Solidão na velhice: compreensão, prevenção e intervenção

RnvelhecerO processo de envelhecimento pressupõe inevitavelmente uma degradação progressiva e diferencial do indivíduo. É um processo que ocorre e se manifesta a vários níveis, pois a velhice associa-se a um conjunto de alterações biológicas, psicológicas, funcionais e sociais que variam de indivíduo para indivíduo.

Não sendo a idade um fator determinante, constitui-se como mais uma variável a levar em consideração no processo de envelhecimento. A par com o passar do tempo, destacam-se também as características individuais como a personalidade, a história e os hábitos de vida do sujeito. Uma pessoa mais ativa será tendencialmente mais funcional, até mais tarde na vida, em suma, terá uma melhor qualidade de vida e autonomia. O envelhecimento ativo é visto como um meio que procura otimizar as oportunidades para a saúde e manter a participação e a segurança, no sentido de aumentar a qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

EnvelhecimentoAos poucos tem-se vindo a modificar a ideia de que a velhice é uma fase apenas de perdas (memória, força física, visão, relações pessoas…) dando-se ênfase á conceção de que a fase mais avançada da vida pode também ser um período propício a novas conquistas, orientadas pela busca do prazer, pela concretização de projetos adiados e de satisfação pessoal. As experiências adquiridas ao longo do percurso de vida constituem-se como ganhos que oferecem a possibilidade de se procurar uma nova identidade para realizar sonhos e estabelecer novas relações sociais satisfatórias.

VelhiceEm Portugal, tal como em muitos outros países, principalmente europeus, a população está a envelhecer. As causas e as consequências serão certamente motivo para dissertação, de momento foquemo-nos apenas no facto de o envelhecimento da população portuguesa ser uma realidade incontestável. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em 2025, ao nível mundial, a população com idade superior a 60 anos seja na ordem dos 1,2 biliões.  Deste modo, é de extrema importância que se tome consciência deste facto e que se comecem a desenhar políticas, estratégias e meios de apoio que incluam não só a vertente de saúde mas também a social, no sentido de proporcionar uma melhor qualidade de vida a esta população.

SolidãoUma das realidades presentes na vida dos mais velhos parece ser em muitos casos a solidão. Este é um conceito que tem sido estudado por várias áreas da ciências sociais e humanas como por exemplo a psicologia e a sociologia, A solidão é um conceito tão subjetivo como é sentido de maneiras diferentes por cada indivíduo e ao qual é igualmente atribuído diferentes significados. A solidão pode ser definida em termos sociológicos, como um subproduto da construção social do indivíduo. Ao afirmar a sua individualidade, o homem afirma também a fragmentação do universo social e o isolamento do outro. No entanto, esse isolamento pode tornar-se insuportável e conduzir à busca da sua superação por meio dos relacionamentos interpessoais.

EnvelhecerDo ponto de vista da psicologia, a solidão caracteriza-se pela ausência afetiva do outro e com a sensação de se estar só. O outro pode até estar próximo geograficamente, mas não há aproximação psicológica, ou seja, falta interação e comunicação emocional. Deste modo a solidão tanto pode ser sentida quando o indivíduo se encontra efetivamente sozinho mas também quando está acompanhado por outros, se não houver interação afetiva e a relação com o outro for insatisfatória.

VelhiceO fator velhice acrescenta alguma vulnerabilidade à solidão, explicada por diversos acontecimentos típicos desta fase da vida. As perdas resultantes das várias transformações que ocorrem ao longo da vida, podem acentuar-se e levar a que se instale a solidão. São exemplos dessas perdas a passagem à reforma e o fim da atividade profissional, a diminuição da rede social por morte de amigos, cônjuge ou outros familiares e vizinhos, a saída dos filhos de casa e o surgimento de doenças que possam causar limitações e perda de funcionalidade. O sofrimento físico e psicológico decorrente destas perdas a par com o isolamento social, conduzem ao agravamento do estado geral e à diminuição da qualidade de vida dos idosos.

Solidão e envelhecimentoTorna-se assim necessário identificar os fatores de vulnerabilidade de cada indivíduo e agir atempadamente, de forma preventiva, no sentido de evitar que este veja a sua vivência quotidiana agravada por dificuldades do foro psicológico. A doença mental, nomeadamente os problemas de ansiedade e os quadros depressivos podem tornar-se uma realidade com a qual não é fácil lidar. É de salientar a importância de um acompanhamento de proximidade, por familiares, amigos ou por um profissional de saúde como o enfermeiro ou o médico de família, no sentido de avaliar o estado emocional do idoso e de poder referenciar ou encaminhar para o psicólogo, para uma cuidada avaliação psicológica e possível desenho de um plano de intervenção, antes que o problema se instale e agrave e o indivíduo perca a oportunidade de viver uma velhice mais saudável e feliz.

 

 

Sugestão:

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