Chegou a época dos testes! Vou ter exame, ai agora…

O medo e a ansiedade são naturais ao ser humano, desempenhando um papel muito importante no comportamento e na sobrevivência. É porque temos medo que nos protegemos e nos defendemos dos perigos que percecionamos. No entanto, medo em excesso pode interferir de forma muito negativa na nossa vida, uma vez que nos pode comprometer a nossa funcionalidade.

 Em contexto escolar, a ansiedade dos alunos perante a perspetiva de um teste é um fenómeno particularmente difícil. A ansiedade gerada pela avaliação, ou seja, a ansiedade de desempenho, principalmente em contexto formal, como é o caso de testes e exames, ou até mesmo informal, como a leitura de uma poesia em família, é sempre mais ou menos perturbadora. Ser avaliado corresponde a uma situação complexa que reúne várias dimensões (cognitiva, emocional, fisiológica e comportamental). Em termos teóricos, a ansiedade de desempenho face a um teste pode assumir duas formas distintas: como traço ou como estado. Enquanto traço, a ansiedade corresponde a uma predisposição psicológica para reagir com o mesmo nível de ansiedade (alto ou baixo) a um conjunto indiscriminado de situações. Enquanto estado (ou sobrecarga) a ansiedade acontece em situações esporádicas, como um exame particularmente difícil ou para o qual o aluno não se sente devidamente preparado.

Perante um momento de avaliação, a ansiedade assume duas dimensões fundamentais: a cognitiva e a afetiva. A dimensão cognitiva refere-se ao modo como o aluno pensa sobre o assunto e como expressa a sua preocupação. A dimensão afetiva tem a ver com as emoções que a situação vai desencadear. Parece que a componente cognitiva exerce uma importante influência negativa para o desempenho escolar ou académico. Um aluno ansioso está particularmente vulnerável ao contexto que envolve a avaliação, sentindo-se inseguro e preocupado e com o seu pensamento orientado para possíveis resultados negativos. Assim, a ansiedade perante os testes pode levar a pensamentos intrusivos, que interferem com os processos de atenção necessários à tarefa, e que naturalmente afetam o desempenho.

A ansiedade de desempenho aparece muitas vezes associada a um quadro de perturbação de ansiedade social, que corresponde ao medo excessivo ou até mesmo irracional, de situações de caráter social que incluam exposição e avaliação de terceiros, cujas consequências podem prejudicar o percurso escolar da criança/adolescente. O diagnóstico precoce desta perturbação pode ser difícil, porque as suas manifestações iniciais, como por exemplo a timidez, que ocorrem habitualmente na adolescência, se assemelham às características das tarefas de desenvolvimento específicas dessa etapa da vida.

Um fator que pode potenciar a ansiedade de desempenho é o condicionamento, ou seja, a recordação de uma situação em que o teste não correu bem, e a crença de que essa situação se vai repetir. Por outro lado, também não ajuda ter pensamentos recorrentes de que as matérias que pior domina são as que vão sair no teste. De referir ainda a insegurança e as dificuldades ao nível da autoeficácia do aluno, que o faz pôr em causa os conhecimentos que tem acerca da matéria. Por outro lado, ter a cabeça ocupada com outras preocupações ou com outras tarefas que têm para fazer, também não é certamente benéfico.

Durante o teste, a ansiedade pode manifestar-se de diversas formas, como o desconforto físico (ex. dores de cabeça, dores de barriga), os esquecimentos súbitos (brancas), os sentimentos de incompetência ou até mesmo a decisão de não fazer o teste e entregar em branco. Como estratégias para lidarem com o problema, os alunos ansiosos devem preparar as suas avaliações com antecedência, fazer um plano de estudo com um horário detalhado que contemple toda a matéria e com metas exequíveis. Fazer resumos ou exercícios similares aos que serão pedidos no teste, estudar num ambiente tranquilo e confortável, ter uma alimentação adequada e respeitar o tempo de sono, é também recomendado. Por outro lado, é muito importante que tenham expectativas realistas mas também uma atitude positiva, ou seja, pensarem que vão conseguir, que o teste vai correr bem, em suma, programarem-se para o sucesso!

Se a ansiedade se tornar efetivamente um problema na vida e no desempenho da criança/adolescente, então procure ajuda especializada. A psicologia, nomeadamente as intervenções de orientação cognitivo-comportamental, dispõe de inúmeras estratégia para ajudar a lidar com a ansiedade, de uma forma adaptativa e eficaz, promovendo o bem-estar e a satisfação com a vida!

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