Perturbação de Pesadelos

PesadelosQuem é que nunca teve um pesadelo? E pesadelos recorrentes e perturbadores? Saiba que o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5) classifica como Perturbação de Pesadelos a ocorrência repetida de sonhos prolongados, extremamente perturbadores e que são facilmente recordados após o despertar, envolvendo em geral esforços para evitar ameaças à sobrevivência, segurança ou integridade física.

Estes sonhos geralmente ocorrem na segunda metade do período principal do sono, sendo que ao despertar, o sujeito fica rapidamente orientado e alerta. Para que possa ser classificada como Perturbação de Pesadelos, esta deverá ainda ser causadora de um mal-estar clinicamente significativo ou disfunção numa das áreas do funcionamento individual (e. g. social, laboral, ocupacional) e os sintomas desta perturbação não poderão estar associados a efeitos causados pela utilização de algum medicamento ou pelo consumo de outro tipo de substâncias. Esta perturbação, à semelhança de muitas outras, pode estar associada a outras comorbilidades e pode ser classificada como ligeira, grave ou moderada no que diz respeito à gravidade e aguda, subaguda ou persistente, consoante a sua duração.

PesadelosOs pesadelos são sonhos tipicamente longos e elaborados, onde muitas vezes se constroem histórias que parecem reais, ao ponto de provocarem medo, ansiedade e outras emoções negativas. Se estes ocorrerem após a vivência de experiências traumáticas, podem simular esse mesmo evento de ameaça e dor (pesadelos replicativos). Os pesadelos terminam ao acordar mas são passíveis de serem recordados e descritos em pormenor o que promove a persistência das emoções desagradáveis durante o estado de vigília, podendo dificultar, não só o regresso ao sono, como um mal-estar diurno prolongado. Aos pesadelos podem estar associadas manifestações como taquicardia, suores, vocalizações ou movimentos corporais.

Em geral os pesadelos têm o seu início entre os 3 e os 6 anos, sendo que entre 1,3% e 3,9% dos pais, relatam que os filhos em idade pré-escolar têm frequentemente pesadelos. A prevalência da perturbação vai aumentando desde a infância até à adolescência, em ambos os sexos, porém, no sexo feminino, continua a aumentar entre os 20 e os 29 anos, ao contrário do sexo masculino, que tende a diminuir. Para os adultos a prevalência de pesadelos no mínimo mensais é de 6% e a dos pesadelos frequentes é de 1% a 2%.

PesadelosQuanto aos factores de risco, estes podem ser de várias ordens: temperamentais, ambientais, genéticos e fisiológicos ou modificadores do curso. De entre os factores comportamentais, estes podem estar relacionados com perturbações da personalidade ou com diagnósticos psiquiátricos. Os factores ambientais podem incluir a privação ou fragmentação do sono ou os horários irregulares do sono-vigília. Em relação à genética, parece haver evidência de terem sido identificados efeitos na disposição para os pesadelos, em estudos feitos com gémeos. Em relação aos modificadores do curso, são de referir alguns comportamentos parentais tranquilizadores e adaptativos (acalmar a criança à cabeceira, após o pesadelo) que podem proteger a criança de desenvolver pesadelos crónicos. A utilização de alguns medicamentos, o stresse, os traumas, ou outras perturbações psiquiátricas associadas, podem contribuir para o desenvolvimento e manutenção desta perturbação.

PesadelosComo consequência desta perturbação, destaca-se o mal-estar significativo com interferência no funcionamento do individuo. Se os pesadelos forem frequentes, poderá haver uma tendência de evitamento do sono o que leva a uma experiência de sonolência diurna excessiva, com todos os riscos implicados pela diminuição da concentração, diminuição da energia, irritabilidade, ansiedade ou sintomatologia depressiva. Se os episódios de pesadelos não forem perturbadores ao ponto de causarem um impacto negativo na vida do sujeito, estes não requerem tratamento específico. Se os pesadelos forem consequência de outras situações de doença, como por exemplo a apneia do sono, o tratamento orientado para esse problema pode ser suficiente. Se o problema estiver relacionado com outras perturbações do foro psiquiátrico, poderá ser utilizado o mesmo critério, ou seja, tratar a doença para eliminar o sintoma.

Pesadelos

Algumas estratégias de higiene do sono poderão ser eficazes para lidar com a situação. Entre elas, praticar exercício físico regular, evitar bebidas alcoólicas ou com cafeína à noite, fazer refeições leves antes de dormir, procurar manter uma rotina de horário de dormir, evitar exposição aos écrans, pelo menos uma hora antes de deitar, procurar dormir num lugar confortável em termos de temperatura, luminosidade e silêncio, tomar um banho relaxante antes de dormir, ler ou ouvir música.

Pesadelos e psicoterapiaQuanto todas as estratégias anteriores, ou outras similares, não forem suficientes para resolver o problema, poderá recorrer ao tratamento com fármacos ou à psicoterapia. Em relação ao tratamento com psicofármacos, terá sempre que recorrer ao seu médico, para que este o possa orientar nesse sentido. No que diz respeito à intervenção psicológica, o seu psicólogo poderá ajudá-lo. Falar sobre os pesadelos e/ou expressar os seus conteúdos através de formas criativas, como o desenho ou a escrita, poderão ser uma ajuda para lidar com o problema, assim como falar e exprimir sentimentos sobre os medos ou traumas que podem estar na origem do pesadelo. A terapia cognitivo-comportamental, a hipnose, o treino de relaxamento muscular progressivo ou a dessensibilização sistemática, entre outras técnicas, poderão ser armas importantes no combate a essa dificuldade, que pode ser tão perturbadora como incapacitante, no que ao seu dia-a-dia se refere.

Fontes:

  • DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association
  • Morgenthaler TI, Auerbach S, Casey KR, Kristo D, Maganti R, Ramar K, Zak R, Kartje R. Position paper for the treatment of nightmare disorder in adults: an American Academy of Sleep Medicine position paper. J Clin Sleep Med. 2018;14(6):1041–1055.

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