Adolescência, relações entre pares e o papel dos pais

Ao longo da infância, as relações sociais, nomeadamente com outras crianças, desempenham um papel importante no desenvolvimento infantil. Contudo, é na adolescência que a relação com os pares se torna mais relevante, tanto na aprendizagem de competências sociais como na expressão emocional ou até na construção da personalidade.

As relações de amizade e de igualdade que se estabelecem entre os adolescentes, a grande quantidade de tempo que partilham, bem como as atividades conjuntas, aproximam colegas e amigos, fazendo com que estes tenham uns nos outros um espaço privilegiado de cooperação, intimidade, confidencialidade, interajuda e até de “porto seguro”, apesar da competitividade que por vezes está presente. Ao integrar-se num grupo, ou seja, ser aceite pelos pares, o adolescente sente-se reconhecido pelo grupo e passa a participar e a contribuir para a existência desse mesmo grupo, desenvolvendo em si o sentimento de pertença, tão importante para as suas vivências dessa fase da vida.

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Solidão

Em tempos como os que vivemos desde há aproximadamente um ano e meio, o conceito de solidão tem estado muito presente na vida de muitos de nós. Uma das faixas etárias que mais terá sofrido as consequências do afastamento social é a dos idosos, uma população já de si mais vulnerável, por várias ordens de razão.

O conceito de solidão tem vindo a ser estudado por diversas áreas da ciência e do conhecimento, como a psicologia e a sociologia. A perceção de solidão é algo subjetiva, uma vez que, algumas pessoas convivem tranquilamente com o facto de estarem sós e outras se sentem sós e infelizes mesmo quando estão rodeadas de outras pessoas. Cada indivíduo sente a solidão à sua maneira e daí a dificuldade de se chegar a uma definição única e abrangente. As representações sociais da solidão incluem uma enorme heterogeneidade de significados, caindo em especificidades que dificultam a sua interpretação e entendimento. Em psicologia, o conceito de solidão pode ser caracterizado pela ausência afetiva do outro e com a sensação de se estar só. Ainda que próximo do ponto de vista geográfico, pode não haver aproximação psicológica devido à falta de interação e comunicação emocional entre os indivíduos.

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Nós e os outros

O relacionamento com os outros está presente na vida e no quotidiano de todos nós. Ao conjunto de pessoas com quem temos uma relação significativa podemos chamar rede de apoio social. Em psicologia as redes de apoio social mais estudadas são as redes egocêntricas, isto é, as redes centradas numa pessoa específica que é alvo de interesse.

Existem várias formas para definir apoio social. Uma delas é dizermos que corresponde à quantidade e coesão das relações sociais que rodeiam de um modo dinâmico um indivíduo. O apoio social é um processo interativo que visa o bem-estar físico e psicológico. O contacto social promove a saúde e o bem-estar e tem provavelmente uma função de regulação da resposta emocional perante os vários fatores causadores de stresse. De acordo com alguns autores, o apoio social pode ter várias funções: apoio informativo, apoio emocional, apoio de pertença e apoio tangível, desempenhando assim um importantíssimo papel na vida do indivíduo, com impacto muito significativo na sua saúde física e psicológica. Este apoio poderá mesmo exercer influência sobre a mortalidade, uma vez que a sua presença parece estar associada a um melhor funcionamento dos sistemas cardiovascular, endócrino e imunitário, e com repercussões positivas na saúde física. O principal benefício de receber apoio social é a proteção do indivíduo face às consequências negativas do stresse, quer comportamentais, quer psicológicas. Teoricamente, o apoio social pode diminuir a perceção e a avaliação de stresse do indivíduo, perante um determinado acontecimento. Isto poderá também influenciar positivamente processos psicológicos como, estados de humor negativos, baixa autoestima e baixo autocontrolo e autoeficácia.

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Psicologia e negociação

Segundo Aristóteles, qualquer um pode zangar-se e isso é fácil. O que não é fácil é zangar-se com a pessoa certa, na justa medida no momento certo, pela razão certa e da maneira correta. Para ultrapassar a “zanga” nada como negociar…

Cada vez mais, nas sociedades modernas, é necessário desenvolver formas de diálogo com vista á redução de conflitos e ao evitamento de situações de escalada emocional, que podem levar a discordâncias e trocas de palavras e atos hostis. Os processos de negociação baseados na cognição social e na tomada de decisão, áreas de estudo da psicologia, visam a regulação socio-emocional e assumem uma grande importância na gestão da comunicação interpessoal em diversos contextos. A negociação pode potenciar a descoberta de soluções eficazes e adaptativas na resolução de litígios de diferentes domínios como por exemplo familiar, profissional ou político. Podemos definir negociação como um processo de resolução de um conflito entre duas ou mais partes em oposição de ideias ou convicções, mediante o qual ambas alteram as suas exigências, com o objetivo de alcançarem um compromisso aceitável por todas as partes envolvidas.

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Ciúme e amor romântico

O ciúme é uma emoção universal, que em maior ou menor grau, todo o ser humano experiencia, em algum momento da sua vida. Transversal às relações pessoais e sociais, o ciúme pode ser vivenciado em diversos tipos de relacionamentos: romântico, familiar ou de amizade.

Definir o ciúme não é fácil, mais fácil é sem dúvida identifica-lo. No entanto, podemos referir as suas principais características que incluem o facto de ser um sentimento perante uma ameaça percebida, que pressupõe a existência de um rival, quer este seja real ou imaginário, e é uma reação que tem como objetivo eliminar o risco da perda do “objeto amado”. Foquemo-nos então no amor romântico e no respetivo ciúme. Este é um ciúme que acontece entre casais, tipificado por um conjunto complexo de pensamentos, emoções e ações perante a ameaça da perda do amor do outro e do respetivo relacionamento. O ciúme decorre da existência de um triângulo social, ainda que imaginário o que desperta sentimentos como o medo, a raiva ou a tristeza e que podem levar o indivíduo a comportamentos por vezes irracionais e desadequados.

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Comunicar não é só falar

Comunicar é uma necessidade inata ao ser humano. Desde sempre que os indivíduos procuram encontrar formas de interação em substituição da comunicação verbal ou em complemento a ela. A comunicação não-verbal tem vindo a ser utilizada e explorada, assumindo grande importância nas relações interpessoais.

Inicialmente, antes de haver uma linguagem estruturada, quer falada, quer escrita, a comunicação acontecia por meio de gestos e símbolos. Hoje em dia, continuamos a utilizar esse tipo de comunicação, mesmo que por vezes não tenhamos consciência disso. A comunicação não-verbal diz tanto sobre quem somos e sobre a forma como pensamos, que é necessário estar atento a ela, no sentido de salvaguardarmos as nossas relações interpessoais. Um dos componentes da linguagem não-verbal é a aparência. A aparência física é responsável pela primeira impressão causada no outro e pode expressar credibilidade ou a falta dela. O modo como nos vestimos mas também a forma como cuidamos o cabelo, a barba no caso dos homens, ou a maquilhagem no caso das mulheres, produzem a nossa imagem completa perante os outros. Adequar a imagem à situação é extremamente importante para uma comunicação e interação eficazes e transmissoras de confiança.

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Inteligência emocional e gestão de conflitos

A comunicação e as relações interpessoais nem sempre são fáceis e por vezes implicam ter conversas difíceis, sobre assuntos igualmente difíceis e que podem ferir suscetibilidades ou gerar conflito, tanto a nível pessoal e familiar como profissional.

O conceito de inteligência emocional pressupõe a capacidade de se identificar emoções, dos próprios e dos outros, bem como saber geri-las de forma adaptativa. Deste modo, a gestão de conflitos está incluída nesta competência tão necessária á nossa adaptação aos desafios do dia-a-dia. Por vezes, evitar ou adiar uma “conversa difícil” pode ser protetor e adequado naquele momento, no entanto, só resolve o problema a curto prazo. Se o assunto é realmente importante, mais cedo ou mais tarde terá que ser abordado e se pensarmos bem, quanto mais cedo for esclarecida uma dúvida, resolvido um mal-entendido ou esclarecida uma confusão, mais cedo a nossa paz interior será reestabelecida.

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Crianças e redes sociais: reais e virtuais

Hoje em dia falar de redes sociais remete-nos para o mundo virtual, tão apelativo para os adolescentes mas também para as crianças mais novas. A partilha de fotos e vídeos, bem como os likes e comentários que estes originam são fortemente valorizados, para o bem, e para o mal…Porém, existe uma rede de pessoas, reais, que se forma á volta da criança e que a acompanha ao longo do seu desenvolvimento. Essa é a verdadeira rede de apoio social.

Ao longo do curso de vida a rede de apoio social vai-se modificando, havendo elementos que entram e outros que saem, conforme a fase da vida em que o indivíduo se encontra. No entanto, as dimensões da rede social são tipicamente 3: familiar, escolar e comunitária. A família nuclear constitui-se como o anel mais próximo da criança desde o seu nascimento. Ao nascer, a criança é habitualmente rodeada pelos pais, irmãos e avós, sendo estes por norma os elementos mais comuns de suporte socio-emocional. Provedores de alimento, afeto e outros cuidados, a família constitui a rede que acolhe a criança e a protege. Noutro anel mais alargado, encontram-se outros familiares como tios, primos ou avós geograficamente mais distantes. Estes elementos estão habitualmente presentes na vida da criança em momentos significativos como aniversários e outras festividades, mas também podem constituir um meio de suporte importante em momentos de doença ou outras dificuldades, como por exemplo a separação dos pais.

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Adolescentes e competências sociais

Quando um adolescente tem boas competências sociais, isso quer dizer que o seu desempenho no que diz respeito às relações que estabelece e mantém com os outros é bem-sucedido. Este sucesso deve-se essencialmente a uma aprendizagem relacional e comportamental positiva que reflete um saudável desenvolvimento.

A adolescência é uma fase da vida em que as relações interpessoais assumem especial relevância. Os jovens estabelecem novas relações nos vários contextos em que se movimentam e o grupo de pares nesta fase da vida adquire uma maior relevância. Espera-se que durante a adolescência os jovens alcancem capacidades sociais que os venham a tornar adultos socialmente competentes. Embora a maioria dos jovens tenha potencial para desenvolver essas competências, nem sempre assim acontece de uma forma natural. Alguns jovens, quer por características de personalidade, quer por fatores ambientais e contextuais, têm dificuldades nas suas relações com os outros, nomeadamente com os seus colegas e companheiros de escola e atividades.

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Isolamento ou afastamento social na adolescência

Numa altura em que a palavra de ordem é isolamento, no sentido de mantermos distanciamento pessoal dos outros, importa entender o isolamento na adolescência. Muitos jovens, ao longo da difícil tarefa de crescer e se tornarem adultos, passam por momentos mais ou menos dolorosos em que por vezes se isolam, tornando esses momentos um tanto ou quanto perturbadores para os que com eles coabitam.

Comum no período da adolescência, o isolamento dos jovens geralmente ocorre em relação aos seus familiares mais diretos (pais) mas por vezes também em relação ao seu grupo de pares e à vida social em geral. A razão pelas quais o adolescente se isola pode ser de várias ordens. Por um lado, pode haver uma necessidade de se diferenciar em relação aos outros e de quebrar barreiras de autoridade que sente em relação a pais e professores. Mais do que isolamento, trata-se de um afastamento, por vezes marcado pela rebeldia, em que o jovem procura ter novas experiências, quebrar regras e testar limites. Por vontade própria relacionada com traços de personalidade, pressão dos pares ou por necessidade de se sentir parte integrante de um determinado grupo, o adolescente tende a afastar-se das ideias, opiniões e recomendações dos adultos significativos e fecha-se no seu mundo, passando a viver centrado em si em busca do auto-conhecimento e da autonomia.

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