Férias de Verão: Birras e Comportamentos Difíceis

As férias de verão são uma época esperada com entusiasmo, especialmente para as crianças, que veem este período como uma oportunidade para relaxar, brincar e desfrutar de tempo livre. No entanto, para os pais, as férias podem trazer desafios inesperados, incluindo birras e comportamentos difíceis.

As birras são manifestações de frustração, raiva ou desconforto, e são comuns em crianças pequenas que ainda estão a aprender a regular as suas emoções e a expressar as suas necessidades de maneira adequada. Durante as férias de verão, são vários os fatores que podem desencadear birras. Entre os mais comuns estão a mudança de rotina, uma vez que em período de férias são muitas vezes alteradas as rotinas diárias das famílias e das crianças, o que lhes pode causar insegurança e desconforto. A ausência de horários fixos para refeições, sono e atividades pode aumentar a probabilidade da ocorrência de birras e comportamentos desadequados.

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Saúde mental no masculino

A doença mental no masculino é um tema particularmente importante, na medida em que o estigma que ainda hoje está associado a estas questões, pode fazer com que muitos homens evitem ou adiem a procura de ajuda, com consequências potencialmente graves na sua funcionalidade e na sua satisfação com a vida.

Felizmente, cada vez mais o estigma relacionado com as perturbações do foro psicológico ou psiquiátrico, tem vindo a ser desconstruído, no sentido de “normalizar” a avaliação e o acompanhamento psicológico, aos homens que possam enfrentar dificuldades, nesta área da saúde em geral, mas também por desafios específicos do género. Contudo, estas dificuldades, que por vezes são banalizadas ou ignoradas, levam a que a tomada de consciência e a procura de ajuda sejam adiadas ou até mesmo evitadas. As expectativas sociais, estigmas culturais e atitudes em relação à vulnerabilidade e à procura de apoio psicológico por parte dos homens, constituem-se como uma “barreira” por vezes difícil de transpor.

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Crianças, tecnologias e Internet

Atualmente, a Internet está presente em todos os contextos das nossas vidas, para o bem e para o mal. Se algumas pessoas têm mais facilidade em controlar a sua utilização e fazê-la de forma adequada, outras tendem a deixar-se levar mais facilmente pela diversidade de temas e atividades a que ela dá acesso. E como é com as crianças?

Se para muitos adultos, pode ser difícil dar bom uso à Internet e ao que ela permite, para as crianças será certamente mais difícil. Os mais novos têm tendencialmente maior dificuldade em controlar o tempo despendido em atividades online, bem como a selecionar conteúdos adequados á sua faixa etária. Quem tem filhos ou crianças pequenas a seu cargo, poderá seguir algumas recomendações muito úteis e que, se levadas a sério e de forma consistente, podem ajudar prevenir situações de dependência da Internet. Este é um tema que preocupa cada vez mais pais, educadores e outros profissionais que lidam diariamente com essa problemática.

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Quando a criança tem medo de falhar

Algumas crianças lidam desde cedo com medos e inseguranças que podem ser motivados por diversas ordens de razão. Estes medos podem fazer com que a criança deixe de querer “arriscar” ou quando o faz, seja acompanhado por muita ansiedade, comprometendo o seu desempenho e reforçando as suas inseguranças.

Para ajudar a criança que tem medo de falhar, é muito importante, em primeiro lugar que reconheça a situação. Devemos revelar que percebemos o que se está a passar e procurar que a criança fale sobre o assunto, ou seja, que expresse a sua preocupação. Exemplos como “vejo que estás preocupado com a apresentação do teu trabalho de amanhã na escola. Vamos conversar um pouco sobre isso? Este poderá ser o ponto de partida para ajudar a criança insegura com o seu desempenho numa atividade escolar. Validar os sentimentos da criança e refletir sobre o assunto, pode também ser bastante eficaz, para que ela se consiga acalmar. “Estás muito ansioso por causa do teu trabalho, eu compreendo, por vezes é difícil ter tantas coisas na cabeça e essa matéria é realmente complexa”. Será igualmente útil ajudar a criança a processar o medo. “O que achas que pode acontecer se te enganares numa data ou num nome, quando apresentares o trabalho de História amanhã? Qual é a pior coisa que pode acontecer? E então?“.

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Ser adolescente

Ao atingir a puberdade, as crianças experienciam grandes e rápidas mudanças físicas, emocionais e sexuais, sobre as quais não têm controlo. Estas mudanças requerem uma adaptação e uma compreensão, sendo por vezes difícil ao adolescente lidar com o seu corpo e com os seus pensamentos, o que pode conduzi-lo a sentimentos de ansiedade ou ao isolamento social.

Perante questões como “será normal a minha aparência’” ou “o que é que os outros pensam de mim?”, o adolescente toma consciência de si mesmo, mas também pode sentir alguma angústia pela inevitabilidade das mudanças com as quais está a ter que lidar, sem que por vezes esteja preparado para tal. É relativamente comum que a segurança e as certezas da infância desapareçam, dando lugar á dúvida e à ansiedade. Estes sentimentos são normativos, desde que o jovem consiga manter a sua funcionalidade e aos poucos se vá adaptando a um novo corpo, a um novo modo de estar, de pensar e de sentir. No entanto, alguns adolescentes, pelas suas características individuais, demoram mais tempo a fazer essa adaptação, por vezes com custos elevados para o seu bem-estar pessoal, familiar e relacional.

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Seja assertivo, comunique melhor!

A comunicação assertiva promove uma melhor comunicação interpessoal e consequentemente relações pessoais mais gratificantes, maior realização pessoal e melhor qualidade de vida.

A assertividade é uma competência social que permite que o indivíduo defenda os seus direitos pessoais, expresse os seus pensamentos, sentimentos e crenças, de forma honesta, clara e adequada, ao mesmo tempo que respeita os direitos e opiniões dos outros. Cada indivíduo tem naturalmente o seu estilo próprio de comunicação. Uns mais passivos, outros mais agressivos, enfim, ser assertivo pode não ser propriamente uma característica inata mas com motivação e empenho, todos nós podemos aprender e treinar a assertividade e obter resultados surpreendentes ao nível dos relacionamentos, nos mais variados contextos de vida.

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A criança enquanto testemunha da violência doméstica

Todos os dias há milhares de crianças que são vítimas de violência por exposição ao conflito parental, o que leva a que fiquem mais vulneráveis ao aparecimento de problemas emocionais, com repercussão no seu comportamento, desempenho cognitivo e desenvolvimento global.

A violência doméstica, nomeadamente entre casais, é um flagelo da sociedade, tanto em termos de violação dos direitos humanos, como de saúde pública. O conflito violento sistemático entre os pais ou outras figuras presentes no contexto familiar, quer envolva agressão física, psicológica, verbal ou sexual, afeta gravemente a criança a ele exposta, ainda que os atos violentos não sejam perpetrados diretamente sobre ela.

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O meu filho desafia-me a toda a hora!

A Perturbação Desafiante de Oposição (PDO) enquadra-se nas Perturbações Disruptivas do Controlo dos Impulsos e do Comportamento e constitui um problema que tem vindo a crescer e a preocupar cada vez mais as famílias, profissionais de saúde e do ensino, bem como a sociedade em geral, não só pela sua prevalência mas também pelo impacto que pode ter no desenvolvimento da criança e na sua relação com os outros, nos vários contextos da sua vida.

A POD caracteriza-se pela presença de um padrão persistente de comportamentos conflituosos e desafiantes, humor irritável, atitudes rancorosas e vingativas, desobediência e hostilidade,  particularmente perante as figuras de autoridade (e. g. pais, outros cuidadores e professores). Trata-se de uma perturbação psicológica algo comum na criança e no adolescente, que pode uma forma bastante significativa, influenciar e condicionar negativamente o seu percurso,  nos vários contextos das suas vidas.

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Birras à mesa

Para muitas crianças e respetivas famílias, a hora das refeições pode ser um verdadeiro tormento. Gritam porque não querem ir para a mesa, desesperam os pais com intermináveis “já vou”, reclamam da comida, recusam-se a experimentar novos alimentos, enfim, um rol de dificuldades que podem transformar a refeição numa “guerra”.

O que fazer para lidar com estas dificuldades e ter uma refeição tranquila e prazerosa? Aqui ficam algumas dicas que podem ajudar caso o leitor se identifique com este tipo de problema. Comece por avisar que a hora da refeição está a chegar e dê algum tempo para que a criança possa acabar o que está a fazer e preparar-se para o momento. Seja um bom exemplo!  Para exigir a uma criança que se sente à mesa e lá permaneça durante a refeição, nada como todos o fazerem. A criança aprende principalmente por mimetismo. Tente fazer do momento da refeição um momento agradável e de partilha, em que todos fazem parte e intervêm, falam do seu dia e das suas atividades.

Procure incluir a criança na preparação do momento, ou seja, peça-lhe para ajudar a por a mesa ou para ajudar na preparação dos alimentos mais simples, sempre com a sua supervisão e controlo, claro. Coloque pequenas doses de comida no prato da criança, especialmente se se tratar de um alimento novo ou de um alimento de que ela gosta menos. Procure introduzir os alimentos novos um de cada vez e sempre acompanhados de outro alimento familiar de que a criança goste. Ofereça à criança alimentos simples e de fácil identificação. É frequente as crianças recusarem pratos muito complexos, com muitas misturas e muita variedade.

Faça da refeição um momento também de educação. Explique à criança o que vai comer e fale sobre a origem dos alimentos, obviamente de acordo com o nível de entendimento desta. Dê a escolher, se necessário, entre 2 alimentos diferentes mas idênticos em termos nutricionais. Isso fará com que a criança tenha o poder de decidir mas claro, limite-lhe as opções para que seja mais fácil. Estabeleça um limite de tempo razoável para a refeição. Após esse limite, retire o prato à criança e só volte a oferecer-lhe comida na refeição seguinte. Uma criança saudável não terá problemas se ficar sem comer a uma refeição, e por outro lado, precisa de aprender que existe um momento apropriado para o fazer – o momento em que a família está à mesa!

Bom apetite e sejam felizes, também á mesa!

Disciplinar é sobretudo ensinar

Perante os comportamentos difíceis das suas crianças, alguns pais sentem-se frustrados, culpados e até impotentes para lidarem com elas, levando a um desajuste emocional e à deterioração das relações familiares. Alguns comportamentos como as birras e os amuos, são de alguma forma normativos, porém constituem de facto um grande desafio para muitos educadores.

Quando a criança parece ter dificuldade em ouvir os pais, obedecer, cumprir regras e respeitar limites, os pais tendem a ficar emocionalmente desorganizados, acabando muitas vezes por ceder aos caprichos dos filhos, no sentido de reestabelecerem a tranquilidade de que necessitam. Por outro lado, os pais podem ficar muito zangados, com raiva, o que leva a que não consigam dar as respostas mais adequadas à situação. A disciplina positiva visa ajudar os pais a lidarem com os seus filhos e com os seus comportamentos por vezes desadequados, de uma forma mais adaptativa, benéfica e promotora do bem-estar e da harmonia familiar.

Foi socialmente aceite durante várias gerações, que os pais utilizassem a punição física como forma disciplinar os seus filhos. Hoje em dia, essa forma de punir é considerada uma forma de abuso, sabendo-se que as suas consequências são potencialmente negativas. Bater, para além de poder magoar a criança devido ao desequilíbrio entre a força e o porte de um adulto comparativamente à da criança, é também um exemplo de como resolver os problemas com recurso á violência, o que não é um bom modelo. Do mesmo modo, a recompensa material pode não ser a melhor forma de reforçar um comportamento positivo, sendo o elogio a opção mais recomendada. Contudo, e sem pretender adotar uma atitude extremista, há que ter noção daquilo que pode ser ou não uma agressão e daquilo que pode ser ou não uma recompensa material.

Os bons comportamentos são muitas vezes recompensados com doces, brinquedos, uma refeição preferida, tempo de écran, ou seja, algo que dá satisfação à criança e que está dentro das possibilidades dos pais. Os maus comportamentos são por vezes punidos com castigos corporais, como palmadas, puxões de orelhas, bofetadas ou gritos e abanões, estratégias muito eficazes no momento mas certamente pouco eficazes a longo prazo, uma vez que incutem o medo e não ensinam à criança nada de positivo. Também a retirada de privilégios é uma forma de disciplinar bastante comum. Ficar sem o brinquedo preferido, sem poder jogar ou ver vídeos nos dispositivos tecnológicos, deixar de poder ver televisão por um período de tempo ou ficar fechado no quarto, são exemplos de castigos por vezes utilizados pelos pais com o objetivo disciplinar os filhos.

A psicologia humanista teoriza sobre a possibilidade de se poderem utilizar um conjunto de “ferramentas” para ajudar as famílias a melhorarem o relacionamento entre pais e filhos, no que diz respeito à disciplina. Estas “ferramentas” baseiam-se no pressuposto de que as crianças beneficiam se aprenderem a cooperar, a autodisciplinarem-se, a responsabilizarem-se e a resolverem problemas. Este tipo de competências leva a que as crianças se desenvolvam de forma mais autónoma e confiante. A disciplina positiva assenta em cinco pressupostos claros e muito importantes para o sucesso da complexa tarefa de educar. Em primeiro lugar, disciplinar deve incluir firmeza mas também doçura e gentileza, bem como regras e limites bem definidos e coerentes. A disciplina positiva traduz-se no equilíbrio entre o autoritarismo e a permissividade, com vista á promoção do respeito mútuo.

Em segundo lugar está a importância atribuída à criança. Respeitar e saber ouvir a criança vai ensina-la a respeitar e saber ouvir os outros. Os pais são os primeiros modelos dos filhos, e estes tendem a repetir aquilo que observam.  Incluir os filhos nas decisões da família confere-lhes importância e o sentimento de pertença, fundamental para a cooperação necessária às relações familiares. Em terceiro lugar destaca-se a importância dos pais se conseguirem colocar no lugar dos filhos, ou seja, ter em conta o que estes sentem ou pensam de modo a poderem orienta-los na busca de soluções para os seus problemas e dificuldades. Em quarto lugar é de evidenciar a necessidade de oferecer às crianças a oportunidade de fomentar competências como responsabilidade, autocontrolo, empatia e respeito pelos outros, competências estas fundamentais no desenvolvimento psicossocial ao longo da vida. Por fim, mas não menos importante, está o facto de os pais poderem ensinar aos seus filhos a serem confiantes e a terem a possibilidade de aprender com os seus erros, evitando as críticas e os julgamentos.

Os fundamentos da disciplina positiva podem ser vistos como uma filosofia de vida, como uma forma mais adaptativa de enfrentar o enorme desafio da parentalidade, com todos os obstáculos que esta pode apresentar. Educar com respeito, amor, firmeza, responsabilidade, cooperação, afeto, rigor, aceitação, compaixão, envolvimento e empatia é educar de forma positiva. Desenvolver na criança a capacidade de autoconsciência leva a que esta evite determinados comportamentos, não por medo da punição mas sim por conseguir ter a consciência de que aquela não é a maneira correta de agir e porque lhe foram oferecidas e ensinadas as alternativas adequadas.

Disciplinar é mais fácil com amor, respeito, compreensão e tolerância!