Há qualquer coisa em setembro que nos convida a recomeçar. Terminam as férias, regressam os horários, as obrigações escolares e laborais, reorganizam-se agendas e, quase sem darmos conta, começamos muitas vezes a pensar no que gostaríamos de mudar. Mas será mesmo necessário entrar em setembro com uma nova versão de nós próprios?Essa necessidade de mudança não põe muita pressão no recomeço?
Embora janeiro seja tradicionalmente o mês associado aos grandes recomeços, setembro pode também representar um momento particularmente propício à mudança e à reorganização. O final do verão e o regresso às rotinas funcionam como uma espécie de marco temporal, separando aquilo que ficou “antes das férias” do período que agora começa. A investigação em Psicologia descreve precisamente este fenómeno como fresh start effect — efeito de novo começo. Determinados momentos, como o início de um ano, de um mês ou de uma semana, um aniversário ou o começo de um novo ciclo, podem aumentar temporariamente a motivação para estabelecer novos objetivos e introduzir mudanças nas nossas vidas (Dai, Milkman & Riis, 2014).
As férias ainda não terminaram completamente, mas setembro já nos começa a entrar em casa: horários, agendas, escola, trabalho, refeições, atividades e despertadores voltam a ocupar o seu espaço. Para muitas famílias, esta passagem dos dias mais livres para uma rotina novamente exigente, pode trazer cansaço, irritabilidade e alguma ansiedade. Como tornar este regresso mais tranquilo para todos?
O final das férias de verão pode ser acompanhado por sentimentos contraditórios. Por um lado, pode existir a vontade de recuperar alguma organização e previsibilidade, e por outro, custa abandonar o ritmo mais flexível, os dias longos e a menor pressão dos horários das férias. Em poucos dias, a família pode passar de uma rotina relativamente descontraída para outra marcada por maior rigidez e por múltiplos compromissos.
As férias são habitualmente associadas a descanso, liberdade e bem-estar. Esperamos que alguns dias longe das obrigações sejam suficientes para recuperar energia, reduzir o stresse e regressar à rotina com uma sensação renovada. No entanto, para muitas pessoas, parar fisicamente não significa conseguir descansar emocionalmente.
Mesmo durante as férias, a mente pode continuar ocupada com assuntos profissionais, tarefas pendentes, preocupações familiares ou decisões que ficaram por tomar. O corpo muda de lugar, mas os pensamentos permanecem ligados às exigências habituais. Esta dificuldade em “desligar” é particularmente frequente após períodos prolongados de sobrecarga ou quando existe a sensação de que é necessário estar permanentemente disponível.
As férias escolares são um tempo importante para crianças e adolescentes descansarem, brincarem e recuperarem energia. Mas, para muitos pais, estes meses trazem também dúvidas, sobrecarga e preocupação: como organizar quase três meses sem aulas quando as férias dos adultos são mais curtas e nem sempre existe uma rede de apoio disponível? Neste artigo, refletimos sobre os principais desafios deste período e sobre algumas estratégias que podem ajudar as famílias a vivê-lo com mais equilíbrio, realismo e tranquilidade.
As férias escolares são, para crianças e adolescentes, um tempo desejado de descanso, brincadeira e liberdade. No entanto, para muitos pais, este período pode tornar-se exigente e até fonte de preocupação. Enquanto os filhos têm cerca de três meses de férias, a maioria dos pais dispõe de um período muito mais curto de descanso. Muitos continuam a trabalhar, nem sempre têm avós disponíveis, rede familiar próxima, suporte comunitário ou possibilidade económica para recorrer a campos de férias, ATL ou outras atividades organizadas. Este desfasamento entre o calendário escolar e a vida profissional das famílias cria uma pressão real: como garantir cuidado, segurança, ocupação e bem-estar dos filhos quando os pais não conseguem estar presentes como gostariam?
A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é frequentemente associada à infância, sobretudo a crianças muito agitadas, impulsivas ou com dificuldades evidentes em contexto escolar. No entanto, atualmente sabemos que a PHDA pode persistir ao longo da vida e que muitos adultos chegam à idade adulta sem nunca terem recebido um diagnóstico formal. Em muitos casos, estas pessoas cresceram a sentir-se “desorganizadas”, “distraídas”, “preguiçosas” ou constantemente em esforço para acompanhar as exigências do quotidiano, sem compreender verdadeiramente a origem dessas dificuldades.
A PHDA no adulto caracteriza-se por um padrão persistente de desatenção e/ou impulsividade que interfere significativamente com o funcionamento pessoal, académico, profissional e relacional. Embora a hiperatividade motora intensa da infância possa diminuir com a idade, é frequente que permaneça uma sensação interna de inquietação, dificuldade em relaxar, tendência para procrastinação, desorganização, esquecimentos frequentes ou dificuldade em gerir prioridades e tempo.
O mês de Setembro transporta consigo uma simbologia particular. Não sendo o início oficial de um novo ano, é frequentemente vivido como um marco de recomeço, quase um segundo Janeiro no calendário pessoal e colectivo. Este carácter simbólico deriva do facto de Setembro encerrar a fase estival, marcada pelas férias, pela descontração e pelo prolongamento dos dias, e introduzir uma etapa que exige organização, disciplina e regresso às rotinas. É um mês de transição que, por isso mesmo, tanto pode gerar entusiasmo e motivação, como pode acentuar fragilidades emocionais e resistências à mudança.
Do ponto de vista social e cultural, Setembro representa o regresso às aulas para milhares de crianças e jovens, a reentrada no ensino superior para estudantes universitários e a retoma do trabalho para grande parte dos adultos. Estas transições mobilizam recursos pessoais, exigem ajustamentos e colocam desafios que, se por um lado são oportunidades de crescimento e renovação, por outro podem constituir fonte de ansiedade e stress.
Um dos elementos que contribui para a carga emocional de Setembro é a própria alteração do clima. Os dias tornam-se mais curtos, a luminosidade decresce, a temperatura baixa gradualmente e o ambiente começa a perder a leveza associada ao verão. Este fenómeno, aparentemente natural, tem impacto direto no humor e na disposição das pessoas. A redução das horas de sol pode afectar a regulação do ritmo circadiano, interferindo no sono e na energia, além de poder contribuir para um aumento da vulnerabilidade a estados depressivos, sobretudo em indivíduos mais sensíveis às oscilações sazonais. Assim, o regresso às rotinas ocorre num contexto em que o próprio corpo é chamado a adaptar-se a uma nova cadência, menos luminosa e mais exigente em termos de resistência psicológica.
No regresso ao trabalho, é frequente emergirem sentimentos ambivalentes. Por um lado, há a sensação de perda da liberdade conquistada nas férias, a nostalgia dos momentos de descanso, de convívio familiar e de ócio criativo. As férias permitem, em regra, uma quebra com as pressões quotidianas, oferecendo ao corpo e à mente espaço para recuperar. O seu término pode reativar a sobrecarga mental, reacender conflitos laborais ou expor de novo as dificuldades de gestão de tempo entre vida profissional e pessoal. O chamado “stress pós-férias” é um fenómeno real, caracterizado por irritabilidade, fadiga e dificuldades de concentração, e que resulta, em parte, da brusca mudança de ritmo.
Por outro lado, o regresso ao trabalho traz também benefícios e não deve ser encarado apenas como um fardo. Representa a possibilidade de retomar projectos interrompidos, de reencontrar colegas, de recuperar a sensação de utilidade e produtividade. Em muitas pessoas, a rotina funciona como estrutura organizadora que sustenta o equilíbrio psicológico, evitando a dispersão e a falta de objectivos claros. A retoma laboral, quando acompanhada de propósito e sentido, pode traduzir-se numa oportunidade de reafirmação pessoal e de planeamento para o futuro.
Por outro lado, o regresso ao trabalho traz também benefícios e não deve ser encarado apenas como um fardo. Representa a possibilidade de retomar projectos interrompidos, de reencontrar colegas, de recuperar a sensação de utilidade e produtividade. Em muitas pessoas, a rotina funciona como estrutura organizadora que sustenta o equilíbrio psicológico, evitando a dispersão e a falta de objectivos claros. A retoma laboral, quando acompanhada de propósito e sentido, pode traduzir-se numa oportunidade de reafirmação pessoal e de planeamento para o futuro.
É neste equilíbrio entre aspetos positivos e negativos que reside a riqueza do mês de Setembro. O seu simbolismo de recomeço pode ser apropriado como oportunidade de renovação pessoal. Depois de um período de descanso, ainda que curto, o indivíduo pode encarar este mês como o momento ideal para definir novas metas: iniciar uma prática de exercício físico, reorganizar hábitos de sono, investir em novas aprendizagens ou até repensar a sua trajectória profissional. O impulso do “novo ciclo” pode funcionar como catalisador de mudanças significativas e sustentáveis.
Para mim, Setembro tem ainda um significado mais íntimo e pessoal: é o mês do meu aniversário. Talvez por isso o viva de forma tão especial, como se nele convergissem não apenas os regressos e os recomeços coletivos, mas também um renascer individual. Setembro é, para mim, a síntese perfeita entre a despedida da leveza do verão e a promessa de novos horizontes. É o mês em que me reencontro com a minha própria história e em que sinto, com mais intensidade, que cada fim encerra em si a possibilidade luminosa de um novo começo.
No entanto, é fundamental reconhecer e validar o impacto negativo que este mês pode ter. A nostalgia das férias, a redução da luminosidade, o aumento das responsabilidades e a pressão do regresso não devem ser desvalorizados. A consciência destas fragilidades permite preparar respostas mais adaptativas, como a gestão gradual do regresso ao trabalho, a prática regular de atividades prazerosas e o investimento em estratégias de autocuidado.
Em síntese, Setembro é, simultaneamente, um mês de despedida e de boas-vindas. Despede-se da leveza do verão, dos dias longos e da despreocupação, e acolhe a exigência das rotinas, dos compromissos e das responsabilidades. Mas é também um mês que oferece a cada pessoa a possibilidade de recomeçar, de se reorganizar e de projectar o futuro. Cabe a cada um equilibrar o peso da nostalgia com a leveza da esperança, transformando o recomeço num movimento de crescimento, em vez de numa prisão de obrigações. Talvez seja essa a maior lição de Setembro: recordar que cada fim é, em si mesmo, um convite a recomeçar.
As férias escolares representam, para muitas crianças, um período de alívio, descanso e liberdade. No entanto, este tempo de pausa do calendário letivo nem sempre é vivido com a mesma leveza pelas famílias. Para os pais e cuidadores, especialmente aqueles com responsabilidades profissionais exigentes ou com poucos recursos, as férias escolares podem representar um verdadeiro desafio logístico, emocional e financeiro. Nesta fase, é importante refletir sobre os impactos psicológicos desta realidade, tanto para os adultos como para os próprios filhos.
Do ponto de vista das crianças, as férias são geralmente associadas a sensações positivas: ausência de rotinas rígidas, tempo livre para brincar, possibilidade de viajar ou visitar familiares. Contudo, nem todas as crianças vivem este período da mesma forma. Em famílias onde os recursos são limitados, a falta de acesso a atividades estruturadas, como colónias de férias ou campos de verão, pode resultar em isolamento social, sedentarismo e até aumento de conflitos familiares. A ausência de estímulos regulares também pode ter impacto no desenvolvimento cognitivo, especialmente em crianças mais vulneráveis ou com necessidades educativas especiais (Silva & Moura, 2020).
O divórcio representa uma das experiências de vida mais desafiantes e emocionalmente exigentes que uma pessoa pode enfrentar. No caso das mulheres, especialmente em contextos socioculturais onde o casamento ainda é encarado como um dos pilares da identidade feminina, o divórcio pode ser vivido não apenas como uma rutura relacional, mas também como uma crise existencial. A solidão que muitas mulheres divorciadas sentem não se limita à ausência de um companheiro, ela é, frequentemente, mais profunda, refletindo um sentimento de desenraizamento, perda de pertença e até desvalorização pessoal.
Do ponto de vista psicológico, a solidão pode ser definida como a perceção subjetiva de isolamento ou de desconexão emocional face aos outros. No caso das mulheres divorciadas, esta perceção pode ser amplificada por diversos fatores. Em primeiro lugar, há frequentemente uma quebra nas rotinas sociais partilhadas durante o casamento, como jantares com amigos em comum ou alguns eventos familiares, levando à redução dos círculos sociais. Além disso, o estigma social ainda presente em certas comunidades, pode fazer com que estas mulheres se sintam marginalizadas ou julgadas, o que pode reforçar sentimentos de exclusão.
A ansiedade de separação é uma reação emocional comum nas crianças, caracterizada pelo medo e desconforto intensos ao serem afastadas dos pais ou das suas figuras de referência.
Este comportamento é especialmente frequente em crianças pequenas, geralmente entre os seis meses e os três anos de idade, quando o desenvolvimento emocional e cognitivo ainda está em formação. Este tipo de ansiedade pode ser indicador de um desenvolvimento saudável, pois representa o vínculo forte que a criança possui com os cuidadores, essencial para a sua segurança e bem-estar. No entanto, quando a ansiedade se torna exagerada ou persiste em idades mais avançadas, pode indicar uma perturbação de ansiedade de separação, que requer atenção.
A síndrome de Burnout é uma condição de exaustão emocional, mental e física causada pelo stress prolongado e excessivo no trabalho. É uma condição psicológica de causas multifatoriais e que por isso requer uma abordagem multifacetada.
O burnout deriva de uma situação de stress crónico no trabalho, frequentemente associada a exigências excessivas, falta de controlo sobre as tarefas ou os prazos, suporte inadequado, conflitos interpessoais, desequilíbrio entre vida pessoal e vida profissional, expectativas irrealistas, reconhecimento insuficiente por parte das chefias, ambiente de trabalho tóxico e pressão constante para o alto desempenho. Estes fatores combinados podem levar à exaustão emocional e física. Para lidar de forma adaptativa com a síndrome de burnout, deverão ter-se em consideração os seguintes pontos chave:
1. Reconhecer os Sinais
Identificar os sinais de burnout é o primeiro passo. Estes podem incluir cansaço extremo, falta de motivação, irritabilidade, problemas de concentração e diminuição da produtividade laboral, entre outros.