Terapia Cognitivo-Comportamental e Mindfulness

 A Terapia Cognitivo-Comportamental, desde a sua origem, vem a ser considerada como uma modalidade de tratamento muito eficaz nos mais variados tipos de perturbações psicológicas. Este tipo de terapia prevê a possibilidade da utilização de várias técnicas e “ferramentas” que complementam e auxiliam a ação do psicólogo, nomeadamente a prática de mindfulness.

 A atenção plena ou mindfulness, segundo Goleman e Davidson (2017), é um dos métodos de meditação mais utilizados e divulgados no mundo ocidental, dentro de uma ampla variedade de métodos. Alguns especialistas utilizam o termo mindfulness para definir todo e qualquer tipo de meditação. A prática de mindfulness deriva da filosofia oriental budista, sendo considerada uma das técnicas de meditação mais antigas da Índia. Na filosofia oriental, a atenção plena pode ser definida como uma qualidade mental adquirida e cultivada através da prática da meditação com o intuito de se chegar a um desenvolvimento psicoemocional e espiritual. A meditação, é portanto, uma “ferramenta” capaz de produzir uma conexão completa entre a mente, o corpo e o espírito (Goleman & Davidson, 2017). Meditar é sentir a respiração, com a atenção plena ao que está a acontecer no momento presente, observar e aceitar sem julgamentos as experiências internas, sem avaliar ou tentar modificá-las.

O Mindfulness tem sido cada vez mais utilizado pelos profissionais de saúde nas suas intervenções terapêuticas, com o objetivo de melhorar a saúde física e mental dos seus pacientes. Assim, esta técnica de meditação tem sido integrada em práticas clínicas contemporâneas, principalmente na Psicologia e na Medicina. Considerando que a atenção plena é um estado mental, um conceito psicológico, e também um conjunto de técnicas ou exercícios mentais, esta pode ser treinada através de técnicas ou exercícios meditativos e psicoeducativos, os quais constituem um elemento fundamental do plano de intervenção psicoterapêutica. Na perspetiva das neurociências e da neuropsicologia, as práticas de mindfulness podem produzir efeitos benéficos na saúde mental e física do indivíduo, modificando o funcionamento do cérebro, aumentando as atividades no hemisfério esquerdo e a neuroplasticidade, conduzindo a uma desaceleração do envelhecimento cerebral. O desenvolvimento de competências cognitivas como a memória e a perceção sensorial e a capacidade de foco e raciocínio, podem também ser potenciadas pela prática de mindfulness (Goleman & Davidson, 2017).

Através da prática de mindfulness torna-se possível aprender a lidar com os pensamentos, tendo consciência suficiente para conseguir observá-los quando surgem, sendo possível atingir uma mudança na forma de se relacionar com estes eventos cognitivos, através da perceção dos pensamentos não como informações objetivas e verdadeiras, mas como produções subjetivas. Assim sendo, a prática contínua da meditação tem por objetivo estimular o processo de metacognição no qual são trazidos para a consciência a dinâmica dos pensamentos, sentimentos e comportamentos a eles associados (Hofmann, 2014). Metacognição, de acordo com o mesmo autor, é a cognição da própria cognição, ou seja, é tomar consciência do próprio processo cognitivo. Vários autores enfatizam que na prática de mindfulness, gradualmente os indivíduos aprendem a trabalhar com emoções negativas num contexto metacognitivo, permitindo a diminuição de julgamentos prévios em situações sociais, gerando consequentemente uma maior consciência nas tomadas de decisão e na apresentação de comportamentos mais adaptativos.

Atenção plena ou mindfulness pode definir-se como um estado mental, cuja principal característica é a autorregulação da atenção focada para o que se está a experienciar no momento presente. A prática de mindfulness permite ajudar a contrariar o funcionamento em “piloto-automático”, ou seja, sem plena consciência dos acontecimentos e ações. Evidências científicas demonstram que as práticas de meditação podem auxiliar no desenvolvimento das funções cognitivas e também das funções executivas. Através do uso da meditação mindfulness como uma ferramenta terapêutica, é possível estimular as capacidades cognitivas do paciente, permitindo benefícios em perturbações como a ansiedade, a depressão, a dor crónica, entre outras, promovendo o aumento do bem-estar físico e psicológico do indivíduo.

A prática de mindfulness apresenta alguns pontos de convergência com os mais variados tipos de abordagens psicoterapêuticas, como por exemplo a Gestalt, a Psicologia Positiva e as Terapias Cognitivo-Comportamentais de Terceira Geração. Levando em consideração os princípios fundamentais da Psicologia Positiva, vários estudos nesta área apresentam contribuições para a psicologia clínica, redirecionando o foco das pesquisas e intervenções, para os fatores de proteção e prevenção em saúde e para os aspetos saudáveis do desenvolvimento humano. Estes aspetos positivos incluem a resiliência, o bem-estar subjetivo, o otimismo, a felicidade, a esperança, a autoestima, a criatividade e a espiritualidade. A importância da valorização dos aspetos positivos da subjetividade humana, da aceitação, da compaixão, da gratidão e das emoções positivas, pode ser muito significativa para a manutenção da saúde mental e para um desenvolvimento adequado e adaptativo do indivíduo, sendo assim reconhecida a importância do mindfulness e da positividade, na abordagem aos problemas psicológicos.

Fontes:

Goleman, D., & Davidson, R. J. (2017). A ciência da meditação: como transformar o cérebro, a mente e o corpo. 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva.

Hofmann, S.G. (2014). Introdução à terapia cognitivo-comportamental contemporânea. Porto Alegre: Artmed.

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