Compreender a Depressão: A Importância do Acompanhamento Psicológico

A depressão é uma condição psicológica que afeta o humor, o pensamento e o funcionamento diário, indo muito além da tristeza pontual. A intervenção psicológica, em particular a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), tem demonstrado eficácia na compreensão e modificação dos padrões que mantêm o sofrimento.

A experiência de viver com depressão é frequentemente descrita como um processo silencioso de perda de energia, de interesse e de esperança. Para muitas pessoas, as tarefas quotidianas tornam-se progressivamente mais difíceis de executar, o prazer diminui e surgem os pensamentos persistentes de desvalorização, de culpa ou de incapacidade. A depressão não se resume apenas a tristeza, trata-se de uma condição psicológica complexa, que afeta o humor, o pensamento, o comportamento e o funcionamento global da pessoa.

A Marta (nome fictício) procurou acompanhamento psicológico após vários meses a sentir-se emocionalmente exausta, com dificuldade em manter rotinas e com uma autocrítica constante. Evitava contactos sociais, sentia-se “inútil” e interpretava cada dificuldade, como prova de falha pessoal. No início do processo terapêutico, um dos aspetos mais relevantes foi a possibilidade de compreender a sua experiência de forma estruturada e sem julgamento. A avaliação psicológica permitiu identificar sintomas depressivos, fatores de manutenção e padrões cognitivos e comportamentais que, de acordo com o modelo cognitivo da depressão (Beck, Rush, Shaw & Emery, 1979), estavam a reforçar o sofrimento.

A intervenção, seguindo o modelo Cognitivo-Comportamental, centrou-se, numa primeira fase na recuperação gradual do funcionamento através da ativação comportamental. Pequenas mudanças nas rotinas, ajustadas ao nível de energia da Marta, permitiram interromper o ciclo de evitamento e retraimento típico da depressão. Em paralelo, o trabalho cognitivo ajudou-a a identificar pensamentos automáticos negativos, a questionar a sua validade e a construir interpretações mais equilibradas. Este processo não teve como objetivo eliminar emoções difíceis, mas sim reduzir o impacto da autocrítica e da ruminação, criando uma maior flexibilidade psicológica.

Ao longo do acompanhamento, foram também trabalhadas competências de resolução de problemas, a regulação emocional e a prevenção de recaída, integrando o contexto relacional e as exigências do quotidiano. Gradualmente, a Marta descreveu uma diminuição da intensidade dos sintomas, uma maior previsibilidade emocional e uma sensação crescente de autonomia. Mais do que “voltar ao normal”, passou a sentir que tinha ferramentas para lidar com os momentos difíceis, de forma menos punitiva e mais consciente e compassiva.

A evidência científica sustenta a eficácia da Terapia Cognitivo-Comportamental no tratamento da depressão em adultos, demonstrando benefícios significativos na redução dos sintomas e na prevenção de recaídas. As principais diretrizes clínicas internacionais reconhecem as intervenções psicológicas, nomeadamente a TCC, como abordagens recomendadas no tratamento da depressão, isoladamente ou em articulação com outros cuidados de saúde (APA, 2019; NICE, 2022).

Este percurso ilustra o papel fundamental dos psicólogos na promoção da saúde mental. O trabalho psicológico integra a avaliação clínica rigorosa, a intervenção baseada na evidência e uma relação terapêutica segura e colaborativa. Para muitas pessoas, o acompanhamento psicológico constitui um espaço essencial para compreender o sofrimento, recuperar competências e reconstruir uma relação mais equilibrada consigo próprias. Num contexto em que a depressão continua a ter um impacto significativo na qualidade de vida, os psicólogos assumem um papel central na resposta clínica, preventiva e humanizada às necessidades em saúde mental.

O acompanhamento psicológico é um recurso essencial no tratamento da depressão, permitindo uma intervenção estruturada, segura e baseada na evidência científica. O psicólogo desempenha um papel central na promoção da saúde mental, apoiando a recuperação, a autonomia e a melhoria da qualidade de vida.

Referências:

Beck, A. T., Rush, A. J., Shaw, B. F., & Emery, G. (1979). Cognitive Therapy of Depression. Guilford Press. Cuijpers, P., et al. (2013). A meta-analysis of cognitive-behavioural therapy for adult depression. American Journal of Psychiatry. American Psychological Association (APA). (2019). Clinical Practice Guideline for the Treatment of Depression. NICE. (2022). Depression in adults: treatment and management (NG222).

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