O amor romântico tem sido, desde sempre, um dos temas mais explorados pela arte, pela filosofia e, mais recentemente, pela psicologia. Cantado em músicas, descrito em poemas e idealizado em filmes, o amor continua a ser uma das forças mais intensas e mais complexas da experiência humana. Mas o que diz a psicologia sobre ele?
Em primeiro lugar, dizer que o amor é um fenómeno biológico e psicológico em simultâneo. Quando nos apaixonamos, o cérebro entra num verdadeiro turbilhão químico: a dopamina dá-nos prazer e euforia, a oxitocina cria vínculos e confiança, e a adrenalina acelera o coração e as emoções. O “frio na barriga” ou as “borboletas” tantas vezes referidas, e a sensação de viver num mundo mais colorido têm, afinal, uma base neuroquímica.

Mas a psicologia vai muito além da biologia. Interessa-se pelas dinâmicas emocionais e cognitivas que sustentam as relações. A teoria do apego, por exemplo, mostra-nos como as experiências precoces com as figuras parentais moldam a forma como amamos mais tarde. Quem cresceu com segurança e afeto tende a procurar relações estáveis; quem viveu a rejeição ou imprevisibilidade pode ter tendência para alternar entre a necessidade de proximidade e o medo de ser magoado.

O amor romântico é também um espelho de nós próprios. As relações que criamos refletem as nossas crenças, os nossos medos e as nossas expectativas. É por isso que tantas vezes nos apaixonamos por alguém que, de algum modo, ativa as mesmas feridas emocionais que carregamos. A psicologia ensina-nos que amar não é apenas encontrar o outro, mas também reconhecer o que cada um traz da sua própria história.

No entanto, a cultura tende a confundir o amor com a fusão total, a ideia de que duas pessoas “se completam”. Essa visão, embora romântica, pode ser perigosa. Quando o amor se torna dependência ou salvação, perde-se o equilíbrio. A psicologia propõe um conceito mais saudável: o amor como encontro entre dois indivíduos inteiros, que escolhem crescer lado a lado, sem anular a própria identidade.

É também importante compreender que o amor não é um estado permanente de euforia. As relações evoluem, atravessam fases, exigem comunicação, empatia e compromisso. A paixão pode ser o início, mas é o afeto maduro, ou seja, aquele que se constrói na aceitação das imperfeições, que sustenta o vínculo ao longo do tempo.

Num mundo que valoriza o instantâneo e o descartável, amar de forma consciente é quase um ato de coragem. Exige vulnerabilidade, paciência e a capacidade de lidar com a imperfeição — a do outro e a nossa. A psicologia não retira a magia ao amor; apenas nos ajuda a entendê-lo. E compreender não é o mesmo que sentir menos. É sentir melhor. Talvez o verdadeiro amor não seja perder-se em alguém, mas sim encontrar-se, de forma mais autêntica, através do outro.