A perturbação disfórica pré-menstrual, habitualmente conhecida como síndrome pré-menstrual ou até depressão pré-menstrual (DPM), é um problema que afeta um número significativo de mulheres em idade fértil e que pode ter um impacto muito significativo na sua funcionalidade e no seu bem-estar.
A perturbação disfórica pré-menstrual manifesta-se na maioria dos ciclos menstruais, com alguns sintomas que ocorrem na semana final antes do início da menstruação, começando a melhorar poucos dias depois do início da menstruação e tornando-se mínimos ou ausentes na semana pós-menstrual. Esses sintomas podem incluir instabilidade emocional, mudanças súbitas de humor, irritabilidade ou raiva que podem potenciar conflitos relacionais, sentimentos de desesperança, ansiedade, tensão muscular, diminuição do interesse por atividades habituais, dificuldades de atenção ou concentração, falta de energia, cansaço, dificuldades de sono, alterações do apetite (ex. avidez por um alimento específico ou, pelo contrário, náuseas) ou ainda dificuldades de autorregulação e de autocontrolo. Os sintomas podem também ser físicos, como dor ou inchaço dos seios, dores articulares, inchaço abdominal ou aumento do peso.
Segundo Selye (1976) o stresse é um conjunto de respostas fisiológicas que mobilizam o organismo para a acção e que são ao mesmo tempo adaptativas. O autor defende ainda que estas respostas ou reacções se alteram ao longo do tempo e que com a exposição repetida a situações de stresse, a reacção de defesa do organismo passa por três fases distintas: alarme, resistência e exaustão, às quais chamou Síndrome de Adaptação Geral.
Podemos considerar que o stresse é um processo de adaptação e não propriamente uma doença, embora a exposição repetida a factores causadores de stresse possa levar a um estado patológico, pelo desgaste que provoca no indivíduo. Existem vários tipos de stressores, que podem ser internos (representações mentais ou memórias) ou externos (vivenciar uma determinada situação). O modo como o indivíduo reage perante os factores causadores de stresse pode ser através de uma resposta emocional (ex. ansiedade ou medo), uma resposta fisiológica (ex. roer as unhas), uma resposta comportamental (ex. agitação motora) ou resposta cognitiva (ex. pessimismo ou dificuldade em tomar uma decisão).O stresse tem no indivíduo consequências negativas mas também pode ter consequências positivas. É algo inevitável, uma vez que está presente nas situações do dia-a-dia. É também de certo modo e em alguns casos desejável, na medida em que funciona como o motor que nos conduz à resolução dos problemas. Nestes casos, é a oportunidade de adquirirmos competências práticas e de nos tornarmos capazes.
Perante um mesmo factor de stresse, cada indivíduo reage e age de forma diferente, sendo que, uns têm tendência a minimizar os custos da situação e torná-la irrelevante e outros, agudizam-nos, tornando a situação ainda mais ameaçadora. É o significado que cada indivíduo atribui a uma determinada situação, com base na avaliação que faz e nos recursos que possui, que vai determinar as suas reacções ao elemento stressor. Segundo o modelo de avaliação cognitiva de Lazarus e Falkman, uma situação é geradora de stresse quando é potencialmente prejudicial e caso o indivíduo considere que os seus recursos são insuficientes para gerir o resultado aversivo. Uma situação indutora de stresse é toda aquela em que a relação estabelecida entre o indivíduo e o meio ambiente é avaliada como excedendo os seus recursos prejudicando por isso, o seu bem-estar. Às estratégias utilizadas para repor o equilíbrio homeostático após uma situação de stresse dá-se o nome de coping. Estas estratégias têm a ver com regulação de emoções, negação e evitamento ou resolução de problemas, sendo as últimas as que tendencialmente têm maior eficácia, sempre que o factor causador de stresse pode ser controlado pelo indivíduo. A regulação de sintomas pode ser funcional quando o stressor não é controlável, sendo neste caso a autorregulação a melhor forma de lidar com o problema. Em relação à negação e evitamento, considera-se a forma menos eficaz de coping, se bem que em alguns casos pode servir para se ganhar tempo e posteriormente adoptar uma estratégia mais adequada para o problema em questão.
O stresse pode ter um impacto directo na saúde, na medida em que a percepção de falta de controlo, que se atribui a causas internas, estáveis e globais pode levar a estados de ansiedade e/ou depressão, bem como a um estado de saúde física precário. Deste modo, o custo do stresse é sentido na saúde e no bem-estar do indivíduo. Dentro das perturbações patológicas causadas por acção do stresse podemos destacar as perturbações do foro digestivo, infecções, doença coronária ou até mesmo o cancro. É ainda de referir as queixas psicossomáticas, em que o indivíduo por má gestão emocional, manifesta queixas a nível físico para as quais não se encontra uma causa orgânica. Para lidar com o inevitável stresse, cada indivíduo dispõe de recursos internos – características da personalidade e externos – apoio social. São exemplos de factores promotores de distress a dificuldade na gestão do tempo, a dificuldade em estabelecer prioridades e de tomada de decisões, as perdas por morte, os conflitos interpessoais ou uma crise financeira. Até agora falámos essencialmente de distress, isto é, a dimensão negativa e prejudicial do stresse mas ao contrário do que vulgarmente se pensa o stresse nem sempre é negativo.
É consensual entre psicólogos e outros profissionais que se dedicam a este tema, a divisão do stresse em mau e bom, respectivamente distress e eustress. Denominamos de eustress, o bom stresse, a capacidade que o ser humano tem de realizar uma acção necessária. Este é natural do organismo e é graças a ele que o indivíduo mantém uma relação entre o stresse e a motivação, sendo encarado como afecto positivo e esperança. Chamamos savoring às estratégias que utilizamos para sentir, prolongar regular, manipular e manter as emoções positivas, o eustress. Estas conduzem ao bem-estar, à saúde física e mental, ao bom desempenho profissional e à satisfação nas relações interpessoais. É um modelo que leva ao impulso para a acção, para a auto-eficácia, para as emoções pró-sociais e trás serenidade. Dentro dos factores promotores de eustress, podemos encontrar a aquisição de competências técnicas ou académicas, estar na eminência de ganhar um prémio ou o estabelecimento e manutenção de algumas relações sociais, como por exemplo, estar apaixonado. Uma das principais estratégias de savoring é a partilha de acontecimentos positivos com os outros, o que vai levar ao aumento do bem-estar e satisfação com a vida.
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Fontes:
Selye, H. (1976). The Stress of Life (Revised ed.). New York: McGraw-Hill.
Stroebe, W. & Stroebe, M. (1995). Social Psychology and Health. Buckingham: Open University Press.
Situações de catástrofe natural, acidentes ou outras situações de emergência podem acontecer a qualquer um de nós. A qualquer momento das nossas vidas, um evento traumático pode abalar a nossa paz, segurança, saúde física ou mental, e, dessa forma causar uma instabilidade emocional ou mesmo um descontrolo.
O termo “Primeiros Socorros Psicológicos” é utilizado sempre que é necessário dar apoio a alguém que subitamente sofre um trauma emocional para o qual não está preparado, podendo não conseguir no imediato utilizar as estratégias adequadas para lidar com o problema. Por outro lado, nem todas as pessoas são capazes de responder a uma situação traumática de forma adaptativa, por uma questão de personalidade ou por falta de recursos internos ou externos. A reação de cada indivíduo a uma situação de crise pode ser positiva ou negativa. De entre as reações positivas destacam-se a determinação para a resolução de problemas, o otimismo, a coragem, a força psicológica ou até mesmo uma capacidade de perceção mais apurada para compreender e lidar com a adversidade. O sentimento de envolvimento e mobilização a par de um comportamento altruísta e de conexão social contribuem de forma positiva para enfrentar eventos traumáticos. Das reações negativas salientam-se a confusão, desorientação, choque, medo, culpa, zanga, irritabilidade, culpabilização, fuga interpessoal ou até mesmo reações físicas como tensão muscular, cefaleias, dor abdominal ou dificuldades de sono, entre outras.
Perante uma situação de crise, por vezes os indivíduos podem reagir de forma não adaptativa, adotando comportamentos que não os ajudam a lidar com o problema e que podem até desencadear outras perturbações. Esses comportamentos podem incluir o uso do álcool ou outras substâncias psicoativas como estratégia para lidar com a situação, o evitamento extremo em falar sobre o evento traumático, o isolamento social, o excesso de trabalho ou de ocupação como forma de evitar o problema ou até mesmo a exagerada ingestão de alimentos ou a opção por atividades de risco (ex. condução perigosa). Porém, outros há que tendem a lidar com a situação de forma adequada e procuram falar ou passar tempo com outras pessoas, utilizam técnicas de relaxamento para se autorregularem (ex. respiração controlada, relaxamento muscular, meditação), envolvem-se em atividades distrativas positivas, focam-se em questões práticas que as ajudem a gerir melhor o problema, procuram manter as suas rotinas, fazendo pausas e alimentando-se de forma saudável ou há ainda os que escrevem um diário e registam os seus pensamentos e emoções como forma de expressão emocional. Em casos em que as estratégias individuais não são suficientes, aceitar que não se está a conseguir equilibrar sozinho pode ser o primeiro passo para pedir ajuda especializada, ou para aceitar a que nos é oferecida.
Perante a necessidade de intervir em situação de emergência, crise ou catástrofe, a/o psicóloga/o pode intervir como elemento de suporte não só técnico como pessoal. Em primeiro lugar deverá estabelecer o contacto com a pessoa de modo a poder ajudá-la a reduzir o seu sofrimento. Deve apresentar-se e oferecer a sua ajuda, pedindo permissão para falar, no entanto tendo sempre em atenção a vontade do indivíduo, a sua disponibilidade para aceitar ajuda naquele momento, respeitar as questões culturais e geracionais, e claro, não se esquecer de assegurar ao máximo a confidencialidade. De seguida a/o psicóloga/o deve procurar garantir a segurança física da pessoa, fornecendo informação acerca dos recursos disponíveis face ao incidente. Logo de seguida, deverá ter-se em atenção a promoção da segurança física e do conforto do indivíduo. Oferecer conforto físico, comida, água, dar informação acerca dos serviços de apoio disponíveis, promover o contacto social com outros sobrevivente ou ajudar a limitar a exposição aos meios de comunicação social, podem ser ações de extrema importância.
Em momentos de crise, a/o psicóloga/o deve permitir a expressão emocional do indivíduo, empatizar e compreender o que lhe causa maior sofrimento naquele momento, procurando contê-lo na sua dor, evitando a sua desorganização emocional e potenciais comportamentos de risco que possam agravar a situação já de si difícil. Este tipo de intervenção psicológica tem como objetivos reduzir os aspetos biológicos das reações extremas de stresse traumático, afetar positivamente os pensamentos que inibem a recuperação, reduzir a ansiedade, a ativação elevada, ou o entorpecimento, visando uma melhoria do sono, alimentação, funcionalidade, capacidade de tomar decisões, etc., no sentido não só de beneficiar a vítima no imediato, mas também de reduzir a probabilidade de vir a desenvolver psicopatologia a longo prazo. É importante ajudar o indivíduo a regular-se mas também a reconectar-se com a sua rede de suporte social ou com cuidados de saúde especializados, nos casos mais graves. O apoio psicológico em situação de crise deve procurar potenciar a funcionalidade da pessoa e conduzi-la de volta á sua autoconfiança, missão e valores centrais.
Fonte:Curso de Primeiros Socorros Psicológicos – Ordem dos Psicólogos Portugueses, 2021.
Sou questionada algumas vezes sobre a partir de que idade, pode uma criança beneficiar de acompanhamento psicológico. Pais e cuidadores preocupam-se frequentemente com o bem-estar das suas crianças mas têm ainda alguma relutância em procurar o psicólogo. Será que há mesmo uma idade pré-definida para que se possa beneficiar do acompanhamento psicológico?
A razão mais frequente para se evitar procurar a ajuda do psicólogo prende-se com questões sociais, pois por vezes há ainda o mito de que o psicólogo serve para ajudar apenas “os malucos”, no entanto, essa tendência está a diminuir uma vez que as pessoas estão cada vez mais informadas. Porém, reconhecer que se precisa de ajuda pode significar para os pais alguma incapacidade no desempenho do seu nobre papel. Por outro lado, os pais por vezes tendem a pensar que os problemas se resolvem por si só. E não estão completamente enganados. Alguns comportamentos típicos das crianças e que deixam os pais com os “nervos em franja” têm a ver com a imaturidade do bebé e de facto, numa perspetiva desenvolvimentista, resolvem-se simplesmente com o passar do tempo. Porém, há outros comportamentos ou situações que podem ser indicadores de algum tipo de perturbação, que pode ser séria, ou que não sendo propriamente muito grave, pode ter um impacto muito negativo na vida criança e da família e que pode ser resolvida com uma intervenção breve e precoce. Continue a ler “Será que o meu filho já tem idade para ir ao psicólogo?”→
O momento do parto pode ver visto sob duas perspetivas: a positiva, associada à felicidade e entusiasmo pelo nascimento e pela realização do casal enquanto pais, e a perspetiva mais negativa, habitualmente relacionada com a ansiedade e o medo da vivência desse momento.
O parto é, à medida de cada caso, uma experiência física e emocionalmente exigente. A separação de dois (ou mais!) seres, que viveram aproximadamente 9 meses de modo interdependente em contacto íntimo e permanente, tem um impacto emocional para cada um deles. Numa perspetiva psicodinâmica, no momento do parto a mulher revive inconscientemente o trauma do seu próprio nascimento e a angústia que experienciou ao nascer, pela perda do estado intrauterino e pelo medo do desconhecido. A ansiedade causada pelo medo de cuidar o bebé, associado à sensação de perda ou “esvaziamento”, são os dois fatores cuja interação pode conduzir a um estado de confusão que pode desencadear na mulher a sensação de despersonalização ou perda de identidade.
Se uma criança/adolescente conseguir modificar o seu comportamento ou o seu modo de pensar acerca de uma dificuldade, pode por um lado melhorar o seu desempenho, ou por outro lado adaptar-se à sua condição, de modo a aprender a lidar com ela de forma a que ela seja menos perturbadora, ou até mesmo transformar a sua fraqueza em força.
De acordo com a opinião de vários especialistas nesta área, a intervenção psicológica em crianças e adolescentes deve contemplar vários domínios: físico, cognitivo, emocional e social. Qualquer avaliação implicará a inclusão destes 4 domínios, no sentido de perceber o funcionamento da criança e de orientar o plano de intervenção de modo a torna-lo mais completo, atrativo e eficaz. Ainda que as dificuldades apresentadas pela criança/jovem possam manifestar-se essencialmente num dos domínios, certo é que todos eles se interrelacionam e influenciam. Deste modo e a título de exemplo, se um jovem apresenta dificuldades ao nível do sono, o ensino e treino de estratégias de higiene de sono, que ao mesmo tempo incluem mudanças de comportamento e aquisição de hábitos de vida saudáveis, irá não só beneficia-lo no que diz respeito à qualidade do sono como também trazer-lhe vantagens ao nível físico, cognitivo e emocional.
O medo do escuro na hora de deitar é uma queixa relativamente comum nas crianças entre os 2 e os 8 anos de idade. O modo como os pais e cuidadores lidam com esse medo da criança poderá afetar o comportamento da criança, a sua capacidade de adormecer e a qualidade do seu sono. Compreenda porque é que as crianças têm medo do escuro e será meio caminho andado para as ajudar!
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Uma das principais causas do aparecimento do medo do escuro tem a ver com a extrema capacidade imaginativa das crianças mais pequenas. Na escuridão a mente da criança foca-se no mundo imaginário que lhe oferece imagens que ela por vezes não consegue controlar. Sem a clareza da luz, no escuro a criança perde a perceção do que a rodeia e pode ser levada a imaginar seres bizarros que a assustam. Ao invés do universo familiar que a faz sentir-se segura, a mente da criança fica à mercê do seu mundo interior, a sua imaginação, os seus pensamentos, que podem evocar imagens mentais assustadoras. Conforme o seu estado emocional, as representações mentais que lhe ocorrem podem não ser muito tranquilizadoras e provocar na criança uma ansiedade difícil de controlar. As crianças absorvem tudo o que as rodeia, a um ritmo muito rápido, e em virtude disso a sua capacidade de imaginação é enorme e promotora da capacidade criativa para idealizar coisas novas e assustadoras.
Após quase um ano de pandemia por Covid-19 em Portugal, o cansaço está a apoderar-se de muitos de nós. É um cansaço físico por redução da atividade, mas essencialmente psicológico devido às constantes adaptações às mudanças que nos foram impostas e que em tanto alteraram o nosso quotidiano.
Depois de terminarmos o fatídico ano de 2020 que tanta mudança operou nas nossas vidas, vimo-nos, ao contrário do que muitos esperávamos, confrontados com uma situação de aumento de casos de infeção por Covid-19 e consequentemente, um aumento de mortes e hospitalizações muito preocupante que puseram à prova a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde e dos decisores políticos. Bem ou mal, depende do entender de cada um, o confinamento foi decretado novamente e voltamos a ficar impedidos de levar as nossas vidas, com a “normalidade” a que já nos estávamos a habituar… Mas pelos dados que vão chegando ao nosso conhecimento, o confinamento está a ter eficácia, quer pelo decréscimo de número de novos infetados que se tem vindo a observar nos últimos dias, quer por algum desafogo nas unidades de cuidados intensivos. No entanto, não deixa de ser penoso, preocupante e altamente stressante o esforço que cada um de nós está a fazer para se manter confinado.
Numa altura em que a situação de pandemia por Covid-19 tem levado tantas vidas, principalmente de pessoas mais idosas, parece-me pertinente abordar o tema do luto infantil, no sentido de poder orientar os pais a ajudarem as suas crianças a lidarem com a perda dos avós.
Habitualmente, as crianças modelam os comportamentos dos adultos significativos, ou seja, tendem a imitar as respostas à perda manifestas pelos adultos enlutados da família. Deste modo, pode ser muito importante que estes procurem compreender o seu próprio processo de luto e modelar uma reação “saudável” à perda. No entanto, isto pode não ser fácil… Controlar a emotividade excessiva que advém de uma perda pode ser mesmo muito difícil. Porém há que evitar expressar as emoções negativas de forma muito exacerbada em presença das crianças pois estas podem ficar muito assustadas e inseguras com a expressão de dor e tristeza dos outros. A criança em luto está naturalmente triste e ansiosa. Mais do que nunca necessita de afeto, conforto mas também de um dia-a-dia estruturado, de preferência com a manutenção das suas atividades e da sua rotina diária, ou em caso de isolamento, com a substituição por uma nova rotina adaptada à situação.
Os problemas relacionados com ansiedade são muito prevalentes na população pediátrica. Os medos fazem parte do contexto infantil e são em certa medida adaptativos e protetores, porém, há casos em que o medo se torna impeditivo do funcionamento “normal” da criança, com um impacto potencialmente negativo no seu desenvolvimento socio-emocional.
Das várias dimensões que a ansiedade pode abarcar, a ansiedade de separação é talvez a mais típica do universo infantil. As crianças com esta perturbação apresentam um sofrimento excessivo e recorrente em situações de separação das figuras de referência, principalmente os pais. A enorme preocupação destas crianças com a perda, possíveis danos como acidentes ou até mesmo a morte dos que lhes são próximos, é muito perturbadora do seu quotidiano, com repercussões na tranquilidade familiar. Do mesmo modo, o medo intenso de se perderem ou de serem raptadas é outro sentimento comum a estas crianças. Esta perturbação pode verificar-se em crianças a partir dos 9 meses e estender-se à adolescência ou até mesmo à idade adulta, no entanto, é entre os 5 e os 9 anos que se observa maior incidência.