Férias em Família: entre a Proximidade e o Conflito

Make family slightly larger in frame

As férias em família são frequentemente associadas a descanso, convívio e criação de boas memórias. No entanto, este período pode também tornar mais visíveis tensões que, durante o ano, ficam diluídas pelas rotinas, pelos horários e pelas responsabilidades individuais. Passar mais tempo em conjunto não significa, necessariamente, sentir maior proximidade. Em algumas famílias, a convivência prolongada pode aumentar a irritabilidade, a sensação de invasão de espaço e a dificuldade em gerir diferenças.

Uma das principais fontes de conflito está nas expectativas. Muitas pessoas iniciam as férias com a ideia de que todos devem estar disponíveis, bem-dispostos e interessados nas mesmas atividades. Espera-se que o tempo em conjunto decorra de forma harmoniosa e que o afastamento das obrigações quotidianas resolva, por si só, o cansaço ou as dificuldades relacionais. Quando isso não acontece, pode surgir a frustração. Um dia menos conseguido, uma discussão ou a necessidade de ficar sozinho podem ser interpretados como sinais de que as férias “não estão a correr bem”.

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Intolerância: Quando a Diferença é Vista como Ameaça

Group of eight people standing in a circle having a serious discussion on a pedestrian street

Vivemos numa sociedade marcada pela diversidade. As pessoas diferem nas suas crenças, valores, origens, escolhas e formas de viver. Essas diferenças podem enriquecer as relações e ampliar a nossa compreensão do mundo. No entanto, também podem despertar desconforto, insegurança e resistência.

A intolerância surge quando existe dificuldade em reconhecer e respeitar o direito do outro a pensar, sentir ou viver de forma diferente. Não se trata apenas de discordar. É possível discordar sem desvalorizar, atacar ou excluir. A intolerância começa quando a diferença é vista como inaceitável, inferior ou ameaçadora. A tolerância implica respeito pela diversidade humana e não significa indiferença, condescendência ou renúncia às próprias convicções (UNESCO, 1995). Podemos manter os nossos valores e, simultaneamente, reconhecer que os outros têm direito à sua própria forma de pensar e viver.

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Equilíbrio entre o Trabalho e a Vida Pessoal: Bem-Estar e Saúde Mental

Brass balance scale with work documents and laptop on one side and family photo, plants, and hobbies on the other

O Dia do Trabalhador convida-nos, todos os anos, a refletir sobre o lugar que o trabalho ocupa nas nossas vidas. Para além da sua dimensão económica, o trabalho é uma das principais fontes de identidade, propósito e organização do quotidiano. No entanto, quando a sua exigência ultrapassa a capacidade de adaptação individual, pode transformar-se numa fonte relevante de stresse e desgaste psicológico.

A psicologia tem vindo a estudar de forma consistente a relação entre o trabalho e o bem-estar, destacando a importância do equilíbrio entre as diferentes áreas de vida. O conceito de work-life balance (equilíbrio trabalho–vida pessoal) refere-se à capacidade de gerir de forma satisfatória as exigências profissionais e pessoais, sem que uma interfira de forma excessiva na outra. Quando este equilíbrio é comprometido, surgem frequentemente sinais como fadiga persistente, irritabilidade, dificuldade em “desligar” do trabalho e diminuição do envolvimento em atividades pessoais significativas (Greenhaus & Allen, 2011).

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Consumo de Cannabis na Adolescência: Um Debate Necessário em Portugal

O tema do consumo de cannabis por adolescentes em Portugal é, na minha opinião, um daqueles assuntos que nos obriga a sair dos extremos e a procurar uma abordagem mais sensata. Ao longo dos últimos anos, tem-se falado muito sobre a legalização da cannabis e os seus possíveis efeitos na sociedade, mas nem sempre se ouve um debate honesto sobre os riscos específicos para os mais jovens — um grupo particularmente vulnerável.

É importante começar por dizer o óbvio: a adolescência é uma fase do desenvolvimento marcada por intensas transformações físicas e mentais, o que a torna num período particularmente sensível e vulnerável. É também uma fase de descoberta e de definição da identidade. O cérebro adolescente está ainda em desenvolvimento e isso torna-o especialmente sensível, a qualquer substância que interfira com os seus processos naturais. E sim, a cannabis interfere. Apesar da ideia cada vez mais disseminada de que é uma “droga leve” ou até inofensiva, a verdade é que o seu consumo frequente pode ter efeitos sérios como, dificuldades de concentração, perda da motivação, alterações do humor, e até problemas mais graves como surtos psicóticos em pessoas predispostas. Estes não são cenários fantasiosos mas sim relatos reais, cada vez mais presentes nos serviços de saúde mental juvenil.

Infelizmente, muitos jovens não veem a cannabis como algo perigoso. Há uma certa “romantização” da erva como: “é natural”, “é melhor que o álcool”, “também pode ser usada para fins medicinais”, etc. Ora, tudo isto contém alguma dose de verdade, porém, usada fora de contexto, esta informação transforma-se num mito. A cannabis pode até ter alguns benefícios medicinais, mas isso não a torna automaticamente segura para o consumo recreativo, especialmente em idades jovens. O álcool também é legal e socialmente aceite, mas não só não deixa de ser uma substância tóxica, como ninguém sensato recomenda o seu consumo a adolescentes.

Mas não nos deixemos levar pelo pânico moral. Não acredito que o caminho seja o alarmismo, muito menos a criminalização. Portugal deu um passo importante em 2001 ao descriminalizar o consumo de todas as drogas, e isso provou ser uma abordagem mais humana e eficaz do que a repressão. No entanto, a descriminalização não é o mesmo que legalização. E aqui entra o cerne da questão: devemos ou não legalizar o consumo de cannabis em Portugal?

A resposta, na minha opinião, é um cauteloso “sim” desde que feito com responsabilidade. Legalizar não deve significar abrir as portas ao consumo descontrolado. Deve significar sim, retirar o controlo das mãos do mercado ilegal e trazê-lo para um contexto regulado, fiscalizado e informado. Significa permitir que os adultos façam escolhas conscientes e seguras, enquanto se investe seriamente em prevenção, especialmente junto dos mais jovens.

Legalizar pode, paradoxalmente, ajudar a proteger os adolescentes. Ao regular a produção, a venda e a informação sobre a cannabis, seria possível controlar a qualidade da substância, evitar misturas perigosas, limitar o acesso por idade e, acima de tudo, retirar o “fascínio” do proibido. Como sociedade, podemos e devemos explicar claramente que o facto de algo ser legal não o torna automaticamente seguro ou adequado para todos. A educação é aqui o ponto chave.

O perigo real da legalização não está na substância em si, mas na forma como ela é apresentada à sociedade. Se for vendida como um produto inofensivo, semelhante a um suplemento natural, estaremos a abrir espaço para uma nova geração de consumidores impreparados. Mas se for enquadrada num contexto rigoroso, com campanhas informativas, restrições de marketing e foco na saúde pública, então talvez possamos finalmente ter uma conversa adulta sobre o este tema algo controverso.

Pessoalmente, preocupo-me com o crescente número de adolescentes que experimentam a cannabis cada vez mais cedo, na maioria das vezes sem noção dos riscos a que se expõem. Mas preocupo-me igualmente com o moralismo cego que fecha os olhos à realidade. Fingir que a cannabis não existe, ou que todos os seus consumidores estão em perigo, é tão perigoso como normalizá-la sem crítica.

O debate sobre a legalização deve por isso ser feito com equilíbrio. Sim, há perigos, sobretudo para os jovens. Mas a legalização e o controlo da substância também pode trazer benefícios, desde que acompanhados de políticas públicas eficazes, informação rigorosa e investimento em educação. Mais do que decidir entre “proibir” ou “liberalizar”, o que precisamos é de construir uma cultura de consciência, responsabilidade e respeito pela saúde dos nossos adolescentes.

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O que faz uma psicóloga clínica?

A Psicologia Clínica é uma área fundamental da Psicologia que se dedica à avaliação, diagnóstico, prevenção e tratamento de dificuldades emocionais, cognitivas e comportamentais. Uma psicóloga clínica trabalha com indivíduos, casais, famílias ou grupos, ajudando-os a compreender e superar problemas que afetam o seu bem-estar psicológico e qualidade de vida.

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Parentalidade Positiva e os Perigos da Positividade Tóxica

Nos últimos anos, a parentalidade positiva ganhou destaque como um modelo que valoriza o respeito mútuo, a empatia e o fortalecimento do vínculo entre pais e filhos. Este enfoque procura afastar-se das práticas autoritárias ou punitivas, incentivando a uma abordagem mais acolhedora, onde as emoções das crianças são validadas e as dificuldades são encaradas com compreensão. No entanto, é essencial distinguir entre parentalidade positiva e o fenómeno crescente da positividade tóxica, que pode minar os próprios objetivos deste estilo parental.

A parentalidade positiva baseia-se na ideia de que as crianças aprendem melhor em ambientes onde se sentem seguras emocionalmente. Ao invés de gritos ou castigos, promove-se a comunicação aberta, a resolução colaborativa de problemas e o encorajamento em lugar da crítica. Esta abordagem ajuda a criança a desenvolver a autoconfiança, as competências emocionais e e um sentido saudável de responsabilidade. No entanto, a aplicação da parentalidade positiva exige equilíbrio e autenticidade, evitando cair-se na armadilha da positividade tóxica.

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Intimidade e Afeto na Relação Terapêutica

Em psicologia, a relação terapêutica é uma relação de ajuda, assimétrica e colaborativa, entre o psicólogo/a e o cliente ou paciente. Esta relação vai evoluindo ao longo do tempo, à medida que o cliente vai percepcionando a mudança e o benefício obtido pela intervenção, o que frequentemente corresponde ao modo como este se vai sentindo confiante, compreendido, seguro e contido na sua relação com o psicólogo/a.

Enquanto psicóloga clínica, a minha relação com o cliente/paciente, tem início com um pedido de ajuda/apoio feito por parte do próprio cliente ou por alguém em seu nome, motivado por problemas, dificuldades ou perturbações relacionadas com a saúde mental ou psicológica. As dificuldades podem ser de origem diversa e múltipla, e os vários pedidos de ajuda, embora por vezes tão distintos entre si, têm sempre um objetivo comum e muito específico – promover a mudança, de modo a aumentar a saúde, o bem-estar, a qualidade e a satisfação com a vida, da pessoa em sofrimento.

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Comunicar com o adolescente

A adolescência é uma etapa do desenvolvimento tipicamente atribulada, em que os jovens precisam de lidar com as rápidas mudanças a nível físico, e com um mundo interior repleto de emoções intensas. Os adolescentes tendem por vezes a isolar-se e a evitar a comunicação com os adultos. Como podemos então nós, os adultos, lidar com as dificuldades na comunicação com os adolescentes?

Em primeiro lugar, podemos evitar colocar demasiadas questões aos adolescentes. Por vezes, na ânsia de saber o que lhes vai no pensamento, e com a melhor das intenções, temos tendência a questiona-los muito. O resultado é que quando fazemos muitas perguntas para tentarmos “absorver” o seu mundo interno, podemos fazer com que o adolescente não se sinta compreendido e se resguarde nas respostas. Nem sempre os adolescentes têm resposta para as perguntas dos adultos, uma vez que nem eles próprios por vezes têm essas respostas para si mesmos. Assim, devemos perguntar menos mas disponibilizarmo-nos para os escutar, deixar fluir a conversa, evitando uma atitude crítica e julgadora. Mostrar compreensão e promover momentos onde haja espaço para revelações e partilha.

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Quando o meu filho não gosta da professora…

Em contexto escolar, nem todas as relações são pacíficas entre pares. Gosta-se mais de uns do que de outros, como é natural, e o mesmo acontece em relação aos professores. Cada professor tem a sua personalidade, a sua forma de comunicar, de ensinar e até de repreender, o que  faz com que por vezes alguns alunos não gostem de alguns professores.

Á semelhança do que pode acontecer com qualquer outra pessoa, por vezes a criança/adolescente pode não gostar de um determinado professor. Pode acontecer que haja um “choque” de personalidades e que nem sempre a relação do aluno com um certo professor, seja a melhor. Por outro lado, assim como há alunos mais aplicados e bem-comportados do que outros, também há professores mais competentes e mais assertivos do que outros. No entanto, de um modo geral, os professores gostam dos alunos, querem dar-se bem com eles, têm prazer em ensina-los, em transmitir-lhes conhecimento, bem como a ajudar nas dificuldades e a elogiar e reforçar os bons desempenhos.

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