Ser adolescente

Ao atingir a puberdade, as crianças experienciam grandes e rápidas mudanças físicas, emocionais e sexuais, sobre as quais não têm controlo. Estas mudanças requerem uma adaptação e uma compreensão, sendo por vezes difícil ao adolescente lidar com o seu corpo e com os seus pensamentos, o que pode conduzi-lo a sentimentos de ansiedade ou ao isolamento social.

Perante questões como “será normal a minha aparência’” ou “o que é que os outros pensam de mim?”, o adolescente toma consciência de si mesmo, mas também pode sentir alguma angústia pela inevitabilidade das mudanças com as quais está a ter que lidar, sem que por vezes esteja preparado para tal. É relativamente comum que a segurança e as certezas da infância desapareçam, dando lugar á dúvida e à ansiedade. Estes sentimentos são normativos, desde que o jovem consiga manter a sua funcionalidade e aos poucos se vá adaptando a um novo corpo, a um novo modo de estar, de pensar e de sentir. No entanto, alguns adolescentes, pelas suas características individuais, demoram mais tempo a fazer essa adaptação, por vezes com custos elevados para o seu bem-estar pessoal, familiar e relacional.

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O meu filho desafia-me a toda a hora!

A Perturbação Desafiante de Oposição (PDO) enquadra-se nas Perturbações Disruptivas do Controlo dos Impulsos e do Comportamento e constitui um problema que tem vindo a crescer e a preocupar cada vez mais as famílias, profissionais de saúde e do ensino, bem como a sociedade em geral, não só pela sua prevalência mas também pelo impacto que pode ter no desenvolvimento da criança e na sua relação com os outros, nos vários contextos da sua vida.

A POD caracteriza-se pela presença de um padrão persistente de comportamentos conflituosos e desafiantes, humor irritável, atitudes rancorosas e vingativas, desobediência e hostilidade,  particularmente perante as figuras de autoridade (e. g. pais, outros cuidadores e professores). Trata-se de uma perturbação psicológica algo comum na criança e no adolescente, que pode uma forma bastante significativa, influenciar e condicionar negativamente o seu percurso,  nos vários contextos das suas vidas.

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Adolescência: regulação emocional e relacional

O desenvolvimento de competências sociais resulta da aprendizagem comportamental e relacional positiva. A adolescência, é um período da vida em que o relacionamento interpessoal sofre grandes alterações, em que se estabelecem novos relacionamentos e em que as relações com o grupo de pares assumem uma maior relevância.

Atualmente, a intervenção precoce na área da saúde mental juvenil, por meio de estratégias de prevenção e promoção da saúde e de estilos de vida saudáveis, assume cada vez mais importância. As normas internacionais orientam para uma maior preocupação com este assunto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2001) determinadas perturbações mentais como a ansiedade ou a depressão, podem derivar da dificuldade de alguns jovens em lidarem com o stresse gerado pelas relações sociais. Assim, torna-se fundamental o desenvolvimento de competências socio emocionais.

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Emoções, sentimentos e gestão emocional

Podemos definir emoção como uma experiência subjetiva, que envolve a pessoa na sua totalidade: mente e corpo. Do ponto de vista neurológico, a emoção é descrita como uma variação psíquica e física, que tem origem num estímulo, avaliando-o e reagindo a ele.

As emoções são um modo natural de avaliação do meio envolvente, e a sua reação é consequência de uma adaptação. As emoções podem falar por nós, na medida em que são reveladoras da forma como nos sentimos e de como encaramos a vida. São estados de curta duração e onde estão incluídas a alegria, a tristeza ou o medo, entre muitas outras. Quando falamos de raiva, nojo, alegria, tristeza, surpresa ou medo, estamos a referir-nos a emoções básicas ou primárias, pois são aquelas não necessitam de reflexão ou introspeção. São inatas e estão ligadas ao instinto e à sobrevivência, e, por isso, surgem de forma súbita e inesperada e são de fácil definição pelo facto de serem rapidamente identificadas pelo indivíduo, independentemente da cultura a que pertence. As emoções secundárias ou sociais implicam uma tomada de consciência de si. Resultam das nossas aprendizagens e fazem uso das emoções primárias. No entanto, podem variar de acordo com o contexto cultural. São exemplos de emoções secundárias a vergonha, o ciúme, a inveja, a empatia, o embaraço, o orgulho ou a culpa.

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Natal sem stresses…

Com a aproximação das festas natalícias, algumas pessoas sentem-se invadidas por uma alegria e entusiasmo que contrastam com a tristeza e angustia de muitas outras. Cada um de nós associa ao Natal, emoções tão positivas quanto as nossas memórias e expetativas, o que faz com que este período tipicamente de celebração, se possa transformar para alguns, numa enorme “dor de cabeça”.

De forma a contribuir para a redução do “stresse natalício”, deixo aqui algumas dicas que poderá ter em linha de conta, se o seu humor e os seus pensamentos em relação a esta quadra não forem os mais tranquilos. Comecemos pelos gastos, ou seja, saibamos gerir o nosso orçamento com equilíbrio e moderação, de modo a evitar gastos exagerados que se possam refletir em problemas nos meses seguintes. Presentes simbólicos, acompanhados de gestos carinhosos aos quais associamos emoções positivas, podem dar a quem recebe, uma satisfação maior do que uma prenda cara mas impessoal.

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Luto antecipatório, quando a morte é eminente

Na ideia de morte está implícita a perda e a irreversibilidade. É sempre difícil lidar com as perdas, ainda que isso possa ser o sinónimo de paz e libertação. Lidar com a perda implica um processo de luto, mais ou menos complexo, mais ou menos doloroso, consoante as características do indivíduo enlutado e as circunstâncias da perda.

As sociedades ocidentais têm por norma uma visão da morte um pouco redutora. Temos tendência a evitar o assunto, arranjamos eufemismos para não pronunciar a palavra morte ou morreu. Em vez disso escolhemos dizer partiu ou desapareceu, no intuito de aligeirar algo que traz consigo dor, drama e por vezes uma enorme dificuldade de aceitação. De facto há mortes trágicas, dolorosas e inesperadas, outras contra natura, essas talvez as mais difíceis de aceitar e com processos de luto mais difíceis e sofridos. Mas a morte pode também ser o caminho para a paz, o alívio e a libertação.

A morte encerra em si um ciclo, uma vida. Os sobreviventes tendem a dar-lhe significado, os crentes tendem a acreditar que a morte não é o fim. Talvez esta seja uma perspetiva mais tranquilizadora, e bem-aventurados sejam aqueles que acreditam na vida eterna. As crenças religiosas e de reencarnação, podem ser muito úteis também para ajudar a lidar com a perda e a tornar menos penoso o processo de luto. Porém, seja como for, a morte trás sempre a falta da pessoa e da vida como a ela nos habituamos, e a perda de alguém que nos é querido dói sempre.

Nos casos em que a pessoa está muito doente, debilitada e que não tem já possibilidade de cura ou recuperação, assim como no caso de pessoas muito idosas, cujas capacidades foram sendo perdidas gradualmente, e que o gosto pela vida deu já lugar ao sofrimento e à súplica por morrer, a morte pode vir em forma de libertação e alívio. Os mais próximos, doridos pelo tormento de alguém que amam, e a quem pouco podem fazer, iniciam um processo complexo de luto antecipatório, desejando por vezes que o seu ente querido não viva o dia seguinte. No entanto, este é um processo de uma ambiguidade também ela dolorosa.

Este luto antecipatório ocorre antes da perda, ou seja, quando a morte é já eminente mas ainda não aconteceu. É um processo em que o enlutado não antecipa apenas a perda da pessoa que lhe é querida mas também perdas passadas e atuais. É no confronto com a falta dessa pessoa, tal como ela era antes, nos seus papéis, qualidade da relação, identidade pessoal, etc., que a pessoa em luto experiencia, ainda no período terminal, sentimentos de ausência, solidão e perda. É a ingrata dor que se vai sentindo e que, no momento da morte, recomeça como se não tivesse existido um período prévio de luto.

O “deixar partir” não significa quebrar o vínculo ou desinvestir na qualidade de vida e nos cuidados ao doente A antecipação da perda pode também servir como uma oportunidade para resolver alguns aspetos que possam ter ficado pendentes ao longo da relação, para fortalecer os laços com a pessoa que está a morrer, para dizer algo que nunca foi dito antes, como o quanto a ama, o quanto com ela aprendeu, o quanto sentirá a sua falta ou que nunca a esquecerá. Assim mesmo, o luto antecipatório deve ser visto como um complexo processo individual, com tudo o que de verdadeiro e seguro existe para cada pessoa e para cada relação. É um processo que encerra em si toda uma história de vida, de relação e que culmina na antecipação de dilemas, pensamentos e emoções.

Que a morte pode ser serena, tranquila e libertadora de um martírio, não afasta o pesar da perda aos que são mais próximos. O tempo, esse pode ser o grande aliado, que com o seu passar vai mitigando a tristeza e a dor, transformando-a em paz, quietude e equilíbrio. As memórias, essas ficarão para sempre, para nos aquecerem a alma.

Praticar a empatia

As relações pessoais são essenciais ao ser humano. Com elas podem vir as maiores alegrias, aprendizagens e partilhas. No entanto, muitas vezes são também fonte de discórdia, tensão, mágoas ou sentimentos de incompreensão. A empatia permite-nos colocar no lugar do outro e melhorar significativamente as relações, as interações e a nossa própria satisfação com os outros e com a vida.

A empatia é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de “calçar os seus sapatos” e o perceber emocionalmente, com o objetivo de estabelecer uma ligação profunda e verdadeira. É a capacidade de nos identificarmos com alguém e partilhar os seus sentimentos e motivações. Só consegue ser empático aquele que desenvolveu a sua inteligência emocional e que, por isso, tem a capacidade de identificar, reconhecer e lidar com os seus sentimentos e com os dos outros.

Nem todas as pessoas conseguem ser espontaneamente empáticas, porém, se quiserem podem aprender a desenvolver essa competência. Há um conjunto de características que definem uma pessoa empática, como por exemplo ser curiosa, observadora, sensível, disponível, saber escutar, ser recetiva às emoções dos outros e ter uma boa capacidade de reflexão. Algumas pessoas são naturalmente mais empáticas que outras mas esta é uma competência que se pode aprender e desenvolver ao longo da vida.

Os três principais passos para o desenvolvimento da empatia são: saber praticar a escuta ativa, evitar “frases feitas” que servem para qualquer situação e tentar pensar e sentir como a outra pessoa. O primeiro passo é sem dívida saber ouvir. Focar-se na conversa sem distrações, adotar uma postura corporal que expresse o seu interesse no outro, evitando por exemplo, cruzar os braços, não interromper o discurso da outra pessoa, fazer apenas perguntas pertinentes, clarificar o que possa não ter entendido bem e ter um interesse real no que a pessoa lhe está a dizer.

Ainda que sejam ditas com a melhor das intenções e para tranquilizar a outra pessoa, frases “cliché” como “não te preocupes”, “vai correr tudo bem” ou “isso resolve-se”, não só não ajudam, como podem criar uma barreira na comunicação impedindo que a pessoa desabafe e expresse os seus sentimentos. Do mesmo modo, os conselhos, em determinados momentos não são recomendados uma vez que podem ser entendidos como um sermão ou uma verdade absoluta. Quando não sabemos o que dizer, o melhor mesmo é não dizer nada, nunca esquecendo que saber ouvir pode ser a melhor ajuda a dar naquele momento.

Pensar e sentir como a outra pessoa, é o terceiro passo para a empatia mas sem dúvida o mais difícil e desafiante. Colocarmo-nos no lugar do outro, perceber a sua perspetiva e procurar compreender e aceitar os seus sentimentos e emoções, pode exigir um enorme esforço da nossa parte. Tendemos a tirar conclusões ou fazer julgamentos sobre o que está a ser dito ou sobre o que está a acontecer, com base no nosso sistema de crenças, história de vida e expectativas. Porém, para sermos empáticos, é fundamental que deixemos de acreditar que os outros devem viver como nós e agir como achamos conveniente, aceitando a diferença, e, se possível, aprendendo com ela.

Regresso às aulas: uma ansiedade natural

A ansiedade é uma reação comum e até certo ponto funcional, na vida de qualquer indivíduo, podendo manifestar-se por comportamentos de fuga ou evitamento. É normal que cada um de nós, em vários momentos da nossa existência, experienciemos o sentimento de ansiedade, sempre que avaliamos cognitivamente uma situação ou um acontecimento que consideramos importante.

O regresso às aulas é para a maioria crianças e jovens, um momento aguardado com alguma ansiedade.  Corresponde ao reinício de rotinas e tarefas, interrompidas pelo período de férias. Principalmente as crianças do primeiro ciclo, tendem a revelar uma grande vontade de recomeçar a escola e de rever colegas e professores, o que de um modo geral, nem sempre é vivido com o mesmo entusiasmo por parte dos adolescentes. De qualquer modo, o momento de se confrontarem com novos professores, distribuição de turmas e horários, bem como novas disciplinas e novas matérias, pode ser sempre acompanhado de alguma ansiedade e outras emoções intensas.

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Falar da guerra aos mais novos

As notícias e imagens de guerra que diariamente chegam às nossas casas, podem afetar de forma muito significativa os pensamentos e sentimentos de crianças e adolescentes. Mesmo relativamente longe, assistir aos conflitos armados que acontecem neste momento, pode comprometer a necessidade dos mais novos verem o mundo como um lugar seguro e previsível.

A atual guerra entre a Rússia e a Ucrânia faz com que cheguem diariamente às nossas casas imagens e relatos do conflito, que por um lado nos mantêm informados e por outro lado nos provocam stresse e ansiedade. Sem que muitas vezes consigam compreender o que se está a passar, as crianças/adolescentes podem ser particularmente sensíveis a esta situação, que pode ser verdadeiramente aterrorizadora. As imagens dos bombardeamentos e destruição, dos feridos, das pessoas a fugirem desesperadas e os relatos emocionados quer de repórteres, quer dos refugiados podem provocar medo, sofrimento ou confusão. A nós pais e educadores, cabe-nos procurar proteger as crianças e ao mesmo tempo encoraja-las a serem curiosas em relação ao que se passa no mundo. Como podemos então desempenhar essa tarefa tão difícil?

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