Imagem corporal e perturbações alimentares na infância

Perturbações alimentáres

O excesso de peso tem nos dias de hoje uma expressão significativa nas nossas crianças e jovens, no entanto, muitas das crianças que procuram perder peso nem sempre têm peso a mais, assim como as que querem engordar nem sempre têm peso a menos. A preocupação com a imagem corporal, principalmente na fase da infância e da adolescência, tem a ver com o modo como a criança se vê, isto é, como julga a sua aparência.

Um fator de extrema importância para o desenvolvimento das perturbações do comportamento alimentar, mais comuns nas raparigas, é a maneira como estas se vêm, ou seja, a imagem que têm de si mesmas. Por vezes, uma imagem distorcida da realidade pode ser interpretada como a necessidade de a alterar e pode conduzir a perturbações sérias, que podem pôr em risco não só a saúde como a própria vida. Uma criança/adolescente que se vê gorda, ainda que possa ter o peso adequado à sua idade e estatura, é uma criança em risco. As meninas, ao entrarem na fase da puberdade começam a apresentar formas mais arredondadas e um aumento da gordura corporal que é normativo. Porém, muitas vezes influenciadas por modelos de magreza, que podem ser as suas amigas ou figuras mediáticas veiculadas através dos meios de comunicação social, passam a ter uma imagem de si mesmas que lhes desagrada e que consideram indesejável, embora faça parte do seu desenvolvimento normal.

AnorexiaPerante este aumento de volume e alteração das formas do corpo, muitas meninas esforçam-se por perder peso pois estão insatisfeitas com os seus corpos. É neste ponto que pais e educadores deverão estar atentos. As comparações com crianças mais magras podem contribuir para uma baixa da autoestima e para comportamentos de restrição alimentar, que podem assumir proporções muito preocupantes e chegar, por exemplo, à anorexia. Algumas crianças/adolescentes desenvolvem estratégias altamente eficazes para enganar os pais no que diz respeito à quantidade de alimentos ingeridos. Nos dias de hoje, com a falta de tempo que muitas famílias têm para acompanhar de perto as suas crianças, devido às múltiplas solicitações laborais, sociais e domésticas, poderá ser muito fácil desviar a atenção do “prato” da sua filha, ou seja, poderá ser muito difícil para si enquanto cuidador ficar atento e controlar o que a sua criança efetivamente come.

Compulsão alimentarTambém uma criança mais franzina, cujo desenvolvimento é mais tardio ou que geneticamente é mais magra, poderá vir a ter um distúrbio alimentar. Neste caso, a compulsão alimentar pode surgir no sentido de tentar aumentar o peso e uma vez mais, por comparação, querer ficar mais parecida, por exemplo, com uma amiga muito popular na escola. Habitualmente, na base destes comportamentos alimentares desadequados está também uma perturbação de ansiedade, mais ou menos intensa bem como insegurança e baixa autoestima.

Comportamentos alimentares disfuncionaisO que podem então os pais fazer para prevenir as perturbações do comportamento alimentar? Pois bem, estarem atentos aos sinais parece ser o melhor a fazer. Fique atento se a sua criança revela medo de engordar ou de emagrecer, ou se se olha demasiado ao espelho e como reage a ele. Ficar obcecada com o controlo do peso (pesar-se constantemente) e com o controlo do que ingere (contar calorias ou ser demasiado seletiva com os alimentos mais calóricos) também constitui um sinal de alarme. Se procura fazer exercício físico excessivo também deverá ficar alerta pois poderá ser uma forma de “queimar” quilos. Se tiver suspeitas, fique atento ao caixote do lixo e ao frigorífico. Muitas vezes deitar fora alimentos ou esconde-los pode ser uma estratégia para ocultar o que não comeu.

Depressão e anorexiaSe a sua criança se queixa repetidamente do seu aspeto físico, do seu peso e da forma do seu corpo é também motivo para que mantenha a sua atenção sobre o assunto. Se a criança procura evitar atividades de convívio que envolvam comida pode também ser uma forma de evitar comer. Fique vigilante às roupas que a sua filha veste. Se passar a optar vestir roupas muito largas pode ser um indício de que quer disfarçar a perda de peso ou o seu oposto. Por fim, avalie o estado físico e emocional da sua criança. Se lhe parecer demasiado fraca, sem energia, com dificuldades de atenção e concentração, triste ou deprimida, então, “junte as peças” e veja se não está na hora de agir, de procurar ajuda médica e/ou psicológica.

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