Saúde Mental e Académica: A Necessidade de Apoio Psicológico aos Jovens Universitários

À medida que o final do ano letivo se aproxima, muitos estudantes académicos em Portugal enfrentam um aumento significativo de stresse, ansiedade e exaustão emocional. A pressão das avaliações, a incerteza quanto ao futuro e a sobrecarga de tarefas acumuladas ao longo do semestre tornam esta fase particularmente exigente. Neste contexto, a procura por apoio psicológico tem-se tornado não só mais frequente, mas também mais urgente e necessária.

Não é novidade que a saúde mental dos estudantes universitários se encontra fragilizada. Um estudo realizado pelo Observatório Nacional da Saúde Mental Estudantil (ONSAME) em 2023 revelou que cerca de 63% dos estudantes inquiridos referiram sentir níveis elevados de ansiedade durante o período de exames, e 41% admitiram ter considerado procurar ajuda psicológica, embora muitos não o tenham feito devido a estigmas ou à falta de recursos acessíveis.

A pandemia de COVID-19 veio agravar esta realidade, deixando um rasto de insegurança emocional que ainda se faz sentir nos corredores das universidades. Ainda que o ensino presencial tenha regressado, o impacto acumulado de dois anos de isolamento social, ensino remoto e instabilidade académica permanece latente. As instituições de ensino superior têm vindo a reconhecer esta problemática, mas a resposta ainda está longe de ser suficiente. O número de psicólogos disponíveis nos serviços de apoio ao estudante continua a ser limitado, muitas vezes incapaz de dar resposta à crescente procura (Santos & Oliveira, 2022). Por outro lado, há recursos disponíveis mas que não são suficientemente divulgados, o que faz com que não cheguem aos alunos.

É imperativo que se altere a narrativa em torno da saúde/doença mental no meio académico. Procurar apoio psicológico não deve ser visto como sinal de fraqueza, mas sim como um ato de responsabilidade pessoal e maturidade emocional. Assim como se recorre a explicações ou a bibliografia adicional para compreender uma matéria, também se deve recorrer ao acompanhamento psicológico para lidar com os desafios internos que o percurso académico inevitavelmente acarreta.

Além disso, é necessário que as universidades invistam de forma contínua e estratégica em estruturas de apoio psicológico, não apenas como medida de emergência no final do semestre, mas como parte integrante da experiência académica. A promoção do bem-estar mental deve ser transversal ao calendário letivo, com programas de literacia emocional, oficinas de gestão do stresse e campanhas de sensibilização.

O final do ano letivo não deve ser apenas sinónimo de notas e exames, mas também de cuidado, empatia e atenção à saúde mental dos estudantes. Porque uma mente saudável é, acima de tudo, o alicerce de uma aprendizagem significativa.

Referências:

  • Observatório Nacional da Saúde Mental Estudantil (ONSAME). (2023). Relatório Anual de Saúde Mental no Ensino Superior.
  • Santos, F. & Oliveira, M. (2022). “Desafios da Saúde Psicológica no Ensino Superior: Uma Perspectiva Nacional”. Revista Portuguesa de Psicologia da Educação, 38(1), 45-60.
  • Direção-Geral do Ensino Superior (DGES). (2021). Boletim Estatístico sobre Serviços de Apoio Psicológico nas Universidades Portuguesas.

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