A adolescência e o consumo de álcool

Impelidos pela curiosidade, pressão dos pares, busca de novas sensações, necessidade de se alhearem dos seus problemas, auto-descoberta, definição da identidade e consequente assunção de comportamentos de oposição à autoridade parental, muitos são os jovens que experimentam e consomem álcool, tabaco ou outras substâncias psicoativas. Estes comportamentos põem em risco a sua saúde física e psicológica, não só presente mas também futura.

Os jovens encontram nos seus pares os seus modelos de identificação, adotando os comportamentos do grupo uma vez que na maioria dos casos e devido à sua imaturidade cerebral, principalmente das estruturas do córtex pré-frontal, os adolescentes não têm ainda a capacidade de compreender as potenciais consequências dos seus atos.

O consumo de álcool, na adolescência, muitas vezes vai para além da experiencia e torna-se abusivo, logo, prejudicial. É considerado abuso, um padrão comportamental muito pouco adaptativo, com a duração superior a um mês, em que um jovem continua a consumir uma substância mesmo conhecendo a sua perigosidade. Este padrão de comportamento desadequado e arriscado inclui, por exemplo, a condução de veículos após o consumo de álcool, o que coloca em risco a sua vida e a de terceiros. Um dos perigos da experiencia do consumo de substâncias psicoativas é o perigo de se tornar abusivo ou até mesmo de levar o adolescente à dependência. Esta pode ser fisiológica, psicológica ou ambas e o mais provável é que se não houver intervenção, se prolongue pela idade adulta.

As consequências do consumo abusivo de bebidas alcoólicas na adolescência são várias, umas de curto prazo e outras que se podem manter ao longo do curso da vida. A curto prazo destaca-se a alteração da perceção da realidade e da capacidade de reação a estímulos, o que por si só vai comprometer a capacidade de autocontrolo no que diz respeito à quantidade ingerida e aos seus efeitos. Pode verificar-se no jovem que bebe, uma lentificação psicomotora, dificuldades na expressão oral e descoordenação dos movimentos. A desinibição devido ao efeito do álcool pode levar à adoção de comportamentos arriscados ou violentos potenciadores de acidentes, colocando assim em causa a segurança e integridade dos jovens. Por outro lado, o excesso de álcool pode tornar mais vulneráveis alguns jovens a comportamentos de risco de natureza sexual. As consequências a longo prazo incluem o comprometimento do normal desenvolvimento do cérebro e das suas funções, quer cognitivas, quer executivas. O consumo abusivo de álcool poderá ainda estar associado a alterações significativas na personalidade do jovem adulto, nomeadamente ao desenvolvimento de adições, bem como à degradação de órgãos como o fígado ou outros órgãos vitais.

E o que podem os pais fazer? Quais são os sinais de alerta de que o seu filho poderá estar a correr riscos de se tornar um consumidor abusivo? Os sinais de alerta para o consumo de álcool podem ser confundidos com outras perturbações, uma vez que não são específicos para esta problemática, podendo estar associados a outros comportamentos desadaptativos típicos desta fase da vida. Porém, será importante estarem atentos aos sinais que possam ser sugestivos do consumo excessivo de álcool. Entre estes sinais destacam-se os problemas comportamentais em contexto escolar, dificuldades académicas como o decréscimo do rendimento, dificuldades de memória e de concentração, manifestações de agressividade, comportamento distante, isolamento, aparência descuidada, desinteresse por atividades anteriormente prazerosas, mudança frequente de grupo de amigos, dificuldades no discurso, descoordenação motora e a deteção de bebidas alcoólicas no quarto, na mochila ou no hálito.

Em termos preventivos, os pais e cuidadores devem promover um diálogo aberto, sereno e sincero sobre o álcool, ainda antes da adolescência, uma vez que a precocidade do início do seu consumo é responsável por uma maior probabilidade de ocorrência de dependência alcoólica futura. Uma conversa franca que não se deve apenas focar nos potenciais malefícios mas também em explorar as crenças das crianças/adolescentes relacionadas com o consumo de álcool, de modo a poderem esclarecer dúvidas e crenças erróneas que possam ter implicações futuras. Por outro lado o modo como os pais modelam os seus comportamentos é fundamental na educação e na formação das suas crianças. Aos adolescentes é importante explicar que o consumo de álcool é proibido antes dos 18 anos porque interfere com o saudável e normal desenvolvimento das estruturas cerebrais, nomeadamente as áreas cerebrais responsáveis pelo controlo dos impulsos e da tomada de decisão. Monitorizar e apoiar os filhos e estar atento aos sinais é recomendável de modo a evitar situações mais difíceis de controlar.

Se sentir necessidade, procure ajuda especializada. A Sua Psicóloga poderá apoiá-lo/a na abordagem ao problema, na avaliação da situação, no acompanhamento ao adolescente e à família e orientar para uma intervenção com vista à resolução do problema e ao desenvolvimento de estratégias e hábitos de vida mais saudáveis e adequados.

Sugestão: http://www.sicad.pt/BK/RevistaToxicodependencias/Lists/SICAD_Artigos/Attachments/36/2007_02_TXT3.pdf

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