É de pequenino que se forma o autoconceito

Cada indivíduo, reserva no seu mundo exterior uma parcela destinada à perceção de si mesmo. Da mesma forma que o indivíduo percebe e atribui valor à realidade que o cerca, percebe e atribui valor e significado a si mesmo, formando gradualmente o seu autoconceito.

Desde a infância, e á medida que nos relacionamos com os outros e com os diversos contextos nos quais vamos estando inseridos, desenvolvemos também a nossa perceção de nós mesmos, ou seja, o nosso autoconceito. Assim, com base no modo como nos avaliamos e julgamos a nós próprios, o nosso autoconceito vai-se formando, influenciando de forma direta a nossa autoestima. O autoconceito deriva da forma como interpretamos as nossas emoções, o nosso comportamento e a comparação que fazemos de nós próprios com os outros.

O autoconceito depende também da apreciação que os outros fazem de nós, o sucesso que temos nas diferentes dimensões das nossas vidas e  nos diferentes papéis que desempenhamos, bem como da importância que atribuímos a cada uma dessas dimensões ou papéis. A opinião que temos em relação a nós próprios depende do contexto em que nos inserimos e é através desse contexto que se forma a nossa identidade. Podemos definir o autoconceito ou o self como o conjunto de tudo o que a pessoa pode chamar  de seu e que faz parte de si, o seu corpo e capacidades físicas mas também os seus bens, os seus amigos, os seus familiares e o seu trabalho, etc.

Formamos o nosso autoconceito desde a infância, no entanto, este pode ser alterado ao longo da vida. Em criança, a nossa maior necessidade psicológica é sermos aceites e amados, principalmente pelas pessoas mais importantes da nossa vida, normalmente os pais. Uma vez que infelizmente nem sempre esse amor é incondicional, a criança começa a identificar o que “deve fazer” ou como “deve ser” para recebê-lo. Nesse processo, podem ser incorporados ao autoconceito da criança, valores que na verdade expressam o desejo dos pais, levando á incorporação de valores de outrem ao autoconceito do indivíduo, o que pode, por vezes conduzir a conflitos/sofrimentos cujas causas posteriormente podem ser difíceis de serem identificadas. Esta incorporação de valores não é restrita à infância, uma vez que podemos incorporar ao longo da vida, valores de outras pessoas significativas (ex. professores, namorados, profissionais de saúde ou outros que admiramos).

O autoconceito é um processo lento. Forma-se a partir da reação dos pais ou outros que os substituam,  dos professores e dos líderes e está intimamente ligado à necessidade de aprovação e aceitação.  Para formar o seu autoconceito, a criança é influenciada em grande parte pelos julgamentos dos outros a seu respeito, incorporando todas as afirmações feitas pelos outros. Daí a necessidade de termos muito cuidado com algumas observações. “Nunca acabas o que começas”, “Não tens jeito para nada”, “Tu não aprendes nada” ou “Se fosse o teu irmão isso já estava feito”, são exemplos de mensagens frequentemente transmitidas ás crianças, que vão moldar as suas crenças a respeito de si mesmas. Através deste tipo de censura e de reprovação ou comparação, os “líderes” apenas conseguem convencê-la de que é incapaz e de que não tem valor.

No sentido da promoção de um autoconceito positivo, é necessário acentuar isso mesmo, o que a criança faz de positivo. O reforço de cada ação levada a cabo com sucesso, ou até mesmo do esforço empreendido para a conseguir, não deve ser deixado de lado. “Muito bem, deste uma boa resposta”, “Parabéns pelo teu desenho” ou “Estou mesmo contente com o que fizeste”, são exemplos de palavras de incentivo que destacam o que a criança tem de melhor, ao invés de salientar o que lhe é mais difícil. Não devemos desperdiçar oportunidades de reforçar positivamente as nossas crianças. Devemos elogiar sempre, nas ocasiões em que se achar oportuno, claro, sem banalizar, para que não perca o seu efeito e o seu valor.

A criança valorizada terá uma melhor perceção de si mesma, ou seja um melhor autoconceito, e, consequentemente, uma melhor autoestima!

Fonte:

Young, J. E.; Klosko; J. S.; Weishaar; M. E. /2008). Terapia do Esquema: Guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed.

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