Estamos divorciados! E os nossos filhos?

SeparaçãoAs separações e os divórcios são uma realidade muito frequente nos dias de hoje. Quando os casais que se separam têm filhos ainda pequenos, muitas vezes têm comportamentos em relação às crianças, que nem sempre são as mais adequadas e adaptativas. Algumas vezes fazem-no intencionalmente para magoar o ex-companheiro/a mas muitas vezes é apenas porque não sabem fazer melhor.

Se de repente se separou e se viu sozinha/o com o seu filho pequeno, não se admire se a sua criança começar a apresentar comportamentos diferentes do habitual. Alguns comportamentos podem ter a ver com o facto de a sua estrutura familiar ter mudado, assim como alguma alteração das rotinas do dia-a-dia mas também porque as crianças, como seres em desenvolvimento que são, têm por vezes comportamentos desadequados apenas porque ainda estão a aprender a se comportarem.

Criança infelizAssim,  encha-se de paciência, de tolerância e não ceda a birras ou exigências. Não deixe que a separação seja um motivo para que o seu filho a/o manipule. As regras e o seu cumprimento são de grande importância para o seu filho, no presente e mais ainda no futuro. Não fique demasiado preocupada/o se o seu filho revelar reações de hostilidade, com frequência mais dirigidas ao progenitor com quem ficou a viver mais tempo. Ele poderá culpa-la/o de ser responsável pela separação e isso pode ser “normal” numa primeira fase. Dê ao seu filho tempo para aceitar a mudança. Se for possível, dedique alguns minutos por dia a conversar com o seu filho sobre o que se está a passar. Fale com ele sobre o que o preocupa ou assusta. Prepare-se para o aparecimento de alguns comportamentos regressivos (ex. falar “à bebé”, voltar a fazer xixi na cama, mau comportamento na escola, isolamento…). Se estes comportamentos persistirem, peça ajuda profissional.

Separação litigiosaGuarda partilhada? É fundamental que os pais pensem muito bem se este é o regime que beneficia a criança. Será benéfico para a sua criança mudar de casa todas as semanas? Como fazer em relação aos brinquedos, roupas, livros e à escola? Conseguem criar dois ambientes (casa da mãe e casa do pai) idênticos no que diz respeito a regras e rotinas? A guarda partilhada é uma solução cada vez mais com expressão em novos casos de divórcio, no entanto, a permanência numa casa fixa, com visitas semanais, quinzenais ou outras a combinar com o outro progenitor, poderá promover uma maior estabilidade emocional à criança. Pensem bem antes de decidir. Ponham sempre à frente o superior interesse da criança e nunca caia no erro de a utilizar para atingir o outro. Nunca se esqueça que os momentos que passa junto dos seus filhos devem ser de qualidade, muito mais do que em quantidade.

DivórciooNa escola, é essencial que a professora/educadora seja avisada das alterações que sofreu a vida familiar da criança. A sua colaboração nesta fase será de grande importância, principalmente no que se refere à capacidade de empatia e de a saber ouvir. Os professores devem ter em conta que o divórcio pode prejudicar o rendimento escolar da criança, além de poder estar associado à agressividade e a problemas relacionados com a concentração e a atenção. Peça-lhe para lhe comunicarem caso a criança altere significativamente os seus comportamentos após a separação dos pais. Se os comportamentos se tornarem desadequados e preocupantes, a ajuda da professora pode ser muito útil na avaliação da criança e na definição de estratégias de apoio.

SeparadosEstá muito zangada/o ou magoada/o com o seu ex-companheiro/a? Pois é, por vezes e principalmente numa fase inicial, pode ser muito difícil o relacionamento entre os elementos de ex-casais. Evite ao máximo discutir com o pai/mãe da sua criança  na sua presença. Seja antes, durante ou após o processo de separação, trocar argumentos e acusações na presença das crianças aumenta a sensação de conflito, gera confusão, sentimentos de culpa e de revolta nos mais pequenos. Procure que o processo de divórcio não seja demasiado prolongado. A separação pode causar muito sofrimento a uma criança mas ela certamente saberá ultrapassá-la, depois de um processo normal de luto, de duração variável, caso a caso.

Luto infantilNunca culpe a sua criança. É fundamental que a criança compreenda que os pais se separam porque já não se amam e porque já não querem viver juntos e não porque ela fez algo de errado. É fundamental que continue a transmitir ao seu filho o quanto o ama. Embora seja uma excelente companhia e ofereça um grande conforto, o seu filho não é o seu melhor amigo. Não confunda os papéis. Pai e mãe são isso mesmo, pai e mãe. Tornar-se uma espécie de melhor amigo da criança pode levar a graves problemas de autoridade no futuro. Por outro lado, evite transformar o pai/mãe numa figura ausente. Na infância, sentir que o pai/mãe é uma figura presente, mesmo não vivendo diariamente com a criança, sentir a sua proteção, vê-lo como modelo e referencia, e como alguém que estabelece regras e exerce a autoridade quando é necessário, é fundamental para que a criança cresça com estabilidade emocional e equilíbrio psicológico.

Para que serve o psicólogo?Quando as crianças ficam à guarda da mãe, o pai não deve delegar nestas, todas as funções associadas à educação da criança. Por outro lado, a mãe também não deve utilizar em seu benefício, o facto de lhe ser concedida a guarda da criança, optando muitas vezes por afastar o pai, manipulando informações em seu benefício e transformando-o num ser temido e ausente aos olhos do filho. A alienação parental é uma realidade muito preocupante e as grande vítimas deste flagelo são sem dúvida as crianças. Se a sua relação com o seu ex-companheiro/a é muito difícil, pode sempre recorrer à mediação familiar. Há psicólogos especializados nessa área, que podem dar um contributo muito importante para o bem-estar de todos os envolvidos num processo de separação.

Separação

Porque cortas os teus braços?

DepressãoA adolescência é uma fase do desenvolvimento humano marcada pela mudança, vulnerabilidade, ambivalência e por vezes incompreensão, angústia e rebeldia. Crescer é difícil e nesta fase os jovens têm por vezes dificuldades de expressão emocional, de estabelecerem relacionamentos positivos e de lidarem com algumas questões próprias desta etapa da vida, que marca a transição entre a infância e a idade adulta.

Por vezes, os adolescentes utilizam estratégias não adaptativas e traumáticas que incluem cortar-se, queimar-se ou morder-se, entre outras, numa tentativa de se libertarem da tristeza, dor emocional, desespero, desesperança, culpa, ansiedade ou raiva que sentem, depois de já terem utilizado todas as estratégias que conhecem, para comunicar o seu estado emocional. Os comportamentos auto lesivos são fenómenos multicausais, resultado de complexas interacções entre factores genéticos, biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Por essa razão não são actos que possam ser olhados isoladamente, sem que seja enquadrada a realidade da vida do jovem, no que diz respeito aos vários contextos em que se insere.

PsicopatologiaÉ relativamente frequente, os pais destes jovens não terem conhecimento do que se está a passar com os seus filhos. Alguma dificuldade na comunicação, que caracteriza a relação pais-filhos adolescentes, pode explicar este desconhecimento. Mesmo quando estão a par desta realidade, alguns pais têm dificuldade em nomear e lidar com os comportamentos auto lesivos dos filhos, ou porque lhes provocam um bloqueio emocional ou como mecanismo de defesa, acabam por desvalorizar ou ignorar. Há muitas vezes um desencontro entre as narrativas dos adolescentes em relação aos comportamentos de auto lesão e as dos seus pais, o que por um lado traduz um choque por terem tomado conhecimento do problema mas por outro lado, porque o procuram esconder.

Depressão

O conflito familiar, as discussões repetidas e mantidas entre o casal, a violência física e/ou psicológica, as dificuldades na comunicação entre os vários elementos da família, a separação/divórcio marcada pelo litígio, o sentimento de abandono, o conflito entre os pares, o bullying ou as zangas e desencontros na vida amorosa, constituem-se entre muitos outros, como determinantes para os comportamentos auto lesivos. Num relato marcado pela emoção, J. P., uma jovem de 16 anos dizia: “O meu irmão parece que não liga, nada o perturba mas eu, não suporto a forma como o meu pai fala com a minha mãe. Ele grita com ela a toda a hora e desvaloriza-a constantemente por ser mulher. Eu evito chorar para que ela não sofra ainda mais mas depois, não aguento a dor no peito que me sufoca, fecho-me na casa de banho e faço cortes nos braços para abafar essa dor. Nada é pior do que a tristeza que sinto no meu peito”. Quando a dor emocional se torna insuportável, por vezes os adolescentes sentem a necessidade de sentir dor física, como única forma de alívio. O que fazer, como ajudar?

SuicídioA prevenção é a palavra-chave. Alertar a comunidade escolar para este tipo de problemas e desenvolver programas de prevenção bem estruturados, pode ser um bom princípio. Estes programas deverão contemplar variáveis como a detecção precoce e tratamento dos problemas mentais, assim como a redução do estigma a eles associado. A restrição do acesso a armas ou medicamentos e o controlo do consumo de bebidas alcoólicas é certamente um caminho para prevenção. É também necessária a formação dos profissionais dos meios de comunicação para os perigos do efeito de contágio. A criação de linhas telefónicas de apoio, maior acessibilidade aos serviços de saúde e a formação dos pares para a identificação dos sinais de alerta, têm também o seu papel na prevenção destas práticas auto destrutivas.

Fatores protetores suicídioPara além disso, a promoção e a manutenção de relações próximas saudáveis pode aumentar a resiliência individual e actuar como um factor de protecção. Jovens pertencentes a famílias com elevado grau de coesão, com capacidade de envolvimento mútuo, interesses comuns e suporte emocional têm menor risco de vir a adoptar este tipo de comportamentos auto destrutivos. Escolhas saudáveis de estilo de vida que promovam o bem-estar físico e mental (exercício físico regular, hábitos de higiene de sono, alimentação adequada, não utilização de álcool e drogas). A par destes hábitos saudáveis, a manutenção de relacionamentos saudáveis, a integração social, e uma gestão eficaz do stress, são também factores protectores para comportamentos auto lesivos. O sentimento de pertença a uma família, a uma escola, a um grupo, a uma instituição ou a uma comunidade, pode também proteger os adolescentes desta problemática.

SuicídioEm casos extremos, em que os comportamentos auto lesivos entram numa escalada que pode levar a tentativas de suicídio, pode ser necessário o internamento do jovem em contexto hospitalar. Pode ser necessária a intervenção psiquiátrica com prescrição de fármacos no sentido de estabilizar o jovem. Posteriormente, após uma avaliação cuidada, a intervenção psicológica individual, familiar ou uma abordagem mista, poderá ser o indicado. A maioria dos comportamentos auto lesivos acontecem em casa e muitas vezes estão relacionados com acontecimentos do meio intrafamiliar. Assim, o envolvimento familiar é essencial, no sentido de falarem sobre o problema, de o compreenderem e de saírem eventualmente da negação ou de ultrapassarem o choque inicial da tomada de conhecimento. A saúde mental deve ser uma prioridade e os adolescentes não são excepção. Muitos dos problemas emocionais e psicológicos têm inicio nesta fase da vida. As perturbações de ansiedade e depressão, por exemplo, são bastante prevalentes nesta faixa etária.

Comportamentos autolesivosO não tratamento destas patologias pode levar tanto à sua cronicidade, como a evoluir para outras situações que podem levar a desfechos trágicos. Sabe-se hoje que os comportamentos auto lesivos são um forte preditor para as tentativas de suicídio. É fundamental que os pais e cuidadores se mantenham atentos aos comportamentos dos seus jovens e que estabeleçam e mantenham com eles, relações de afecto e proximidade. Ensinar aos jovens estratégias de resolução de problemas, de comunicação assertiva e facilitar-lhes a expressão emocional, assim como desmistificar crenças erróneas e fantasias, por vezes tão frequentes nesta idade, pode fazer a diferença entre a vida, e a morte.

Se o seu caminho está difícil de trilhar sozinho, procure ajuda. É também para isso, que serve um Psicólogo.

Adolescência, sociedade, comunicação, Internet, dependência e prevenção

JovensA adolescência é uma construção cultural do século XIX. Antigamente as crianças eram vistas e tratadas como adultos em miniatura, não lhes sendo dada a atenção a que hoje em dia estão sujeitos. A vida era dividida em etapas que correspondiam a actividades e funções, não havendo uma diferenciação entre a infância e a adolescência.

A partir do século XVIII surge essa diferenciação, embora ainda houvesse alguma confusão entre os conceitos. No século XIX descobre-se a infância e no século XX define-se e privilegia-se a adolescência, que passa a ter novos valores e definições. No século XX, a adolescência vai-se expandindo e vai empurrando a infância para trás e o início da idade adulta e da maturidade, para a frente. É difícil determinar com exactidão a sua idade de início e a idade de término, no entanto, actualmente aponta-se para um espaço de tempo entre aproximadamente os 10 e os 25 anos. Pois é, parece que a adolescência começa realmente cada vez mais cedo e acaba cada vez mais tarde. O desenvolvimento fisiológico dá-se mais cedo com o aparecimento dos primeiros sinais pubertários mas o desenvolvimento cerebral e a sua maturação, dá-se bastante mais tarde, apenas por volta dos 24 anos. Assim, e com as devidas diferenças interpessoais, os jovens de hoje em dia, são adolescentes durante mais tempo. Continue a ler “Adolescência, sociedade, comunicação, Internet, dependência e prevenção”

Comunicar: falar e não só…

LinguagemNos seres humanos, a capacidade de comunicar através da fala é inata, sendo aperfeiçoada e utilizada ao longo do seu desenvolvimento.

A comunicação verbal pode revestir-se de diversas formas e alternativas de utilização. Podemos falar diferentes idiomas, o mesmo idioma com variantes de pronuncia, tons de voz diferentes, diferentes ritmos, enfim, dispomos de uma diversidade de modos de falar que normalmente adequamos a cada situação. O modo como cada um de nós comunica através da linguagem pode ser muito revelador da nossa personalidade, estado emocional, identidade pessoal e social, enfim, sobre aquilo que somos. Ao comunicarmos pela fala, podemos diversificar no vocabulário que usamos e podemos utilizar as palavras de diferentes formas. O discurso e as frases que formulamos podem ter diferentes intenções: perguntar, pedir, informar, declarar, etc. O sucesso da comunicação verbal depende muito da forma com que se transmite a mensagem. Existindo vários estilos de comunicação, entende-se como mais eficaz o estilo de comunicação assertiva, em que a mensagem é transmitida de forma clara, firme e directa, respeitando obviamente a posição, o ponto de vista e o entendimento do seu interlocutor. Continue a ler “Comunicar: falar e não só…”

Comunicar: falar e não só…

LinguagemNos seres humanos, a capacidade de comunicar através da fala é inata, sendo aperfeiçoada e utilizada ao longo do seu desenvolvimento.

A comunicação verbal pode revestir-se de diversas formas e alternativas de utilização. Podemos falar diferentes idiomas, o mesmo idioma com variantes de pronuncia, tons de voz diferentes, diferentes ritmos, enfim, dispomos de uma diversidade de modos de falar que normalmente adequamos a cada situação. O modo como cada um de nós comunica através da linguagem pode ser muito revelador da nossa personalidade, estado emocional, identidade pessoal e social, enfim, sobre aquilo que somos. Ao comunicarmos pela fala, podemos diversificar no vocabulário que usamos e podemos utilizar as palavras de diferentes formas. O discurso e as frases que formulamos podem ter diferentes intenções: perguntar, pedir, informar, declarar, etc. O sucesso da comunicação verbal depende muito da forma com que se transmite a mensagem. Existindo vários estilos de comunicação, entende-se como mais eficaz o estilo de comunicação assertiva, em que a mensagem é transmitida de forma clara, firme e directa, respeitando obviamente a posição, o ponto de vista e o entendimento do seu interlocutor. Continue a ler “Comunicar: falar e não só…”