O conceito de neurodivergência tem vindo a ganhar crescente relevância no campo da psicologia, propondo uma mudança significativa na forma como compreendemos as diferenças no funcionamento cognitivo, emocional e comportamental. Introduzido por Judy Singer no âmbito do movimento da neurodiversidade, este termo refere-se à ideia de que variações neurológicas, como as observadas no autismo, na perturbação de hiperatividade/défice de atenção (PHDA) ou nas dificuldades específicas de aprendizagem, constituem expressões naturais da diversidade humana, e não necessariamente desvios patológicos a corrigir.
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Alimentação saudável e psicologia: para além das escolhas à mesa
Falar de alimentação saudável é, muitas vezes, falar de nutrientes, calorias ou planos alimentares. No entanto, esta perspetiva, embora relevante, é incompleta. A forma como comemos está profundamente ligada a processos psicológicos — emoções, crenças, experiências passadas e contexto social — que influenciam não só o que escolhemos ingerir, mas também a forma como nos relacionamos com o nosso corpo e connosco próprios.
Do ponto de vista psicológico, a alimentação não é apenas uma necessidade biológica, mas também um comportamento aprendido e regulado por múltiplos fatores. Desde cedo, a comida pode assumir significados que vão para além da nutrição: conforto, recompensa, controlo ou até alívio emocional. É frequente observar que, em momentos de maior stresse, ansiedade ou tristeza, o comportamento alimentar pode-se alterar, surgindo padrões como comer em excesso, perder o apetite ou recorrer a determinados alimentos específicos em busca de regulação emocional. Este fenómeno, frequentemente designado como “comer emocional”, não deve ser entendido como uma falha individual, mas sim como uma estratégia, muitas vezes automática, de lidar com estados internos mais difíceis (Macht, 2008).
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