Setembro, um novo começo? Quando recomeçar não significa começar do zero

Leaf-covered path winding through an autumn forest beside a wooden fence

Há qualquer coisa em setembro que nos convida a recomeçar. Terminam as férias, regressam os horários, as obrigações escolares e laborais, reorganizam-se agendas e, quase sem darmos conta, começamos muitas vezes a pensar no que gostaríamos de mudar. Mas será mesmo necessário entrar em setembro com uma nova versão de nós próprios? Essa necessidade de mudança não põe muita pressão no recomeço?

Embora janeiro seja tradicionalmente o mês associado aos grandes recomeços, setembro pode também representar um momento particularmente propício à mudança e à reorganização. O final do verão e o regresso às rotinas funcionam como uma espécie de marco temporal, separando aquilo que ficou “antes das férias” do período que agora começa. A investigação em Psicologia descreve precisamente este fenómeno como fresh start effect — efeito de novo começo. Determinados momentos, como o início de um ano, de um mês ou de uma semana, um aniversário ou o começo de um novo ciclo, podem aumentar temporariamente a motivação para estabelecer novos objetivos e introduzir mudanças nas nossas vidas (Dai, Milkman & Riis, 2014).

Continue a ler “Setembro, um novo começo? Quando recomeçar não significa começar do zero” →

A Páscoa e a Psicologia: Renovação e Reflexão

A Páscoa é, simultaneamente, uma celebração religiosa profundamente enraizada na tradição cristã e um momento marcado por símbolos e rituais de origem pagã associados à renovação da vida. Esta dualidade, entre o sagrado e o simbólico, o espiritual e o natural, oferece um enquadramento particularmente interessante para refletir sobre o seu impacto na experiência psicológica.

Do ponto de vista cristão, a Páscoa assinala a morte e ressurreição de Jesus Cristo, sendo frequentemente associada a temas como a redenção, a esperança, o perdão e o recomeço. Estes elementos têm um forte potencial organizador do ponto de vista emocional, na medida em que oferecem narrativas estruturantes que ajudam a dar sentido ao sofrimento e à possibilidade de transformação. A ideia de que é possível atravessar períodos de dor e emergir com um novo significado pode ser psicologicamente relevante, sobretudo em momentos de crise ou perda. A literatura na área da psicologia da religião tem vindo a demonstrar que a espiritualidade e as crenças religiosas podem funcionar como fatores de proteção, promovendo resiliência, regulação emocional e um maior sentido de coerência interna (Pargament, 1997; Koenig, 2012).

Continue a ler “A Páscoa e a Psicologia: Renovação e Reflexão” →

A Importância Psicológica do Dia da Mãe

O Dia da Mãe é, para muitos, uma data carregada de afetos, memórias e gratidão. Celebrado em Portugal no primeiro domingo de maio, este dia presta homenagem à figura materna — símbolo de cuidado, proteção e amor incondicional. No entanto, do ponto de vista psicológico, a maternidade (e a relação com a mãe) é um tema bem mais complexo e profundo do que o gesto de oferecer flores ou um cartão.

Desde cedo, a mãe — ou a figura cuidadora principal — desempenha um papel central no desenvolvimento emocional da criança. A teoria do apego, desenvolvida por John Bowlby, sublinha a importância das primeiras relações na construção da segurança emocional e da capacidade de estabelecer vínculos saudáveis ao longo da vida. Um apego seguro com a mãe está associado a uma maior autoestima, melhor regulação emocional e relações interpessoais mais estáveis.

Continue a ler “A Importância Psicológica do Dia da Mãe” →