Autismo: doença ou condição?

AutismoSegundo o Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM-5), as Perturbações do Espectro do Autismo incluem-se no quadro das Perturbações do Neurodesenvolvimento, que tipicamente se manifestam durante o período pré-escolar e que se caracterizam por défices do desenvolvimento que condicionam o funcionamento a nível pessoal, social, escolar e ocupacional. Estas dificuldades diferem consoante o nível da perturbação e podem variar desde limitações muito específicas na aprendizagem ou no controlo das funções executivas, até aos défices globais da inteligência ou das competências sociais.

Especificamente, as Perturbações do Espectro do Autismo caracterizam-se por défices persistentes na comunicação e interacção social, transversais a vários contextos de vida da criança, que se manifestam habitualmente por dificuldades na reciprocidade social-emocional (ex. partilha reduzida de interesses), nos comportamentos comunicativos não-verbais (ex. falha do contacto ocular) e dificuldade em iniciar e manter relacionamentos (ex. ausência de interesse nos pares). Esta condição caracteriza-se também por padrões de comportamento restritos e repetitivos de interesses e actividades, e que se podem manifestar por exemplo, por movimentos motores estereotipados e repetitivos, inflexibilidade para a alteração de rotinas, dificuldade de adaptação às mudanças, interesses altamente intensos, restritos e fixos e reactividade nula ou excessiva a estímulos sensoriais (sons, cheiros, luzes…). A gravidade da perturbação baseia-se nas deficiências na comunicação social e nos padrões de comportamento.

AspergerOs sintomas deverão estar presentes no início do período do desenvolvimento da criança, podendo não ser de fácil identificação até que as exigências sociais excedam as suas capacidades limitadas e deverão causar um prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social ou ocupacional do indivíduo. Podemos encontrar 3 níveis de gravidade, dentro deste tipo de perturbações. O nível 1 caracteriza-se por défices na comunicação social que causam prejuízos visíveis, como a dificuldade em iniciar interacções sociais, respostas atípicas às interacções dos outros e aparente falta de interesse nessas mesmas interacções que se reflecte principalmente na dificuldade em fazer amigos. Também a inflexibilidade do comportamento causa interferência significativa no funcionamento da criança, em pelo menos um dos contextos (ex. escola). O nível 2 da perturbação pressupõe défices marcados nas competências verbais e não-verbais de comunicação social, limitações em relacionamentos sociais, respostas reduzidas ou atípicas às tentativas de interacção dos outros e comunicação não-verbal marcadamente estranha. Este nível caracteriza-se ainda pela dificuldade e angustia em lidar com a mudança de foco ou de actividade. No nível 3 da perturbação os indivíduos revelam graves e acentuados défices na comunicação quer verbal, quer não-verbal, manifesta por exemplo por apenas conseguirem dizer muito poucas palavras de forma perceptível e por as suas interacções sociais serem muito raras e incomuns. A dificuldade em lidar com a mudança e com a imprevisibilidade é extrema, e a mudança de foco ou de acção provoca enorme angustia e dificuldade, expressa por vezes por extrema reactividade.

AutismoPode dizer-se que as pessoas que vivem no nível 1 desta condição, também descrito como Sindrome de Asperger, percebem o mundo e interagem com as outras pessoas de um modo diferente. O seu funcionamento neurocognitivo é diferente e por isso o seu comportamento também é diferente. No entanto, o seu rendimento intelectual encontra-se habitualmente num nível médio, podendo em alguns casos estar mesmo acima da média. Porém, também é muito comum, apresentarem dificuldades específicas de aprendizagem, necessitando de apoio psicopedagógico especializado. Os indivíduos com Síndrome de Asperger têm dificuldade em ler e interpretar as outras pessoas e em reconhecer ou compreender os sentimentos, emoções e as suas intenções. Do mesmo modo têm dificuldade em expressar as suas próprias emoções, tornando-se muito difícil a interacção social. O mundo pode parecer um lugar muito confuso e cheio de imprevistos com os quais é difícil lidarem. Preferem ter uma rotina diária bem estruturada e rígida, para que saibam exactamente o que lhes vai acontecer em cada dia. O uso de regras também é muito importante, porém, pode ser difícil para alguém com Síndrome de Asperger ter uma abordagem diferente para uma única situação. Uma vez que aprendem determinada regra relacionada uma situação, é para eles complicado assumir outra forma de lidar com a mesma situação mas em contextos em que seja suposto agir de forma diferente. Estes indivíduos têm habitualmente interesses intensos e altamente focados, por vezes desde uma idade muito precoce. Estes interesses podem mudar ao longo do tempo ou manter-se ao longo do ciclo de vida e entre os mais comuns encontram-se por exemplo,  o desenho, a pintura, a música, o interesse por automóveis e computadores, ou até mesmo o interesse pelos estudos.

AutistaAs Perturbações do Espectro do Autismo não são doenças e não têm cura mas as pessoas que se encontram nesta condição, poderão ser apoiadas tendo em vista o aumento das suas competências sociais e a sua melhor adaptação aos diversos contextos de vida, para que possam ser mais felizes. Assim, a intervenção psicológica orientada para os aspectos comportamentais e para o ensino e treino de competências sociais pode ser benéfica. Os diversos aspectos da linguagem, da postura, da comunicação e da socialização, podem ser melhorados bem como a capacidade de reconhecer os seus próprios sentimentos e emoções, assim como as dos outros, no sentido do desenvolvimento da empatia.

Embora não existam medicamentos específicos para se tratar esta perturbação, em alguns casos, a utilização de fármacos para a ansiedade, depressão ou para a perturbação de hiperactividade, pode trazer benefícios. Por outro lado, a atenção, carinho e compreensão, por parte de familiares, amigos, professores e todos os elementos presentes nos diversos contextos de vida da criança, assim como a informação acerca da perturbação e de como lidar com ela, pode ser uma enorme mais-valia para se lidar com as dificuldades decorrentes desta condição. A título de curiosidade, destaco algumas personalidades que foram identificadas como portadoras do Síndrome de Asperger e que se destacaram pelas melhores razões: Einstein, Steven Spielberg, Bill Gates e Lionel Messi.

Autismo

 

 

Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.

 

Bulimia nervosa: atenção aos sinais!

Perturbações do comportamento alimentarA bulimia nervosa é uma perturbação do comportamento alimentar potencialmente grave e que se caracteriza pela ingestão oculta de grandes quantidades de comida, seguida da indução do vómito, ou numa outra forma, pela ingestão excessiva de calorias compensada por níveis demasiado intensivos de exercício físico ou pela utilização de diuréticos e laxantes.

Esta perturbação caracteriza-se pela ingestão alimentar compulsiva, como por exemplo, comer num período de tempo de duas horas, uma quantidade de alimentos, sem dúvida superior àquela que a maioria das pessoas conseguiria ou necessitaria de comer, no mesmo período de tempo. Por outro lado, a bulimia nervosa caracteriza-se também pela compensação excessiva e inapropriada, através de exercício físico, indução do vómito ou toma de laxantes, no sentido de diminuir os efeitos da ingestão desmedida de alimentos. Do mesmo modo, há uma sensação de descontrolo sob o acto de comer ou a incapacidade de parar, durante o acto compulsivo de ingestão alimentar. Estes comportamentos desadequados deverão verificar-se pelo menos uma vez por semana e durante um período de três meses, para que se possa apontar para um diagnóstico de bulimia nervosa.

Bulimia nervosaA prevalência desta perturbação do comportamento alimentar em mulheres jovens é de cerca de 1% e apresenta um pico no final da adolescência e início da idade adulta. Nos homens pouco se sabe acerca desta patologia mas sabe-se que é muito menos comum do que nas mulheres. O início da perturbação acontece habitualmente no final da adolescência ou início da idade adulta, sendo o seu início anterior à puberdade ou depois dos 40 anos, muito raro. É frequente que os comportamentos de ingestão compulsiva comecem durante ou após uma dieta de emagrecimento. Um dos fatores que podem precipitar esta situação, são os acontecimentos de vida marcantes e negativos. Numa grande maioria dos casos clínicos, esta perturbação mantem-se por vários anos, num curso crónico ou intermitente, ou seja, períodos de remissão alternados com períodos de ingestão compulsiva.

Comportamento alimentarAssociado a esta perturbação está o risco de suicídio, ou seja, em indivíduos com bulimia nervosa, a taxa de suicídio é de aproximadamente 2%, sendo particularmente importante a avaliação e despiste de ideação suicida e de comportamentos suicidários nestas pacientes. Cerca de 10 a 15% dos casos de bulimia nervosa evoluem para um quadro de anorexia nervosa e estes indivíduos tendem a oscilar entre períodos de bulimia e anorexia, tornando por vezes o diagnóstico difícil de definir e algumas vezes passam para um diagnóstico de perturbação de ingestão alimentar compulsiva ou para uma perturbação do comportamento sem outra especificação. Os indivíduos bulímicos podem apresentar grandes limitações funcionais, particularmente no que diz respeito ás relações sociais.

Bulimia nervosaOs fatores de risco para a bulimia nervosa são múltiplos, nomeadamente temperamentais, ambientais, genéticos e fisiológicos. No que diz respeito aos fatores temperamentais, destacam-se a baixa autoestima, a sintomatologia depressiva, preocupações com o peso e problemas de ansiedade. Em relação aos fatores ambientais, sabe-se que a internalização de um corpo magro ideal ou histórias de abuso físico ou sexual na infância, podem aumentar o risco do desenvolvimento de bulimia nervosa. A obesidade infantil e a maturação pubertária precoce, podem também constituir-se como fator de risco para o desenvolvimento desta perturbação, assim como a vulnerabilidade genética e a existência prévia de casos em familiares.

Comportamento alimentarEm termos de prevenção, destaca-se a manutenção de hábitos de vida saudáveis e a identificação precoce de qualquer sinal de perturbação alimentar. Nos casos em que a perturbação se começa a manifestar mais precocemente, o acompanhamento pediátrico regular, pode permitir a identificação de distúrbios alimentares logo que estes se manifestem. A manutenção de uma boa autoestima e o desenvolvimento de uma adequada perceção da autoimagem, mediada e modelada pelos pais e adultos significativos, desempenham um importante papel na prevenção das perturbações alimentares. Em termos de tratamento, a bulimia nervosa pode necessitar de uma intervenção farmacológica (e. g. antidepressivos), combinada com acompanhamento nutricional e psicológico. O envolvimento da família e dos amigos nestes casos é fundamental para o sucesso da intervenção. Em casos de extrema gravidade pode ser necessária a hospitalização.

As perturbações do comportamento alimentar são muito graves e preocupantes, no entanto, com o apoio certo e no momento certo, tudo se ultrapassa, tudo se resolve!

Não deixe de pedir ajuda.

 

Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association

Saber envelhecer e aprender a envelhecer

VelhiceO processo de envelhecimento e a heterogeneidade da velhice constituem-se como um dos temas mais desafiadores da Psicologia enquanto ciência do comportamento e dos fenómenos mentais, particularmente após a segunda metade do século XX, principalmente devido ao envelhecimento da população no mundo ocidental.

Costuma-se dizer que temos duas opções na vida: envelhecer ou morrer. De um modo geral, o envelhecimento não é visto com bons olhos. As rugas, os cabelos brancos, as falhas de memória, as limitações físicas, enfim, características do processo de envelhecimento que de um modo geral  não são desejadas e nem sempre são bem aceites pelos indivíduos. No entanto, a melhor opção parece ser mesmo envelhecer, até porque, em circunstâncias normais, não podemos escolher morrer. E se assim é, nada como fazê-lo da melhor forma. O processo de envelhecimento pode ser um feliz processo de independência, integração e auto-desenvolvimento. Se virmos bem, é apenas mais uma fase num percurso de vida, que por vezes nem começa da melhor maneira mas que pode ter na velhice um período de paz, harmonia e bem-estar. Continue a ler “Saber envelhecer e aprender a envelhecer”

Comunicar: falar e não só…

LinguagemNos seres humanos, a capacidade de comunicar através da fala é inata, sendo aperfeiçoada e utilizada ao longo do seu desenvolvimento.

A comunicação verbal pode revestir-se de diversas formas e alternativas de utilização. Podemos falar diferentes idiomas, o mesmo idioma com variantes de pronuncia, tons de voz diferentes, diferentes ritmos, enfim, dispomos de uma diversidade de modos de falar que normalmente adequamos a cada situação. O modo como cada um de nós comunica através da linguagem pode ser muito revelador da nossa personalidade, estado emocional, identidade pessoal e social, enfim, sobre aquilo que somos. Ao comunicarmos pela fala, podemos diversificar no vocabulário que usamos e podemos utilizar as palavras de diferentes formas. O discurso e as frases que formulamos podem ter diferentes intenções: perguntar, pedir, informar, declarar, etc. O sucesso da comunicação verbal depende muito da forma com que se transmite a mensagem. Existindo vários estilos de comunicação, entende-se como mais eficaz o estilo de comunicação assertiva, em que a mensagem é transmitida de forma clara, firme e directa, respeitando obviamente a posição, o ponto de vista e o entendimento do seu interlocutor. Continue a ler “Comunicar: falar e não só…”

Internalização e externalização

InternalizaçãoAs perturbações habitualmente designadas de internalização ou de externalização, constituem um tipo específico de problema emocional e comportamental, que se manifestam em qualquer idade e com características bastante diversificadas.

As perturbações de internalização manifestam-se quando o sujeito tenta manter um controlo desajustado do seu estado emocional interno, utilizando para tal somente estratégias internas. Estas perturbações derivam da convergência de factores biológicos (ex. défice nos neurotransmissores), familiares (ex. conflitos conjugais ou parentais), acontecimentos de vida (ex.. morte de um familiar significativo, perda de capacidades físicas), factores cognitivos (ex. crenças erróneas) e factores comportamentais (ex. isolamento social). Podemos identificar vários tipos de perturbações de internalização, nomeadamente a depressão, a ansiedade, a somatização e a fobia social. Continue a ler “Internalização e externalização”

Divórcio e avaliação das competências parentais

Responsabilidade parentalNuma situação de separação ou divórcio litigioso, o tribunal pode solicitar ao psicólogo, uma avaliação psicológica dos pais, com o objectivo de avaliar as suas competências e capacidades parentais, sempre que estejam em causa filhos menores.

O processo de avaliação visa obter informação sobre a personalidade dos pais, sobre os níveis de adaptação familiar, social e emocional e, sobretudo, compreender a capacidade dos mesmos no que concerne ao cuidar e educar os seus filhos. Esta avaliação deverá sempre levar em consideração o contexto familiar mais alargado, assim como as questões ligadas com o exercício de uma parentalidade adequada e responsável, no sentido de proteger a criança e garantir o seu adequado desenvolvimento. A decisão do tribunal acerca da custódia da criança, ou de eventuais restrições, irá ser fundamentada com base na avaliação efectuada aos pais, sobre as suas capacidades e competências enquanto cuidadores daquela criança, cujo superior interesse e bem-estar psicológico deverão ser sempre salvaguardados. Continue a ler “Divórcio e avaliação das competências parentais”

A solidão e os mais velhos

EnvelhecerO conceito de solidão tem vindo a ser estudado por diversas áreas do conhecimento cientifico e pode ser entendido sob várias perspectivas. É um conceito que envolve uma grande subjectividade uma vez que a solidão é sentida por cada um de forma particular, sendo também alvo de inúmeras definições e significados.

Se para uns estar só significa estar fisicamente só, outros descrevem a solidão como um sentimento que podem ter, mesmo rodeados de uma multidão. Se uns desejam estar sós porque gostam de estar consigo mesmos e apreciam o silencio e a quietude, outros há que não suportam a ideia de ficarem sozinhos por mais do que um par de horas. À luz da psicologia, a solidão pode caracterizar-se pela ausência afectiva do outro e pela sensação de se estar sozinho. O outro pode até estar fisicamente perto, mas não existe aproximação psicológica, por falta de comunicação e de interacção emocional. Assim, a solidão constitui-se como um sentimento angustiante e doloroso, sentido pelo sujeito sempre que há discrepância entre o tipo de relação social que deseja ter e o tipo de relação social que consegue ter. Continue a ler “A solidão e os mais velhos”

Perturbações de Ansiedade: Um cardápio diversificado (2)

Perturbação de Ansiedade

De volta ao tema da ansiedade e dos medos, descrevo de seguida alguns subtipos da Perturbação de Ansiedade. A diversidade é de facto considerável e muitos indivíduos apresentam critérios de diagnóstico para vários tipos de perturbação em simultâneo, ao mesmo tempo que também é frequente encontrar sujeitos com problemas de ansiedade a par com outros quadros clínicos do foro da saúde mental, como por exemplo a Depressão ou a Perturbação Obsessivo-compulsiva. Intervir é preciso!

A Perturbação de Pânico caracteriza-se pelo medo e desconforto físico intensos que se associam habitualmente à possibilidade de morte ou de perda do controlo sobre si mesmo. Em presença desta perturbação, os ataques de pânico ocorrem inesperada e recorrentemente. Correspondem a um período abrupto e intenso de medo que atinge o seu pico em poucos minutos e que pode ocorrer tanto a partir de um estado de tranquilidade como de ansiedade. Entre os sintomas podemos incluir a aceleração do ritmo cardíaco, palpitações, suores, tremores, sensação de falta de ar ou de dificuldade em respirar, dor no peito, mal-estar abdominal, sensação de tontura ou desmaio, medo de perder o controlo e medo de morrer. Para ser considerado um ataque de pânico, deverão estar presentes pelo menos 4 dos referidos sintomas. Continue a ler “Perturbações de Ansiedade: Um cardápio diversificado (2)”

Perturbações de Ansiedade: Um cardápio diversificado (1)

Ansiedade e medoAs Perturbações de Ansiedade são problemáticas muito prevalentes na sociedade atual, principalmente entre as crianças e os adolescentes. E o que é afinal uma Perturbação de Ansiedade? As Perturbações de Ansiedade referem-se a perturbações que têm em comum características de medo e ansiedade persistentes e excessivos e todas as alterações do comportamento com eles relacionadas.

Ter medo é normal e é a resposta emocional a uma situação de ameaça real ou percebida. Sentir ansiedade refere-se à antecipação de uma ameaça futura e à sobrestimação do perigo dessa situação, habitualmente desproporcionado. De certa forma o medo e a ansiedade sobrepõem-se, no entanto, o medo associa-se mais vezes a situações de picos de excitação automática, necessária à luta ou fuga, pensamentos de perigo eminente e comportamentos de evitamento. A Ansiedade, por sua vez, associa-se mais a tensão muscular e estados de vigília preparatória para se enfrentar perigos futuros, caracterizando-se por comportamentos cautelosos e de evitamento. Continue a ler “Perturbações de Ansiedade: Um cardápio diversificado (1)”

Crianças e castigos corporais

Disciplinar e ensinar
A violência pode estar presente nas vidas das crianças de três formas distintas: os atos de violência a que assistem, os atos de violência de que podem ser vítimas e os atos de violência que elas próprias perpetram.

Uma das principais formas de violência presente nas vidas de algumas crianças são os castigos corporais. Os castigos corporais referem-se ao uso da força física por parte, habitualmente de adultos, com a intenção de corrigir ou controlar um comportamento desadequado, causando dor à criança. São exemplos de castigos corporais as palmadas, empurrões, beliscões, puxões de cabelo ou de orelhas, assim como o uso de produtos agressivos como por exemplo pimenta na língua, entre outros. Estes castigos corporais que não são menos que atos de violência utilizados contra as crianças, são muitas vezes justificados pela necessidade de disciplinar. Disciplinar é ensinar, e ao tentar disciplinar-se uma criança por meio de castigos corporais vai levar a que ela aprenda a resolver os seus problemas com base na violência. A criança agredida aprende a agredir como forma de lidar com os seus problemas e dificuldades, correndo o risco de ela própria se tornar agressora. Continue a ler “Crianças e castigos corporais”