
Com o aumento da esperança média de vida, a população portuguesa está claramente a envelhecer. Nascem menos, morre-se mais tarde e temos na nossa população cada vez mais idosa, com tudo o que isso acarreta, quer a nível do bem-estar pessoal, como a nível social, pelo impacto de algumas doenças associadas ao envelhecimento. A Demência é uma delas.
Havendo mais idosos, as problemáticas que caracterizam esta faixa etária tendem a ser mais prevalentes. Se noutros tempos a maior parte das pessoas morria antes dos 75 anos, hoje em dia, houve já a necessidade de se estabelecer uma quarta idade, uma vez que há cada vez mais pessoas que ultrapassam a fasquia dos 90, bem como aqueles que chegam a centenários. Assim, se anteriormente a Demência era uma patologia que afetava principalmente os que estoicamente chegavam a velhos, hoje em dia a probabilidade de se ficar demente aumenta com a possibilidade de se poder viver mais.

A Demência é uma síndrome de deterioração da memória, do pensamento, do comportamento e da capacidade de desempenhar tarefas do dia-a-dia. Constitui-se como uma das principais causas de incapacidade e dependência dos adultos mais velhos e tem impacto ao nível físico, psicológico, social e económico, no doente, nos seus cuidadores e e na sociedade em geral. A Demência é uma patologia grave de saúde mental e social, por vezes de difícil diagnóstico e com o qual é muito difícil lidar. Tratando-se de uma Perturbação Neurocognitiva torna-se imperativo aumentar o conhecimento sobre as suas bases neurológicas. Contudo, e apesar da extensa investigação nesta área, verifica-se ainda a ausência de terapêutica farmacológica suficientemente eficaz, na prevenção e no tratamento da Demência.

De início habitualmente insidioso, a Demência tem um curso lento e progressivo, com sintomatologia estável e duradoura ao nível das capacidades cognitivas, conduzindo a défices da memória, linguagem e da função executiva (ex. dificuldade para executar atividades de vida diária, como administrar dinheiro, conduzir ou preparar as refeições). Para além disso pode ainda apresentar alterações comportamentais significativas, como irritabilidade, agressividade e perturbações do sono, entre outras. Estas alterações, além de afetarem de forma muito negativa a vivência do doente, dificultam a tarefa dos cuidadores e contribuem muitas vezes para a degradação do estado de saúde psicológica dos mesmos.

Para lidarmos com o impacto desta doença, antes de mais é importante estarmos informados. Conhecer os fatores de risco, na sua maioria comportamentais, como por exemplo o consumo de tabaco e álcool, pode-nos ajudar a tomar a decisão de os evitar. Também o isolamento, a solidão e a falta de atividade física e mental, são fatores de elevado risco para o desenvolvimento da Demência. Estes fatores de risco têm uma relação complexa com a Demência, com efeito cumulativo. Assim, os programas de promoção de bons hábitos de estilo de vida saudável e ativa, poderão por si só ajudar na prevenção desta perturbação. Informação acerca da sintomatologia, diagnóstico, progressão e terapêutica, pode ajudar o doente e os seus cuidadores a identificarem os primeiros sinais e sintomas.

Os (as) Psicólogos (as) têm um papel muito importante no processo de rastreio e diagnóstico do paciente e poderão fazer a ponte com outros médicos especialistas (e. g. neurologista, psiquiatra). A Avaliação e Acompanhamento Psicológico, e um plano de intervenção personalizado, pode ajudar a retardar a progressão dos sintomas da doença e prolongar a autonomia e a independência do doente. O plano de intervenção psicológica na pessoa com Demência passa pela estimulação e treino cognitivo, pelo apoio na gestão dos sintomas psicológicos, emocionais e comportamentais da doença, bem como no apoio e formação aos cuidadores.

A investigação nesta temática sugere que a participação em atividades mentalmente estimulantes, está associada a menor incidência de sintomatologia demencial, e que, mesmo em idades avançadas, a atividade mental mostra uma relação inversa com o risco de Demência, independentemente das experiências de vida anteriores. Indivíduos com qualquer tipo de demência leve ou moderada, independentemente de fazerem terapêutica medicamentosa adequada, terão benefício em participar em programas/sessões de estimulação cognitiva, desenvolvidos por profissionais com formação nesta área.

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