As compras impulsivas são um fenómeno frequente na sociedade contemporânea e consistem em adquirir produtos sem planeamento prévio, motivado por uma resposta emocional imediata. Do ponto de vista psicológico, este comportamento é influenciado por uma combinação de fatores internos – como emoções, traços de personalidade e necessidades psicológicas – e externos, incluindo estímulos de marketing e ambiente social. Embora possa proporcionar prazer momentâneo, a compra impulsiva pode conduzir a arrependimento, dificuldades financeiras e sentimentos de culpa.
Um dos principais motores da compra impulsiva é a regulação emocional. Muitas pessoas recorrem ao consumo como estratégia para lidar com stresse, ansiedade ou tristeza, procurando uma gratificação instantânea que alivie o mal-estar. A dopamina, neurotransmissor associado à recompensa, desempenha um papel central: a antecipação da compra ativa circuitos cerebrais de prazer semelhantes aos da alimentação ou do jogo. Este processo explica porque a decisão de compra, em momentos de tensão ou euforia, ocorre de forma rápida e pouco racional, mesmo quando o indivíduo reconhece que o produto não é necessário.
Pode o nosso estado de espírito ser influenciado pela comédia e pelo riso? Acredito que sim — e talvez mais do que imaginamos. Rir não é apenas uma reação espontânea a algo engraçado; é um ato profundamente humano, com efeitos surpreendentes na mente e no corpo.
A ciência tem vindo a demonstrar que o riso ativa várias áreas cerebrais e estimula a libertação de neurotransmissores como a dopamina, a serotonina e a oxitocina — substâncias associadas ao prazer, à ligação afetiva e à redução do stress. Ou seja, o riso não é apenas uma consequência da alegria: é também uma das suas causas.
Quando rimos, aproximamo-nos dos outros. Criamos uma ponte invisível de empatia e pertença. O riso partilhado quebra barreiras, suaviza tensões e recorda-nos que, apesar de tudo, fazemos parte do mesmo lado da vida. Há quem diga que rir em grupo é um ato de sobrevivência — e talvez seja verdade. Desde os primórdios, o humor ajudou-nos a enfrentar o medo e a construir laços sociais que tornaram a existência menos pesada.
Mas ter sentido de humor é algo mais complexo do que apenas rir. Envolve interpretar o mundo de forma flexível, reconhecer o absurdo e, muitas vezes, encontrar leveza no meio do caos. O humor não ignora os problemas — apenas lhes muda o enquadramento. É a arte de ver a sombra sem deixar de reparar na luz.
Nem todos rimos das mesmas coisas, e isso é parte da sua beleza. O humor é moldado pela cultura, pela personalidade e até por traços genéticos. O que provoca gargalhadas a uns pode deixar outros indiferentes. No entanto, há algo universal no riso: o poder de libertar. Rir é, em certo sentido, uma forma de respiração emocional — um modo de aliviar a tensão e devolver equilíbrio ao corpo e à mente.
Numa época marcada por pressas, preocupações e ecrãs luminosos, rir tornou-se quase um ato de resistência. Rir de nós próprios, dos nossos erros e das contradições do quotidiano é uma maneira de não nos deixarmos esmagar pela seriedade da vida. Rir não apaga os problemas, é verdade. Mas torna-os mais suportáveis. E talvez seja precisamente isso o que precisamos: não um remédio mágico, mas um instante de leveza que nos recorde que ainda somos capazes de sentir alegria.
No fim de contas, rir não resolve tudo. Mas, convenhamos, ajuda bastante a tornar tudo um pouco mais leve…
As relações de amizade desempenham um papel fundamental na vida humana, sendo das conexões sociais mais significativas para o bem-estar emocional e psicológico. A psicologia estuda essas relações como um pilar essencial para a saúde mental, podendo influenciar desde a autoestima até a resiliência emocional.
De forma distinta dos laços familiares ou românticos, as amizades são baseadas na escolha voluntária e em interesses mútuos, o que lhes confere um caráter único e flexível. Um dos principais benefícios das amizades é o suporte emocional. Os amigos ajudam a aliviar o stresse, oferecendo compreensão e empatia. Esse suporte é particularmente importante em momentos de crise, quando o indivíduo se pode sentir mais vulnerável. A sensação de ser ouvido e compreendido num ambiente sem julgamentos, fortalece a segurança emocional. Estudos mostram que as amizades de qualidade estão associadas a níveis mais baixos de depressão e ansiedade, para além de uma maior satisfação com a vida.
A Perturbação da Personalidade Borderline (PPB) é uma perturbação psicológica complexa e grave, caracterizada por padrões persistentes de instabilidade emocional, relacionamentos interpessoais conturbados, comportamentos marcadamente impulsivos e uma autoimagem distorcida.
A Perturbação Dissociativa da Identidade (PDP) surge recentemente na literatura e envolve uma controvérsia associada principalmente à dificuldade na definição do termo dissociação. Entre outras formas, a dissociação pode ser descrita como uma falha na integração de dois ou mais diferentes sistemas de ideias e funções que constituem a personalidade.
O fenómeno dissociativo movimenta-se num espectro que vai desde a dissociação não patológica (ex. sonhar acordado ou estar intensamente focado numa tarefa) até à Perturbação Dissociativa da Personalidade, esta sim uma patologia do foro mental, habitualmente associada a experiências traumáticas. O processo dissociativo implica a alteração de um estado de consciência que não é organicamente induzida. Ou seja, envolve uma alteração temporária ou a separação de processos mentais que em situação normal estariam integrados. Segundo Bultler (2004), a natureza dos processos dissociativos normativos cinge-se a uma intensa concentração e envolvimento cognitivo em alguns aspetos da consciência, em detrimento de outros componentes. O grau de dissociação oscila num continuum desde os processos normativos e transitórios, decorrentes do dia-a-dia, até aos processos de dissociação patológicos, classificados como crónicos e severos.
A avaliação psicológica desenvolveu-se através de diferentes quadros teóricos e modelos, com metas e objetivos distintos e complementares. Os modelos mais relevantes para a avaliação em psicologia são o traço, o médico, o cognitivo, o comportamental, o psicodinâmico e o construtivista (Fernández-Ballesteros, 2004).
O modelo traço tem por base as características individuais da pessoa. É uma abordagem que tem como objetivo primário descobrir o verdadeiro valor de uma característica específica e relacionar a sua verdadeira posição com um grupo normativo. É um modelo que utiliza várias técnicas psicométricas de recolha de informação e que tem como finalidade fazer a previsão de comportamentos futuros, ao mesmo tempo que ajuda os psicólogos na classificação e na descrição do indivíduo avaliado.
O modelo médico parte do pressuposto de que a explicação de um comportamento tem por base variáveis internas ou endógenas. Tem como foco a descrição de critérios e a classificação das perturbações mentais, tendo levado ao desenvolvimento de sistemas específicos de classificação, como é o caso do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V) da Associação Americana de Psiquiatria. Este modelo utiliza um sistema de classificação que tem como finalidade oferecer descrições claras dos critérios de diagnóstico das respetivas perturbações.
O modelo cognitivo tem como objeto as estruturas e os processos mentais, e como objetivo a descrição, a predição, a explicação e a avaliação dos mesmos. É uma abordagem focada no estudo dos processos cognitivos e na sua influência e determinação sobre os comportamentos do indivíduo. A avaliação à luz deste modelo centra-se particularmente no desempenho dos sujeitos em tarefas cognitivas (Fernández-Ballesteros, 2004). Ao avaliar-se um indivíduo com base neste modelo, o psicólogo foca-se no que ocorre quando o indivíduo adquire informação nova e em como a elabora e imite, ou seja, como esta se manifesta no seu comportamento.
O modelo comportamental tem como objetivo a descrição, a predição, a explicação funcional, isto é a necessidade de intervenção, bem como a avaliação dos resultados da mesma. Esta abordagem sustenta-se através da premissa de que o comportamento humano pode ser explicado pela interação do indivíduo com o contexto, diferenciando 3 sistemas (motor, cognitivo, e psicofisiológico) e postulando que os problemas psicológicos advêm de múltiplas causas, principalmente ambientais. Assim, a avaliação comportamental pressupõe uma análise de múltiplos métodos, em que a avaliação das condições comportamentais, ambientais e interações adjacentes a estas, são efetuadas através da observação, do autorrelato e de técnicas psicofisiológicas.
Quanto ao modelo psicodinâmico, este centra-se essencialmente nos processos mentais inconscientes e na sua dinâmica por vezes conflituante, geradora de ansiedade. Foca-se também nos mecanismos de defesa do indivíduo e nos seus padrões interpessoais, regidos pelas suas experiências ao longo do desenvolvimento. Esta abordagem teórica explica aspetos estruturais e dinâmicos da personalidade, enfatizando os processos inconscientes do indivíduo. Como instrumentos de diagnóstico diferencial pode recorrer a técnicas projetivas, sendo estas facilitadoras das respostas livres. Este tipo de provas/testes procura obter respostas com um conteúdo rico em detalhes e centra-se na interpretação do mesmo.
Por último, o modelo construtivista, que tem como alvo o estudo dos sistemas de constructo pessoais e as narrativas do indivíduo. Ao contrário dos modelos anteriormente referidos, o modelo construtivista segue uma linha teórica que dita que cada indivíduo constrói a sua própria perceção da realidade. O principal objetivo deste modelo de avaliação é perceber a essência do indivíduo, focando-se na singularidade e unicidade de cada pessoa, bem como no modo como ela se vê a si mesmo e ao contexto onde está inserida. A avaliação do indivíduo é um processo de construção que emerge da interação entre o avaliador e o avaliado.
A avaliação psicológica é uma área amplamente desenvolvida e multimodal, uma vez que encerra em si diferentes quadros teóricos, cada um com as suas especificidades e objetivos. A diversidade de modelos permite ao psicólogo, assumir uma atitude integrativa e eclética, utilizando as múltiplas técnicas e instrumentos de avaliação que os vários modelos colocam à sua disposição.
Fonte:
Fernández-Ballesteros, R. (2004). Assement and Evaluation, Overview. In Spielberger, C. (Ed.). Encyclopedia of Applied Psychology (Vol. 2, p. 163-176). Oxford, UK: Elsevier.
Segundo a lenda, Narciso, personagem da mitologia grega, apaixonou-se pela sua própria imagem ao vê-la refletida num lago. Consta que era um jovem de extrema beleza e que despertava grande interesse nas donzelas, no entanto, escolheu viver só, por achar que não havia quem fosse digno de si e do seu amor.
Uma Perturbação da Personalidade pode definir-se como um padrão estável de experiência interna e comportamental, que se afasta marcadamente do esperado para um sujeito de uma determinada cultura. É invasiva, inflexível e tem o seu início na adolescência ou no início da idade adulta, mantendo-se estável ao longo do tempo e causando mal-estar, dificuldades de adaptação ou até mesmo incapacidade. O Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V) define 10 perturbações de personalidade específicas: paranoide, esquizoide, antissocial, estado-limite ou borderline, histriónica, narcísica, evitante, dependente, obsessivo-compulsiva, alteração da personalidade devida a outra condição médica, perturbação da personalidade com outra especificação e não especificada.
A Perturbação Narcísica da Personalidade caracteriza-se por um padrão global de grandiosidade e necessidade de admiração, bem como na ausência de empatia com o outro. É um tipo de perturbação do foro mental que tem o seu início no começo da idade adulta e que está presente numa variedade de contextos. Os sujeitos com esta perturbação tendem a sobrevalorizar as suas capacidades e a exagerar os seus feitos, sendo com frequência apelidados de vaidosos e gabarolas. Consideram que os outros lhes atribuem o mesmo valor que eles próprios julgam ter e surpreendem-se quando não têm o reconhecimento que esperam e julgam merecer.
É frequente o indivíduo narcísico desvalorizar as capacidades dos outros, sempre que as compara com as suas próprias capacidades e fantasiar com o seu sucesso ilimitado, poder, brilho e beleza. Apresenta pensamentos ruminantes acerca de uma merecida admiração e tem tendência para comparar-se favoravelmente com pessoas influentes, privilegiadas e famosas. As pessoas com este tipo de personalidade consideram-se superiores, raras e especiais, esperando que os outros as reconheçam como tal. Sentem que só se devem associar a pessoas que consideram igualmente especiais ou de elevado estatuto, acreditando que as suas necessidades são também elas especiais e que não estão ao alcance das pessoas comuns.
O narcísico tem uma autoestima elevada, espelhada pelo valor idealizado que atribui às pessoas a quem se associa, e procura juntar-se com indivíduos de profissões diferenciadas e nível socioeconómico alto, desvalorizando o “comum dos mortais”. Esta autoestima elevada é no entanto frágil, uma vez que o indivíduo narcisista mantém uma preocupação excessiva com o quão bem se está a sair e quão favoravelmente é considerado pelos outros, uma vez que possui uma necessidade excessiva de admiração que nem sempre é expressa, defraudando as suas expectativas.. Adora e espera ser sempre recebido com “pompa e circunstância”, ficando muito espantado com a possível indiferença dos outros, procurando sucessivamente o elogio e agindo de forma sedutora.
Uma pessoa com personalidade narcísica espera dos outros alguma inveja e subserviência, ficando surpresa quando isso não acontece. Tem um elevado sentido de reverência a par com uma inabilidade para compreender as necessidades do outro, o que pode levar a situações de desrespeito e exploração, intencional ou não. A falta de empatia é uma característica muito vincada no narcisista. Estes indivíduos têm enorme dificuldade em identificar e compreender os sentimentos das outras pessoas, tendendo a desvaloriza-las, colocando sempre os seus sentimentos em primeiro lugar. Discutem os seus problemas com exagerado pormenor e por vezes de forma desadequada, desprezando e impacientando-se quando são os outros a falar dos seus assuntos e das suas preocupações.
A Perturbação Narcísica da Personalidade tem uma prevalência estimada de 0 a 6,2% na população e 50% a 75% dos casos diagnosticados são homens. A característica mais relevante na discriminação desta perturbação em relação à perturbação histriónica (sedutor), antissocial (insensível) ou borderline (dependente) é a grandiosidade. A relativa estabilidade da autoimagem, bem como a ausência de auto destrutividade, impulsividade e preocupação de abandono, distinguem a perturbação narcísica da perturbação borderline de personalidade. O excessivo orgulho nos seus feitos, o desdém pela sensibilidade alheia e a relativa ausência de manifestação dos sentimentos, ajudam a distinguir esta perturbação da perturbação histriónica. Os sujeitos com perturbação narcísica e perturbação antissocial tendem a ser rígidos, superficiais, exploradores e sem empatia, no entanto, os narcísicos não incluem habitualmente características de agressividade, impulsividade ou dolo.
O narcisismo é uma das construções de personalidade mais antigas conhecidas. Porém, continua a ser fonte de discussão científica, nomeadamente nas áreas da teoria clínica, do diagnóstico psiquiátrico e da psicologia. É uma síndrome desafiante, complexa de entender, heterogénea na sua apresentação e difícil de tratar, prejudicando também o tratamento de outras patologias do foro mental que possam estar presentes, como por exemplo a perturbação depressiva, a ansiedade ou o abuso de substâncias. É uma perturbação que pode incluir manifestações de grandiosidade alternadas com vulnerabilidade, conforme o contexto ou o momento/situação do sujeito, o que por si só dificulta o tratamento. Das várias abordagens psicoterapêuticas disponíveis, as de maior sucesso parecem ser as do grupo das terapias cognitivo-comportamental.
Fonte: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – Quinta Edição (DSM-V). American Psychiatric Association.
A perturbação histriónica da personalidade caracteriza-se principalmente por uma emocionalidade persistente e exacerbada, em que os indivíduos apresentam comportamentos invasivos e excessivos que visam sobretudo a chamada da atenção. Quando não a conseguem, estas pessoas sentem que os outros não lhes têm a devida estima e em regra ficam tristes e desanimadas.
Os indivíduos com perturbação histriónica da personalidade são de um modo geral pessoas muito vivaças e dramáticas que tendem a atrair novos conhecimentos pelo seu entusiasmo, simpatia, aparente abertura ou encanto pessoal. No entanto, estas “qualidades” desgastam-se pela ação persistente e continuada em serem o centro das atenções, assumindo com frequência o papel de “alma da festa”. Quando não se sentem o centro das atenções, procuram frequentemente fazer algo dramático (ex. partir propositadamente um copo no restaurante, passar do choro convulsivo para o riso exagerado, inventar histórias mirabolantes, tec…) para focalizarem em si todos os olhares. Esta necessidade é habitualmente aparente em contexto clínico pelo seu comportamento (ex. elogiar, o psicólogo ou outro técnico, oferecer presentes ou descrever dramaticamente sintomas psicológicos e físicos que são habitualmente distintos em cada consulta em que são referidos).
O comportamento e a aparência dos indivíduos com perturbação histriónica da personalidade é muitas vezes inapropriadamente sedutor ou provocante do ponto de vista sexual, e é dirigido não só às pessoas pelas quais tem interesse sexual ou amoroso, como também pode estar presente noutros contextos (profissional, social, familiar…) e tendem frequentemente a considerar as relações mais íntimas do que na realidade são. Estas pessoas utilizam consistentemente a sua aparência física para atrair atenções, no entanto a sua expressão emocional pode alterar-se rapidamente, sendo por norma superficial. Andam constantemente à procura de elogios quanto à sua aparência e podem por exemplo, com muita facilidade, ficar excessivamente aborrecidas por comentários críticos acerca do seu aspecto.
Em termos de discurso, os indivíduos com perturbação histriónica da personalidade tendem a ser excessivamente impressionistas mas com ausência de pormenor. Expressam opiniões fortes em tom dramático, teatral, mas as razões subjacentes são habitualmente vagas e difusas e em regra isentas de fundamento. Exageram tanto na dramatização, teatralidade e expressividade emocional que podem embaraçar amigos e conhecidos. Estes sentimentos parecem ligar-se e desligar-se demasiado rapidamente para serem sentidos profundamente, o que pode levar muitas vezes à acusação de serem pessoas falsas ou fingidas. Por outro lado, são pessoas bastante sugestionáveis, ou seja, deixam-se influenciar facilmente, quer pelos outros, quer pelas circunstâncias.
Parece não haver evidência de que o risco de suicídio seja aumentado por este tipo de perturbação, no entanto, a experiência clínica sugere que estes indivíduos (principalmente mulheres) têm um risco aumentado de ameaças e gestos suicidários com o intuito de obterem mais atenção e melhor exercerem coação sobre os que lhes estão próximos. A expressão comportamental na perturbação histriónica da personalidade pode ser influenciada pelos estereótipos dos papéis sexuais. Os homens com esta perturbação podem apresentar comportamentos “machistas” e as mulheres exacerbarem a sua “vulnerabilidade feminina”, não hesitando em revelarem frágeis ou dependentes para obterem atenção e cuidados.
Esta perturbação começa a manifestar-se no início da idade adulta e tem uma prevalência de 1,84%. As normas das relações interpessoais, expressão de sentimentos, vestuário e aparência variam conforme a cultura, o género e a idade. O facto de uma pessoa apresentar como traço de personalidade um estilo mais dramático ou uma emocionalidade mais efusiva, não significa necessariamente que seja alguém com uma perturbação histriónica da personalidade. Esta deverá ser considerada apenas se os referidos comportamentos forem causadores de défice ou mal-estar clinicamente significativos.
Fonte: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – Quinta Edição (DSM-V). American Psychiatric Association.
O desenvolvimento saudável da criança pressupõe a satisfação das suas diversas necessidades básicas. Desta forma a criança terá uma favorável adaptação aos vários contextos em que se movimenta. A família assume assim um papel fundamental enquanto contexto de interações privilegiadas por proximidade física e afetiva.
Na infância, a criança ainda não adquiriu todas as competências e capacidades necessárias à satisfação das suas necessidades básicas, à sua autonomia e ao equilíbrio do seu desenvolvimento. Deste modo, é na família, principalmente nos pais, que a criança encontra o seu suporte. Em parte, são as competências parentais que vão determinar o curso do desenvolvimento da criança e da sua adaptação ao mundo. A saúde, a educação, o autocuidado, o desenvolvimento afetivo, a identidade, os relacionamentos familiares e sociais, são as dimensões definidas como fundamentais para o desenvolvimento favorável da criança. Continue a ler “A família e o desenvolvimento da criança”→