A dor é uma experiência universal que atravessa fronteiras culturais, sociais e temporais. No entanto, nem toda a dor é igual. Podemos distinguir, de forma geral, entre dor física e dor psicológica, duas manifestações distintas que, embora diferentes na sua natureza, estão profundamente interligadas. Entender esta dualidade é essencial para uma abordagem mais humana e eficaz do sofrimento humano.
A dor física é geralmente associada a um estímulo nocivo, como uma lesão, uma inflamação, uma doença. É, por assim dizer, uma resposta biológica do corpo, um sinal de alarme do sistema nervoso que visa proteger-nos de maiores danos. A dor física pode ser aguda, como no caso de uma queimadura, ou crónica, como a dor associada à fibromialgia ou à artrite. Esta última, quando persistente, pode ter efeitos devastadores não só no corpo, mas também na mente.
A perturbação bipolar é uma condição psiquiátrica crónica caracterizada por oscilações extremas de humor, que incluem episódios de mania e depressão. A psicologia cognitivo-comportamental (TCC) tem sido amplamente utilizada como abordagem terapêutica complementar ao tratamento farmacológico, ajudando os indivíduos a gerir os sintomas, reduzir recaídas e melhorar a qualidade de vida.
Do ponto de vista cognitivo-comportamental, a perturbação bipolar pode ser compreendida através da interação entre fatores biológicos, cognitivos e comportamentais. A teoria sugere que as crenças e os esquemas cognitivos influenciam a forma como os indivíduos interpretam e reagem às suas experiências emocionais e ambientais. Muitas vezes, padrões de pensamento disfuncionais, como por exemplo o pensamento dicotómico (“tudo ou nada”), contribuem para a intensificação dos sintomas.
A esquizofrenia é uma condição de saúde mental que pode afetar profundamente a vida de quem a experiencia. Trata-se de uma perturbação complexa, que envolve mudanças na forma como a pessoa pensa, sente e consequentemente se comporta. A esquizofrenia pertence ao espectro das perturbações psicóticas.
Os sinais da esquizofrenia podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem experiências como delírios (crenças firmes que não correspondem à realidade), alucinações (perceber coisas que não estão presentes, como ouvir vozes), discurso desorganizado e comportamentos inusitados ou catatónicos. Além disso, a pessoa pode apresentar uma falta de expressividade emocional e uma perda de motivação para realizar atividades diárias.
A diferença entre psicologia e psicoterapia está principalmente no campo de atuação de cada uma e na especificidade dos seus processos. Embora estejam relacionadas, pois a psicoterapia é uma prática dentro da psicologia, tendo cada uma delas propósitos e definições distintas.
A psicologia é uma ciência na área da saúde mental, ampla e que estuda o comportamento humano, os processos mentais, emocionais e sociais. A psicologia investiga e avalia como as pessoas percebem o mundo, como se relacionam com ele, como sentem e pensam. Os psicólogos, profissionais formados em psicologia, podem atuar em diversos campos, como a psicologia clínica, escolar, organizacional, desportiva, forense, entre outros. Assim, a psicologia envolve tanto a pesquisa científica quanto a aplicação prática do conhecimento em várias áreas da vida humana.
A menopausa é uma fase natural na vida de todas as mulheres e que marca o fim do período reprodutivo. Normalmente ocorre entre os 45 e os 55 anos, embora possa surgir mais cedo ou mais tarde. Esta etapa, caracterizada pelo final da menstruação devido à redução na produção de estrogénios e progesterona pelos ovários, traz consigo diversas alterações físicas, emocionais e psicológicas que merecem uma abordagem holística.
As mudanças hormonais que acompanham a menopausa são frequentemente acompanhadas por sintomas físicos, como afrontamentos, insónias, secura vaginal, aumento do peso e alterações no metabolismo. Embora estas manifestações sejam físicas, têm um impacto direto na qualidade de vida e no bem-estar emocional das mulheres. Por exemplo, a insónia, comum neste período, pode gerar cansaço acumulado, aumentando a irritabilidade e diminuindo a capacidade de concentração. Os afrontamentos, especialmente quando inesperados e intensos, podem levar à ansiedade social, uma vez que as mulheres podem sentir-se desconfortáveis em ambientes públicos.
Muitos dos pedidos de ajuda que chegam à consulta de psicologia clínica, incluem as dificuldades do foro emocional, particularmente no que se refere a sentimentos de medo e ansiedade. Muitos pacientes têm grande dificuldade em experienciar e conviver com as suas experiências emocionais mais intensas e disfuncionais, pois estas vêm acompanhadas de desconforto ou até mesmo de intenso sofrimento emocional (e físico).
“Uma vida ao serviço do desejo de não sentir ansiedade nem medo, especialmente quando regrada de forma rígida e inflexível, pode ter um impacto muito limitador, sendo possível que esse modo de operar defina de forma extensiva, a vida dos pacientes que chegam ao consultório à procura de ajuda” (Lucena-Santos, Pinto-Gouveia & Oliveira, 2015). Entendendo o autoconhecimento como a capacidade do indivíduo para se conhecer a si mesmo e ao seu padrão de funcionamento psicológico, é ele que possibilita o aperfeiçoamento de todas as outras competências psicológicas. “ (…) O autoconhecimento posiciona realisticamente o indivíduo no momento presente, conectando-o ao seu histórico de experiências, no qual tem origem o seu repertório comportamental, que atualmente pode exibir” (Poubel & Rodrigues, 2018). Neste sentido, um indivíduo com maturidade e realismo no que se refere ao autoconhecimento, estará em melhores condições de perceber, descrever e escolher os seus comportamentos atuais e futuros, tornando-se num agente mais ativo da sua própria história.
A psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano e os processos mentais dos indivíduos, procurando compreender a forma como pensamos, sentimos e agimos. Dentro deste campo, a saúde mental é uma área de extrema importância, abordando questões como a ansiedade, a depressão, o stresse e outras condições psicológicas. Nos últimos anos, um fenómeno conhecido como positividade tóxica tem vindo a ganhar destaque, revelando-se uma área de preocupação para psicólogos e investigadores nesta área.
A positividade tóxica refere-se à imposição de uma atitude excessivamente otimista e positiva, independentemente das circunstâncias, desvalorizando as experiências negativas ou difíceis que são parte natural da vida. Esta abordagem pode enganar as pessoas, levando-as a acreditar que devem suprimir as suas emoções negativas e transmitir aos outros e a si mesmos, uma ideia de felicidade constante. Embora a intenção por detrás da positividade seja frequentemente bem-intencionada, pode resultar em sentimentos de culpa e inadequação naqueles que não conseguem manter esse estado de espírito.
A terapia cognitivo-comportamental parte do pressuposto de que o modo como pensamos sobre determinado acontecimento, vai influenciar a forma como nos sentimos e consequentemente o modo como nos comportamos. É uma terapia essencialmente focada no paciente e no momento presente, breve e estruturada, com eficácia cientificamente comprovada, em diversas perturbações do foro psicológico.
As terapias cognitivo-comportamentais têm por base vários modelos. O modelo de aprendizagem de competências, foca-se no desenvolvimento de reportórios adaptativos e competências específicas de autonomia, comunicação e relação interpessoal, bem como de autocontrolo e autorregulação emocional. O modelo de resolução de problemas ensina métodos para examinar os problemas e encontrar a melhor solução. Pensar alternativas, antecipar consequências, chegar a compromissos, ensaiar soluções, etc. Também o modelo da estruturação cognitiva tem o seu papel relevante na medida em que promove um funcionamento adaptativo, tanto comportamental como emocional, alterando os processos cognitivos disfuncionais. Permite identificar pensamentos, analisar a interligação de variáveis, analisar distorções da realidade e procurar interpretações mais realistas.O decurso do processo terapêutico contempla seis fases:
Estabelecimento da relação, recolha de informação e processo de avaliação
Formulação da compreensão dos problemas
Devolução dos resultados da avaliação e estabelecimento dos objectivos terapêuticos
Seleção e implementação das técnicas comportamentais para alterar comportamentos e de técnicas cognitivas para alterar cognições
Aplicação e monitorização das técnicas
Avaliação da eficácia terapêutica e dos objetivos atingidos
O processo terapêutico deve ser estruturado, limitado no tempo, ativo, orientado para o objetivo e didático, permitindo ao cliente a aquisição de competências e ensinamentos que poderá generalizar a outras situações, pela vida fora, sem que para isso dependa da atuação do psicólogo/a. É um processo onde deverá haver a interligação entre avaliação, intervenção e resultados terapêuticos, com ênfase na qualidade da relação terapêutica, pela empatia, compreensão e aceitação.
A relação entre terapeuta e cliente deverá ser colaborativa funcionando ambos em conjunto. O terapeuta trabalha com o cliente ajudando-o a envolver-se em experiências de aprendizagem que promovam a mudança (cognitiva, comportamental e emocional) e o cliente participa nas decisões, como os objetivos da terapia, os critérios de mudança, as técnicas a serem utilizadas e na avaliação dos resultados. O psicólogo/a procura feedback contínuo do cliente em termos de adesão, compreensão, motivação, resistência, etc. e pelo questionamento direto, linguagem não-verbal ou pelas alterações emocionais.
A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) é uma doença do foro psiquiátrico que se caracteriza pela presença de obsessões, isto é, pensamentos, impulsos ou imagens mentais recorrentes e desagradáveis, e/ou compulsões, que são comportamentos repetitivos ou atos mentais que a pessoa se sente na obrigação de realizar em resposta às obsessões.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência da POC em Portugal é de cerca de 4%. Esta organização introduziu a POC na lista das dez condições mais debilitantes em todo o mundo, salientando-se deste modo a importância de um diagnóstico precoce e do entendimento da forma como a patologia se caracteriza clinicamente. Em termos de diagnóstico, os critérios estabelecidos pela American Psychiatric Association (APA) foram definido pela presença de dois dos principais componentes da POC, sendo estes a presença de obsessões e compulsões, que embora possam ser independentes, estão fortemente associados.
É sabido que a depressão tem uma expressão significativa na prevalência das perturbações do foro mental. Porém, nem tudo o que parece é. Há que avaliar cuidadosamente cada critério, cada conjunto de sintomas, uma vez que alguns podem ser comuns a mais do que uma perturbação.
A distimia é uma perturbação depressiva caracterizada pela presença de humor depressivo durante a maior parte do dia, manifesto durante pelo menos dois anos no adulto (em crianças) em mais de metade dos dias. O seu diagnóstico assenta no relato subjetivo (ou por observação dos outros) de pelo menos dois ou mais dos seguintes sintomas: aumento ou diminuição do apetite; dificuldades de sono (ex. insónia); cansaço e/ou falta de energia; baixa autoestima; dificuldades de concentração; dificuldade na tomada de decisões e sentimentos de desesperança. No indivíduo com distimia, estes sintomas podem causar mal-estar clinicamente significativo e/ou défice social, ocupacional ou em qualquer outra área do seu funcionamento.