Videojogos: uso, abuso ou adição?

VideojogosNos tempos modernos, o desenvolvimento das tecnologias deu origem aos videojogos e à possibilidade de interação através dos meios digitais online. Essa interação, assim como os comportamentos associados, podem trazer tanto benefícios como ser bastante prejudiciais, consoante se trate de uso, abuso ou adição.

Apelativos pelo seu aspeto gráfico, pelas cores, pela música, pela recompensa imediata do somar dos pontos, do passar de níveis, enfim, seja pelo que for, os videojogos são efetivamente uma realidade cada vez mais cedo presente nas vidas das nossas crianças e jovens. Alguns pais, por sua vez, sentem grandes dificuldades para entenderem esta realidade e para lidarem com os comportamentos dos seus filhos mas também com as consequências que deles advêm. Perguntas como “quanto tempo pode o meu filho jogar por dia sem que seja prejudicial”? Ou “que tipo de jogo é adequado ou desadequado para a idade do meu filho”? são frequentes, numa tentativa de conciliar vontades, evitar conflitos ou lidar com dificuldades que podem advir desta realidade. Continue a ler “Videojogos: uso, abuso ou adição?”

Outra birra!

Comportamentos de birraPodemos definir uma birra como sendo a expressão de sentimentos diversificados e intensos através de um comportamento ou reação exagerada, por vezes sem motivação racional.

Para o entendimento do que é uma birra deverão ser levados em consideração fatores como a relação entre a birra e os sentimentos, as características individuais e temperamentais da criança, o contexto, a idade e a etapa do desenvolvimento em que esta se encontra. As birras ocorrem quase inevitavelmente na infância, variando de frequência e intensidade de criança para criança, não havendo á partida distinção por género. Salvo algumas exceções, a idade mais comum para a expressão das birras é entre o ano e meio e os três anos. Esta corresponde a uma fase em que as crianças adquirem autonomia, principalmente na forma como se movimentam, o que lhes permite explorar e tentar dominar o ambiente que as rodeia. Para algumas pessoas pode parecer pouco compreensível o facto de, se a criança já iniciou a marcha e já consegue de alguma forma comunicar pela fala, ainda que de forma restrita, expressar-se “em forma de birra” parece não fazer sentido e habitualmente atribuem a um temperamento difícil o facto de as birras ocorrerem. Continue a ler “Outra birra!”

Parece que só passaram 5 minutos…

Psicologia infantilO Frederico tem 11 anos e foi à consulta de psicologia acompanhado pelo pai. O menino apresenta problemas ao nível do comportamento alimentar e uma marcada ansiedade generalizada. Na primeira sessão estava muito tímido, de olhar baixo e com um nervosismo que se notava pelo torcer constante da manga da camisola, e pouco falou. Na segunda sessão, começou a responder melhor às perguntas e a manter contacto visual, embora intermitente. Aderiu às tarefas de desenho propostas e ao longo da sessão foi revelando maior à-vontade e descontração. Na terceira sessão, o Fred (como gosta de ser chamado) revelou-se. Falou dos amigos, do que gostava e do que não gostava de fazer e também das suas preocupações. No final, quando se despede, diz “passou tão depressa esta hora. Parece-me que só passaram cinco minutos…”

O psicólogo e o desenho

Avaliação psicológica e o desenhoHá pouco tempo atrás ouvi alguém que dizia “o meu filho vai ao psicólogo só para fazer desenhos”. O tom de crítica era evidente, e, de facto, se a criança é acompanhada por um psicólogo apenas com o intuito de desenvolver as suas competências artísticas, pode realmente ser algo redutor… mas o desenho não é só arte.

O desenho, em contexto de avaliação ou de intervenção psicológica, assume um valor e uma importância que transcendem a mera revelação dos dotes artísticos da criança. O desenho é para o psicólogo um instrumento muito útil na sua prática clínica, quer se trate de avaliação, seleção ou intervenção psicológica. Através do desenho, o psicólogo consegue obter informação acerca do funcionamento da criança, do seu modo de estar perante os outros, do modo como projeta através dos elementos que desenha, o seu temperamento, as suas áreas de conflito, etc. Ao mesmo tempo, com recurso ao desenho, consegue-se facilitar o estabelecimento e a manutenção da relação entre a criança e o psicólogo. A criança por vezes consegue mais facilmente desenhar do que verbalizar. O pormenor ou a falta dele, o modo como adere à tarefa e se empenha nela, o tipo de traço que apresenta, a descrição dos detalhes, entre outros, representados através do desenho, podem fornecer informação relevante acerca da problemática em foco. Continue a ler “O psicólogo e o desenho”

Pais de adolescentes: Atenção à autoestima!

Auto estimaA adolescência é uma fase da vida extremamente importante no sentido em que é durante este período que o jovem constrói a sua identidade e que adquire autonomia. Para que estas duas tarefas sejam bem-sucedidas, é muito importante que a autoestima se mantenha positiva e estável.

A autoestima pode ser definida como a avaliação subjetiva e a valorização que o sujeito faz de si mesmo e que é fortemente influenciada pelas contingências de reforço positivo socialmente oferecidas ao longo do desenvolvimento. As modificações do corpo são visíveis mas as outras nem tanto… A maneira de pensar, de sentir e de se comportar muda consoante a criança vai entrando na adolescência, sendo este um período de grandes ambiguidades e por vezes inseguranças. Estes fatores poderão fazer com que a perceção que o jovem tem acerca de si mesmo mude e a autoestima baixe. Continue a ler “Pais de adolescentes: Atenção à autoestima!”

Inteligência emocional à luz de Goleman

EmoçõesO conceito de inteligência emocional tornou-se popular através da obra do jornalista científico norte americano Daniel Goleman. O autor define o conceito como um conjunto de competências afetivas e cognitivas que se divide em cinco dimensões: auto conhecimento, auto-controlo, empatia, motivação e competências sociais.

A inteligência emocional já tinha sido anteriormente descrita, por outros autores, como uma forma de inteligência social, que incluía a capacidade do indivíduo para reconhecer as emoções e os sentimentos em si próprio e nos outros e para utilizar essa informação, no sentido de orientar o seu pensamento e consequentemente o seu comportamento. Goleman define-a como a capacidade do indivíduo em reconhecer os seus próprios sentimentos e os dos outros, de se motivar e de conseguir gerir bem as emoções em si mesmo e nas suas relações. Continue a ler “Inteligência emocional à luz de Goleman”

Para quê ter um psicólogo da saúde na sua empresa?

Saúde e doençaA Psicologia da Saúde surgiu na década de 70 do Séc. XX nos EUA e teve como principal intuito estudar a natureza e a extensão da contribuição dos Psicólogos para a investigação básica e aplicada sobre os aspetos comportamentais nas doenças físicas e na manutenção da saúde (Ribeiro, J., 2007, p.33).

Tradicionalmente a psicologia, em particular a psicologia clínica, dedicava-se ao diagnóstico e tratamento das doenças mentais. Contudo, à medida que se vai dando importância ao papel dos fatores psicológicos como fatores com influência na doença física, também a psicologia se passou a interessar pela saúde física dos indivíduos. Atualmente podemos dizer que a psicologia da saúde é a área que tem como objetivo a promoção e proteção da saúde assim como a prevenção, o tratamento e o apoio na doença e na adaptação do indivíduo à mesma. Logo, podemos dizer que o psicólogo da saúde tem como principais funções a promoção de estilos de vida saudáveis através da implementação de programas de mudança de comportamentos considerados de risco, intervenção psicológica de apoio na doença, com ênfase na doença crónica e nas doenças terminais, tanto ao doente como aos seus familiares ou cuidadores.

Psicologo na empresaOutro aspeto importante da intervenção do psicólogo da saúde é a intervenção facilitadora à adesão e resposta do doente a terapêuticas médicas variadas, como a medicação, a cirurgia e meios complementares de diagnóstico, por exemplo. Este profissional de saúde tem também competências para trabalhar na problemática da comunicação interpessoal, desenvolvendo no indivíduo competências relacionais, técnicas de mediação e gestão de conflito, gestão do stress, entre outras. Pretende-se ainda que o psicólogo da saúde possa num futuro breve vir a integrar projetos de humanização dos serviços, acesso e atendimento, bem como em projetos de melhoria da qualidade nos cuidados de saúde e nas organizações.

Psicologia da saúdeE o que pode então fazer um psicólogo  da saúde numa empresa ou organização? O psicólogo da saúde pode implementar na empresa algumas intervenções práticas a realizar no âmbito dos programas de ajuda em contexto organizacional. Pode trabalhar na promoção da atividade física de modo a prevenir os efeitos nefastos do sedentarismo, como o caso da obesidade e de problemas motores entre outros. Pode dedicar-se ao ensino e treino de técnicas de relaxamento a serem utilizadas em momentos de maior sobrecarga de stresse ou de trabalho, com vista a um melhor bem-estar físico e psicológico dos colaboradores. Pode trabalhar na promoção da comunicação e partilha de experiências entre hierarquias em contexto informal, com vista a aprendizagens e partilha de experiências, assim como o convívio e a prática de atividades conjuntas de modo a proporcionar uma maior proximidade, conhecimento e facilitar a comunicação e as relações pessoais/sociais.

Psicologia da saúdeO psicólogo da saúde pode também promoverr na empresa práticas de alimentação saudável, em parceria com os responsáveis pela cantina da empresa e com um nutricionista, com o objetivo de corrigir maus hábitos alimentares e evitar problemas cardiovasculares e excesso de peso, entre outros, com forte influência na autoestima do individuo e consequentemente no seu bem-estar físico e emocional. A implementação de programas de cessação tabágica ou de outros consumos excessivos identificados, poderá ser uma proposta de intervenção,  assim como a realização de ações de incentivo à adesão aos tratamentos, nos trabalhadores com doença crónica diagnosticada, identificando as consequências da não adesão para o seu bem-estar e que afetam diretamente a sua vida profissional.

Doença e trabalhoNeste contexto torna-se necessária a avaliação das crenças dos trabalhadores com doença crónica, em relação à evolução da mesma e trabalhar no sentido de aumentar a sua adaptação à doença e às possíveis limitações inerentes a esta que possam interferir com o desempenho na organização e com o seu bem-estar geral. Outro ponto de extrema importância a poder ser trabalhado com os colaboradores da empresa, é a promoção de ações de formação sobre hábitos saudáveis de sono. Os distúrbios do sono têm consequências adversas no dia-a-dia dos indivíduos por diminuir o seu funcionamento aumentar a propensão a distúrbios psiquiátricos, défices cognitivos, surgimento e agravamento de problemas de saúde, riscos de acidentes de trabalho e de trânsito e consequentemente absentismo no trabalho, comprometendo assim também a sua qualidade de vida.

Trabalho, empresa e saúdeE como comunicar de forma eficaz é meio caminho andado para o entendimento, a promoção de treinos de comunicação assertiva no sentido de facilitar a mediação e a gestão de conflitos decorrentes dos problemas inerentes às atividades profissionais, e de dar competências a empregados e empregadores para uma melhor comunicação e relação. é outro dos pontos relevantes que podem ser melhorados, com a intervenção do psicólogo. Do mesmo modo, a promoção de programas de incentivo à crítica construtiva, de modo a aumentar o sentimento de autoeficácia e aumento da autoestima, são pertinentes e necessários. Promover a ‘política do elogio’ com vista a aumentar a satisfação do indivíduo, que se vai refletir na continuação de boas práticas e numa maior abertura à mudança, pode fazer a diferença. Por fim, este profissional de saúde poderá ainda organizar palestras/comunicações com especialistas em várias doenças que são diretamente afetadas pelo stresse excessivo, como é o caso das doenças cardiovasculares, digestivas, diabetes, etc. de modo a informar, esclarecer dúvidas e aconselhar práticas mais saudáveis adequadas a cada patologia.

Psicologia da saúde e da doençaAssim, um psicólogo da saúde em contexto organizacional, muito poderá fazer em termos de intervenção psicológica, no que diz respeito não só à promoção da saúde e prevenção  da doença, mas também no sentido de minimizar os efeitos decorrentes da falta de informação, de motivação e de comunicação. Fomentar relações saudáveis, hábitos de vida saudáveis e promover um contexto de trabalho orientado para a saúde física e emocional dos colaboradores, poderá prevenir o absentismo, promover a satisfação pessoal e a melhoria do desempenho, que se irá decerto refletir  no aumento do rendimento da própria organização.

 

 

Obesidade infantil e televisão

Obesidade

A obesidade e o excesso de peso na infância é atualmente uma das áreas que suscita grandes preocupações a profissionais de saúde, pais e educadores, assim como à comunidade científica, que em virtude do aumento da prevalência destas problemáticas entre os mais novos, se tem vindo a dedicar ao estudo desta matéria.

Sendo este um problema de saúde com graves consequências no desenvolvimento e no futuro da criança, há que estudar todas as possíveis causas, no sentido de se poderem encontrar soluções para as eliminar ou fazer diminuir o seu efeito. De entre as diversas causas atualmente apontadas para a elevada prevalência de problemas relacionados com o excesso de peso infantil, prevê-se que os meios de comunicação possam ter também um papel influenciador nesta matéria, nomeadamente a publicidade a alguns produtos alimentares, veiculada através da televisão. Vários são os estudos que se debruçaram sobre este tema, no entanto, nem todos são convergentes no que diz respeito aos resultados. Se uns apontam para uma forte influência da publicidade televisiva no que concerne a produtos alimentares de elevado teor de sal e açúcares, no consumo dos mesmos, outros há que não destacam essa variável mas sim, encontram uma associação direta negativa entre o ver televisão e a prática de exercício físico, ou por outras palavras, à medida que aumenta a atividade física, apesar dos valores elevados de consumo televisivo, a tendência para a obesidade diminui.

fast foodPor outro lado, os hábitos alimentares das sociedades modernas mudaram e começou a notar-se uma grande adesão por parte dos pais ao fast-food. Esta adesão deve-se em parte à comodidade mas também aos preços acessíveis que este tipo de alimentação oferece, tornando-se muitas vezes uma tentação, para muitas famílias difícil de resistir. Juntando este fator à falta de tempo e à quantidade de exigências do dia-a-dia, muitos pais facilitam e desvalorizam o consumo televisivo e tendem por vezes a não dar importância nem ao tempo, nem aos conteúdos a que as suas crianças estão sujeitas e a estímulos que podem ter um efeito pernicioso.  É certo que as escolhas alimentares das crianças resultam da combinação de vários fatores, não se podendo responsabilizar apenas a publicidade televisiva. Porém, o excesso de publicidade durante a exibição de programas infantis, especialmente em horário nobre televisivo, pode conduzir a um aumento da apetência para o seu consumo, com todos os potenciais efeitos negativos.

Excesso de peso infantil

Um trabalho de Story, Newmark-Sztainer e French (2002) identifica a existência de quatro níveis de fatores com grande relevância para a compreensão da escolha alimentar. O primeiro é o nível individual em que se observam fatores biológicos, comportamentais e psicossociais. O segundo é o nível ambiental que inclui a família e os amigos. O terceiro nível corresponde ao sistema comunitário que se refere à existência e ao acesso aos alimentos e o quarto nível tem a ver com o macrossistema que é a sociedade. É neste nível que se encontra a comunicação social, nomeadamente a oferta publicitária presente nos conteúdos televisivos infantis. Assim, pode-se dizer que em relação à exposição aos referidos conteúdos, estes conduzem também a uma maior exposição à publicidade a produtos alimentares pouco equilibrados do ponto de vista nutricional. Também o ver televisão pode estar associado ao consumo de petiscos doces ou salgados, habitualmente calóricos, ou até mesmo à ingestão de alimentos de forma distraída e por vezes abundante. Sendo o visionamento de televisão uma atividade sedentária, o metabolismo é reduzido e a atividade física é nula e vêm constituir-se como fatores de propensão ao aumento do peso.

Atividades ao ar livrePois bem, a ideia não é diabolizar a televisão nem entrar em extremismos pouco adaptativos. O objetivo deste artigo é o de chamar a atenção para estes factos do quotidiano, no sentido de consciencializar para os perigos dos excessos e para os benefícios do equilíbrio. Como em tudo na vida, o segredo está no equilíbrio. Não vamos proibir as nossas crianças de verem televisão, nem de terem contacto com a publicidade televisiva, nem mesmo proibi-las de comerem doces ou fast-food, a não ser que outros problemas de saúde o tornem imperativo. Vamos sim dar atenção ao tempo que as nossas crianças passam em frente ao écran e controlar o que ingerem durante esses períodos de tempo. Para além disso, promover a prática de exercício físico e de atividades ao ar livre, é sempre salutar e pode atuar como fator de proteção para o problema da obesidade assim como pode ajudar a promover o desenvolvimento de competências sociais, através da interação com outras crianças, ao mesmo tempo que pode proporcionar momentos de expressão afetiva.

VER TELEVISÃO

 

Fonte:

Story, M. T., Neumark-Stzainer, D. R., Sherwood, N. E., Holt, K., Sofka, D., Trowbridge, F. L., and Barlow, S. E. (2002), “Management child and adolescent obesity: Attitudes, barriers, skills, and training needs among health care professionals”, Pediatrics, 110 (1), 210-214.

 

Adolescência: a pressão dos pares

 

Pressão dos paresAs relações de amizade, à medida que o  tempo passa e a adolescência se aproxima, vão-se tornando cada vez mais significativas. À medida que se vai crescendo vai-se passando cada vez menos tempo com a família e cada vez mais tempo com os amigos, que por sua vez vão assumindo um papel cada vez mais importante na vida dos jovens, com grande influência nas suas vidas e nas suas tomadas de decisão.

A influência dos pares, principalmente na adolescência pode ser decisiva em muitas áreas da vida. O modo como o jovem se vai vestir, o desporto que vai escolher praticar, as músicas que vai ouvir ou até mesmo escolhas curriculares e profissionais, podem ser grandemente influenciadas pelos amigos. Essa influência exercida pelos pares, tem muitas das vezes bons resultados, ou seja, marca pela positiva, porque pode ajudar a tomar uma decisão importante, pode ser um exemplo para se atingir um melhor desempenho escolar, pode ajudar no desenvolvimento de competências sociais e também porque pode fazer com que o jovem se identifique com o grupo, desenvolvendo um sentimento de pertença, fundamental para a vivência saudável da fase da adolescência. No entanto, a influencia dos pares nem sempre é positiva e por vezes, é precisamente essa influencia que pode conduzir o adolescente a adotar comportamentos de risco, potencialmente perigosos para a sua saúde e integridade física ou emocional.

Pressão dos paresOs amigos podem oferecer maus exemplos, maus conselhos ou exercer pressão sobre os outros para fazerem algo com o qual estes não se sentem à-vontade e que não cabe dentro do seu sistema de valores e regras. Perturbar deliberadamente os outros, roubar, consumir álcool ou drogas, correr riscos a conduzir um carro ou ter relações sexuais sem proteção, podem ser exemplos de comportamentos que o adolescente pode vir a adotar, com base na influencia dos pares e por pressão destes. A pressão dos amigos pode ser exercida de uma forma direta ou indireta. De uma forma direta, a pressão pode ser exercida através de incentivos verbais como por exemplo, dizerem para beber mais umas cervejas, para fumar mais um cigarro, para experimentar uma droga, para acelerar com o carro, etc. De forma indireta, a pressão pode ser mais subtil e fazer-se presente por exemplo por ser disponibilizado aos outros os meios de correrem riscos, como manter disponível uma grande quantidade de bebidas alcoólicas ou drogas numa festa, ainda que não o façam de forma verbal.

Pressão dos pares na adolescênciaA dificuldade que alguns jovens têm para filtrar ou tomarem a decisão de não ultrapassarem as suas regras ou os seus valores, prende-se com a necessidade que estes podem ter de serem aceites e inseridos no grupo. Há muitas vezes uma pressão para que os jovens façam o que outros fazem, e se isto pode ser inócuo quando se trata de um comportamento sem consequências graves, como usar um determinado tipo de vestuário, por outro lado, podem levar o jovem a comportamentos com consequências sérias, graves e por vezes ilegais. A insegurança e a dificuldade nos relacionamentos interpessoais que alguns adolescentes têm, pode levar a que se deixem pressionar pelos pares, com tudo o que isso pode ter de bom ou de mau. Para além dos perigos que os jovens podem correr por influência dos pares, estas situações podem também constituir oportunidades de reflexão e de como cada um pode pensar em lidar com a pressão. E como podem então os jovens lidar com a pressão dos pares?

Pressão dos paresEm primeiro lugar, é necessário que o adolescente se ouça a si mesmo. Se perante um determinado desafio proposto por um amigo o jovem sente desconforto com a ideia, isso significa que essa situação é errada para si e só por isso deverá ser alvo de maior cuidado na sua avaliação. A utilização de uma balança de decisões, onde se colocam todos os aspetos e consequências  positivas num dos pratos da balança e no outro, todos os aspetos negativos, pode ajudar o jovem a tomar a decisão mais consciente e acertada. Os sentimentos que essa situação lhe provoca, as consequências possíveis por se envolver na situação, o modo como ela pode afetar os outros, os efeitos que a situação pode trazer a longo prazo ou as consequências que pode ter na sua relação com os outros, são fatores que devem ser analisados com cuidado, no sentido do adolescente poder decidir em consciência se se vai ou não envolver nessa situação.

Adolescência e comportamentos de riscoOutra estratégia para lidar com a pressão dos pares pode ser a programação antecipada da resposta, ou seja, o jovem, perante um acontecimento que prevê que possa envolver situações de risco, deve-se preparar para as recusar, de forma assertiva. Decidir o que não se quer fazer e ensaiar respostas adequadas para recusar certos comportamentos, pode ser muito eficaz no momento em que o adolescente se vê confrontado com algo que não quer.  Saber dizer “não” é fundamental. A comunicação assertiva pressupõe  a capacidade do indivíduo  se expressar de forma aberta e sincera ao mesmo tempo que demonstra interesse genuíno nos seus interlocutores. Ser assertivo é ter confiança em si próprio e ser fiel aos seus valores e crenças, com a coragem de falar o que se quer e quando se quer mas sem desrespeitar aos ideias e opiniões dos outros. Se um amigo quer convencer outro fazer alguma coisa que este sabe que não deve fazer ou que o deixa ansioso e desconfortável, este deve negar, ter orgulho em ser forte e fazer o que acha melhor para si e que vai ao encontro do seu sistema de valores.

Pressão dos pares na adolescênciaO evitamento pode também ser uma forma de resistir à pressão, isto é, se o jovem sabe que em determinado local ou evento, vão estar disponíveis, por exemplo, substâncias ilícitas, pode sempre optar por não comparecer ao evento, evitando assim cair em tentação. As consequências de um determinado comportamento são maioritariamente para quem o pratica e por isso deve ser sempre bem avaliado o que desse comportamento pode advir. Além disso há sempre a possibilidade de escolher sair com amigos que pensem da mesma forma, o que vai reduzir a probabilidade de se ter que  dizer “não”.  Numa situação de pressão, a voz da consciência não estará sozinha e provavelmente resistir vai ser mais fácil, quando há mais alguém com quem se partilha valores e os respeita.

Pressão dos pares na adolescênciaQuando a pressão é muita e o jovem já não sabe como lidar com ela, há sempre outra alternativa que é pedir ajuda. Perante uma situação potencialmente perigosa, como por exemplo a pressão para o consumo de drogas, o jovem não deve hesitar em pedir ajuda a um adulto em quem confie e se sinta à-vontade para o fazer, ao invés de correr riscos desnecessários. Se o adolescente estiver com dificuldade em resistir, em dizer eu não quero, a partilha do problema com os pais, com um irmão mais velho ou com outro amigo pode ajudar a decidir da melhor forma. Se o jovem não se sentir confortável em abordar o assunto em questão com os seus familiares ou com os que lhe estão mais próximos, pedir aos pais para ir falar com um psicólogo, pode mesmo ser a melhor opção.

 

 

 

 

Esquemas mentais, memória e formação de impressões

Esquemas mentaisFormar uma impressão significa organizar a informação disponível acerca de uma pessoa de modo a podermos integrá-la numa categoria significativa para nós.

Tendo como base a psicologia cognitiva, a abordagem da formação de impressões que tem como base a memória, tem o objectivo de analisar os processos cognitivos relacionados com aquisição, armazenamento e recuperação de informação. Assim sendo, é através dos esquemas mentais, isto é, estruturas cognitivas formadas por categorias, conceitos e conhecimentos anteriores, que são utilizados de modo a dar coerência e sentido à nova informação de modo a categorizar e até avaliar uma pessoa quando num primeiro contacto formamos uma impressão.

Esquemas mentais e memóriasOs esquemas mentais influenciam a codificação da informação nova, a memória de conhecimentos anteriores e permitem-nos inferir sobre informação ausente assim como prever acontecimentos futuros. Interpretamos o comportamento da outra pessoa baseando-nos na nossa memória, isto é, nos nossos conhecimentos e informações anteriores como por exemplo os traços de comportamento e os estereótipos, tornando-se  os processos de memória fundamentais para a formação de impressões.

Fonte:

Vala, J., & Monteiro, M. B. (Eds.). (2001 Psicologia Social (6ª ed.). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.