Síndrome do X-Frágil, o que é?

X FrágilA Síndrome do X-Frágil é uma doença genética associada ao cromossoma sexual X, sendo a causa hereditária mais comum para o défice cognitivo, antigamente designado por atraso mental.

A síndrome do X-Frágil tem na sua origem uma alteração na estrutura do ADN num gene específico, o FMR-1, que o impede ou dificulta a produção da proteína FMRP. Esta proteína ajuda a regular a produção de outras proteínas que influenciam o desenvolvimento das sinapses, isto é, as conexões especializadas entre as células nervosas e fundamentais para a neuro-transmissão. O grau de dificuldade na produção da referida proteína ou mesmo a impossibilidade de a produzir, é que vai determinar o nível do défice intelectual, ou seja, se é ligeiro, moderado ou acentuado. Pode ainda ocorrer que algumas pessoas sejam apenas portadoras, tendo apenas um pequeno defeito no gene FMR1, conhecido como pré-mutação, não apresentando os sintomas característicos da Síndrome do X-Frágil. Esta doença deriva da alteração de um único gene e pode ser transmitida à geração seguinte. É uma síndrome mais comum nos rapazes do que nas raparigas, pelo facto de estes possuírem apenas um cromossoma X. No caso dos rapazes, o défice cognitivo é tendencialmente mais acentuado do que nas raparigas.

Síndrome X FrágilOs sintomas apresentados pelos indivíduos afetados pela Síndrome do X-Frágil são físicos e comportamentais. Em relação aos sintomas ou características físicas destacam-se a cabeça grande, as orelhas grandes ou salientes, a fronte proeminente e a face alongada. Habitualmente estes indivíduos apresentam baixo tónus muscular, pé plano e o céu-da-boca elevado e com uma curvatura acentuada. No que diz respeito às características comportamentais salientam-se o défice cognitivo, que como já foi referido pode variar desde perturbações ligeiras de aprendizagem até ao défice cognitivo profundo. Associam-se a esta síndrome as dificuldades de atenção e concentração, bem como a hiperatividade. Timidez, ansiedade social, dificuldade em manter contacto ocular e oscilações do humor podem também ser características das pessoas afetadas por esta síndrome. Estas apresentam também frequentemente atitudes de defesa tátil devido à hipersensibilidade sensorial. A mordedura das mãos e os movimentos estereotipados fazem também parte das características físicas. É de referir ainda como associadas a esta síndrome, as dificuldades de linguagem e por vezes as perturbações do espectro do autismo.

Síndrome do X FrágilNão é ainda conhecida uma cura para este problema, uma vez que se trata de uma doença genética. No entanto, as crianças diagnosticadas com a Síndrome do X-Frágil podem beneficiar de uma intervenção precoce ao nível da educação, com os apoios adequados disponíveis no ensino regular, ao invés de serem institucionalizadas em centros de apoio para deficientes. Terapia da fala, terapia ocupacional e psicoterapia podem também fazer a diferença na vida destas crianças, a par da intervenção farmacológica. Todos estes apoios podem potenciar a sua funcionalidade e explorar os seus pontos fortes. Pessoas com Síndrome do X-Frágil são frequentemente empáticas, com bom sentido de humor, boa memória e tendem a interessar-se intensamente por vários temas. Não havendo a possibilidade de curar a doença, há sempre a possibilidade de reduzir os seus efeitos negativos agindo sobre os sintomas a ela associados. A intervenção com crianças com Síndrome do X-Frágil é fundamental no sentido de potenciar o seu rendimento escolar, adaptação sócio-emocional e qualidade de vida.

 

Sugestão:

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A família e o desenvolvimento da criança

Família e criançasO desenvolvimento saudável da criança pressupõe a satisfação das suas diversas necessidades básicas. Desta forma a criança terá uma favorável adaptação aos vários contextos em que se movimenta. A família assume assim um papel fundamental enquanto contexto de interações privilegiadas por proximidade física e afetiva.

Na infância, a criança ainda não adquiriu todas as competências e capacidades necessárias à satisfação das suas necessidades básicas, à sua autonomia e ao equilíbrio do seu desenvolvimento. Deste modo, é na família, principalmente nos pais, que a criança encontra o seu suporte. Em parte, são as competências parentais que vão determinar o curso do desenvolvimento da criança e da sua adaptação ao mundo. A saúde, a educação, o autocuidado, o desenvolvimento afetivo, a identidade, os relacionamentos familiares e sociais, são as dimensões definidas como fundamentais para o desenvolvimento favorável da criança. Continue a ler “A família e o desenvolvimento da criança”

O desenho da família

AvaliaçãoA avaliação psicológica deve contemplar um leque tão alargado quanto possível de testes, técnicas e informadores. Em psicologia pediátrica, o teste do Desenho de Família de Corman é um dos mais utilizados, não só pela facilidade da sua aplicação como também pela boa recetividade que tem por parte das crianças e também pela riqueza da informação que esta técnica permite.

O teste do Desenho de Família de Corman é um teste gráfico que tem como finalidade a exploração do funcionamento interno da criança, da sua perceção em relação à família, do lugar que ocupa na mesma, do relacionamento com os diversos elementos que a constituem e do modo como os vários elementos se relacionam entre si, entre outras dimensões passíveis de serem avaliadas. A técnica consiste em solicitar à criança que desenhe uma família e não a sua família: “Imagina uma família e desenha-a”. No decorrer do teste, o examinador, habitualmente um psicólogo, vai registando alguns pontos como a orientação do desenho, a posição da folha de papel, o detalhe, a ordem em que as várias personagens aparecem no desenho, a duração da tarefa, a firmeza do traço, o tamanho dos desenhos mas também a linguagem verbal e não-verbal da criança durante a prova assim como as suas verbalizações. Continue a ler “O desenho da família”

Imagem corporal e perturbações alimentares na infância

Perturbações alimentáres

O excesso de peso tem nos dias de hoje uma expressão significativa nas nossas crianças e jovens, no entanto, muitas das crianças que procuram perder peso nem sempre têm peso a mais, assim como as que querem engordar nem sempre têm peso a menos. A preocupação com a imagem corporal, principalmente na fase da infância e da adolescência, tem a ver com o modo como a criança se vê, isto é, como julga a sua aparência.

Um fator de extrema importância para o desenvolvimento das perturbações do comportamento alimentar, mais comuns nas raparigas, é a maneira como estas se vêm, ou seja, a imagem que têm de si mesmas. Por vezes, uma imagem distorcida da realidade pode ser interpretada como a necessidade de a alterar e pode conduzir a perturbações sérias, que podem pôr em risco não só a saúde como a própria vida. Uma criança/adolescente que se vê gorda, ainda que possa ter o peso adequado à sua idade e estatura, é uma criança em risco. As meninas, ao entrarem na fase da puberdade começam a apresentar formas mais arredondadas e um aumento da gordura corporal que é normativo. Porém, muitas vezes influenciadas por modelos de magreza, que podem ser as suas amigas ou figuras mediáticas veiculadas através dos meios de comunicação social, passam a ter uma imagem de si mesmas que lhes desagrada e que consideram indesejável, embora faça parte do seu desenvolvimento normal. Continue a ler “Imagem corporal e perturbações alimentares na infância”

Crianças ansiosas: ajude-as!

Ansiedade socialAs perturbações de ansiedade surgem frequentemente em idade precoce. Crianças e adolescentes não estão “imunes” a este problema, no entanto, isso não significa que tenham que viver com ele para o resto das suas vidas. Os problemas relacionados com a ansiedade tratam-se e esta pode deixar de ser perturbadora e passar a ser adaptativa.

Sabe-se que o medo e a ansiedade são protetores e que uma dose moderada de cada um deles fazem parte do processo normativo do desenvolvimento infantil.  Uma das formas de ansiedade mais comum nas crianças, mesmo as de mais tenra idade, é a ansiedade de separação. Reagir com choro à separação da mãe ou de outra figura de vinculação é uma característica deste tipo de perturbação. Mais tarde, a entrada para o infantário, pode ser também um momento em que a ansiedade se manifesta de forma mais ou menos perturbadora. Os medos também são característicos de determinadas fases do desenvolvimento, como é o caso do medo do escuro ou dos fantasmas ou monstros, por volta dos 4 anos. Posteriormente, em idade escolar, é também comum aparecerem “novos” medos como a morte ou as agressões. No início da adolescência, é muito frequente a ansiedade social, ou seja, medo ou perturbação de falar em público, de se exporem. Continue a ler “Crianças ansiosas: ajude-as!”

Só queria ver o meu pai uma vez, só uma…

Pai ausente.jpegO Filipe tem 12 anos e é um menino muito meigo, tranquilo e sossegado. Não gosta de barulho, de confusão, de locais muito movimentados e de grandes reboliços. Prefere estar em casa, não lida bem com o imprevisto e escolhe brincar sozinho em vez de ir jogar à bola com o seu grupo de colegas da escola.

O Filipe não vê o pai desde os seus 5 anos. Por essa altura, os pais divorciaram-se e o pai apenas o procurou um par de vezes para estar com ele. Saíram, foram para a casa do pai e o Filipe recorda um jantar que não terá corrido muito bem, pois diz que o pai tinha a casa cheia de amigos e pouco lhe ligou. Foi a última vez que o viu. Do pai nada sabe, se está vivo, onde vive, o que faz… nada. Sofre muito com essa ausência na sua vida mas parece que nada pode ser feito para alterar a sua realidade. Pelo menos para já.

Em sessão com a psicóloga, onde anda em acompanhamento por apresentar elevada sintomatologia ansiosa, o Filipe verbaliza: “Só queria ver o meu pai uma vez, só uma, para lhe dizer que estou muito zangado com ele. E depois, nunca mais o quero ver na vida”.

Quem cuida do cuidador?

Cuidadores informais

Ser Cuidador Informal implica uma enorme sobrecarga a nível físico, psíquico, social e financeiro. Todos os benefícios que possam ser atribuídos a estas pessoas irão ajudar na manutenção da sua saúde, do seu bem-estar e da sua qualidade de vida.

São considerados Cuidadores Informais, os cônjuges ou unidos de facto, parentes ou afins até ao quarto grau da linha reta ou da linha colateral da pessoa cuidada, que acompanham e cuidam dela de forma permanente ou regular. Estima-se que em Portugal existam entre 230 mil a 240 mil pessoas cuidadas em situação de dependência. O Estatuto do Cuidador Informal foi aprovado em 2019 por uma lei que tem como objetivo regular os direitos e os deveres do cuidador e da pessoa cuidada, estabelecendo as respetivas medidas de apoio, entre as quais a atribuição de um subsídio de apoio, o descanso a que têm direito e medidas especificas relativamente à sua carreira contributiva ou proteção laboral, no caso do cuidador não principal, isto é, aquele que cuida de forma regular mas não permanente. Continue a ler “Quem cuida do cuidador?”

Solidão na velhice: compreensão, prevenção e intervenção

RnvelhecerO processo de envelhecimento pressupõe inevitavelmente uma degradação progressiva e diferencial do indivíduo. É um processo que ocorre e se manifesta a vários níveis, pois a velhice associa-se a um conjunto de alterações biológicas, psicológicas, funcionais e sociais que variam de indivíduo para indivíduo.

Não sendo a idade um fator determinante, constitui-se como mais uma variável a levar em consideração no processo de envelhecimento. A par com o passar do tempo, destacam-se também as características individuais como a personalidade, a história e os hábitos de vida do sujeito. Uma pessoa mais ativa será tendencialmente mais funcional, até mais tarde na vida, em suma, terá uma melhor qualidade de vida e autonomia. O envelhecimento ativo é visto como um meio que procura otimizar as oportunidades para a saúde e manter a participação e a segurança, no sentido de aumentar a qualidade de vida ao longo do envelhecimento. Continue a ler “Solidão na velhice: compreensão, prevenção e intervenção”

Ano Novo, ansiedade velha…

AnsiedadeSentir ansiedade em determinadas situações pode ser comum e normativo. A ansiedade e o medo protegem-nos e podem ser adaptativos, no entanto, se forem em excesso limitam-nos, interferem no nosso dia-a-dia, impedem-nos de cumprir as nossas rotinas, baixam a nossa qualidade de vida e podem mesmo conduzir a outras perturbações como por exemplo a depressão.

Importa diferenciar a ansiedade “normal” de perturbação de ansiedade, uma vez que ter medo ou ficar ansioso é em muitas situações muito adaptativo. Termos medo que um automóvel nos possa atropelar ajuda-nos a dar mais atenção quando atravessamos uma estrada. Ficarmos levemente ansiosos perante um exame académico leva-nos a sermos mais cuidadosos na preparação do mesmo e possivelmente a obter um melhor resultado. No entanto, medo e ansiedade em excesso podem chegar ao ponto de nos impedir de sair à rua com medo de sermos atropelados ou a deixarmos de comparecer no dia do exame por medo de não o conseguirmos fazer. Este tipo de comportamentos são típicos de uma perturbação de ansiedade e não de ansiedade normativa. Deve ser encarado como um problema de saúde psicológica, que de maior ou menor gravidade, sempre que interfere com a funcionalidade do indivíduo, deve ser tratado e não ignorado. Continue a ler “Ano Novo, ansiedade velha…”

Videojogos: uso, abuso ou adição?

VideojogosNos tempos modernos, o desenvolvimento das tecnologias deu origem aos videojogos e à possibilidade de interação através dos meios digitais online. Essa interação, assim como os comportamentos associados, podem trazer tanto benefícios como ser bastante prejudiciais, consoante se trate de uso, abuso ou adição.

Apelativos pelo seu aspeto gráfico, pelas cores, pela música, pela recompensa imediata do somar dos pontos, do passar de níveis, enfim, seja pelo que for, os videojogos são efetivamente uma realidade cada vez mais cedo presente nas vidas das nossas crianças e jovens. Alguns pais, por sua vez, sentem grandes dificuldades para entenderem esta realidade e para lidarem com os comportamentos dos seus filhos mas também com as consequências que deles advêm. Perguntas como “quanto tempo pode o meu filho jogar por dia sem que seja prejudicial”? Ou “que tipo de jogo é adequado ou desadequado para a idade do meu filho”? são frequentes, numa tentativa de conciliar vontades, evitar conflitos ou lidar com dificuldades que podem advir desta realidade. Continue a ler “Videojogos: uso, abuso ou adição?”