Sociedade, cultura e mudança de atitudes

Atitudes são avaliações que fazemos de ideias, pessoas ou objetos e traduzem-se numa reação positiva ou negativa a algo. Mudar atitudes e mudar comportamentos é comum e por vezes bastante necessário à nossa adaptação aos vários contextos de vida.

A Psicologia Social tem por base o estudo da influência do meio social e das interações sociais no pensamento, sentimento e comportamento humano. Do nascimento à morte, o ser humano vive em sociedade e sobrevive pela sua interação com os outros, nos vários contextos em que se insere, construídos e modificados de modo a darem respostas às suas necessidades. O meio social interfere no comportamento e nas capacidades humanas como a memória, a personalidade ou a inteligência. Consoante a cultura em que nascem, os indivíduos ocupam-se, vestem-se, alimentam-se e relacionam-se de formas diferentes. Até em termos de valores e de moral, os cânones sociais diferem entre si, em termos de justiça, diversão, conceito de estética ou do que é certo ou errado.

Cada organização social engloba um conjunto de padrões culturais com identidade própria, que correspondem ao modo como a comunidade dá resposta às necessidades específicas dos indivíduos, num determinado período de tempo. Para se compreender o comportamento humano é necessário fazer o enquadramento de cada contexto cultural. Numa época de globalização e de movimentos sociais a interação entre pessoas de diferentes culturas as transformações são uma constante, sendo que os indivíduos tendem a adotar formas de estar e de se comportar de outras culturas diferentes das suas – aculturação.

Na infância, a família, os pares e o contexto escolar moldam as interações sociais e modelam valores, atitudes e comportamentos desejáveis. Na fase adulta, o contexto laboral, os amigos, a política e a religião ganham especial destaque no processo de socialização. Atualmente junta-se a enorme importância dos meios de comunicação social, quer na formação, quer na mudança de atitudes. As atitudes são construídas ao longo do curso de vida e integram diversas componentes: cognitiva, comportamental e afetiva. Estas componentes incluem o conjunto de ideias, crenças, reações, respostas, valores ou emoções relativamente ao objeto social. As atitudes aprendem-se através do processo de socialização, no contexto social em que o indivíduo se insere (família, pares, escola, comunicação social…) e apesar de serem relativamente estáveis, as atitudes também mudam ao longo da vida, por influência dos diferentes agentes de socialização envolvidos.

As atitudes podem ser mais ou menos “fortes”, havendo autores que defendem que a atitude mais forte é aquela que está mais ligada aos genes, enquanto outros defendem que uma atitude forte e baseada em informação fiel, será mais difícil de mudar. As atitudes podem ser positivas ou negativas, nucleares ou acessórias, no que diz respeito ao lugar que estas ocupam no sistema de valores do indivíduo. Por outro lado, as atitudes podem ser mais ou menos acessíveis, podendo ser ativadas automaticamente ou ativadas com recurso a uma memória. A ambivalência pode também estar presente no que se refere às atitudes, uma vez que podem haver posições contraditórias em relação a um mesmo objeto.

A persuasão ou o fornecimento de informação persuasiva é um método utilizado para mudar uma atitude, quer pela apresentação de informação que vai ao encontro da vontade do persuasor, quer pela utilização de uma comunicação geradora de medo. As mensagens que enfatizam ganhos ou perdas podem também ser eficazes na mudança de atitudes. Ao enfatizar os ganhos, o indivíduo toma consciência do que terá a ganhar pelo facto de mudar de atitude e agir do modo que lhe é proposto. Por outro lado, dar ênfase às perdas dá destaque àquilo que o indivíduo pode perder se não adotar a mudança desejada.

Em suma, o contexto sociocultural em que o indivíduo se desenvolve, influencia fortemente as suas atitudes e comportamentos, tendo por base os respetivos valores. As atitudes não são estáticas, podendo ser modificadas de acordo com alterações do modo de pensar e de sentir de cada indivíduo, inserido numa sociedade global e abrangente. Os agentes sociais e de comunicação são os principais modificadores de atitudes com tudo o que isso pode ter de bom e adaptativo, como de perverso e desadequado.

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