Crianças expostas à violência

Crianças e violência

A violência está infelizmente muito presente na vida das crianças, sob várias formas e proveniente de origens diversas. Não é tarefa fácil eliminar todas as fontes de violência que possam dar às nossas crianças, exemplos de acções e reacções agressivas. Mas o que é afinal a violência e de que forma pode ela entrar na vida de uma criança?

A violência pode ser descrita como a utilização da agressividade, de forma intencional e excessiva, para ameaçar ou cometer uma acção que possa causar dano físico, emocional ou psicológico. A violência chega às crianças através das suas relações familiares, escolares e sociais. Muitas vezes os agressores estão dentro da própria família, mas as crianças também podem vivenciar situações violentas por observação de interacções entre vizinhos, pela televisão ou até mesmo pelos jogos ou livros de histórias infantis.

Crianças e a violênciaA violência pode ser exercida de 4 formas diferenciadas. O abuso físico inclui o bater, empurrar ou abanar uma criança. O abuso verbal ou psicológico caracteriza-se pela utilização da humilhação, ridicularização ou da ameaça, e também do gritar com a criança. O abuso sexual, define-se pelo contacto ou interacção com a criança para estímulo ou gratificação sexual do adulto. Por fim, a negligência tem a ver com o não atendimento das necessidades básicas da criança, como a alimentação, abrigo, assistência médica ou ainda as necessidades emocionais, como a segurança, confiança e o carinho.

Sujeitas à violência, as crianças podem ser apenas vítimas mas também podem modelar determinados comportamentos e tornarem-se elas próprias as agressoras. A violência pode ser instrumental ou relacional. A primeira é expressa pelo uso da força física e é mais comum em crianças mais pequenas que por não saberem ainda muito bem expressar-se pela fala, recorrem por vezes à força física para obterem o que querem. A violência relacional,é quando as crianças utilizam palavras ou comportamentos com o intuito de magoar ou prejudicar alguém (ex. chamar nomes a um colega ou por alguém de lado). Por norma os comportamentos agressivos mudam com a idade e variam consoante o género. A partir dos 3 anos começa a notar-se diferença entre os sexos: os rapazes tendencialmente usam mais violência instrumental e meninas usam mais a violência relacional.

Violência na vida das criançasAs consequências da violência podem observar-se a vários níveis: físico, psicológico ou do desenvolvimento. A nível físico, podem observar-se hematomas, fracturas, traumatismos, podendo os actos violentos, nos casos mais graves, levar à morte ou deficiência. Em termos físicos, os efeitos da violência podem manifestar-se através do aparecimento futuro de problemas cardíacos ou pulmonares (em adulto). Quanto às consequências psicológicas, a violência pode por exemplo aumentar o risco de depressão, perturbações de ansiedade, dificuldades de sono ou perturbações do foro alimentar. Também a probabilidade do uso de drogas e delinquência na adolescência e idade adulta pode aumentar, assim como os problemas de autoestima, confiança nos outros e sentimentos de rejeição e abandono. As crianças, e mais tarde adolescentes, podem passar a ver o mundo como um lugar assustador e perigoso e podem ter tendência a usar também elas a violência como forma de resolução de conflitos.

Violência na vida das crianças

O desenvolvimento infantil pode ser também fortemente afectado. A exposição continuada à violência pode levar a uma alteração do desenvolvimento normal do cérebro, o que compromete a sobrevivência da criança enquanto pessoa saudável e estável. O medo e o stresse excessivo e continuado, promovem a produção de substâncias químicas no cérebro que prejudicam o desenvolvimento normal e comprometem o crescimento de células que actuam na formação de circuitos nervosos saudáveis. As áreas cerebrais que controlam o medo e a raiva ou a memória e a aprendizagem podem ver as suas funções comprometidas. Crianças diferentes têm mecanismos de adaptação diferentes. Umas podem tornar-se agressivas e desenvolver ataques de ansiedade/pânico e comportamentos de oposição enquanto outras crianças podem desligar-se, alhear-se e ir deixando de ter contacto com o mundo externo ou podem ainda desenvolver perturbações que as levem a ser menos capazes de lidar com as exigências familiares, escolares e sociais.

Crianças e violênciaNem todas as crianças expostas à violência desenvolvem sintomas ou comportamentos negativos. As características de cada criança, o estilo parental, a frequência das situações traumáticas e a existência de mecanismos de mediação, podem reduzir o risco de consequências. A maleabilidade do cérebro infantil permite o tratamento ou cura se houver a possibilidade de oferecer à criança um ambiente de segurança, tranquilidade, previsibilidade e afecto.

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