Falar é o primeiro passo para a prevenção do suicídio

Man sitting on a bench along a garden path surrounded by autumn foliage

Nem sempre é fácil dizer “não estou bem”. Por vezes, o sofrimento permanece escondido durante semanas, meses ou até anos, atrás das rotinas, das responsabilidades e de uma aparente normalidade. Entre aquilo que sentimos e o momento em que conseguimos pedir ajuda pode existir um longo silêncio. E é precisamente nesse espaço que falar, escutar e reconhecer os sinais de sofrimento pode fazer a diferença.

Todos os anos, a 10 de setembro, assinala-se o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, uma data que procura sensibilizar para a importância de falar sobre o sofrimento psicológico, reduzir o estigma e facilitar o acesso ao apoio. Mais do que centrar a atenção apenas na crise, este dia convida-nos a refletir sobre a forma como escutamos, reconhecemos sinais de sofrimento e criamos espaço para que alguém possa dizer que não está bem.

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Distimia: Quando a Tristeza Persistente se Torna Parte do Quotidiano

Person walking on a mountain path with a dark cloud above their head at sunset

A experiência de tristeza faz parte da vivência humana e surge naturalmente em resposta a acontecimentos difíceis, perdas ou períodos de maior vulnerabilidade emocional. Contudo, existem situações em que o humor persistentemente baixo deixa de ser apenas uma reação transitória e passa a constituir um padrão prolongado de funcionamento psicológico, influenciando de forma significativa o bem-estar, a motivação e a perceção de si próprio. É neste contexto que surge a distimia, atualmente designada no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders — Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR) como Perturbação Depressiva Persistente (American Psychiatric Association, 2022).

A distimia caracteriza-se pela presença de um humor deprimido crónico, persistente durante longos períodos de tempo — geralmente durante pelo menos dois anos nos adultos. Ao contrário daquilo que frequentemente acontece na depressão major, os sintomas podem apresentar menor intensidade, mas tendem a assumir um caráter contínuo e duradouro (Klein & Santiago, 2003). Muitas pessoas descrevem sentir-se “sempre em baixo”, desmotivadas, pessimistas ou emocionalmente cansadas, mesmo quando conseguem manter o funcionamento profissional, académico ou familiar.

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