Psicóloga Clínica Especialista - Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde (Núcleo Saúde e Doença) pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e formação em Psico-Oncologia pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental e em Oncosexologia pela European School of Lifestyle Oncology.
Avaliação e acompanhamento psicológico a adolescentes e adultos (individual ou casal).
Ansiedade, Depressão, Dificuldades Relacionais, Dificuldades na Parentalidade, Perturbações do Comportamento Alimentar, Dificuldades de Adaptação à Doença Crónica e Processos de Luto.
A Terapia Cognitivo-Comportamental, desde a sua origem, vem a ser considerada como uma modalidade de tratamento muito eficaz nos mais variados tipos de perturbações psicológicas. Este tipo de terapia prevê a possibilidade da utilização de várias técnicas e “ferramentas” que complementam e auxiliam a ação do psicólogo, nomeadamente a prática de mindfulness.
A atenção plena ou mindfulness, segundo Goleman e Davidson (2017), é um dos métodos de meditação mais utilizados e divulgados no mundo ocidental, dentro de uma ampla variedade de métodos. Alguns especialistas utilizam o termo mindfulness para definir todo e qualquer tipo de meditação. A prática de mindfulness deriva da filosofia oriental budista, sendo considerada uma das técnicas de meditação mais antigas da Índia. Na filosofia oriental, a atenção plena pode ser definida como uma qualidade mental adquirida e cultivada através da prática da meditação com o intuito de se chegar a um desenvolvimento psicoemocional e espiritual. A meditação, é portanto, uma “ferramenta” capaz de produzir uma conexão completa entre a mente, o corpo e o espírito (Goleman & Davidson, 2017). Meditar é sentir a respiração, com a atenção plena ao que está a acontecer no momento presente, observar e aceitar sem julgamentos as experiências internas, sem avaliar ou tentar modificá-las.
Dentro do espectro das perturbações do comportamento alimentar, também descritas como perturbações da alimentação e da ingestão, podemos encontrar vários tipos, cada qual com as suas especificidades e critérios de diagnóstico. A anorexia nervosa é uma das perturbações mais conhecidas, a par da bulimia ou da perturbação de compulsão alimentar.
A anorexia nervosa é uma perturbação do foro mental e deve ser tratada como tal. O estigma associado (cada vez menos) à saúde mental, pode levar à falta de acompanhamento e a um atraso na avaliação e correto encaminhamento do caso. Em casos muito ligeiros, por vezes, a psicoterapia pode ser eficaz por si só, no entanto, muitas vezes é necessária uma intervenção multidisciplinar, que inclui pelo menos o médico psiquiatra, o psicólogo e o nutricionista. Habitualmente não é o doente que procura ajuda mas sim os seus familiares, após acentuada perda de peso. Quando é o próprio doente a procurar ajuda profissional, fá-lo frequentemente devido ao mal-estar que decorre das sequelas somáticas e fisiológicas do jejum. Raramente uma pessoa que sofre de anorexia nervosa se queixa do emagrecimento por si, uma vez que em regra, não tem consciência do problema ou nega-o. Por esta razão, a família pode constituir-se como uma importante fonte de informação na avaliação da história da perda de peso e das outras características da doença.
A depressão tardia refere-se ao aparecimento de estados depressivos depois dos 65 anos. A sintomatologia depressiva está frequentemente associada à presença de doença física ou neurológica e à incapacidade ou às limitações decorrentes de estados de doença, que levam ao declínio do estado geral do indivíduo.
As queixas mais frequentes nos indivíduos mais idosos são as dores de cabeça, dores reumatológicas ou músculo-esqueléticas bem como a sintomatologia gastrointestinal. Feito o despiste de doença orgânica que explique a referida sintomatologia, a presença da mesma pode ser explicada pela depressão, se combinada com alguma da sintomatologia típica desta doença. Os fatores de risco para a depressão no idoso prendem-se com questões de género, sendo mais prevalente nas mulheres do que nos homens. Outros fatores de risco para o desenvolvimento de patologia depressiva estão relacionados com o sistema endócrino e o sistema vascular. O diagnóstico de doenças médicas não psiquiátricas, nomeadamente doença oncológica, demência, doenças cardiovasculares, hipotiroidismo ou artrite, entre outras, constitui-se como um fator de risco relevante para a depressão, bem como o tipo de personalidade e as experiências de vida do sujeito. De referir ainda como potenciador de sintomatologia depressiva o stresse crónico a que o indivíduo possa estar sujeito, quer seja familiar, social ou económico.
O desejo de saber e a capacidade para aprender são características inatas do ser humano. Desde os primeiros dias de vida, as crianças utilizam as suas capacidades motoras, percetuais e sensoriais, para exercerem influência sobre os outros e sobre tudo o que os rodeia. É assim que identificam, apreendem e compreendem os vários ambientes onde se inserem, desenvolvendo competências físicas, cognitivas e sociais.
Quando as crianças entram na idade dos porquês, por volta dos 4 anos, isso não é mais do que a exploração da sua curiosidade, do seu desejo de saber. Na entrada para a para a escola, todo um novo mundo se abre às crianças. Mas será que o modelo clássico de escola e de ensino essencialmente expositivo, mata, aproveita ou incentiva o desejo de saber das crianças dos nossos dias? Supostamente a escola é uma fonte privilegiada de informação, onde as crianças têm acesso ao conhecimento e onde se dão, sem dúvida alguma, importantes processos de aprendizagem. Os professores são os grandes atores deste teatro de ensinamentos e conhecimentos, mas também os pares têm um papel muito significativo. Todas as experiências que ocorrem em contexto escolar, não só dentro da sala de aula mas também de recreio, são fontes de aprendizagem relevantes. No entanto, sem vontade e sem motivação não se aprende, não há aquisição de conhecimentos, ou se há, pode não ser suficientemente sólida e duradoura.
Filhos a dormir no meio dos pais, mães ou pais a dormir na cama com o filho, o pai a dormir no sofá da sala porque o filho dorme com a mãe, a mãe a dormir na cama de um filho e o pai na cama com o outro… tantas possibilidades de cenários e tão reais e até frequentes.
Vários são os argumentos utilizados pelos pais para justificarem algumas destas situações. “Se eu não for para a cama dele, ele não dorme”, “se não a deixar aconchegar-se no meio de nós ela passa a noite a acordar e ninguém tem sossego”, “eu deixo-o dormir comigo porque também gosto desse miminho” ou “é uma boa maneira de não ter que dormir com o meu marido”. São todos argumentos possíveis, e eu já os ouvi a todos! Geralmente aconselha-se que a criança durma sozinha, se possível a partir dos seis meses de vida, de preferência no seu próprio quarto, no sentido de favorecer a sua capacidade de estar só e de promover o desenvolvimento da sua autonomia.
A situação de filhos a dormirem com os pais pode arrastar-se ao longo de muitos anos e o impacto que esse facto tem na vida das crianças e dos casais pode ser muito perturbador. Por vezes tudo começa com apenas uns minutos para que a criança adormeça, que depois se estendem por mais tempo e se repete por uns dias, semanas e por vezes anos. Acontece também o pai ou a mãe trocarem de forma definitiva a sua cama pela cama do filho, ou o contrário, o filho permanece na cama dos pais, expulsando definitivamente um dos progenitores do seu lugar. A duração deste comportamento, quando prolongada, tende a ser banalizada pelos intervenientes e as consequências podem ser de grande gravidade, não apenas na perspetiva do desenvolvimento da criança, mas também na ameaça que o referido comportamento constitui para a intimidade do casal e para a saúde e qualidade da sua relação.
As crianças devem para o seu próprio bem, adquirir autonomia em relação ao momento do sono nos primeiros anos de vida, de modo a potenciarem o seu adequado desenvolvimento e a tornarem-se adultos autónomos e saudáveis. Adormecer por rotina na cama dos pais não é uma prática adequada. Numa situação de exceção pode ser compreendido mas só mesmo excecionalmente. Se a criança está doente, se está a ultrapassar um momento particularmente difícil, se está num contexto diferente, poderão ser motivos para que se abra a tal exceção mas logo que a situação regularize as rotinas que envolvem o deitar e o dormir deverão também elas ser reestabelecidas.
Na origem destes hábitos menos recomendáveis está por vezes a dificuldade que alguns pais têm em estabelecer regras e limites, e em fazê-los cumprir. Definir um horário regular para deitar a criança é recomendável. Deverá ser explicada à criança a importância do dormir. Dormir faz bem porque descansa o corpo e o cérebro. As células regeneram-se com maior rapidez durante o sono. A criança vai crescer e desenvolver-se também enquanto dorme. Dormir bem faz com que se cresça bem. Uma cabeça bem descansada terá melhor capacidade de atenção, concentração e aprendizagem, logo, uma boa noite de sono promove um dia de escola mais produtivo. Se dormirem bem e o suficiente (cerca de 9 a 10 horas/noite em idade escolar) as crianças também vão brincar mais, ficam mais despertas e curiosas para as aprendizagens informais e mais predispostas para as relações sociais.
Por outro lado, alguns pais acham que dormindo com os filhos os estão a proteger. Certo é, que o excesso de proteção pode levar a que a criança se torne insegura, dependente e ansiosa e carregar esse fardo ao longo da sua vida adulta. Proteger significa salvaguardar que a criança está num ambiente confortável, seguro e que reúne todas as condições necessárias a um sono descansado (conforto, temperatura, ausência de ruído, etc.). O afeto, tão importante para o desenvolvimento psicossocial de todas as crianças, deve ser também contemplado na hora de deitar. Acompanhar a criança ao quarto, aconchegar-lhe a roupa, contar uma história, falar um pouco acerca dos acontecimentos do dia, completados com uma dose “terapêutica” de beijinhos e abraços, seguidos de um boa noite e até amanhã, são exemplos de boas práticas de final de dia.
Quando um casal tem problemas que se refletem na partilha da cama, por vezes “utilizam” o filho como justificação para se manterem afastados. Colocar o filho a dormir entre os dois ou por outro lado, passar a ir dormir no quarto com o filho, são práticas muito mais comuns do que o que seria desejável, com tudo o que isso implica para o relacionamento do casal, quase sempre jovem, e das implicações para o desenvolvimento da criança, já sobejamente conhecidas. Havendo dificuldades no seu relacionamento, um casal deverá sempre procurar resolvê-las sem que isso envolva dormir com os filhos.
São várias as estratégias a adotar para que as crianças adquiram hábitos de sono saudáveis desde tenra idade. Preparar um quarto para criança ou uma cama num quarto que irá partilhar com um irmão, é o que se aconselha para que a criança conheça e se habitue ao seu espaço de descanso. É importante que se crie o hábito de por a criança a dormir na sua própria cama em idade precoce (4 a 6 meses) pois facilita o processo de adaptação. A criança vai saber que aquele é o seu lugar para dormir e vai mais facilmente aceitar essa regra. Quanto mais coerência e menos exceções houverem, mais facilmente a criança se vai habituar a dormir na sua cama. Por outro lado, pode também ser muito útil a preparação da rotina de dormir, ou seja, poderá prevenir interrupções do sono durante a noite se a criança se deitar após a digestão, se forem evitadas refeições muito fartas ou atividades físicas muito estimulantes. A ingestão de líquidos a partir das 18 horas deverá ser moderada para evitar que a criança urine muito durante a noite e interrompa o sono.
Se o problema está instalado e não está a conseguir tirar o seu filho da sua cama, procure a ajuda da Sua Psicóloga. Ela poderá avaliar devidamente a situação e ensinar-lhe outras estratégias, que poderão fazer toda a diferença para que as noites em sua casa sejam mais tranquilas e felizes!
Na depressão, ou de uma forma mais generalizada, nas síndromes depressivas, o humor fica necessariamente alterado e observa-se no indivíduo uma reação disfórica, habitualmente caracterizada por uma tristeza permanente, por falta de respostas de humor positivas. Desde a forma mais ligeira, até á forma mais profunda, a sintomatologia depressiva não deve ser ignorada ou desvalorizada, sob pena de se poder tornar crónica.
Para que se possa identificar um quadro depressivo, é necessário que, em primeiro lugar identifiquemos períodos de tempo marcados pelo humor depressivo, mas não só. É necessário avaliar outros sintomas afetivos, cognitivos e comportamentais. Em relação aos primeiros, a presença de sentimentos de culpabilização, o sentimento de desamparo e auto desvalorização, a falta de confiança em si mesmo e a baixa autoestima, são exemplos concretos de sintomas depressivos. No que diz respeito aos sintomas cognitivos, salientam-se as dificuldades de concentração, atenção, memória, o pessimismo, uma visão negativa acerca do passado, presente e perspetiva de futuro, bem como os pensamentos intrusivos ou até mesmo os pensamentos suicidas. Os sintomas comportamentais que caracterizam a depressão são essencialmente o isolamento, o choro fácil, a tensão muscular, as alterações do apetite, por excesso ou por defeito, e, em casos mais extremos, a automutilação e as tentativas de suicídio.
Ao longo da infância, as relações sociais, nomeadamente com outras crianças, desempenham um papel importante no desenvolvimento infantil. Contudo, é na adolescência que a relação com os pares se torna mais relevante, tanto na aprendizagem de competências sociais como na expressão emocional ou até na construção da personalidade.
As relações de amizade e de igualdade que se estabelecem entre os adolescentes, a grande quantidade de tempo que partilham, bem como as atividades conjuntas, aproximam colegas e amigos, fazendo com que estes tenham uns nos outros um espaço privilegiado de cooperação, intimidade, confidencialidade, interajuda e até de “porto seguro”, apesar da competitividade que por vezes está presente. Ao integrar-se num grupo, ou seja, ser aceite pelos pares, o adolescente sente-se reconhecido pelo grupo e passa a participar e a contribuir para a existência desse mesmo grupo, desenvolvendo em si o sentimento de pertença, tão importante para as suas vivências dessa fase da vida.
A Perturbação daPersonalidade Esquizoide expressa-se essencialmente por três características: a falta de interesse nas relações sociais, a tendência para o isolamento e a frieza emocional.
Apesar da semelhança semântica e de alguns sintomas comuns (como o embotamento emocional e o isolamento), a Perturbação da Personalidade Esquizoide não é o mesmo que esquizofrenia. A esquizofrenia caracteriza-se sobretudo, por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas, como é o caso dos sintomas psicóticos de delírio ou alucinação. O termo esquizoide foi criado por Eugen Bleuer, no início do século XX, para definir uma tendência da pessoa para dirigir a sua atenção para o mundo interior, fechando-se ao mundo exterior e á experiência.
A característica central que define esta perturbação da personalidade é o padrão evasivo de distanciamento dos relacionamentos sociais, a par com uma diminuta expressão emocional em termos interpessoais. Este padrão começa tipicamente no início da idade adulta e revela-se nos diversos contextos em que a pessoa se move. Os indivíduos com personalidade esquizoide parecem não ter um desejo de intimidade, preferindo passar o tempo sozinhos em detrimento de estar com outras pessoas, mesmo no contexto familiar. As atividades escolhidas são predominantemente solitárias e mesmo quando se tratam de momentos passados com outras pessoas, a interação é diminuta. Deste modo, identifica-se uma preferência por tarefas mecânicas ou abstratas, assim como uma satisfação reduzida com experiências sensoriais
Um indivíduo com Perturbação da Personalidade Esquizoide parece ser igualmente indiferente às críticas ou elogios. Pode parecer lento e letárgico, com um discurso monocórdico, tendo tendencialmente um humor negativo. Esta perturbação da personalidade pode emergir durante a infância ou adolescência, sob a forma de solidão, fraco relacionamento com os pares e baixo rendimento escolar, o que pode conduzir a situações em que estas crianças/adolescentes sejam vistas como diferentes e como alvos de bullying. A Perturbação da Personalidade Esquizoide é diagnosticada com uma frequência levemente superior em sujeitos do sexo masculino. Pode ainda ter uma prevalência maior entre os familiares de indivíduos com Esquizofrenia ou Perturbação da Personalidade Esquizotípica.
Os critérios de diagnóstico desta perturbação são a existência de um padrão de distanciamento das relações sociais e uma faixa restrita de expressão emocional em contextos interpessoais, que começa no início da idade adulta e está presente numa variedade de contextos, indicado pelo menos por quatro dos seguintes critérios: não deseja nem retira prazer de relações próximas, incluindo fazer parte de uma família; escolhe habitualmente atividades solitárias; manifesta pouco ou nenhum interesse em ter experiências sexuais com outra pessoa; tem prazer em poucas atividades, ou em nenhuma; não tem amigos íntimos ou confidentes sem ser familiares em primeiro grau; mostra-se indiferente a elogios ou críticas dos outros; demonstra frieza emocional, distanciamento ou afetividade embotada.
A psicoterapia, tendo uma forte natureza interpessoal, a partir da qual se estabelece a relação terapêutica, pode inicialmente ser difícil de aceitar por parte dos indivíduos com Perturbação da Personalidade Esquizotípica. Estas pessoas poderão ter algumas dificuldades na colaboração e relação com o psicólogo. A psicoterapia poderá trazer sentimentos ambíguos, havendo o receio por parte do cliente de que a mesma o faça descobrir mais falhas na sua personalidade e aumentar o seu sentido de desadequação. Poderá ainda ser igualmente, difícil definir objetivos terapêuticos de mudança e colaboração. Porém, com validação por parte do terapeuta, será importante o foco da atenção na idiossincrasia do problema, isto é, naquilo que preocupa o cliente num determinado assunto, que será relevante clarificar. Será difícil para o psicólogo, por exemplo, aceitar objetivos terapêuticos que não incluam a integração social e que não vão de encontro destas crenças. Por exemplo, quanto à temática de “não ter amigos”, o psicólogo poderá considerar que seria importante para o cliente ter um amigo ou dois, quando para este, o importante neste tema, poderá ser que a família não esteja sempre a dizer-lhe que devia ter amigos.
A intervenção psicológica com clientes com este tipo de personalidade, cujas crenças e perceções podem contrastar significativamente com as do psicólogo, poderá trazer algumas dificuldades e é sem dúvida um desafio. O cliente poderá ter crenças muito enraizadas como: “as pessoas são cruéis”; “as pessoas são frias”; “as pessoas apenas deverão falar se houver alguma coisa para falar”. Do ponto de vista terapêutico, muito mais do que tentar iniciar processos de mudança comportamental ou de reestruturação cognitiva, é conduzir a intervenção no sentido do estabelecimento de uma relação de empatia e confiança, fortalecida pela sua forma centrada no cliente. O que se pretende é lentamente ir ganhando a confiança do cliente ao mesmo tempo que este adquire segurança e aos poucos vai expressando as suas necessidades e emoções, com o objetivo ir conduzindo a intervenção no sentido da diminuição o seu défice funcional e aumento da sua adaptação aos diversos contextos em que se move.
Fonte:
Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – Quinta Edição (DSM-V). American Psychiatric Association.
O conceito de qualidade de vida tem vindo a ser referenciado desde a segunda metade do século XX e aplicado em diversos contextos, desde a saúde, a política ou o meio académico, entre outros, no sentido de se poder “medir” os níveis de vida das diversas populações mundiais. Nos dias de hoje, este conceito tem ainda uma definição imprecisa, no entanto, com toda a subjetividade que encerra, o conceito de qualidade de vida tem assumido um cada vez maior relevo, quando se fala de saúde e bem-estar.
Inicialmente, a investigação associava a qualidade de vida a um conceito quantitativo, ligado principalmente aos recursos materiais disponíveis para um sujeito ou sociedade. Com o passar do tempo, esta associação foi perdendo alguma força e passou a haver uma tendência para se entender a qualidade de vida através de uma abordagem mais ampla e integrativa. Assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs atribuir uma natureza multifatorial a e pluridimensional a este conceito. Deste modo, passou a medir-se a qualidade de vida em termos de saúde física, saúde mental, nível de independência, qualidade das relações sociais e ambiente. Trata-se de uma perspetiva global e abrangente, que leva em consideração as várias dimensões do ser humano, na determinação dos níveis de qualidade de vida de cada indivíduo.
Entendendo o conceito como a sensação de bem-estar do indivíduo, este baseia-se tanto em fatores subjetivos, mais difíceis de quantificar e comparar, como objetivos, mais palpáveis e específicos. Deste modo, alguns autores consideram a qualidade de vida como uma condição complexa e multifatorial sobre a qual é possível desenvolver algumas formas de medidas objetivas, através de uma série de indicadores. Porém, a experiência que o indivíduo tem de si mesmo, tem também um papel muito significativo. O facto de o indivíduo ter recursos materiais ótimos de sobrevivência, não é garantia de que o seu nível de qualidade de vida seja elevado, uma vez que o que a determina, é a forma e a capacidade do indivíduo em perceber e se apropriar dessas condições e de outras. A própria conjuntura política ou cultural, influenciam a forma como o indivíduo percebe a sua vivência e a classifica como mais ou menos satisfatória.
Maslow, ao construir a sua pirâmide das necessidades, cujos sistemas de necessidades podem ser tomados também como parâmetros de promoção da qualidade de vida, defende que uma vez satisfeitas as necessidades relacionadas à simples sobrevivência (fisiológicas), outros grupos de necessidades dominariam o indivíduo hierarquicamente (segurança, amor, estima, etc.), fazendo-o avançar nas suas condições de bem-estar. Assim, conclui-se que a qualidade de vida se eleva através de uma escala de valores que avança desde a satisfação das necessidades básicas do ser humano, em direção ao sentimento de bem-estar subjetivo e social, levando a uma definição possível como sendo a condição biopsicossocial de bem-estar, relativa a experiências humanas objetivas e subjetivas e considerada dentro das particularidades individuais e sociais de cada caso particular. Trata-se de uma definição de caráter contextual, devendo ser entendida dentro das especificidades de cada situação, e multidimensional, considerando os vários determinantes da condição humana.
A intervenção psicológica tem múltiplos objetivos, porém visa sempre o aumento da qualidade de vida do indivíduo. Neste contexto, as ações dirigidas à saúde em particular, adquirem grande relevância. Uma boa saúde é o melhor recurso para o progresso pessoal, económico e social, sendo uma dimensão muito importante da qualidade de vida. Se compreendermos a saúde como elemento fundamental no conjunto de condições indispensáveis à qualidade de vida, a sua promoção deve ser uma prioridade. Um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença, potencia a elevação da qualidade de vida do indivíduo.
Cuide da sua saúde física e mental. Ambas concorrem para o aumento dos seus recursos, quer materiais e palpáveis, quer subjetivos e particulares, que farão de si uma pessoa com maior qualidade de vida e consequentemente, uma pessoa mais feliz!
Mais um ano que se aproxima do fim, mais um ano que vai começar. Esta é tipicamente, uma fase em que se faz um balanço do que foi o ano que termina e se fazem planos para o ano que inicia. As “famosas” resoluções de Ano Novo!
Como é sabido, a situação pandémica que temos vivido nos últimos quase dois anos, em muito contribuiu para agravar problemas de saúde mental a quem já deles padecia, ao mesmo tempo que despoletou o surgimento desse mesmo tipo de perturbações, em pessoas anteriormente saudáveis. As súbitas mudanças que se observaram no nosso quotidiano, como é o caso do isolamento social, da utilização de máscara e outras medidas de proteção individual, a obrigatoriedade de teletrabalho ou telescola, entre outras alterações que o nosso dia-a-dia sofreu, têm sido responsáveis por uma instabilidade emocional, que em muitos casos deu origem a problemas relacionados com ansiedade ou depressão. Algumas pessoas, pelas suas características de personalidade, tiveram maior capacidade de adaptação a uma realidade outrora inimaginável. Outras pessoas, com maiores dificuldades de adaptação, sofrem desde há muito com todas as modificações a que se viram obrigadas e que tiveram um impacto muito negativo no seu quotidiano e nas suas vidas.
A pandemia tem sido muito difícil para todos e tem trazido consigo muita dor e muitas emoções negativas, como o medo, a tristeza, a angústia, a solidão, etc. Todas estas emoções e algumas das mudanças a que fomos obrigados, geraram em algumas pessoas uma incapacidade para a ação, ou seja, algumas pessoas sentem que não estão bem mas não conseguem iniciar esforços que as ajudem a melhorar. Tratam-se de situações em que a ansiedade, o medo ou os sintomas depressivos as impedem de agir, no sentido da mudança, para que possam melhorar o seu bem-estar e serem mais felizes. Algumas pessoas conseguem adaptar-se de tal forma a esta atual realidade, que parece que apesar das alterações que aconteceram nas suas vidas, continuam a “caminhar” com alegria e otimismo. Outras, não conseguem ver a “luz ao fundo do túnel” e fecham-se em si mesmas, descendo nessa espiral negativa que é a doença mental.
Num momento de viragem do ano, em que tipicamente se fazem planos para o ano que vai entrar, algumas pessoas não conseguem sequer imaginar que a sua vida poderá melhorar, uma vez que não acreditam na mudança delas próprias. Quando algo está mal, ou nos adaptamos e seguimos vivendo em harmonia, ou, na maioria dos casos, temos que empreender esforços de mudança para conseguirmos ser pelo menos funcionais, senão felizes. O processo de mudança começa dentro de cada um de nós, no momento em que reconhecemos que efetivamente temos um problema ou uma dificuldade. A partir desse momento, com ou sem ajuda profissional, a pessoa pode preparar-se para agir. A ação pode passar por um conjunto de comportamentos a abolir, a iniciar ou a transformar, com o intuito de se tornarem mais adaptativos. Modificar comportamentos pode não é tarefa fácil e por vezes pode ser necessário apoio, acompanhamento e compromisso, para que cada pequeno esforço, cada pequeno passo no sentido daquilo que se deseja, não seja nunca um retrocesso mas sim uma conquista sólida e consistente.
Numa época em que a saúde mental está na “ordem do dia”, a sua prevenção, manutenção ou o seu tratamento pode passar por pedir ajuda a um técnico especializado. O primeiro passo pode estar na mão dos cuidados de saúde primários, que havendo disponibilidade, o médico assistente pode encaminhar o indivíduo para a consulta de psicologia. Infelizmente, o nosso Serviço Nacional de Saúde, não dispõe de psicólogos em número suficiente para atender a todos os que desse apoio necessitam. Assim sendo, na maioria das situações, esse apoio terá que ser prestado por profissionais independentes, em clínica privada. No entanto, este não deve ser um motivo para deixar de procurar ajuda.
Há a ideia generalizada de que os serviços privados de avaliação e acompanhamento psicológico são muito dispendiosos, não é de todo uma realidade. É claro que cada pessoa tem as suas limitações em termos de orçamento, porém, muitas vezes os custos das consultas não são assim tão elevados, havendo até muitos profissionais que atendem e cobram as suas consultas, levando em consideração os casos de maior vulnerabilidade económica, numa vertente de responsabilidade social. Assim, recomenda-se que se quebre em primeiro lugar o estigma de que a saúde mental é menos importante do que a saúde física, pois ambas estão interligadas. Por outro lado, não é vergonha nem embaraço para ninguém, recorrer á ajuda de um psicólogo, num momento de maior instabilidade emocional. O reestabelecimento ou a manutenção da saúde mental é extremamente importante e repercute-se também na saúde física e no bem-estar individual, familiar e social.
Se sente que pode estar a sofrer de problemas ao nível da ansiedade, se apresenta sintomatologia depressiva ou se apenas não está a saber lidar com as suas emoções ou com os seus relacionamentos, não deixe de colocar nas resoluções de Ano Novo, a procura de apoio psicológico. Uma correta avaliação do seu caso e um plano de intervenção adequado, poderão fazer toda a diferença no seu bem-estar pessoal e nas suas relações sociais e familiares. O autoconhecimento, a aprendizagem e treino de estratégias para lidar com a sua ansiedade, a estruturação comportamental em casos de depressão, são exemplos de intervenções que podem modificar a sua vida e torna-la mais fácil e mais feliz. A par com os típicos planos para iniciar a prática desportiva, iniciar a reeducação alimentar para controlar o peso, porque não iniciar um acompanhamento psicológico, para melhorar a sua qualidade de vida, aprendendo a conhecer-se melhor e permitindo-se abrir-se a diferentes perspetivas?
Ano Novo, Vida Nova! Comece o Ano de 2022 a pensar em si e procure ajuda. A Sua Psicóloga, estará ao dispor para a (o) orientar na descoberta de si mesma (o) e do que a (o) pode tornar numa pessoa mais feliz!