Distimia: Quando a Tristeza Persistente se Torna Parte do Quotidiano

Person walking on a mountain path with a dark cloud above their head at sunset

A experiência de tristeza faz parte da vivência humana e surge naturalmente em resposta a acontecimentos difíceis, perdas ou períodos de maior vulnerabilidade emocional. Contudo, existem situações em que o humor persistentemente baixo deixa de ser apenas uma reação transitória e passa a constituir um padrão prolongado de funcionamento psicológico, influenciando de forma significativa o bem-estar, a motivação e a perceção de si próprio. É neste contexto que surge a distimia, atualmente designada no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders — Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR) como Perturbação Depressiva Persistente (American Psychiatric Association, 2022).

A distimia caracteriza-se pela presença de um humor deprimido crónico, persistente durante longos períodos de tempo — geralmente durante pelo menos dois anos nos adultos. Ao contrário daquilo que frequentemente acontece na depressão major, os sintomas podem apresentar menor intensidade, mas tendem a assumir um caráter contínuo e duradouro (Klein & Santiago, 2003). Muitas pessoas descrevem sentir-se “sempre em baixo”, desmotivadas, pessimistas ou emocionalmente cansadas, mesmo quando conseguem manter o funcionamento profissional, académico ou familiar.

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Agora estou a decidir mesmo por mim

Man hiking on mountain trail at sunset beside a wooden signpost with forest and river in background

O Ruben, de 20 anos, é estudante universitário, a frequentar o segundo ano de um curso inicialmente escolhido com base em critérios pragmáticos e expectativas externas. No início do acompanhamento, evidenciava ambivalência marcada, dificuldade na identificação de interesses e valores pessoais e tendência para evitamento da decisão, mantendo-se num percurso que percecionava como pouco significativo. Referia ansiedade associada ao futuro e receio de errar, com presença de autocrítica elevada.

Encontra-se em acompanhamento psicológico há cerca de 5 meses, período durante o qual foi desenvolvido trabalho focado na clarificação de valores, exploração vocacional, flexibilização cognitiva e aumento da tolerância à incerteza.

Num momento recente de sessão, verbaliza:

“Sinto que agora estou a decidir mesmo por mim… não é tipo uma decisão perfeita, mas faz sentido para mim, e isso já me deixa muito mais tranquilo. Acho que este processo terapêutico me ajudou a perceber o que quero e a confiar mais em mim, por isso, obrigado, a sério, fez mesmo diferença.”

Tens dúvidas em relação ao teu percurso académico? Queres tomar uma decisão e não sabes como fazer? Já pensaste em procurar apoio psicológico?

Decisões Académicas: Enfrentar a Pressão e Incerteza

A escolha de uma área de estudos universitários é frequentemente vivida como uma das primeiras grandes decisões da vida adulta. Para muitos jovens, este processo pode ser acompanhado por dúvida intensa, ansiedade e uma sensação de pressão significativa, tanto interna como externa. Embora seja esperado algum grau de incerteza, em alguns casos esta dificuldade pode tornar-se persistente e paralisante.

Do ponto de vista psicológico, a dificuldade na tomada de decisão vocacional pode ser compreendida como o resultado da interação entre fatores cognitivos, emocionais e contextuais. Muitos jovens apresentam crenças exigentes associadas à escolha, como a ideia de que existe uma “decisão certa” que determinará todo o futuro, ou que errar terá consequências irreversíveis. Estas crenças tendem a aumentar a ansiedade e a dificultar o processo de exploração e decisão (Germeijs & Verschueren, 2007).

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Apoio Psicológico para Adolescentes Grávidas: Caminhos para o Futuro

A gravidez na adolescência constitui uma realidade complexa que ultrapassa claramente a dimensão médica ou social, envolvendo múltiplos fatores psicológicos, familiares e desenvolvimentais. Apesar de nas últimas décadas se ter observado uma diminuição gradual das taxas em vários países europeus, continua a representar um desafio significativo, sobretudo pelo impacto que pode ter no percurso emocional, académico e identitário das jovens envolvidas.

A adolescência é, por definição, uma fase marcada por profundas transformações cognitivas, emocionais e relacionais. Trata-se de um período de construção da identidade, de procura de autonomia e de consolidação do autoconceito. Quando ocorre uma gravidez nesta etapa do desenvolvimento, a jovem é frequentemente confrontada com exigências emocionais e responsabilidades típicas da vida adulta, num momento em que muitos processos psicológicos ainda se encontram em maturação.

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Saúde Mental e Académica: A Necessidade de Apoio Psicológico aos Jovens Universitários

À medida que o final do ano letivo se aproxima, muitos estudantes académicos em Portugal enfrentam um aumento significativo de stresse, ansiedade e exaustão emocional. A pressão das avaliações, a incerteza quanto ao futuro e a sobrecarga de tarefas acumuladas ao longo do semestre tornam esta fase particularmente exigente. Neste contexto, a procura por apoio psicológico tem-se tornado não só mais frequente, mas também mais urgente e necessária.

Não é novidade que a saúde mental dos estudantes universitários se encontra fragilizada. Um estudo realizado pelo Observatório Nacional da Saúde Mental Estudantil (ONSAME) em 2023 revelou que cerca de 63% dos estudantes inquiridos referiram sentir níveis elevados de ansiedade durante o período de exames, e 41% admitiram ter considerado procurar ajuda psicológica, embora muitos não o tenham feito devido a estigmas ou à falta de recursos acessíveis.

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Os jovens e a ansiedade financeira

Uma das principais fontes de stresse é o dinheiro, tanto para os mais jovens como para os mais velhos. No entanto, na atual conjuntura socioeconómica e perante a crise mundial, os jovens parecem ser dos mais afetados pela ansiedade financeira, uma vez que são cada vez mais incertas as perspetivas de futuro.

A ansiedade financeira corresponde ao sentimento de preocupação, receio ou desconforto no que diz respeito às finanças pessoais (OPP). Os jovens que estão num período de transição para a idade adulta, tendem a sofrer deste tipo específico de ansiedade, perante as dificuldades que anteveem na aquisição da sua autonomia, devido à precariedade de emprego e aos baixos salários que se praticam no nosso país. Planear o futuro é uma tarefa cada vez mais complexa e geradora de stresse, que pode conduzir os jovens a sentimentos de ansiedade, irritabilidade, insegurança ou tristeza, e que vão interferir com as suas atividades diárias, podendo comprometer, por exemplo, as suas relações sociais.

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