Adolescência: a pressão dos pares

 

Pressão dos paresAs relações de amizade, à medida que o  tempo passa e a adolescência se aproxima, vão-se tornando cada vez mais significativas. À medida que se vai crescendo vai-se passando cada vez menos tempo com a família e cada vez mais tempo com os amigos, que por sua vez vão assumindo um papel cada vez mais importante na vida dos jovens, com grande influência nas suas vidas e nas suas tomadas de decisão.

A influência dos pares, principalmente na adolescência pode ser decisiva em muitas áreas da vida. O modo como o jovem se vai vestir, o desporto que vai escolher praticar, as músicas que vai ouvir ou até mesmo escolhas curriculares e profissionais, podem ser grandemente influenciadas pelos amigos. Essa influência exercida pelos pares, tem muitas das vezes bons resultados, ou seja, marca pela positiva, porque pode ajudar a tomar uma decisão importante, pode ser um exemplo para se atingir um melhor desempenho escolar, pode ajudar no desenvolvimento de competências sociais e também porque pode fazer com que o jovem se identifique com o grupo, desenvolvendo um sentimento de pertença, fundamental para a vivência saudável da fase da adolescência. No entanto, a influencia dos pares nem sempre é positiva e por vezes, é precisamente essa influencia que pode conduzir o adolescente a adotar comportamentos de risco, potencialmente perigosos para a sua saúde e integridade física ou emocional.

Pressão dos paresOs amigos podem oferecer maus exemplos, maus conselhos ou exercer pressão sobre os outros para fazerem algo com o qual estes não se sentem à-vontade e que não cabe dentro do seu sistema de valores e regras. Perturbar deliberadamente os outros, roubar, consumir álcool ou drogas, correr riscos a conduzir um carro ou ter relações sexuais sem proteção, podem ser exemplos de comportamentos que o adolescente pode vir a adotar, com base na influencia dos pares e por pressão destes. A pressão dos amigos pode ser exercida de uma forma direta ou indireta. De uma forma direta, a pressão pode ser exercida através de incentivos verbais como por exemplo, dizerem para beber mais umas cervejas, para fumar mais um cigarro, para experimentar uma droga, para acelerar com o carro, etc. De forma indireta, a pressão pode ser mais subtil e fazer-se presente por exemplo por ser disponibilizado aos outros os meios de correrem riscos, como manter disponível uma grande quantidade de bebidas alcoólicas ou drogas numa festa, ainda que não o façam de forma verbal.

Pressão dos pares na adolescênciaA dificuldade que alguns jovens têm para filtrar ou tomarem a decisão de não ultrapassarem as suas regras ou os seus valores, prende-se com a necessidade que estes podem ter de serem aceites e inseridos no grupo. Há muitas vezes uma pressão para que os jovens façam o que outros fazem, e se isto pode ser inócuo quando se trata de um comportamento sem consequências graves, como usar um determinado tipo de vestuário, por outro lado, podem levar o jovem a comportamentos com consequências sérias, graves e por vezes ilegais. A insegurança e a dificuldade nos relacionamentos interpessoais que alguns adolescentes têm, pode levar a que se deixem pressionar pelos pares, com tudo o que isso pode ter de bom ou de mau. Para além dos perigos que os jovens podem correr por influência dos pares, estas situações podem também constituir oportunidades de reflexão e de como cada um pode pensar em lidar com a pressão. E como podem então os jovens lidar com a pressão dos pares?

Pressão dos paresEm primeiro lugar, é necessário que o adolescente se ouça a si mesmo. Se perante um determinado desafio proposto por um amigo o jovem sente desconforto com a ideia, isso significa que essa situação é errada para si e só por isso deverá ser alvo de maior cuidado na sua avaliação. A utilização de uma balança de decisões, onde se colocam todos os aspetos e consequências  positivas num dos pratos da balança e no outro, todos os aspetos negativos, pode ajudar o jovem a tomar a decisão mais consciente e acertada. Os sentimentos que essa situação lhe provoca, as consequências possíveis por se envolver na situação, o modo como ela pode afetar os outros, os efeitos que a situação pode trazer a longo prazo ou as consequências que pode ter na sua relação com os outros, são fatores que devem ser analisados com cuidado, no sentido do adolescente poder decidir em consciência se se vai ou não envolver nessa situação.

Adolescência e comportamentos de riscoOutra estratégia para lidar com a pressão dos pares pode ser a programação antecipada da resposta, ou seja, o jovem, perante um acontecimento que prevê que possa envolver situações de risco, deve-se preparar para as recusar, de forma assertiva. Decidir o que não se quer fazer e ensaiar respostas adequadas para recusar certos comportamentos, pode ser muito eficaz no momento em que o adolescente se vê confrontado com algo que não quer.  Saber dizer “não” é fundamental. A comunicação assertiva pressupõe  a capacidade do indivíduo  se expressar de forma aberta e sincera ao mesmo tempo que demonstra interesse genuíno nos seus interlocutores. Ser assertivo é ter confiança em si próprio e ser fiel aos seus valores e crenças, com a coragem de falar o que se quer e quando se quer mas sem desrespeitar aos ideias e opiniões dos outros. Se um amigo quer convencer outro fazer alguma coisa que este sabe que não deve fazer ou que o deixa ansioso e desconfortável, este deve negar, ter orgulho em ser forte e fazer o que acha melhor para si e que vai ao encontro do seu sistema de valores.

Pressão dos pares na adolescênciaO evitamento pode também ser uma forma de resistir à pressão, isto é, se o jovem sabe que em determinado local ou evento, vão estar disponíveis, por exemplo, substâncias ilícitas, pode sempre optar por não comparecer ao evento, evitando assim cair em tentação. As consequências de um determinado comportamento são maioritariamente para quem o pratica e por isso deve ser sempre bem avaliado o que desse comportamento pode advir. Além disso há sempre a possibilidade de escolher sair com amigos que pensem da mesma forma, o que vai reduzir a probabilidade de se ter que  dizer “não”.  Numa situação de pressão, a voz da consciência não estará sozinha e provavelmente resistir vai ser mais fácil, quando há mais alguém com quem se partilha valores e os respeita.

Pressão dos pares na adolescênciaQuando a pressão é muita e o jovem já não sabe como lidar com ela, há sempre outra alternativa que é pedir ajuda. Perante uma situação potencialmente perigosa, como por exemplo a pressão para o consumo de drogas, o jovem não deve hesitar em pedir ajuda a um adulto em quem confie e se sinta à-vontade para o fazer, ao invés de correr riscos desnecessários. Se o adolescente estiver com dificuldade em resistir, em dizer eu não quero, a partilha do problema com os pais, com um irmão mais velho ou com outro amigo pode ajudar a decidir da melhor forma. Se o jovem não se sentir confortável em abordar o assunto em questão com os seus familiares ou com os que lhe estão mais próximos, pedir aos pais para ir falar com um psicólogo, pode mesmo ser a melhor opção.

 

 

 

 

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