Isolamento ou afastamento social na adolescência

Numa altura em que a palavra de ordem é isolamento, no sentido de mantermos distanciamento pessoal dos outros, importa entender o isolamento na adolescência. Muitos jovens, ao longo da difícil tarefa de crescer e se tornarem adultos, passam por momentos mais ou menos dolorosos em que por vezes se isolam, tornando esses momentos um tanto ou quanto perturbadores para os que com eles coabitam.

Comum no período da adolescência, o isolamento dos jovens geralmente ocorre em relação aos seus familiares mais diretos (pais) mas por vezes também em relação ao seu grupo de pares e à vida social em geral. A razão pelas quais o adolescente se isola pode ser de várias ordens. Por um lado, pode haver uma necessidade de se diferenciar em relação aos outros e de quebrar barreiras de autoridade que sente em relação a pais e professores. Mais do que isolamento, trata-se de um afastamento, por vezes marcado pela rebeldia, em que o jovem procura ter novas experiências, quebrar regras e testar limites. Por vontade própria relacionada com traços de personalidade, pressão dos pares ou por necessidade de se sentir parte integrante de um determinado grupo, o adolescente tende a afastar-se das ideias, opiniões e recomendações dos adultos significativos e fecha-se no seu mundo, passando a viver centrado em si em busca do auto-conhecimento e da autonomia.

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Adolescência e Covid-19

A adolescência é um período da vida humana especialmente complexo e ambíguo. A vontade de crescer e de se tornar adulto e autónomo, colide por vezes com a vontade de se manter criança, livre de responsabilidades ou encargos. “Entre o medo e o desejo de crescer” (Manuela Fleming).

Se para nós adultos a situação de pandemia causada pelo vírus Covid-19 está a revelar-se difícil de ultrapassar, na medida em que encerra em si diversos desafios, principalmente de adaptação a uma nova realidade, para os adolescentes, pelas suas características, o desafio pode estar a ser mais difícil de vivenciar. As súbitas alterações das rotinas e do estilo de vida de muitos jovens, a par com a dificuldade que alguns possam ter em cumprir as regras de conduta adequadas no contexto atual, pode levar a situações de grande sofrimento emocional, de isolamento, aumento dos níveis de ansiedade, depressão ou problemas de comportamento. No futuro, também poderá vir a tornar-se um problema o retomar hábitos, horários e rotinas anteriores.

E como podem os pais ajudar os seus filhos adolescentes a passarem por esta fase com o menor dano possível? Em primeiro lugar deverão informar os seus filhos sobre a realidade atual. Essa informação passa por fornecer informação fidedigna ou orientar os jovens na procura de informação adequada nos meios de comunicação disponíveis. A informação é o ponto de partida para o entendimento da situação e para a adoção de medidas de proteção e segurança para evitar a contaminação. Uma boa informação ajudará certamente na aceitação do problema e esta será a melhor estratégias para se lidar com algo que é inevitável.

Manter as rotinas possíveis é extremamente importante. Com o fecho das escolas houveram muitas alterações em termos de horários. As horas de deitar, de acordar, de fazer as refeições, etc., podem sofrer grandes alterações devido às mudanças inevitáveis causadas pela adaptação à situação e pelo confinamento necessário. No entanto, é muito importante para o bem-estar geral, que o dia-a-dia seja estruturado de modo a que tudo o que for possível seja mantido, programando e executado. Dever-se-á estabelecer uma hora fixa de levantar, fazer a higiene diária e tomar o pequeno-almoço adequada à situação de cada jovem em termos de exigências escolares ou académicas. Nos dias do fim-de-semana esses horários poderão ser flexibilizados, à semelhança do que eram em tempos “normais”, no sentido de manter uma diferenciação entre os dias de semana e os dias de descanso semanal.

Planear as atividades diárias, quer escolares como lúdicas e destinar um tempo para cada uma delas, poderá ser o modo mais fácil de as cumprir e de dar sentido aos dias. No final do dia o jovem terá a possibilidade de verificar de que forma conseguiu cumprir o planeado e refletir sobre as tarefas efetuadas, ao mesmo tempo que tem a possibilidade de reestruturar as suas tarefas de forma mais eficaz, se sentir essa necessidade. Os pais devem ficar atentos às atividades dos jovens, no sentido de os ajudarem e apoiarem em algumas tarefas com as quais eles possam ter maiores dificuldades. Por outro lado, esse acompanhamento deverá ser positivo e reforçador. Elogie cada esforço do seu filho para se adaptar às novas realidades e para cumprir com as exigências escolares. Lembre-se sempre de que esta é uma situação nova e difícil para todos e procure ser tolerante na relação com o adolescente, sem descurar o estabelecimento de regras e limites.

E como ser tolerante quando o comportamento do jovem é difícil, desafiante ou desobediente? Antes de mais expresse sempre o seu amor pelos seus filhos, qualquer que seja a sua idade, adequando as suas palavras e gestos, claro. O que poderá estar em causa e provocar-lhe desagrado é o comportamento do seu filho e não ele. Validar os sentimentos dos jovens é muito importante. Permitir que expressem as suas emoções, que coloquem as suas dúvidas e que manifestem as suas dificuldades, vai certamente ajuda-los a lidarem com os problemas decorrentes da situação atual. A vivência dos afetos é importante em todos os momentos, principalmente quando estes são mais instáveis e difíceis de nos adaptarmos.

Por fim, procure integrar o seu filho adolescente nas atividades da família para promover o convívio e evitar o isolamento. Destine um tempo em família para fazer atividades em conjunto como jogos de tabuleiro, assistir a filmes, partilhar tarefas como a culinária, ou outras que sejam do agrado de todos. Se o seu filho adolescente tem dificuldades ao nível dos relacionamentos sociais, promova o contacto dele com colegas e amigos através dos meios de tecnologia existentes. Isolamento social não significa deixar de comunicar com os outros mas sim manter-se fisicamente afastado dos outros. Hoje em dia, a tecnologia permite inúmeras interações, que na dose certa podem ser muito gratificantes. E tenha muita paciência e calma, aos poucos e com muitos cuidados, a vida irá seguindo o seu curso.

Terapia familiar

O termo Terapia Familiar engloba um conjunto de procedimentos que visam a intervenção na família e assenta no pressuposto de que a causa do sofrimento familiar não é necessariamente a patologia de um ou mais elementos da família, mas sim as interações dentro do contexto familiar.

A Terapia Familiar teve a sua origem nos Estados Unidos da América nos anos 50 do século XX. Baseia-se em conceitos de diversas áreas da psicologia como a pragmática da comunicação humana ou a teoria geral dos sistemas, bem como da cibernética.  Os objetivos da Terapia Familiar incluem a avaliação da comunicação entre os vários elementos que compõem a família, a compreensão das razões que levaram a que “aquelas pessoas” tivessem constituído “aquela família”, assim como os motivos que os levam a pedir ajuda, isto é, quais as suas queixas e preocupações.  Faz também parte desta terapia, escutar os vários elementos que constituem a família e ensiná-los a que se ouçam e que compreendam o que não está funcional, naquele sistema que é a sua constelação familiar. Consciencializar os vários elementos acerca do que podem mudar e de que forma cada um pode contribuir para melhorar aquilo que é o seu projeto de família.

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Solidão na velhice: compreensão, prevenção e intervenção

RnvelhecerO processo de envelhecimento pressupõe inevitavelmente uma degradação progressiva e diferencial do indivíduo. É um processo que ocorre e se manifesta a vários níveis, pois a velhice associa-se a um conjunto de alterações biológicas, psicológicas, funcionais e sociais que variam de indivíduo para indivíduo.

Não sendo a idade um fator determinante, constitui-se como mais uma variável a levar em consideração no processo de envelhecimento. A par com o passar do tempo, destacam-se também as características individuais como a personalidade, a história e os hábitos de vida do sujeito. Uma pessoa mais ativa será tendencialmente mais funcional, até mais tarde na vida, em suma, terá uma melhor qualidade de vida e autonomia. O envelhecimento ativo é visto como um meio que procura otimizar as oportunidades para a saúde e manter a participação e a segurança, no sentido de aumentar a qualidade de vida ao longo do envelhecimento. Continue a ler “Solidão na velhice: compreensão, prevenção e intervenção”