Resoluções de Ano Novo

Agora que o ano de 2020 está a aproximar-se do fim e que o balanço não é certamente positivo para a maioria das pessoas, há que renovar esperanças para o novo ano que se avizinha.

As expetativas de que um novo ano nos trará a resolução de alguns problemas, colide com a noção de que outros se desenham no horizonte e de que é necessário reunir esforços e recursos para lidarmos com um período de crise económica, política e de saúde. O aumento da taxa de desemprego, as dificuldades económicas que muitas famílias atravessam, as lutas políticas e ideológicas relacionadas com a gestão da situação pandémica e as repercussões do cenário social nas nossas vidas, darão origem a desafios alguns deles difíceis de enfrentar. Por outro lado, a esperança numa vacina eficaz, a vontade de retomar a “normalidade” e a enorme força da massa humana para ultrapassar a adversidade, concorre com todas as dificuldades.

É comum ouvir-se dizer que o ano de 2020 é “para esquecer”, no sentido em que têm sido tantas as perdas causadas pela pandemia que o melhor mesmo é fazer de conta que este ano não existiu. Mas será mesmo assim? Será que devemos esquecer ou pelo contrário, devemos refletir acerca do que aconteceu, está a acontecer e terá certamente impacto em nós e na forma como passamos a olhar o mundo? Esta é uma reflexão pertinente num momento em que se aproxima o início de um novo ano, situação que trás consigo por tradição a tomada de decisões acerca de aspetos das nossas vidas que decidimos mudar – as típicas resoluções de ano novo.

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Para além das questões que se prendem com a subsistência, como manter ou mudar de emprego, investir capital para obter rendimento extra, iniciar uma atividade remunerada, enfim toda e qualquer resolução que implique resolver a situação económica de cada um, as decisões de mudanças comportamentais são as mais frequentes. Mudar o comportamento alimentar para perder peso ou para melhorar a saúde física, poderá estar no topo das resoluções de ano novo, motivado em parte pelos excessos cometidos na quadra natalícia. Também as decisões de iniciar ou retomar a prática de exercício físico são muito comuns. Comprar casa, carro, ou outros bens de consumo, são decisões que muitas vezes se tomam em início de ano. Até mesmo mudanças referentes aos comportamentos que se prendem com relações pessoais como, estar mais vezes com amigos, iniciar ou terminar uma relação, telefonar mais vezes a um familiar…

E que tal ter como resolução de ano novo a mudança do seu pensamento? Modificar a maneira como pensamos modifica também a forma como nos sentimos, e logo, muda também o nosso comportamento. Quantos de nós nos damos por vezes a ter pensamentos rígidos acerca de determinado assunto, que nos impede de ver a situação sob uma perspetiva diferente? A capacidade de se ser flexível no modo de pensar não faz de nós pessoas incoerentes mas sim, pessoas que se adaptam de forma mais adequada ás diferentes situações. Pensar diferente pode-nos ajudar a lidar com um problema com menor sofrimento. Pode não ser um trabalho fácil mas a reestruturação do nosso pensamento pode ter um efeito muito positivo no modo como olhamos o mundo e os outros, levando-nos a aceitar, compreender e a ter uma atitude mais positiva perante algumas questões com as quais temos dificuldade em lidar.

Pensamentos mais adaptativos levam a sentimentos mais positivos. As nossas emoções, por vezes tão complicadas de gerir, irão beneficiar se conseguirmos ter um pensamento mais flexível, o que pode implicar o distanciamento de uma situação e uma reavaliação da mesma.  Tomar a decisão de mudar exige um exercício de reflexão e análise acerca de quem somos, qual a nossa forma típica de pensar, de sentir e de nos comportarmos. Mudar é difícil, exige aprendizagem, treino, monitorização e voltar ao ponto de partida, sempre que necessário. Mudar implica um trabalho de autoconhecimento complexo, por vezes demorado podendo levar à desistência e ao desânimo. Mudar, não é tarefa para se fazer sozinho. E que tal, definir como resolução de ano novo a procura de apoio, de ajuda especializada de um psicólogo/a?

Procure ajuda, mude a sua vida para melhor e seja mais feliz no ano de 2021!

Sociedade, cultura e mudança de atitudes

Atitudes são avaliações que fazemos de ideias, pessoas ou objetos e traduzem-se numa reação positiva ou negativa a algo. Mudar atitudes e mudar comportamentos é comum e por vezes bastante necessário à nossa adaptação aos vários contextos de vida.

A Psicologia Social tem por base o estudo da influência do meio social e das interações sociais no pensamento, sentimento e comportamento humano. Do nascimento à morte, o ser humano vive em sociedade e sobrevive pela sua interação com os outros, nos vários contextos em que se insere, construídos e modificados de modo a darem respostas às suas necessidades. O meio social interfere no comportamento e nas capacidades humanas como a memória, a personalidade ou a inteligência. Consoante a cultura em que nascem, os indivíduos ocupam-se, vestem-se, alimentam-se e relacionam-se de formas diferentes. Até em termos de valores e de moral, os cânones sociais diferem entre si, em termos de justiça, diversão, conceito de estética ou do que é certo ou errado.

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Confinamento, culinária e excesso de peso

Nestes tempos de pandemia, o confinamento em casa parece ter despertado em algumas pessoas um cozinheiro/pasteleiro, anteriormente adormecido. As redes sociais dão notícia de belos petiscos, grandes cozinhados, soberbos bolos e fantásticas sobremesas que saem das mãos daqueles que se encontram em casa e que utilizam a culinária como estratégia de distração e de ocupação de algum tempo que agora lhes sobra.

Mas se por um lado, explorar os dotes culinários pode ser uma excelente forma de ultrapassar esta fase tão difícil para todos nós, por outro lado, e, aliado a um decréscimo na atividade física, está o perigo de engordar! É sabido que o excesso de peso se constitui como um fator de risco para o aparecimento de doenças, nomeadamente doenças cardiovasculares. Por outro lado, também é do conhecimento geral, que muitas vezes se compensam com a ingestão de comida, alguns défices socio-emocionais como a falta de abraços, beijinhos, convívio com familiares e amigos, enfim, a ausência de partilha dos afetos. Do mesmo modo, o medo do que não se sabe estar para vir e a ansiedade causada quer pelas notícias, quer pelo facto de as rotinas e hábitos terem sido completamente alterados, é muitas vezes compensada com “comida de conforto”, expressão que habitualmente designa alimentos altamente calóricos e docinhos…

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