Gestão da ansiedade: exercícios simples e eficazes

A ansiedade faz parte das nossas vidas. Até certo ponto é adaptativa e protetora, contudo por vezes parece querer tomar conta de nós. Lidar com a ansiedade pode ser bastante desafiante, mas existem vários exercícios práticos que podem ajudar a aliviar os seus sintomas. Aqui estão algumas técnicas que poderá experimentar:

1. Respiração Controlada

 Sente-se ou deite-se num lugar confortável. Inspire lentamente pelo nariz, contando até 4. Sustenha a respiração por 4 segundos, depois expire lentamente pela boca, contando até 4 novamente. Faça 5 a 10 repetições até se sentir mais relaxado. A respiração profunda ativa o sistema nervoso parassimpático, ajudando a acalmar o corpo e a mente.

2. Atenção Plena (Mindfulness)

Concentre-se no momento presente. Observe os seus pensamentos e sensações corporais sem os julgar. Poderá praticara atenção plena durante qualquer atividade do seu dia-a-dia, como ao lavar a louça ou caminhar, focando-se totalmente na experiência. A prática de mindfulness ajuda a diminuir o stresse e as preocupações com o futuro, trazendo a mente de volta ao momento presente.

3. Exercício de Ancoragem

Quando sentir ansiedade, foque-se em cinco coisas que você possa ver, quatro que possa tocar, três que possa ouvir, duas que possa cheirar e uma que possa saborear. Este exercício pode ajudar a desviar a atenção dos sintomas da ansiedade, conectando-o ao seu ambiente imediato e ao momento presente.

4. Atividade Física

Dedique pelo menos 20-30 minutos do seu dia a atividades físicas moderadas, como caminhar, correr, fazer yoga ou outras da sua preferência. O exercício físico liberta endorfinas, que são neurotransmissores que melhoram o humor e reduzem o stresse.

5. Técnica do Caderno

Anote as suas preocupações ou pensamentos ansiosos num caderno ou no bloco de notas do seu telemóvel. Depois, escreva possíveis soluções ou reinterpretações mais positivas acerca desses mesmos pensamentos. Escrever ajuda a organizar os pensamentos e pode proporcionar uma sensação de alívio ao expressar aquilo que está a sentir.

6. Relaxamento Muscular Progressivo

Sente-se ou deite-se confortavelmente. Comece por exercer tensão em cada um dos grupos musculares, começando pelos pés e pernas e ir seguindo no sentido ascendente para coxas e glúteos, abdómen e costas, peito e ombros, braços e mãos e por fim rosto e pescoço. Mantenha os músculos de cada grupo contraídos durante 5 segundos e de seguida relaxe-os. Este exercício ajuda a reduzir a tensão muscular, que é comum em estados de ansiedade e promove uma sensação de relaxamento. Peça à sua psicóloga um guião de relaxamento e treine com ela em consulta.

7. Visualização Guiada

Feche os olhos e imagine um lugar onde se sinta calmo e seguro. Pode ser uma praia, uma floresta, ou qualquer outro lugar. Pode ser o seu lugar preferido. Visualize os detalhes do ambiente, como as cores, procure sentir os cheiros e ouvir os sons ou até recordar um sabor associado a esse lugar. Permaneça nesse cenário por alguns minutos sem se distrair. A visualização de lugares tranquilos pode ajudar a distrair a mente das preocupações e promover uma sensação de paz e descontração.

8. Rotina de Autocuidado

Inclua atividades diárias de que goste e que promovam o seu bem-estar, como ler, ouvir música, tomar um banho relaxante ou conversar com um amigo (entre muitas outras opções à sua escolha).Ter uma rotina de autocuidado regular ajuda a reduzir a ansiedade, proporcionando momentos de prazer e relaxamento.

Todos estes exercícios sugeridos, podem ser combinados e adaptados de acordo com o que funciona melhor para si. Praticá-los regularmente pode fazer uma grande diferença na gestão da sua ansiedade. Se sentir necessidade, fale com a sua psicóloga!

Bem-estar psicológico no trabalho: o impacto do regresso pós-férias

O bem-estar psicológico é um estado de equilíbrio emocional, mental e social que permite ao indivíduo lidar eficazmente com as exigências da vida diária. Esse estado de saúde mental não se resume apenas à ausência de doenças, mas envolve uma sensação de satisfação, resiliência e realização pessoal. No contexto do trabalho, o bem-estar psicológico é crucial para garantir um desempenho eficaz, boas relações interpessoais e, em última análise, uma vida profissional satisfatória.

O regresso ao trabalho após um período de férias pode ser um momento crítico para o bem-estar psicológico dos trabalhadores. As férias desempenham um papel fundamental na restauração do equilíbrio mental e físico, permitindo uma pausa necessária das pressões e rotinas diárias. No entanto, o regresso ao trabalho, embora muitas vezes desejado, pode também trazer uma série de desafios emocionais e psicológicos.

Continue a ler “Bem-estar psicológico no trabalho: o impacto do regresso pós-férias”

Cansaço, Choro e Desalento: Como Identificar Sinais de Depressão

O cansaço, o choro, a tristeza, o desalento e as alterações no apetite são aspectos interligados e que frequentemente refletem um estado emocional ou psicológico delicado. Cada um destes sintomas pode ser um sinal de que algo mais profundo está a afetar o bem-estar mental e emocional de um indivíduo.

O cansaço persistente é frequentemente associado a problemas de saúde mental, como a depressão. Embora o cansaço possa ser causado por fatores físicos, como a falta de sono ou a sobrecarga de trabalho, quando se torna crónico e não responde a mudanças no estilo de vida, pode indiciar uma condição mais séria. A fadiga mental e emocional é comum em casos de depressão e ansiedade, onde o esforço constante para lidar com pensamentos negativos e sentimentos de desesperança pode ser extenuante.

Continue a ler “Cansaço, Choro e Desalento: Como Identificar Sinais de Depressão”

Como Lidar com o Burnout: Estratégias para Enfrentar a Exaustão no Trabalho

A síndrome de Burnout é uma condição de exaustão emocional, mental e física causada pelo stress prolongado e excessivo no trabalho. É uma condição psicológica de causas multifatoriais e que por isso requer uma abordagem multifacetada.

O burnout deriva de uma situação de stress crónico no trabalho, frequentemente associada a exigências excessivas, falta de controlo sobre as tarefas ou os prazos, suporte inadequado, conflitos interpessoais, desequilíbrio entre vida pessoal e vida profissional, expectativas irrealistas, reconhecimento insuficiente por parte das chefias, ambiente de trabalho tóxico e pressão constante para o alto desempenho. Estes fatores combinados podem levar à exaustão emocional e física. Para lidar de forma adaptativa com a síndrome de burnout, deverão ter-se em consideração os seguintes pontos chave:

1. Reconhecer os Sinais

Identificar os sinais de burnout é o primeiro passo. Estes podem incluir cansaço extremo, falta de motivação, irritabilidade, problemas de concentração e diminuição da produtividade laboral, entre outros.

Continue a ler “Como Lidar com o Burnout: Estratégias para Enfrentar a Exaustão no Trabalho”

Benefícios das Férias de Verão na Saúde Mental e Bem-Estar

A ansiedade é uma condição psicológica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, manifestando-se frequentemente em períodos de grande exigência e pressão devido ao trabalho. As obrigações profissionais constantes podem levar ao burnout, um estado de exaustão física e emocional, causado pelo stresse sentido em contexto de trabalho. Este fenómeno afeta não só o desempenho e a produtividade, mas também a vida pessoal dos indivíduos, podendo prejudicar seriamente a convivência familiar e a saúde mental.

Com a chegada do verão, muitas pessoas veem a oportunidade ideal para tirar férias e aliviar o stresse acumulado. O período de descanso pode ser um momento fundamental para ajudar à diminuição da ansiedade e dos sintomas de burnout. Férias em família, em especial, podem proporcionar momentos de prazer e descontração, essenciais para a recuperação do bem-estar físico e psicológico. Passar tempo de qualidade com os entes queridos, longe das obrigações profissionais, contribui para reequilibrar a energia física e o estado emocional.

Durante as férias de verão, a prática de atividades ao ar livre, como por exemplo caminhadas na praia, natação e passeios em parques, pode revelar-se altamente benéfico para a o restabelecimento da saúde física e mental. Essas atividades promovem a liberação de endorfinas, neurotransmissores que proporcionam sensação de prazer e de bem-estar. Além disso, a exposição ao sol aumenta a produção e absorção de vitamina D, importante para a regulação do humor.

É recomendável que as férias sejam bem planeadas para maximizar os seus benefícios. Desconectar-se das responsabilidades profissionais, ainda que temporariamente, favorece o verdadeiro descanso. Estabelecer limites claros entre trabalho e lazer é essencial para que o tempo de férias seja realmente reparador. Aproveitar para se dedicar a hobbies, ler um bom livro ou simplesmente relaxar sem pressões, pode ajudar a fazer a diferença e consequentemente melhorar a saúde e a satisfação com a vida.

Ao regressar ao trabalho, é comum que a sensação de bem-estar perdure, ajudando a enfrentar as obrigações profissionais com mais serenidade. Deste modo, investir nas férias de verão não é apenas uma questão de lazer. Poderá ser uma estratégia vital para manter estável, a sua saúde mental. O equilíbrio entre trabalho, descanso e prazer é a chave para uma vida mais saudável e feliz. Boas férias!

Saúde mental no masculino

A doença mental no masculino é um tema particularmente importante, na medida em que o estigma que ainda hoje está associado a estas questões, pode fazer com que muitos homens evitem ou adiem a procura de ajuda, com consequências potencialmente graves na sua funcionalidade e na sua satisfação com a vida.

Felizmente, cada vez mais o estigma relacionado com as perturbações do foro psicológico ou psiquiátrico, tem vindo a ser desconstruído, no sentido de “normalizar” a avaliação e o acompanhamento psicológico, aos homens que possam enfrentar dificuldades, nesta área da saúde em geral, mas também por desafios específicos do género. Contudo, estas dificuldades, que por vezes são banalizadas ou ignoradas, levam a que a tomada de consciência e a procura de ajuda sejam adiadas ou até mesmo evitadas. As expectativas sociais, estigmas culturais e atitudes em relação à vulnerabilidade e à procura de apoio psicológico por parte dos homens, constituem-se como uma “barreira” por vezes difícil de transpor.

Continue a ler “Saúde mental no masculino”

Oncologia e doença mental

Perante um diagnóstico de cancro, na grande maioria dos casos o doente perceciona a doença como fortemente ameaçadora. A malignidade, a imprevisibilidade, a incerteza, as sequelas e a ameaça de morte inerentes a este diagnóstico, podem concorrer para o desenvolvimento ou o agravamento da patologia psiquiátrica.

Alguns dos fatores que podem influenciar o desenvolvimento de psicopatologia ligada ao cancro são principalmente o stresse elevado causado por um possível mau prognóstico, a idade (mais jovens e medo de morte prematura), os baixos rendimentos e o fraco suporte social. Perante um diagnostico de cancro, as respostas emocionais mais comuns são o choque, a negação e a revolta, mas também a desesperança, as dificuldades de concentração, a ansiedade e a depressão. É também comum o aparecimento de dificuldades de sono como a insónia, muitas vezes provocada pelos pensamentos intrusivos relacionados com a doença, e com a forma como ela vai afetar a funcionalidade do doente. Por norma, estes sintomas tendem a desaparecer ou a reduzir significativamente após alguns dias ou semanas.

Continue a ler “Oncologia e doença mental”

Verão, férias e burnout

As férias vão-se aproximando a passos largos, á medida que os dias ficam mais quentes e soalheiros. O tão desejado e necessário período de férias de verão está à porta! Mas será que sabemos utilizar os dias de descanso para realmente descansar e repor energias? E também para refletir sobre a forma como a vida profissional pode estar a afetar de forma negativa a nossa saúde?

O descanso e o “desligar” das atividades profissionais/escolares é necessário para o restabelecimento do corpo e da mente, após o desgaste físico e psicológico decorrentes de meses de um dia-a-dia rotineiro e exigente. O excesso de trabalho e de solicitações pode levar a situações de esgotamento físico e psicológico – o Burnout. Este resulta do stresse crónico mal gerido, associado principalmente ao trabalho, e caracteriza-se por uma sensação de falta de energia ou exaustão, distanciamento mental face à atividade profissional, sentimentos negativos e perda de eficiência relativamente ao próprio trabalho, com consequências graves para a saúde física e mental. Um inquérito da DECO PROTESTE (2018) apontou para a existência de cerca de 30% de pessoas em situação de Burnout em Portugal, ou seja, uma percentagem bastante significativa.

Continue a ler “Verão, férias e burnout”

Adolescência: regulação emocional e relacional

O desenvolvimento de competências sociais resulta da aprendizagem comportamental e relacional positiva. A adolescência, é um período da vida em que o relacionamento interpessoal sofre grandes alterações, em que se estabelecem novos relacionamentos e em que as relações com o grupo de pares assumem uma maior relevância.

Atualmente, a intervenção precoce na área da saúde mental juvenil, por meio de estratégias de prevenção e promoção da saúde e de estilos de vida saudáveis, assume cada vez mais importância. As normas internacionais orientam para uma maior preocupação com este assunto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2001) determinadas perturbações mentais como a ansiedade ou a depressão, podem derivar da dificuldade de alguns jovens em lidarem com o stresse gerado pelas relações sociais. Assim, torna-se fundamental o desenvolvimento de competências socio emocionais.

Continue a ler “Adolescência: regulação emocional e relacional”

“Donas de casa” e saúde mental

São muitas as variáveis que podem afetar a saúde mental das mulheres. Há especificidades biológicas e, principalmente, perspetivas sociais que orientam para uma inegável diferença de género, no que diz respeito à incidência e prevalência das perturbações psiquiátricas.

Hoje em dia, exercer a atividade de ”dona de casa”, ou seja, a mulher dedicar-se à casa e à família em exclusividade, sem desempenhar uma atividade profissional e remunerada, pode coloca-la numa situação de vulnerabilidade, por diversas ordens de razão. Podem haver fatores de risco para o desenvolvimento de psicopatologia, decorrentes da multiplicidade de papéis desempenhados e das inúmeras situações ansiogéneas às quais estas mulheres, nesta condição, poderão estar mais propensas. Estas vulnerabilidades relacionais, associadas aos processos biológicos (Ex. menarca, gravidez e menopausa) e potencialmente agravadas por questões sociais e económicas, como por exemplo a cítica, o isolamento social, a incompreensão, a violência doméstica, a dependência financeira ou a pobreza, podem comprometer a saúde mental destas donas de casa.

Continue a ler ““Donas de casa” e saúde mental”