Psicologia clínica pediátrica: na saúde e na doença

Psicologia da DoençaQuando a criança sofre de uma condição fisiológica, principalmente se se tratar de uma doença crónica, como por exemplo a diabetes, a intervenção psicológica pode ser uma mais-valia, quer na aceitação do diagnóstico, quer na adaptação à doença e no desenvolvimento de estratégias para lidar com a mesma. Do mesmo modo, a intervenção psicológica pode promover a prevenção de doenças, como por exemplo a obesidade, educando para a saúde, no sentido de promover um desenvolvimento saudável da criança.

Uma criança doente é uma criança normal numa situação anormal, situação esta que pode potenciar emoções e comportamentos perturbados, como pode também alterar as rotinas esperadas da criança em determinada etapa do desenvolvimento. Pode no entanto, tornar-se numa experiência positiva em termos de aprendizagem de estratégias e formas de confronto, que poderão vir a ser utilizadas em situações de vida futuras. Habitualmente, a intervenção psicológica em contexto de doença física, é realizada num tempo relativamente curto e com objectivos muito concretos e pré-definidos, com recurso a metodologias de abordagem comportamental e cognitiva, orientadas para o objectivo. A intervenção deverá abranger não apenas a criança doente mas também os pais ou cuidadores, bem como alguns constituintes do contexto em que a criança se desenvolve, como por exemplo, os professores/educadores.

Psicologia da doençaEm contexto de doença, a intervenção psicológica deverá apoiar a criança na preparação para procedimentos de diagnóstico, como exames invasivos e a lidar com a dor e com a ansiedade associada ao desconhecido. Também nos casos de necessidade de hospitalização, o psicólogo pode apoiar na adaptação à situação, promovendo a segurança emocional, a integração social em contexto hospitalar, o relacionamento com equipa médica, o possível afastamento das figuras de referência e o afastamento da rede de suporte social (ex. amigos). O trabalho dos psicólogos com os pais e cuidadores em contexto de doença, inclui o apoio à perturbação emocional dos mesmos, bem como a ajuda para lidar com o sofrimento não só da sua criança, como de outras crianças presentes no contexto médico e hospitalar, ou até mesmo com a situação de morte.

psicologia da doença

A intervenção em contexto de doença pediátrica prevê o acompanhamento à criança e a pais e cuidadores, no confronto com o diagnóstico, tratamento e adesão ao mesmo, bem como na reinserção social após o diagnóstico e que se refere ao preparar a criança e a família para o regresso ao ambiente social e escolar. Reacções emocionais como a ansiedade e a depressão ou sentimentos de revolta e raiva expresso por birras, desobediência, oposição e desafio, agressividade, dependência, perturbações alimentares, dificuldades de sono, assim como perturbações nas relações sociais, são relativamente frequentes quando se lida com situações de doença em contexto pediátrico. O psicólogo deverá optimizar o equilíbrio emocional e o desenvolvimento da criança, considerado a sua situação e desenvolver estratégias de confronto, que permitam à criança e à sua família, lidarem com os desafios da situação e desta forma diminuir o seu potencial de ameaça ou de dano. A criança deverá ser levada a sentir que alguém a ouve e atribui importância à sua experiência e os aos seus sentimentos, ao mesmo tempo que deverá conseguir ter uma percepção positiva de si mesma, de autoeficácia, autocontrolo e confiança para aprender e desenvolver estratégias de confronto com a doença.

Saúde e doençaAssim, os principais objectivos da intervenção psicológica em situação de doença fisiológica são, a facilitação da adaptação da criança e da sua família à situação em questão, clarificando os problemas, fornecendo informação e corrigindo más interpretações. Ajudar a criança a ser clara na manifestação das suas dúvidas e preocupações, na comunicação com o adulto, assim como a desenvolver estratégias de confronto  apropriadas para lidar com situações específicas da  sua doença (ex. dor), são pontos muito importantes do processo de intervenção e acompanhamento psicológico. É ainda de referir que se pretende ajudar a criança a viver de forma harmoniosa e positiva, as suas tarefas de desenvolvimento, mantendo-a o mais possível,  perto do seu mundo.

Psicologia da doençaSegundo o Programa Nacional  de Saúde Infantil e Juvenil (2012), os principais objectivos do mesmo visam a implementação de estratégias no sentido de estimular, sempre que possível os comportamentos promotores de saúde, nomeadamente no que diz respeito à nutrição adequada, à prática regular de exercício físico, ao brincar e outras actividades de lazer, à gestão do stresse, à prevenção de consumos nocivos e à adopção de medidas de segurança, no sentido de reduzir o risco de acidentes. Por outro lado, o referido programa visa também preocupações relacionadas com a promoção da imunização contra doenças transmissíveis, conforme o Programa Nacional de Vacinação, a promoção da saúde oral, a prevenção das perturbações emocionais e do comportamento, a prevenção dos acidentes e intoxicações e a prevenção dos maus tratos.

Psicologia da saúdeNesse sentido, cabe aos profissionais de saúde envolvidos, nomeadamente a médicos, enfermeiros e aos psicólogos, detectarem precocemente e encaminharem situações que possam comprometer a integridade ou afectar a qualidade de vida das crianças e dos adolescentes, tais como: malformações congénitas, perturbações da visão, audição e linguagem, perturbações do desenvolvimento físico e psicomotor, problemas dentários, alterações neurológicas, alterações do comportamento e do foro emocional e relacional. Cabe ainda prevenir, identificar e intervir em doenças comuns nas várias idades, através de programas de educação para a saúde, reforçando o papel dos pais e outros cuidadores e alertando para os sinais e sintomas que justificam o recurso aos diversos serviços de saúde. A promoção da saúde infanto-juvenil inclui ainda a sinalização e o apoio continuado às crianças com doença crónica/deficiência e às suas famílias, bem como a promoção da eficaz articulação com os vários intervenientes, na prestação de cuidados a estas crianças, assim como identificar, apoiar e orientar as crianças e famílias vítimas de maus tratos e de violência (ex. negligência, maus tratos físicos, psicológicos, abuso sexual, bullyng…). Outro foco importante na promoção da saúde é a promoção do desenvolvimento pessoal e social das crianças e dos adolescentes, com progressiva  autonomia e responsabilização pelas suas escolhas relativas à saúde, ao mesmo tempo que deverá ser apoiado e estimulado o exercício adequado da parentalidade, no sentido do bem-estar não só das crianças/adolescentes, mas também da família como um todo.

Psicologia da saúdeA prevenção é sempre a melhor escolha, porém, quando esta não foi possível, a intervenção pode sempre reduzir os danos e o sofrimento, de uma criança doente e de uma família que lida com a doença.

 

Sugestão: https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/programa-tipo-de-atuacao-em-saude-infantil-e-juvenil.aspx

 

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