Chegou a época dos testes! Vou ter exame, ai agora…

O medo e a ansiedade são naturais ao ser humano, desempenhando um papel muito importante no comportamento e na sobrevivência. É porque temos medo que nos protegemos e nos defendemos dos perigos que percecionamos. No entanto, medo em excesso pode interferir de forma muito negativa na nossa vida, uma vez que nos pode comprometer a nossa funcionalidade.

 Em contexto escolar, a ansiedade dos alunos perante a perspetiva de um teste é um fenómeno particularmente difícil. A ansiedade gerada pela avaliação, ou seja, a ansiedade de desempenho, principalmente em contexto formal, como é o caso de testes e exames, ou até mesmo informal, como a leitura de uma poesia em família, é sempre mais ou menos perturbadora. Ser avaliado corresponde a uma situação complexa que reúne várias dimensões (cognitiva, emocional, fisiológica e comportamental). Em termos teóricos, a ansiedade de desempenho face a um teste pode assumir duas formas distintas: como traço ou como estado. Enquanto traço, a ansiedade corresponde a uma predisposição psicológica para reagir com o mesmo nível de ansiedade (alto ou baixo) a um conjunto indiscriminado de situações. Enquanto estado (ou sobrecarga) a ansiedade acontece em situações esporádicas, como um exame particularmente difícil ou para o qual o aluno não se sente devidamente preparado.

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Ajudar a uma pessoa em processo de luto

O/a Psicólogo/a, ao ajudar um enlutado, não deve esperar reações idênticas de luto em pessoas diferentes. Deve validar as emoções intensas do indivíduo, não comparar tragédias e reconhecer o comportamento “normal” de uma pessoa em luto. O enlutado deve ser apoiado na elaboração das tarefas de autocuidado, na promoção do (re)estabelecimento de relações com outras pessoas e na identificação das mudanças verificadas no contexto. A pessoa em luto, deve ser ajudada no por vezes muito difícil processo de aprender a sobreviver sem o objeto perdido, a adaptar-se a num mundo necessariamente diferente e a lidar e resolver relações modificadas.

Distimia, uma perturbação depressiva persistente

É sabido que a depressão tem uma expressão significativa na prevalência das perturbações do foro mental. Porém, nem tudo o que parece é. Há que avaliar cuidadosamente cada critério, cada conjunto de sintomas, uma vez que alguns podem ser comuns a mais do que uma perturbação.

A distimia é uma perturbação depressiva caracterizada pela presença de humor depressivo durante a maior parte do dia, manifesto durante pelo menos dois anos no adulto (em crianças) em mais de metade dos dias. O seu diagnóstico assenta no relato subjetivo (ou por observação dos outros) de pelo menos dois ou mais dos seguintes sintomas: aumento ou diminuição do apetite; dificuldades de sono (ex. insónia); cansaço e/ou falta de energia; baixa autoestima; dificuldades de concentração; dificuldade na tomada de decisões e sentimentos de desesperança. No indivíduo com distimia, estes sintomas podem causar mal-estar clinicamente significativo e/ou défice social, ocupacional ou em qualquer outra área do seu funcionamento.

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Para quê ir ao psicólogo/a?

Por mais que se fale de saúde mental e da importância da mesma para a manutenção da qualidade de vida do indivíduo, parece haver ainda algum preconceito associado à procura de ajuda, nomeadamente de um psicólogo/a. Ideias pré-concebidas erróneas, podem dificultar a tomada de decisão na hora de procurar apoio, ainda que muito dele se possa necessitar.

Reconhece-se hoje em dia que, entre muitas outras patologias, a perturbação de ansiedade e a perturbação de depressão são as doenças do foro mental mais comuns, com elevada prevalência tanto em crianças e adolescentes, como em adultos e idosos. Em alguns casos, uma intervenção de caráter preventivo, pode fazer a diferença entre desenvolver a doença, por vezes até à cronicidade, ou aprender a lidar com a sintomatologia, impedindo que a doença evolua e se instale, comprometendo a funcionalidade e o bem-estar do indivíduo. Deste modo, é fundamental que o psicólogo/a seja visto como alguém que pode fazer a diferença, na vida de uma pessoa, de uma família ou de uma comunidade.

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Fumar ou parar? Eis a perturbação!

É sabido que o consumo de tabaco é responsável por inúmeros danos na nossa saúde, desde o aumento do risco de cancro ao aumento da propensão para os acidentes  vasculares cerebrais, entre outros malefícios. No entanto, embora deixar de de fumar traga muitos benefícios para a saúde e para a “carteira”, muitas pessoas têm grande dificuldade em fazê-lo.

O Tabaco é uma planta do género nicotínico, existindo cerca de cinquenta espécies diferentes. A Nicotina Tabacum, planta originária do continente americano, é a que ao longo do tempo tem despertado maior interesse. Historicamente, a sua utilização é difundida por toda a Europa, sobretudo por causa do grande e suposto valor terapêutico que lhe era atribuído. No entanto, aos dias de hoje, embora fumar seja uma prática socialmente aceite, ela envolve sérios riscos para a saúde, não só do fumador mas de quem com ele priva. O tabaco pode ser fumado ou mascado, tendo em qualquer uma das formas um potencial patogénico significativo. O grau de toxicidade do tabaco deve-se em grande parte à maneira como é consumido, assim como à intensidade da inalação que se faz desta substância. Quer pela inalação de monóxido de carbono através do tabaco fumado, quer pela absorção da nicotina e outros agentes carcinogéneos pelas mucosas, o consumo de tabaco é altamente nocivo.

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Intervenção psicológica na dislexia

Define-se dislexia como uma perturbação específica da aprendizagem, ao nível da escrita e da leitura, com prejuízo nas tarefas de cariz verbal. A criança disléxica pode apresentar dificuldades do tipo visual e/ou fonológico.

Antes de se decidir qual o plano de intervenção a aplicar é fundamental fazer-se uma avaliação cuidada, analisando a situação da criança ao nível das suas competências pessoais e de personalidade, sociais, familiares e escolares. Esta avaliação é feita com recurso a várias “ferramentas” e é indispensável para que se possa desenhar um plano de ação adequado àquela criança, com as suas particularidades. A avaliação permite ainda conhecer os contextos em que a criança está inserida e se desenvolve, bem como perceber a sua representação da escola e dos seus constituintes, incluindo ela própria. Devem ser avaliados os processos nos quais a criança apresenta défice, nomeadamente os envolvidos na aprendizagem da leitura e da escrita.

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O papel do psicólogo no processo de envelhecimento

O envelhecimento da população mundial é uma realidade e Portugal não é exceção. Dos fatores que contribuem para esta situação, destacam-se a baixa natalidade mas também a melhoria das condições de vida e os avanços médicos e tecnológicos, que assim promovem o aumento da esperança média de vida.

Segundo dados do Eurostat, em Portugal cerca de26,6% da população tem 65 anos ou mais e estima-se que em 2050 esse valor ultrapasse os 40%. Este facto está a transformar as sociedades e a economia a nível global, levantando questões como o financiamento dos cuidados de saúde e as medidas de proteção social. Por outro lado, importa também não esquecer a importância da criação e implementação de programas de promoção da saúde e prevenção da doença, para que a qualidade de vida e o bem-estar das populações se mantenha o mais satisfatória possível, ao longo de todo o curso de vida, nomeadamente nos anos mais tardios.

Perante esta realidade, e uma vez que os adultos mais velhos estão mais vulneráveis à doença crónica, isolamento social, depressão e processos de demência, entre outras patologias, os/as psicólogos/as podem ter um papel fundamental na avaliação e acompanhamento destas pessoas, tendo em vista uma resposta adequada às suas necessidades. Tendo em conta a sua formação e o conhecimento cientifico teórico-prático sobre desenvolvimento, comportamento e sobre o impacto psicológico do processo de envelhecimento, os/as psicólogos/as estão preparados para apoiar os adultos mais velhos nos seus diferentes contextos de vida e problemáticas.

A eficácia da intervenção psicológica está demonstrada nas várias fases do desenvolvimento humano (desde a primeira infância). Assim sendo, alguns adultos mais velhos poderão beneficiar de uma intervenção psicológica com muito bons resultados, ao invés de intervenções apenas farmacológicas. Esta população apresenta frequentemente comorbilidades com outras patologias características da idade, encontrando-se por vezes muito medicada. Em muitas situações o recurso à psicologia pode ser a melhor opção. E quais poderão ser os campos de ação do/a psicólogo/a na sua intervenção com pessoas idosas?

Com esta população específica, o/a psicólogo/a pode ajudar a promover o envelhecimento ativo rentabilizando o potencial de cada indivíduo, para que numa relação terapêutica possam trabalhar as suas várias dimensões, tendo em vista o aumento do seu bem-estar. Questões como informar e consciencializar a pessoa acerca do natural processo de envelhecimento, desmistificar crenças e mitos sobre a velhice, promover uma perspetiva realista mas positiva da vida, salientar e potenciar os pontos fortes do individuo, facilitar a sua participação ativa em sociedade/comunidade, são áreas de abrangência do trabalho do/a psicólogo/a. A facilitação da expressão emocional, a compreensão dos processos e situações problemáticas da vida da pessoa idosa, bem como o apoio na adaptação a possíveis mudanças decorrentes do passar do tempo, cabem também na esfera da intervenção psicológica. A acrescentar, este profissional pode ajudar na aceitação e controlo da doença. física ou mental e respetivo tratamento, assim como ensinar e treinar estratégias para lidar com a dor, com a ansiedade, entre outras patologias típicas desta fase da vida, como por exemplo a prevenção da demência ou ainda o apoio em processos de luto.

Envelhecer faz parte da vida e saber envelhecer é muito importante na preservação da qualidade de vida e da satisfação com a mesma. Há que ter uma perspetiva de aceitação e de esperança e tomar decisões importantes para o seu próprio bem-estar emocional, físico e social. A felicidade é um direito universal e cada um de nós pode contribuir efetivamente para ela.

Não basta dar anos á vida, é fundamental dar vida aos anos. Se para isso sentir que precisa de ajuda, não espere mais, peça-a á Sua Psicóloga!

Qualidade do sono na adolescência

Pode considerar-se a qualidade do sono como boa, se corresponder a um período de sono reparador que atende às necessidades do indivíduo de modo a permitir-lhe um funcionamento diário ideal (Walker, Johnson, Miaskowski, Lee, &Gedaly-Duff, 2010).

Um adolescente com uma boa qualidade de sono deverá ir para a cama sem apresentar dificuldades na hora de dormir, transitar sem esforço do estado de vigília para o sono, ter um sono sem interrupções e tranquilo, manter o sono ou não apresentar dificuldades em reiniciar após o despertar noturno e de manhã fazer a passagem do sono para a vigília sem dificuldade (LeBourgeois, Giannotti, Cortesi, Wolfson, & Harsh, 2005). Assim, para uma avaliação da qualidade do sono, é necessário avaliar 5 dimensões essenciais: hora de deitar, adormecer, manutenção do sono, reinício do sono e despertar.

A qualidade do sono é afetada por vários fatores, entre os quais o stresse psicológico, problemas afetivos, hábitos de sono desadequados e parasónias (sonambulismo, pesadelos, bruxismo, etc.) (Manni, Ratti, Marchioni, Castelnovo, Murelli, Startori et al., 1997). Num estudo em que participaram adolescentes portugueses com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos, concluiu-se que as maiores dificuldades se prendem com a preparação da hora de deitar, a passagem do sono para a vigília, e o controlo das preocupações do dia-a-dia na hora de ir dormir (Cortez, 2014).

 De um modo geral, a má qualidade do sono é um preditor significativo de maiores limitações na atividade diária dos jovens (Palermo, Fonareva & Janosy, 2008). Em termos comportamentais, parece haver evidência de que a má qualidade do sono está associada a uma maior apatia e menor autoestima, bem como a um tempo de reação mais lento (Telzera, Fulignib, Lieberman. & Galvánb, 2013), o que pode justificar uma maior propensão para comportamentos de risco assim como o comprometimento das capacidades de tomada de decisão.

Em termos de duração, o tempo de sono recomendado para os adolescentes corresponde a uma média de nove horas de sono diárias (Carskadon, Acebo, & Jenni, 2004), no entanto são vários os estudos que indicam que muitos adolescentes não atingem esta média, o que contribui para um sono de má qualidade (Johnson et al., 2006; Liu et al., 2000; R. Roberts, C. Roberts, & Chen, 2002; Terman & Hocking, 1913; Tynjala, Kannas,& Valimaa, 1993; Wolfson & Carskadon, 1998).

Dormir bem é essencial em qualquer momento da vida. No entanto, durante a infância e a adolescência e atendendo ao rápido desenvolvimento físico, cognitivo e emocional, a importância de um sono de qualidade é maior. Se o seu filho revela dificuldades relacionadas com o sono, procure ajuda-lo e se a tarefa se revelar complicada, procure a Sua Psicóloga!

Sugestão: Matos, M. G. de, Santos, T. G. S. dos, Guedes, F. A. B., Branquinho, C., Cerqueira, A., Marques, A., Simões, C., Tomé, G., Gómez-Baya, D., & Paiva, T. (2019). Os adolescentes portugueses dormem pouco e bem, ou pouco e mal? E então?. Revista De Psicologia Da Criança E Do Adolescente, 10(1), 159–171. Obtido de http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/rpca/article/view/2639

Um comportamento, duas adições

Vera é uma mulher de 41 anos com um problema de adição. Tem um consumo abusivo de álcool e tabaco, que por várias vezes diz ter tentado curar. A vida não lhe tem sido fácil e numa consulta verbaliza “por vezes tenho tanto medo de ouvir o meu corpo, de sentir as minhas emoções que prefiro anestesiar-me bebendo só mais um copo, só que depois vem outro e outro…” Num momento de sobriedade, deu um passo em frente e pediu ajuda. Acredita pouco em si para conseguir mudar sozinha, mas tem boas expectativas em relação ao acompanhamento que há semanas decidiu iniciar. Assinamos um compromisso por escrito. “Mesmo à séria” disse ela.

Eu, acredito que ela vai conseguir!

Dê o passo que lhe falta. Procure ajuda!

Uma disfunção sexual no feminino

Até há algum tempo, os assuntos relacionados com disfunções sexuais eram considerados tabu e poucos ousavam expressar as suas dificuldades a esse nível ou pedir ajuda. Hoje em dia, há muita investigação acerca deste tipo de perturbações e é-lhes atribuída uma importância maior, no sentido de que a sua abordagem e intervenção, podem constituir uma melhoria significativa na qualidade de vida do indivíduo.

Dentro do quadro das disfunções sexuais podem ser descritos vários tipos de perturbação, que podem afetar tanto o homem, como a mulher. Estas incluem a disfunção erétil, a perturbação de dor genitopélvica (penetração) a perturbação do interesse sexual feminino ou masculino ou a perturbação do orgasmo feminino, entre outras. Esta é uma área da saúde mental que também pode ter na sua origem fatores orgânicos e fisiológicos, no entanto, tanto psiquiatras como psicólogos, têm atualmente ao seu dispor, formação especializada, no sentido de permitir uma avaliação e intervenção eficaz de ajuda à pessoa que de uma perturbação deste tipo padece. Quaisquer que sejam as causas e/ou consequências destas perturbações, o sofrimento emocional pode ser muito perturbador e levar a m decréscimo acentuado da felicidade e bem-estar do indivíduo.

Uma das perturbações do foro sexual muito comum é a perturbação do orgasmo feminino. Considera-se que a mulher tem uma perturbação deste tipo se em cerca de 75% a 100% das vezes em que há atividade sexual, o orgasmo é marcadamente atrasado (ou inexistente) ou a intensidade das sensações orgásticas é marcadamente reduzida. Para que seja considerado o diagnóstico, as referidas dificuldades devem persistir pelo menos há 6 meses e causar um mal-estar clinicamente significativo à mulher. Excluem-se dos critérios de diagnóstico os casos em que estas dificuldades ocorrem por dificuldades relacionais graves (ex. violência do parceiro) ou de outros fatores de stresse significativos, ou ainda efeitos de substâncias/medicamentos ou outra condição médica.

A perturbação do orgasmo feminino pode ocorrer ao longo da vida se está presente desde que a mulher se tornou sexualmente ativa, ou pode ser adquirida, se iniciou após um período de função sexual considerado normal. Pode ainda caracterizar-se como generalizada, se não se limita a certos tipos de estimulação, de situação ou de parceiro, ou situacional, quando ocorre apenas com certos tipos de estímulos, situações ou parceiros. Em termos de gravidade, a perturbação pode ir de ligeira a extrema, dependendo do nível de mal-estar e sofrimento causado pela dificuldade em experienciar o orgasmo. As mulheres apresentam uma enorme variabilidade no que diz respeito ao tipo ou intensidade da estimulação que desencadeia o orgasmo. Do mesmo modo, as descrições subjetivas do orgasmo são muito variadas, sugerindo a existência de múltiplas formas de o atingir, tanto por mulheres diferentes como pela mesma mulher mas em circunstâncias diferentes.

Para um diagnóstico de perturbação do orgasmo feminino, as dificuldades deverão ser experienciadas em todas ou quase todas as ocasiões de atividade sexual. O uso de critérios mínimos de gravidade e de duração serve para diferenciar as dificuldades que podem ser transitórias, de uma disfunção mais persistente. Em alguns casos desta perturbação, as causas são multifatoriais ou não se conseguem determinar. Se se consegue provar que a perturbação apresentada é mais bem explicada por outra perturbação do foro mental, pelo efeito de uma substância ou medicamento ou ainda por outra condição médica, então não deve ser feito o diagnóstico como perturbação do orgasmo feminino. Se estiverem presentes fatores contextuais ou interpessoais significativos, como problemas relacionais graves ou outros importantes fatores de stresse, também não será um caso deste tipo de perturbação. Se se verificar que a mulher não atinge o orgasmo devido a uma estimulação sexual inadequada, poderá haver necessidade de intervenção, contudo, não deve ser feito o diagnóstico de perturbação do orgasmo feminino.

De um modo geral, não se encontra associação entre traços de personalidade específicos ou psicopatologia e disfunção orgásmica. Comparativamente às mulheres sem disfunção sexual, as mulheres com perturbação do orgasmo feminino podem apresentar maior relutância em falar abertamente acerca destas questões. No entanto, a satisfação sexual global parece não estar totalmente relacionada com a experiencia orgástica. Muitas mulheres referem elevados níveis de satisfação sexual, apesar de raramente atingirem o orgasmo. As dificuldades a este nível, nas mulheres, estão muitas vezes relacionadas com o interesse e a excitação sexuais.

Ao avaliarem-se estes casos, devem também ser levados em consideração outros fatores que podem ser relevantes para a etiologia ou tratamento. Entre eles, os problemas sexuais do parceiro, fatores médicos relevantes, fatores relacionais como uma comunicação pobre, discrepâncias quanto ao desejo de atividade sexual, fatores de vulnerabilidade emocional como fraca imagem corporal, presença de problemas de ansiedade ou depressão, história prévia de abuso sexual e ainda fatores culturais ou religiosos. Em mulheres com perturbação do orgasmo, cada um dos referidos fatores pode contribuir de forma distinta para a apresentação dos sintomas. Em termos de prevalência, as taxas relatadas para esta perturbação vão desde os 10% aos 42%, dependendo de múltiplos fatores como a idade, a cultura a duração ou a gravidade dos sintomas. Porém, estas estimativas não levam em linha de conta a presença de mal-estar, pois apenas uma pequena proporção de mulheres que experienciam dificuldades ao nível do orgasmo, refere também mal-estar associado. Estudos apontam para que cerca de 10% das mulheres não experienciam o orgasmo ao longo da sua vida.

Quanto aos fatores de risco podemos considerar os temperamentais, ambientais e genéticos ou fisiológicos. Os primeiros prendem-se com questões relacionadas por exemplo com ansiedade ou preocupação em engravidar. Os fatores ambientais mais relevantes serão os problemas relacionais ou a saúde física ou mental. De referir ainda os fatores socioculturais como expetativas quanto aos papéis de género ou convicções religiosas. Os fatores fisiológicos são muito diversos e podem incluir condições médicas e efeitos dos medicamentos. Mulheres com lesão dos nervos pélvicos, lesão da espinal-medula ou atrofia vulvovaginal podem ter maior dificuldade ou mesmo incapacidade para experienciar o orgasmo. Por outro lado, a menopausa não está consistentemente associada a dificuldades deste tipo. A contribuição genética pode ser significativa para a variabilidade da função orgástica feminina, contudo, parece haver uma forte evidência de que os fatores psicológicos, socioculturais e fisiológicos interajam de forma complexa de modo a influenciar de forma negativa a experiencia feminina do orgasmo.

Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.