Há qualquer coisa em setembro que nos convida a recomeçar. Terminam as férias, regressam os horários, as obrigações escolares e laborais, reorganizam-se agendas e, quase sem darmos conta, começamos muitas vezes a pensar no que gostaríamos de mudar. Mas será mesmo necessário entrar em setembro com uma nova versão de nós próprios?Essa necessidade de mudança não põe muita pressão no recomeço?
Embora janeiro seja tradicionalmente o mês associado aos grandes recomeços, setembro pode também representar um momento particularmente propício à mudança e à reorganização. O final do verão e o regresso às rotinas funcionam como uma espécie de marco temporal, separando aquilo que ficou “antes das férias” do período que agora começa. A investigação em Psicologia descreve precisamente este fenómeno como fresh start effect — efeito de novo começo. Determinados momentos, como o início de um ano, de um mês ou de uma semana, um aniversário ou o começo de um novo ciclo, podem aumentar temporariamente a motivação para estabelecer novos objetivos e introduzir mudanças nas nossas vidas (Dai, Milkman & Riis, 2014).
As férias escolares são um tempo importante para crianças e adolescentes descansarem, brincarem e recuperarem energia. Mas, para muitos pais, estes meses trazem também dúvidas, sobrecarga e preocupação: como organizar quase três meses sem aulas quando as férias dos adultos são mais curtas e nem sempre existe uma rede de apoio disponível? Neste artigo, refletimos sobre os principais desafios deste período e sobre algumas estratégias que podem ajudar as famílias a vivê-lo com mais equilíbrio, realismo e tranquilidade.
As férias escolares são, para crianças e adolescentes, um tempo desejado de descanso, brincadeira e liberdade. No entanto, para muitos pais, este período pode tornar-se exigente e até fonte de preocupação. Enquanto os filhos têm cerca de três meses de férias, a maioria dos pais dispõe de um período muito mais curto de descanso. Muitos continuam a trabalhar, nem sempre têm avós disponíveis, rede familiar próxima, suporte comunitário ou possibilidade económica para recorrer a campos de férias, ATL ou outras atividades organizadas. Este desfasamento entre o calendário escolar e a vida profissional das famílias cria uma pressão real: como garantir cuidado, segurança, ocupação e bem-estar dos filhos quando os pais não conseguem estar presentes como gostariam?
O ciúme, frequentemente interpretado como uma resposta emocional instintiva ou reativa, é na realidade um fenómeno psicológico complexo que emerge da interação entre estruturas cognitivas profundas, normas internas e processos de pensamento disfuncionais. A sua manifestação não é aleatória, mas sustentada por padrões de funcionamento mental que se autoalimentam e reforçam, dificultando a autorregulação emocional e comprometendo o equilíbrio relacional.
No cerne deste sistema encontram-se as crenças centrais, entendidas como esquemas cognitivos nucleares que estruturam a perceção do self, do outro e das relações interpessoais. Estas crenças são frequentemente formadas em fases precoces do desenvolvimento e tornam-se automáticas e inconscientes, operando como lentes que distorcem a realidade. Quando negativas, estas crenças moldam uma visão autodepreciativa ou desconfiada do mundo relacional. Por exemplo, a convicção “eu não sou digno de ser amado” pode conduzir a interpretações distorcidas de comportamentos neutros do parceiro, ativando estados emocionais como insegurança, ansiedade e medo de abandono (Beck, 1979).
A síndrome do impostor relaciona-se com a avaliação que cada um faz de si próprio e do seu desempenho. Refere-se a um sentimento de descrença no seu valor, mesmo quando confrontado com provas da sua competência em tarefas bem-sucedidas.
A síndrome do impostor tem a ver com a forma como nos avaliamos a nós próprios, bem como a forma como avaliamos o nosso desempenho. Muitas vezes, quando temos um bom desempenho em determinada tarefa, acabamos por atribuir as responsabilidades do sucesso a fatores externos, não conseguindo aceitar que o sucesso tem a ver principalmente com a qualidade do nosso trabalho. Algumas pessoas com síndrome do impostor, avaliam-se a si mesmas como uma “fraude”, chegando mesmo a recear serem descobertas, sem que verdadeiramente haja motivo para tal. É como se não aceitassem como válidas as suas capacidades e duvidassem das suas competências.
Alguém que sofre da síndrome do impostor pensa frequentemente que se fez algo bem, foi porque teve sorte e não porque se esforçou ou se preparou bem para a tarefa, chegando mesmo a pensar que numa próxima vez, as coisas não irão correr tão bem. No fundo trata-se de uma falta de confiança e de uma perceção distorcida da sua autoeficácia.
Os sintomas mais frequentes da síndrome do impostor estão relacionados com o pensamento, havendo um medo recorrente de se ser descoberto como fraude. Outro sintoma comum é o estabelecimento de comparações com os outros, acreditando que estes são mais inteligentes e capazes. A imagem idealizada daquilo que é suposto atingir numa situação, é outra característica destes indivíduos, que acabam por nunca ficar satisfeitos com o resultado final do seu trabalho, por consideraram que não está suficientemente bom. A síndrome do impostor faz ainda com que a pessoa tenha uma tendência para se escusar de receber elogios, lidando mal com os mesmos, por acreditar que o sucesso não é por responsabilidade sua. Esta situação poderá também conduzir a problemas de ansiedade.
Foram identificados alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da síndrome do impostor, sendo eles a baixa autoestima ou os elevados padrões de exigência durante a infância, como por exemplo a exigência por parte dos pais por notas máximas em provas escolares, ou até por um comportamento social exemplar. Quando sistematicamente o indivíduo sente que estava aquém do que esperavam dele, ou isso estava implícito na cultura familiar, este vai achar que é insuficiente e que nunca vai conseguir fazer suficientemente bem, originando ansiedade (variável de pessoa para pessoa) e dependência da validação externa.
O primeiro passo para ultrapassar o mal-estar provocado pela síndrome do impostor é a tomada de consciência. Há que separar a realidade, daquilo que são pensamentos disfuncionais e emoções por eles geradas. Há que conseguir perceber que é necessário alterar a perceção que se tem da realidade, isto é, pensar que a função que se desempenhou e que foi elogiada, estava de facto bem conseguida, graças às capacidades e empenho do próprio e não a fatores como a sorte. Há ainda que ajustar as espectativas e refletir acerca do que se é e do que se pretende ser, no sentido de evitar a frustração. O apoio das pessoas significativas pode ser determinante neste trabalho de aceitação de si e também do erro, uma vez que este faz parte de qualquer processo.
O apoio psicológico pode ajudar na necessária reestruturação cognitiva, orientando e acompanhando o processo de mudança!