho do adolescente no que diz respeito às suas relações sociais mas também na realização de tarefas e atividades do quotidiano. Tendo as relações sociais uma especial relevância nesta etapa da vida, a ansiedade social pode ter uma influência de tal modo negativa que poderá afetar o indivíduo de forma permanente, se não for tratada. Tanto a relação do jovem com os outros quer o seu desempenho público, como por exemplo a apresentação oral de trabalhos em contexto escolar, podem ser fortemente prejudicados pela ansiedade, sempre que este se sente de alguma forma avaliado. Continuar a ler

Inteligência emocional à luz de Goleman

EmoçõesO conceito de inteligência emocional tornou-se popular através da obra do jornalista científico norte americano Daniel Goleman. O autor define o conceito como um conjunto de competências afetivas e cognitivas que se divide em cinco dimensões: auto conhecimento, auto-controlo, empatia, motivação e competências sociais.

A inteligência emocional já tinha sido anteriormente descrita, por outros autores, como uma forma de inteligência social, que incluía a capacidade do indivíduo para reconhecer as emoções e os sentimentos em si próprio e nos outros e para utilizar essa informação, no sentido de orientar o seu pensamento e consequentemente o seu comportamento. Goleman define-a como a capacidade do indivíduo em reconhecer os seus próprios sentimentos e os dos outros, de se motivar e de conseguir gerir bem as emoções em si mesmo e nas suas relações. Continuar a ler

Pais superprotetores, crianças inseguras…

SuperprotegidosAcredito que a tarefa mais difícil de todas é a de criar um filho. As crianças representam para os seus pais e cuidadores, um desafio dos maiores do mundo e este mundo tem muitos perigos. Os pais, por norma têm uma tendência para proteger as suas crianças mas por vezes essa proteção é super!

Proteger demasiado pode ser mais prejudicial que benéfico. A preocupação excessiva dos pais e a consequente proteção aos seus filhos pode afetar de forma negativa a infância da criança mas também a sua vida adulta, na medida em que as crianças demasiado protegidas têm maior probabilidade de ser tornarem adultos inseguros. Pais superprotetores privam os filhos da possibilidade de enfrentarem riscos, tanto físicos como emocionais. Privam-nos do que pode ser mau mas também do que pode ser bom. A preocupação e o cuidado excessivo de proteção podem ser tão prejudiciais quanto a falta deles. Até em situações correntes do quotidiano, as atitudes de alguns pais podem revelar exagero no cuidado e proteção dos seus filhos. Quando por exemplo, uma criança pequena aponta para uma garrafa de água e os pais de imediato lhe dão água para beber, esta criança não precisa de se esforçar para falar para obter o que deseja. Desta forma, estes pais poderão estar a fazer com que a criança atrase o desenvolvimento da fala. Esta situação é ilustrativa do modo como os pais podem ter influência no desenvolvimento das competências da criança e também da sua conquista de autonomia. Continuar a ler

Psicologia do trabalho e desenvolvimento de carreira

Psicologia do trabalhoA psicologia do desenvolvimento e gestão de carreira no contexto das organizações tem como foco o estudo da relação entre o individuo e a organização onde trabalha, no sentido de sustentar o desenvolvimento das pessoas, encontrar respostas às necessidades das organizações e procurar um compromisso entre a estratégia organizacional e as aspirações de cada trabalhador.

A psicologia do desenvolvimento e gestão de carreiras tem como propósito o apoio à resolução de problemas que possam derivar da relação entre o indivíduo e a organização. Esta área da psicologia teve o seu início nos anos 60 do séc. XX, abarcando dois domínios: o domínio interdisciplinar no estudo do individuo e domínio multidisciplinar na compreensão da organização. Com o advento desta área da psicologia, o trabalhador passou a ser visto como colaborador e foi dado relevo à sua relação com a organização. Desde então nota-se uma tendência para o fim do conceito de “emprego para a vida” e a ascensão na empresa por anos de trabalho leal e dedicado. O conceito tradicional de carreira como aumento do salário ou promoção automática torna-se também menos comum.

Psicologia das organizaçõesNo passado não eram valorizados nem a motivação nem o auto-desenvolvimento do trabalhador. Atualmente parece haver a responsabilidade do empregado aprender a gerir a sua carreira, e da empresa, em promover programas de desenvolvimento de carreira, visando a sobrevivência e satisfação de ambos, ou seja, passou a haver uma responsabilidade partilhada. Promove-se também hoje em dia, a construção de uma teia de relações e responsabilidade crescente, que se tem vindo a estabelecer entre o individuo em busca de percursos de desenvolvimento de satisfação pessoal e a organização, que reúne as condições necessárias para mobilizar essa procura.

Desenvolvimento de carreiraO mundo do trabalho modelou o conceito de carreira na medida em que após a revolução industrial e das mudanças socioeconómicas daí decorrentes, as profissões diversificaram-se e foi necessário ajudar as pessoas e encontrarem o emprego certo. Anteriormente o modelo vigente era centrado exclusivamente nos objetivos da organização e era orientado para a determinação de regras rígidas voltadas para a realização de tarefas e a incrementação do rendimento, ignorando as relações sociais e as necessidades das pessoas, sendo o conceito de carreira baseado somente na progressão hierárquica.

A Psicologia vocacional, que visa a adequação do individuo ao trabalho, ou seja, colocar o homem certo no lugar certo, passou a ser integrada desde cedo na vida dos jovens estudantes. Em termos de emprego e carreira, passou a olhar-se para as características individuais e não apenas para o coletivo. Passou a haver uma nova forma de o individuo assumir responsabilidades e tarefas consistentes com as suas características pessoais assim como a oportunidade de promoção para aqueles que revelem potencial adequado, avaliado com base na sua formação e experiencia de trabalho. A carreira é própria do individuo, das posições que vai ocupando ao longo da vida, dos papéis que vai desempenhando enquanto trabalhador e no acumular de experiencias, o que também inclui aspirações, expectativas, necessidades e sentimentos.

Carreira e profissãoA importância crescente do indivíduo decorre da importância estratégica da gestão dos recursos humanos. São vários os elementos para promoção de sistemas de desenvolvimento e gestão de carreiras flexíveis que promovam satisfação e sucesso para o colaborador e para a organização, nomeadamente a criação e desenvolvimento de mecanismos de detenção de informação, o reconhecimento, a integração dos colaboradores na cultura da organização e o desenvolvimento de sistemas de recompensa pelo seu desempenho e desenvolvimento, entre outras.

Os modelos mais recentes referem abordagens centradas no individuo/situação. A recolha de informação que permitam melhores decisões e o apoio dos familiares e amigos, por parte do trabalhador e a disponibilização de recursos e de apoio por parte da empresa, conduzem a um modelo de obrigações reciprocas. O reconhecimento mutuo e a renegociação são o ponto de equilíbrio entre aquilo que o individuo pode oferecer e aquilo que a organização espera dele.

O Desenvolvimento e gestão de carreiras é um processo de interações contínuas na ajuda de resolução de problemas, que enquadra os processos de tomada de decisão de forma sistemática e realista e que permite conjugar necessidades individuais com necessidades da organização. Em termos de técnicas de intervenção destacam-se o desenvolvimento do auto-conhecimento e das variáveis situacionais, a ajuda na aplicação de estratégias de carreira e as ações de informação retroativa num sistema bidirecional de estabelecer planos de carreira de acordo com a estratégia previamente definida.

Psicologia dos recursos humanosA avaliação psicológica individual deverá permitir capitalizar o que de melhor o individuo tem para dar à organização ao mesmo tempo que a psicologia da construção da vida deverá promover a adequação da pessoa aos novos contextos em que o trabalho e emprego se desenvolvem. A carreira do individuo desenvolve-se através do modo como ele perceciona a realidade e a ela se adapta, sem renegar a sua personalidade e as linhas estruturantes da sua história pessoal. Os paradigmas atuais devem considerar as diferenças individuais em oposição à uniformização que conduziu nos tempos modernos, à mecanização dos comportamentos. No futuro, espera-se uma teoria psicológica que vise a promoção do sucesso e que procure a construção como fonte de satisfação. Outro desafio que se apresenta é o apoiar e escutar o individuo, bem como a organização, de forma harmoniosa,  enquanto agentes ativos do constante processo de integração, neste novo mundo em que a informação está ao alcance de um clique.

Sugestão:

http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpot/v17n4/v17n4a02.pdf

 

Adolescência e desenvolvimento cognitivo

AdolescerSão grandes e muito importantes as transformações a nível intelectual ao longo da adolescência. Esta é uma fase em que o pensamento concreto da infância vai dando lugar ao pensamento formal do adulto. A escola, os pares e a família, todos dão o seu contributo para a formação da identidade do jovem.

As modificações que se observam nesta fase a nível cognitivo. têm grande influência na compreensão das regras, convenções e valores, ao mesmo tempo que vão permitir ao jovem, não apenas uma adaptação real às questões do dia-a-dia mas também a elaboração e o desenvolvimento de notáveis teorias e ideais, típicas nesta fase da vida. Durante a adolescência, o indivíduo começa a conseguir revelar raciocínios corretos acerca de assuntos que apenas considera hipotéticos, tornando-se assim apto a deduzir consequências. Passa deste modo a conseguir pensar e decidir sobre situações do quotidiano bem como a projetar as suas convicções para situações futuras. Este desenvolvimento do pensamento permite ao jovem refletir acerca de si mesmo e abstrair sobre os mais variados temas do mundo.

JovensÉ na adolescência que “nasce” o mundo interior e se desenvolve a capacidade de introspeção, insight e de pensar sobre si mesmo, dando início ao processo de construção da identidade. Para o sucesso deste processo é extremamente importante a vivencia dos afetos, a expressão das emoções e a qualidade das experiencias de vida, conseguidas em grande parte através das suas relações com os vários contextos onde se desenvolve. Os estímulos, os modelos e as influências são determinantes para a construção do pensamento e para o desenvolvimento da personalidade do adolescente. Quanto maiores e melhores foram os estímulos a que o jovem é exposto (ex. música, pintura, teatro, cinema) mais este assimila as experiências e as assimila e internaliza. Do mesmo modo, as experiências negativas têm também um efeito neste mesmo processo, mas pernicioso, pelo que algumas delas podem ser muito desadaptativas. O jovem assimila todas as novas experiências que vive e nem sempre se preocupa ou consegue avaliar se se ajustam ou não.

AdolescênciaUm dos contextos com maior impacto na vida do adolescente é a escola. Aqui o jovem aprende, ensina, expressa-se sob as mais diversas formas e tem a possibilidade de desenvolver competências a vários níveis. A par dos conhecimentos que adquire, o adolescente, em contexto escolar, tem a possibilidade de desenvolver responsabilidades individuais ou de grupo. A escola constitui-se como um território que o acolhe e onde ele se sente à vontade para exercitar as suas vivências e convivências. É em contexto escolar que se dão encontros, desencontros e relações, em que o adolescente questiona valores e começa a delinear e construir o seu projeto de vida. Para os adolescentes, a escola é o principal espaço de construção e partilha de conhecimentos sobre a vida futura.

Adolescer Mas o papel da família não é menor. É em família que o jovem passa a maior parte, ou mesmo toda a adolescência, e é aqui que encontra modelos específicos para o seu desenvolvimento intelectual. A família, principalmente os pais, têm o importante papel de incentivar os adolescentes a descobrirem as suas potencialidades e de monitorizarem os seus comportamentos e as suas possíveis dificuldades. O adolescente deverá perceber a preocupação e a atenção dos pais, mas também de perceber que tem a quem recorrer em qualquer situação em que sinta necessidade de o fazer. A família é uma referência muito importante para o jovem, quer pelo diálogo, troca de ideias, partilha de interesses, discussão de conceitos e opiniões mas principalmente pela vivência dos afetos e pela expressão emocional.

Escola, saúde e sexualidade

Saúde

A educação para a sexualidade é não só um direito mas também uma necessidade, tendo em vista a prevenção de comportamentos de risco, principalmente dos jovens.

 De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a Educação Sexual não só oferece aos jovens a informação correta e apropriada acerca das várias dimensões da vida sexual, como também os ajuda a desenvolver competências para que possam comportar-se de acordo com essa informação. A falta de informação acerca desta temática ou o acesso a informação errónea pode ter um impacto verdadeiramente negativo na vida dos jovens e das suas famílias, uma vez que os pode conduzir a tomadas de decisão e a escolhas pouco adequadas.

Educação para a saúdeE falar de Educação Sexual é falar de educação para a saúde. A partir do final da década de 70 do século passado, as preocupações com a saúde acentuaram-se, em parte com o reconhecimento de algumas perturbações psicológicas relacionadas com o stresse e a ansiedade, decorrentes da mudança de ritmo imposta por uma sociedade cada vez mais global e modernizada. No entanto, o aparecimento da SIDA constituiu-se como um marco relevante em termos de saúde pública, tendo sido um forte contributo para que as preocupações com a aquisição de hábitos saudáveis relacionados com as práticas sexuais se intensificassem e que o conceito de saúde tivesse também ele sofrido uma alteração. Se até então, a saúde era descrita como um estado de conservação do bem-estar físico, emocional e social, a partir desse marco, o conceito de saúde adotado pela OMS passou a abarcar uma componente ativa do indivíduo, na promoção da sua própria saúde. Este tem uma participação efetiva com a finalidade de aumentar a sua capacidade para controlar a sua própria saúde, no sentido de a melhorar, através da prática de estilos de vida saudáveis, com grande foco na prevenção.

Educação sexualEm 1984 foi aprovada em Portugal a primeira lei que contemplava a Educação Sexual em contexto escolar, com a necessidade de reforçar as garantias do direito à saúde reprodutiva. Mais tarde, em 2000, a Escola foi reconhecida, como entidade competente para integrar estratégias de promoção e Educação para a Saúde que incluíam a Educação Sexual nos currículos dos ensinos básico e secundário, mas foi apenas  em 2009 que se  estabeleceu a sua aplicação nos estabelecimentos do ensino básico e do ensino secundário. A saúde dos jovens depende em parte  do nível de informação sobre sexualidade, a que estes têm acesso. A falta de conhecimentos nesta área pode levar a situações de gravidez indesejada, ao aumento das interrupções voluntárias da gravidez, a infeções sexualmente transmissíveis ou ao abuso sexual, entre outros.

Educação sexualEstarão então os jovens portugueses, informados e com habilidades desenvolvidas para lidarem com a sua sexualidade forma adequada? Um estudo de 2002 sobre o papel da escola na educação sexual dos jovens portugueses, refere que estes globalmente revelaram poucos conhecimentos sobre a temática da educação sexual, tendo-se verificado que a escola desempenhou um papel pouco significativo, como agência de educação sexual dos jovens que constituíram a amostra do estudo. Em 2009, uma investigação direcionada para o objetivo geral de compreender o nível de educação sexual dos jovens portugueses escolarizados e o papel da escola e dos professores neste processo, revela que o papel da escola tem já alguma relevância na educação sexual dos jovens. No entanto, a escola está maioritariamente centrada numa abordagem de tipo biológico e preventivo, feita no contexto das Ciências Naturais. O mesmo estudo diz que embora a maioria dos jovens tenham revelado um conhecimento razoável acerca do tema, revelaram também défices de conhecimentos relativamente às questões práticas referentes aos métodos contracetivos e à informação sobre as infeções sexualmente transmissíveis (à exceção da SIDA). A maioria destes jovens afirmou ter tido comportamentos preventivos em matéria de gravidez não desejada e doenças sexualmente transmissíveis, pelo que parece que a lógica preventiva integra já a sua vivência sexual. A mesma investigação aponta para um reduzido recurso a profissionais e serviços de saúde, por parte dos jovens, em parte justificado pelo facto de nunca terem sentido essa necessidade mas também relacionado com falta de informação e dificuldades no acesso aos mesmos.

SaúdeEm 2013, um estudo levado a cabo em escolas portuguesas com o objetivo de perceber a influencia dos conhecimentos, atitudes e comportamentos sexuais dos adolescentes no sentido da adoção de estilos de vida saudáveis, concluiu que a maioria dos adolescentes portugueses que iniciou a sua vida sexual tem comportamentos protetores. O mesmo estudo mostra que os adolescentes que referiram ter tido  Educação Sexual têm mais conhecimentos face à SIDA e mais atitudes inclusivas face aos portadores desta síndrome. O estudo revela ainda que a Educação Sexual não teve qualquer efeito negativo nos conhecimentos, atitudes ou comportamentos dos adolescentes portugueses. Segundo uma investigação mais recente (2015) com o intuito de avaliar a implementação da Educação Sexual em contexto escolar, confirma o aumento e a consolidação dos conhecimentos dos adolescentes como objetivos privilegiados numa vertente de prevenção. Porém, o mesmo estudo refere  alguma falta de formação, de experiência e de à-vontade dos docentes nesta área como limitações no processo de implementação da Educação Sexual.

ContracetivosA escola, sendo o contexto ideal para a promoção dos direitos fundamentais dos indivíduos, pode constituir-se como um espaço privilegiado de aprendizagens, de desenvolvimento de competências sociais e relacionais ao mesmo tempo que pode permitir o aumento da consciência individual dos riscos para a saúde, associados a comportamentos relacionados com a sexualidade. A formação dos professores na área da sexualidade é uma necessidade, para a eficácia das intervenções em contexto escolar. Intervenções bem planeadas, com base numa prévia avaliação das necessidades e atividades dinâmicas e integrativas, irão certamente potenciar uma maior adesão por parte dos jovens, assim como uma melhor aquisição e consolidação de conhecimentos, tendo em vista a sua saúde e as suas experiências nos campos relacional e sexual. Uma atitude positiva face à sexualidade, passa pela informação e pelo conhecimento no sentido de favorecer atitudes e comportamentos responsáveis no que diz respeito à vivência tranquila e satisfatória da vida sexual dos jovens, como expressão de relações e de afetos.

Educação sexual

Fontes:

http://www.apf.pt/sites/default/files/media/2016/artigo_versao_final_para_site.pdf

http://hdl.handle.net/10400.5/5862

http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0871 91872015000200008&lng=pt&tlng=pt.

https://www.if.ufrgs.br/cref/ojs/index.php/ienci/article/download/567/359

 

A vinculação humana

Vinculação humanaA vinculação humana pode ser entendida como uma ligação emocional recíproca e duradoura entre o bebé e a figura parental, em que cada um contribui para a qualidade da relação. É uma relação diádica na qual o nível de participação da criança vai aumentando gradualmente  embora a importância da figura parental não diminua no que diz respeito à reciprocidade desta díade.

John Bowlby, psicanalista britânico, defendeu inicialmente a ideia de que a teoria da vinculação consistia principalmente numa estratégia de sobrevivência para a protecção do bebé com origem em processos evolutivos para a promoção reprodutiva. Posteriormente distingue 4 estádios do desenvolvimento da vinculação durante o primeiro ano de vida. Antes dos 2 meses o bebé responde indiscriminadamente a qualquer pessoa e interage involuntariamente. Entre os 2 e os 3 meses o bebé sorri e foca-se na mãe mais do que nas outras pessoas. Entre os 6 e os 7 meses o bebé revela uma vinculação à mãe bem definida (locomoção e linguagem)e começa a recear os estranhos. Depois dos 8 meses, o bebé desenvolve uma relação reciproca com uma ou mais figuras e começa a inferir sobre os objectivos do outro.

Vinculação humana

Mary Ainsworth, discípula de John Bowlby, veio a dedicar-se a este tema tendo desenvolvido ela própria uma técnica de avaliação dos padrões de vinculação em bebés com cerca de 12 meses e geralmente, a mãe–  situação estranha – que consiste numa sequência de situações de reunião e separação da criança à figura de  vinculação e em que da observação do comportamento das crianças se podem distinguir 3 tipos/grupos de vinculação. Estes tipos são o grupo A, inseguro-evitante ou ansioso-evitante, caracterizado por comportamentos de evitamento em relação à figura de vinculação, o grupo B, seguro, o grupo mais comum, no qual se podem distinguir 4 sub-grupos ou padrões de comportamento, sendo os grupos B1 e B2 caracterizados por uma interacção mais distante com a figura de vinculação e os grupos B3 e B4 por uma procura activa de contacto e proximidade por parte do bebé. O grupo C, inseguro-ambivalente ou ansioso–resistente divide-se ainda em C1 cujas crianças revelam irritação na procura de contacto e C2 caracterizado pela passividade.

Vinculação humana

Devido ao facto de haver ainda bebés cujos comportamentos não se enquadravam em nenhum dos grupos referidos, foi ainda criado o grupo D, desorganizado-desorientado onde se incluem crianças com comportamentos contraditórios, movimentos assimétricos e expressões de confusão e apreensão em relação à figura parental, revelando incapacidade de manter uma estratégia de vinculação coerente.

As características atribuídas a cada grupo não são apenas exclusivas das crianças sendo que também as mães revelam um padrão comportamental específico, isto é, as mães de crianças pertencentes ao grupo de vinculação segura mostram tendencialmente maior sensibilidade e disponibilidade tanto emocional como física para responder às necessidades dos seus bebés enquanto as mães das crianças evitantes mostram normalmente menor envolvimento afectivo, menor disponibilidade, rejeição e até aversão à criança. Por sua vez as mães das crianças ansiosas revelam frequentemente dificuldade em captar os sinais e as necessidades do bebé, apresentam comportamentos inconscientes e imprevisíveis, irritação e tratamento desajeitado do bebé.

Vinculação humanaA qualidade da relação de vinculação depende não apenas das características parentais mas também do contexto familiar, do apoio social, da qualidade da relação do casal e de stressores ambientais, entre outros. Assim sendo, a vinculação passa a ser vista como um modelo ecológico baseando-se no pressuposto de que a parentalidade e a relação criança-figura de vinculação são multideterminadas e o desenvolvimento da insegurança poderá resultar da acumulação de várias vulnerabilidades.

São vários os estudos que demonstram que a qualidade de vinculação precoce pode ter implicações na vida futura da criança, sendo que a vinculação segura aumenta a probabilidade da criança vir a desenvolver relações de maior qualidade com a figura parental e com os seus pares, desenvolver características como a autonomia em relação às suas figuras de vinculação, desenvolver um autoconceito positivo, maior tolerância a situações de stresse, persistência e entusiasmo na resolução de problemas, melhores competências emocionais e de compreensão da linguagem e menor probabilidade de desenvolver problemas de comportamento durante a infância. Estas vantagens estendem-se pela adolescência pois tornar-se-ão jovens com maior facilidade em estabelecer relações de amizade e de funcionar em grupo comparativamente a jovens anteriormente classificados como evitantes ou resistentes e têm tendencialmente melhor saúde emocional e auto-estima.

Vinculação humanaPara Bowlby, os modelos internos dinâmicos tendem para a continuidade ao longo das gerações. O modo como a mãe recorda as suas relações de vinculação com as suas figuras parentais pode predizer a qualidade da relação que irá estabelecer com o seu filho, ou seja, uma mãe com uma vinculação segura à sua própria mãe pode reconhecer com maior precisão os comportamentos de vinculação do bebé, responder de forma estimulante e ajudar o bebé a estabelecer uma vinculação segura a si.  Contudo, esta concordância não é absoluta. A replicação do modelo de vinculação de geração para geração poderia também dever-se à hereditariedade mas diversos estudos efectuados nesse sentido concluem que a influência genética é pequena sendo maior a influência do contexto, isto é, das características ambientais partilhadas, podendo deste modo inferir-se que a qualidade da relação conjugal e familiar assim como o ambiente emocional, contribuem fortemente para a transmissão do padrão de vinculação entre gerações.

 

Fontes:

Soares, I., Martins, S. (2007). Vinculação na infância. In I. Soares (Ed.), Relações de vinculação ao longo do desenvolvimento: Teoria e avaliação (pp. 47-98). Braga, Portugal: Psiquilibrios.

Papalia, D. E., Olds, S. W. & Feldman, R. D., (2001). O mundo da criança Lisboa: McGrow Hill

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Famílias modernas

FamíliaNas últimas décadas, as sociedades ocidentais têm sofrido alterações bastante significativas em relação às gerações anteriores. A família, enquanto instituição, tem sido alvo de muitas mudanças ao longo do tempo, devido ao aumento do número de separações e de divórcios, a par de outras transformações de carácter económico e social.

Socialmente, o divórcio já não é visto como outrora, em que o estigma conduzia muitas vezes a um sentimento de vergonha e de baixa autoestima, principalmente por parte das mulheres. Com a entrada da mulher no mundo profissional e com profissões cada vez mais diferenciadas, que conduzem a uma maior autonomia económica, o problema da dependência financeira do marido, deixou em muitos casos de ser um entrave à separação. Por outro lado, a procura da felicidade e do bem-estar emocional, constitui-se como um direito de todos, sendo que as exigências afetivas passaram a ter um papel cada vez mais determinante na decisão da manutenção ou da dissolução de uma união.

FamíliasUm estudioso destas matérias (Hall, 1999) identificou três formas de pensar acerca do casamento: a visão mais tradicional, que vê o casamento como uma obrigação de relação mútua, romântica e algo hierarquizada, a visão mais autocentrada, ou seja, que vê o casamento de forma mais paralela, prática, individualista e menos romântica e uma outra visão mais extremista no que diz respeito ao estatuto do casamento, muito orientada para a obrigação e muito pouco para o romantismo. Qualquer uma destas formas de olhar o casamento tem subjacente um conceito comum, a família, sendo que a cada modo de percecionar o casamento poderá corresponder um modelo de família. O modelo de família tradicional, caracteriza-se pelo destaque pela a autoridade paterna, a funcionalidade da união e a relação com a família alargada e a comunidade. Outro modelo de família, refere-se a um tipo de construção familiar mais influenciado pelo individualismo e autonomia, mais nuclear e menos complexa e que se centra essencialmente nos afetos e nos sentimentos. Por fim a família pós-moderna, pautada pela aceitação de formas menos convencionais, com maior flexibilidade e diversidade nos seus constituintes.

FamíliaPodemos encontrar hoje em dia famílias tradicionais, constituídas por pais, filhos, por vezes avós ou outros que coabitam e/ou que se relacionam de uma forma tipicamente hierarquizada. As famílias monoparentais, que são cada vez mais frequentes, assim como também vão sendo notórias, famílias cujos laços nem sempre são de sangue e que se organizam de uma forma menos convencional e mais flexível. Atualmente, as novas formas de conjugalidade concorrem com as mais tradicionais, no que se refere aos papéis de género, à sexualidade, à cultura, à religião, entre outros aspetos das sociedades modernas. Apesar de toda a diversidade de famílias que podemos encontrar na sociedade atual, existem algumas características comuns como a diminuição do número de filhos e de membros, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho e a participação dos diversos elementos da família na economia doméstica. Observa-se assim que a evolução e a transformação das famílias, conduziu a uma organização das mesmas, mais democrática cooperante e participativa, comparativamente ao modelo de família patriarcal em que o chefe de família era o pai e se constituía como o núcleo económico e de poder.

Família

 

Estamos divorciados! E os nossos filhos?

SeparaçãoAs separações e os divórcios são uma realidade muito frequente nos dias de hoje. Quando os casais que se separam têm filhos ainda pequenos, muitas vezes têm comportamentos em relação às crianças, que nem sempre são as mais adequadas e adaptativas. Algumas vezes fazem-no intencionalmente para magoar o ex-companheiro/a mas muitas vezes é apenas porque não sabem fazer melhor.

Se de repente se separou e se viu sozinha/o com o seu filho pequeno, não se admire se a sua criança começar a apresentar comportamentos diferentes do habitual. Alguns comportamentos podem ter a ver com o facto de a sua estrutura familiar ter mudado, assim como alguma alteração das rotinas do dia-a-dia mas também porque as crianças, como seres em desenvolvimento que são, têm por vezes comportamentos desadequados apenas porque ainda estão a aprender a se comportarem.

Criança infelizAssim,  encha-se de paciência, de tolerância e não ceda a birras ou exigências. Não deixe que a separação seja um motivo para que o seu filho a/o manipule. As regras e o seu cumprimento são de grande importância para o seu filho, no presente e mais ainda no futuro. Não fique demasiado preocupada/o se o seu filho revelar reações de hostilidade, com frequência mais dirigidas ao progenitor com quem ficou a viver mais tempo. Ele poderá culpa-la/o de ser responsável pela separação e isso pode ser “normal” numa primeira fase. Dê ao seu filho tempo para aceitar a mudança. Se for possível, dedique alguns minutos por dia a conversar com o seu filho sobre o que se está a passar. Fale com ele sobre o que o preocupa ou assusta. Prepare-se para o aparecimento de alguns comportamentos regressivos (ex. falar “à bebé”, voltar a fazer xixi na cama, mau comportamento na escola, isolamento…). Se estes comportamentos persistirem, peça ajuda profissional.

Separação litigiosaGuarda partilhada? É fundamental que os pais pensem muito bem se este é o regime que beneficia a criança. Será benéfico para a sua criança mudar de casa todas as semanas? Como fazer em relação aos brinquedos, roupas, livros e à escola? Conseguem criar dois ambientes (casa da mãe e casa do pai) idênticos no que diz respeito a regras e rotinas? A guarda partilhada é uma solução cada vez mais com expressão em novos casos de divórcio, no entanto, a permanência numa casa fixa, com visitas semanais, quinzenais ou outras a combinar com o outro progenitor, poderá promover uma maior estabilidade emocional à criança. Pensem bem antes de decidir. Ponham sempre à frente o superior interesse da criança e nunca caia no erro de a utilizar para atingir o outro. Nunca se esqueça que os momentos que passa junto dos seus filhos devem ser de qualidade, muito mais do que em quantidade.

DivórciooNa escola, é essencial que a professora/educadora seja avisada das alterações que sofreu a vida familiar da criança. A sua colaboração nesta fase será de grande importância, principalmente no que se refere à capacidade de empatia e de a saber ouvir. Os professores devem ter em conta que o divórcio pode prejudicar o rendimento escolar da criança, além de poder estar associado à agressividade e a problemas relacionados com a concentração e a atenção. Peça-lhe para lhe comunicarem caso a criança altere significativamente os seus comportamentos após a separação dos pais. Se os comportamentos se tornarem desadequados e preocupantes, a ajuda da professora pode ser muito útil na avaliação da criança e na definição de estratégias de apoio.

SeparadosEstá muito zangada/o ou magoada/o com o seu ex-companheiro/a? Pois é, por vezes e principalmente numa fase inicial, pode ser muito difícil o relacionamento entre os elementos de ex-casais. Evite ao máximo discutir com o pai/mãe da sua criança  na sua presença. Seja antes, durante ou após o processo de separação, trocar argumentos e acusações na presença das crianças aumenta a sensação de conflito, gera confusão, sentimentos de culpa e de revolta nos mais pequenos. Procure que o processo de divórcio não seja demasiado prolongado. A separação pode causar muito sofrimento a uma criança mas ela certamente saberá ultrapassá-la, depois de um processo normal de luto, de duração variável, caso a caso.

Luto infantilNunca culpe a sua criança. É fundamental que a criança compreenda que os pais se separam porque já não se amam e porque já não querem viver juntos e não porque ela fez algo de errado. É fundamental que continue a transmitir ao seu filho o quanto o ama. Embora seja uma excelente companhia e ofereça um grande conforto, o seu filho não é o seu melhor amigo. Não confunda os papéis. Pai e mãe são isso mesmo, pai e mãe. Tornar-se uma espécie de melhor amigo da criança pode levar a graves problemas de autoridade no futuro. Por outro lado, evite transformar o pai/mãe numa figura ausente. Na infância, sentir que o pai/mãe é uma figura presente, mesmo não vivendo diariamente com a criança, sentir a sua proteção, vê-lo como modelo e referencia, e como alguém que estabelece regras e exerce a autoridade quando é necessário, é fundamental para que a criança cresça com estabilidade emocional e equilíbrio psicológico.

Para que serve o psicólogo?Quando as crianças ficam à guarda da mãe, o pai não deve delegar nestas, todas as funções associadas à educação da criança. Por outro lado, a mãe também não deve utilizar em seu benefício, o facto de lhe ser concedida a guarda da criança, optando muitas vezes por afastar o pai, manipulando informações em seu benefício e transformando-o num ser temido e ausente aos olhos do filho. A alienação parental é uma realidade muito preocupante e as grande vítimas deste flagelo são sem dúvida as crianças. Se a sua relação com o seu ex-companheiro/a é muito difícil, pode sempre recorrer à mediação familiar. Há psicólogos especializados nessa área, que podem dar um contributo muito importante para o bem-estar de todos os envolvidos num processo de separação.

Separação