Anorexia nervosa

Perturbações alimentares

A Anorexia Nervosa é uma das perturbações do comportamento alimentar mais comuns. Trata-se de uma patologia psiquiátrica com três características essenciais: restrição persistente do consumo de energia (alimentos), medo intenso de ganhar peso ou comportamentos persistentes que interferem com o ganho de peso (vómito) e perturbação da percepção do seu próprio peso ou imagem corporal.

O Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5) insere-a nas perturbações da alimentação e da ingestão e define como critérios de diagnóstico, a restrição do consumo de energia relativamente às necessidades que conduz a um peso significativamente baixo para a idade, sexo, trajectória do desenvolvimento e saúde física; o medo de engordar e ganhar peso e os comportamentos persistentes que interferem com o ganho de peso, mesmo quando este já é significativamente baixo. Constitui-se ainda como critério de diagnóstico, a perturbação na própria apreciação do peso ou do aspecto e forma corporal, bem como a ausência do reconhecimento da gravidade do peso actual.

Perturbações alimentaresEsta perturbação tem actualmente uma prevalência de 1% a 1,5% em mulheres jovens, sabendo-se pouco acerca do problema no que diz respeito ao género masculino, à excepção de que é muito menos comum (aproximadamente 10:1). A Anorexia Nervosa tem o seu início habitualmente durante a adolescência ou nos jovens adultos e pode estar frequentemente associado a um acontecimento de vida stressante significativo. O curso e o prognóstico são altamente variáveis. Alguns indivíduos recuperaram completamente após um único episódio, já outros apresentam um padrão flutuante entre ganhos e perdas ponderais e outros ainda, apresentam uma evolução deteriorante crónica por muitos anos. No entanto, a maioria dos doentes com esta perturbação entra em remissão 5 anos após o início. Há casos muito graves que podem acabar em morte, por vezes por suicídio, sendo que os casos de morte frequentemente têm a ver com complicações médicas associadas à perturbação.

Perturbações alimentaresQuanto aos factores de risco para o desenvolvimento desta perturbação, estes podem ser de vários tipos: temperamentais (e. g. perturbações de ansiedade ou traços obsessivos), ambientais (e. g. valorização da magreza por questões culturais ou profissionais), e/ou genéticos e fisiológicos (e. g. ser familiar em primeiro grau de um doente de anorexia). Alguns dos sintomas físicos incluem a amenorreia, obstipação, dores abdominais, intolerância ao frio, letargia ou excesso de energia. Quanto aos sinais, o mais evidente é a magreza mas outros sinais como a hipotensão, crescimento de penugem fina pelo corpo, amarelecimento da pele e aparecimento de edemas, podem estar presentes. Indivíduos com anorexia nervosa que induzem o vómito (bulimia nervosa) podem apresentar erosão no esmalte dentário ou aumento das glândulas salivares. Os doentes com anorexia nervosa podem apresentar uma diversidade de limitações no seu funcionamento, causadas pela perturbação, não sendo raros os casos de isolamento social ou decréscimo de rendimento escolar ou profissional.

Perturbações alimentaresO tratamento da Anorexia Nervosa deverá incluir uma abordagem multidisciplinar, levando em consideração a pluralidade dos factores etiológicos. Deverá conter a psicoeducação em contexto familiar, com foco na informação sobre a perturbação, bem como a identificação dos factores que podem estar a manter a situação e a forma de os combater. Os aspectos nutricionais são obviamente de extrema importância, e a reeducação alimentar, sendo uma vez mais a informação, as abordagens práticas e o acompanhamento dos pacientes nas suas refeições, estratégias eficazes. Pode também ser necessário o uso de medicação, em presença de quadros psiquiátricos associados, como por exemplo a depressão. Em termos de intervenção psicológica, a terapia familiar poderá ser a mais indicada e o modelo cognitivo-comportamental pode dar respostas muito eficazes através da utilização de técnicas de reestruturação cognitiva e de activação comportamental, entre outras.

Fontes:

Dare C. The family therapy of anorexia nervosa. Journal of Psychiatric Research 1985;19:435-443.

DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.

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