Tenho um aluno disléxico, e agora?

sala de aulaA dislexia é uma perturbação da aprendizagem específica que se caracteriza por um desempenho na leitura substancialmente abaixo do esperado, no que diz respeito à exactidão, velocidade ou compreensão, tendo em conta a idade, as capacidades cognitivas e o nível de escolaridade do aluno. Traduz-se assim numa dificuldade na correcção e fluência na leitura de palavras.

Muitos professores, vêm-se frequentemente a braços com a dificuldade de terem uma ou mais crianças disléxicas entre os seus alunos. Este facto pode constituir um grande desafio, sobretudo para os professores menos experientes. No sentido de ajudar não só o professor a lidar com essa situação mas também para promover a aprendizagem das crianças com essa condição, aqui ficam algumas dicas, que podem ser úteis não apenas para alunos com dislexia como também para crianças com défice de atenção, problemas de concentração ou hiperactividade.

  • Trate o aluno com naturalidade. A última coisa para a qual o diagnóstico deve servir é para aumentar a sua discriminação. Não coloque um “rótulo” no aluno para que este não se sinta diferente mas principalmente para que os outros não o tratem como diferente.
  • Use uma linguagem clara e objectiva quando se dirigir ao aluno. As metáforas e a linguagem simbólica podem comprometer a compreensão da criança. Tente utilizar frases curtas e concisas, principalmente quando lhe dá ordens ou instruções.
  • Sempre que falar com o aluno mantenha o contacto visual pois favorece a comunicação tornando-a mais rica.
  • Posicione o aluno na sala de aula, num lugar perto de si e do quadro. O acompanhamento ao aluno e a sua orientação será favorecida.
  • Tente verificar de forma discreta se o aluno está a compreender as suas exposições e/ou instruções. Confirme se ele está a acompanhar o raciocínio ou a explicação dos factos. Se o aluno não estiver a conseguir acompanhar, repita por palavras mais simples ou dando outros exemplos.
  • Geralmente o aluno disléxico tende a lidar melhor com as partes do que com o todo. Apresente-lhe o conhecimento por partes, de forma fraccionada e indutiva, devendo evitar abordagens globais e dedutivas.
  • Procure levar em consideração o tempo do aluno. Estes alunos têm um ritmo diferente de execução das tarefas em relação à maioria dos colegas. Evite sempre que possível, submete-lo a pressões de tempo e à competição com colegas.
  • Verifique se o aluno está bem integrado com os colegas. Por vezes as suas dificuldades podem interferir em trabalhos em grupo ou a pares. Tente valorizar todas as qualidades do aluno que possam favorecer a sua relação com os outros (simpatia, sentido de humor, afectividade, etc.).
  • Procure de forma discreta evitar situações que evidenciem as dificuldades do aluno (ler em voz alta para a turma, por exemplo). Essa exposição pode levar a uma baixa da auto-estima e a sentimentos de frustração. Foque-se nas potencialidades do aluno sempre que tenha que o expor perante os colegas.
  • Ajude o aluno sugerindo-lhe pistas ou associações para que ele se lembre das coisas, resolva problemas ou execute actividades.
  • Procure utilizar com o aluno métodos estruturados que permitam o auto-controlo, como horários de estudo, agendamento de actividades, listas de tarefas, etc.
  • Procure antecipar as alterações. É importante comunica-las com antecedência para que ele se possa adaptar à mudança.
  • Tente gerar as suas expectativas com base naquilo que o aluno é capaz de fazer.
  • Elogie o aluno sempre que ele atinge um objectivo mas também sempre que lhe reconhece um esforço nesse sentido. Reforçar o esforço é importante na medida em que aumenta a probabilidade de o aluno continuar a tentar e consequentemente, ficar mais próximo de atingir os seus objectivos.
  • Procure usar a autoridade de forma assertiva, o que implica dizer “não” quando o aluno pede coisas pouco razoáveis.
  • Deverá falar com o aluno sobre os seus erros, fazendo com que ele próprio possa imaginar alternativas possíveis para os corrigir.
  • Tente que o seu contacto com os pais seja de qualidade no sentido de poder ajudar a criança a lidar com as suas dificuldades.
  • Seja paciente e persistente. O desafio que estes alunos representam, está directamente relacionado com a satisfação que pode ter ao vê-los evoluir. Cada progresso do aluno deve ser elogiado e reforçado e deve também contribuir para a sua realização profissional e aumento da sua auto-eficácia.

 

 

 

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