A intervenção psicológica em situação de casal, foca-se no casal e não na relação em si. O importante é avaliar cada elemento do casal e intervir no sentido de melhorar a sua saúde emocional. Pessoas emocionalmente estáveis tendem a ter relações mais saudáveis e satisfatórias.
Os fatores de base para a manutenção de uma relação de casal satisfatória são o amor e a vontade de continuarem juntos. Quando surgem dificuldades ao nível relacional, os erros mais comum são a procura tardia de ajuda, a cedência “por arrasto” de um dos elementos do casal para comparecer às sessões terapêuticas, ou seja a falta de sintonia no processo de mudança, quer por não reconhecer que há um problema na relação, quer por, embora reconhecendo a existência de dificuldades, não esteja preparado para dar início ao processo de mudança. Ainda que reconhecendo problemas relacionais e estando preparados para mudar, podem haver fatores que impeçam ou dificultem o empreendimento de ações de mudança.
São muitas as variáveis que podem afetar a saúde mental das mulheres. Há especificidades biológicas e, principalmente, perspetivas sociais que orientam para uma inegável diferença de género, no que diz respeito à incidência e prevalência das perturbações psiquiátricas.
Hoje em dia, exercer a atividade de ”dona de casa”, ou seja, a mulher dedicar-se à casa e à família em exclusividade, sem desempenhar uma atividade profissional e remunerada, pode coloca-la numa situação de vulnerabilidade, por diversas ordens de razão. Podem haver fatores de risco para o desenvolvimento de psicopatologia, decorrentes da multiplicidade de papéis desempenhados e das inúmeras situações ansiogéneas às quais estas mulheres, nesta condição, poderão estar mais propensas. Estas vulnerabilidades relacionais, associadas aos processos biológicos (Ex. menarca, gravidez e menopausa) e potencialmente agravadas por questões sociais e económicas, como por exemplo a cítica, o isolamento social, a incompreensão, a violência doméstica, a dependência financeira ou a pobreza, podem comprometer a saúde mental destas donas de casa.
Existe uma grande variedade de conceções sobre aquilo que é o envelhecimento “bem-sucedido”. O processo de envelhecimento inclui a necessidade de acomodar alterações físicas, limitações funcionais e outras alterações a nível do funcionamento psicológico e social, embora possam haver diferenças individuais significativas no início, no decurso e na dimensão dessas alterações.
A maioria dos adultos mais velhos adapta-se com sucesso às alterações normativas do processo de envelhecimento. Uma perspetiva desenvolvimentista relacionada com a longevidade propõe que, apesar dos decréscimos biológicos associados ao envelhecimento, existe potencial para um desenvolvimento e crescimento psicológico positivo numa fase da vida mais avançada. O trabalho dos profissionais, nomeadamente na área da psicologia, é moldado por uma perspetiva desenvolvimentista, uma vez que estes se baseiam na resiliência psicológica e social, construída ao longo do ciclo de vida para abordar efetivamente os problemas da etapa mais tardia do ciclo de vida.
A avaliação psicológica insere-se nas competências profissionais exclusivas do Psicólogo/a e só a este/a é conferida legitimidade para a realização deste trabalho, com recurso a técnicas e instrumentos específicos para o efeito e para cuja utilização está capacitado.
O processo de avaliação psicológica tem início sempre que é pedida a resposta a uma questão ou um parecer profissional sobre um determinado caso ou indivíduo. O psicólogo/a analisa até que ponto se sente habilitado para dar resposta a esse pedido, mas também deve verificar se este se encontra dentro dos critérios éticos estabelecidos pelo código deontológico, que tem por objetivo guiar este profissional de saúde mental, no sentido de práticas de excelência, garantindo que o seu exercício profissional é o máximo ético e não o mínimo aceitável (Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Diário da República, 2.ª série — N.º 78 — 20 de Abril de 2011).
Ao contrário de outro tipo de atividades, em que com relativa facilidade se controlam as variáveis necessárias para um bom desempenho, a atividade de conduzir um automóvel acontece num ambiente complexo e em constante mudança, muitas vezes imprevisível e que exige uma permanente atenção e adaptação por parte do condutor.
A interação entre o condutor e o veículo é condicionada tanto por estes dois elementos, como pelos restantes elementos presentes no contexto rodoviário, como até mesmo pelas condições atmosféricas ou pelas condições das infraestruturas. Para além da legal licença para conduzir, ou seja, a carta de condução, e das características do automóvel, o condutor tem a permanente necessidade de se adaptar ás múltiplas exigências do ambiente em que se desloca, que uma vez que estão em permanente mutação e que exigem comportamentos diferenciados.
A Perturbação Dissociativa da Identidade (PDP) surge recentemente na literatura e envolve uma controvérsia associada principalmente à dificuldade na definição do termo dissociação. Entre outras formas, a dissociação pode ser descrita como uma falha na integração de dois ou mais diferentes sistemas de ideias e funções que constituem a personalidade.
O fenómeno dissociativo movimenta-se num espectro que vai desde a dissociação não patológica (ex. sonhar acordado ou estar intensamente focado numa tarefa) até à Perturbação Dissociativa da Personalidade, esta sim uma patologia do foro mental, habitualmente associada a experiências traumáticas. O processo dissociativo implica a alteração de um estado de consciência que não é organicamente induzida. Ou seja, envolve uma alteração temporária ou a separação de processos mentais que em situação normal estariam integrados. Segundo Bultler (2004), a natureza dos processos dissociativos normativos cinge-se a uma intensa concentração e envolvimento cognitivo em alguns aspetos da consciência, em detrimento de outros componentes. O grau de dissociação oscila num continuum desde os processos normativos e transitórios, decorrentes do dia-a-dia, até aos processos de dissociação patológicos, classificados como crónicos e severos.
A psicologia da educação é o estudo científico dos processos psicológicos em contexto educacional. O psicólogo educacional desempenha um papel de extrema importância em contexto escolar ou académico, tendo em conta os inúmeros desafios que os tempos atuais oferecem.
A psicologia educacional é uma ciência aplicada com o rigoroso conhecimento dos métodos de investigação e avaliação em psicologia, e das formas de os utilizar na prática do dia-a-dia, em diferentes situações e de intervir e regular essa intervenção. Assim, a psicologia da educação serve para ajudar a alcançar objetivos em melhores condições, permitindo uma maior qualidade, eficácia, segurança, controlo, planeamento, flexibilidade, adaptabilidade e previsibilidade dos processos educacionais.
Podemos definir a “depressão tardia” como o aparecimento de sintomatologia depressiva, clinicamente significativa, depois dos 65 anos de idade. Este estado depressivo está muitas vezes associado à presença de doença física ou neurológica, mas também às mudanças decorrentes da situação de reforma.
As queixas somáticas mais frequentes nos doentes mais velhos são as dores de cabeça, dores reumatológicas ou músculo-esqueléticas, bem como a sintomatologia gastrointestinal. Feito o despiste de doença fisiológica que explique a referida sintomatologia, a persistência dos sintomas pode ser explicado pela depressão, se combinada com outros sintomas típicos desta doença. Estes sintomas incluem a tristeza prolongada e profunda, sentimentos de vazio, dificuldade em retirar prazer de atividades anteriormente prazerosas, falta de energia, dificuldades de sono, alterações do apetite, choro recorrente, sentimentos de culpa ou de inutilidade, entre outros.
Os fatores de risco para a depressão no idoso prendem-se com questões de género, sendo mais prevalente nas mulheres do que nos homens. No entanto, outros fatores de risco para o desenvolvimento de patologia depressiva podem estar relacionados com o sistema endócrino ou o sistema vascular. O diagnóstico de doenças médicas não psiquiátricas, nomeadamente doença oncológica, demência, doenças cardiovasculares, hipotiroidismo ou artrite, entre outras, constitui-se também como um fator de risco relevante para o desenvolvimento da depressão. O tipo de personalidade do indivíduo pode também influenciar a propensão para estados depressivos, bem como as experiências de vida e o stresse crónico a que está ou esteve sujeito (familiar, social ou económico).
Alguns fatores psicológicos podem também constituir um risco acrescido de depressão. A não-aceitação do envelhecimento, a dificuldade em lidar com a imagem corporal, a redução da atividade ou dos interesses, o apego excessivo aos bens materiais, a incapacidade em lidar com a morte dos entres queridos (que pode levar a processos de luto patológico), a dificuldade em enfrentar a reforma e a consequente redução da exposição social e por vezes até mesmo o isolamento, são fatores de risco muito significativos para o desenvolvimento de sintomatologia depressiva grave.
Associada aos múltiplos fatores de risco anteriormente mencionados, junta-se a frequente dificuldade que alguns mais velhos têm em fazer um balanço de vida positivo, em aceitar as alterações das relações com alguns familiares muito significativos (ex. filhos e netos por vezes distantes) e a dificuldade em lidar com expectativas de reciprocidade ou dependência económica, desses mesmos familiares, que por vezes podem ficar muito aquém do idealizado.
As pessoas mais velhas tendem a dar relevância às adversidades (maiores ou menores) que as preocupam, focando-se mais no que perderam do que naquilo que ainda têm e podem conseguir. A depressão nesta faixa etária parece estar frequentemente sub-diagnosticada e sub-tratada, principalmente ao nível dos cuidados de saúde primários. À semelhança das outras faixas etárias, a depressão no idoso pode ter vários níveis de gravidade, podendo ser ligeira, moderada ou grave (depressão major). De um modo geral, a depressão ligeira pode ser tratada com sucesso apenas com o recurso à psicoterapia, no entanto, a depressão moderada ou grave, necessita muitas vezes da combinação de psicoterapia com medicação (antidepressivos) como forma de intervenção. A terapia cognitivo-comportamental, combinada ou não com a medicação, tem-se revelado muito eficaz no tratamento da depressão tanto no idoso como em qualquer outra faixa etária.
A depressão não é uma consequência natural do envelhecimento. Os idosos saudáveis, independentes e principalmente ativos, apresentam uma taxa de prevalência de depressão muito inferior à da população em geral. Porém, juntamente com outras problemáticas que possam existir, a depressão reduz consideravelmente a qualidade de vida da pessoa idosa pode aumentar de forma significativa o risco de suicídio. Deste modo torna-se fundamental ficar atento aos sinais e agir de forma precoce. Uma boa e atempada avaliação psicológica e uma adequada intervenção, pode evitar consequências funestas e tratamentos mais complexos e prolongados.
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As perturbações de ansiedade estão atualmente entre os quadros psicopatológicos mais debilitantes e impactantes do indivíduo comum. Milhares de pessoas lutam diariamente para controlar os seus medos e preocupações, ao mesmo tempo que percebem que quanto mais tentam fugir da ansiedade e dos seus “gatilhos”, pior ficam as suas vidas e mais afetado é o seu bem-estar.
Todos nós sabemos como é sentir medo, quando somos confrontados pelo desconhecido e assustador, ou ficamos ansiosos antes de um exame ou de uma entrevista de trabalho, ou até mesmo antes de um encontro amoroso. Viver implica termos que nos deparar com uma boa dose de ansiedade, causada pelo perigo, pelos riscos, pelas incertezas ou inseguranças próprias do dia-a-dia. O medo faz parte da vida e tem também um papel de extrema importância, na medida em que pode ser protetor e fazer com que paremos e olhemos, antes de atravessar uma estrada, diminuindo significativamente o risco de sermos atropelados. A ansiedade leva-nos também a que nos preparemos melhor antes de prestar uma prova, para aumentar a probabilidade de termos um melhor desempenho. Contudo, medo em excesso pode-nos impedir de agir e causar um enorme sofrimento.
A síndrome de burnout corresponde a um conjunto de sintomas que caracterizam um estado de “esgotamento” físico e mental, causado pelo exercício de uma atividade profissional. Esta síndrome pode ocorrer quando as exigências laborais são desajustadas face aos conhecimentos e/ou ás capacidades dos indivíduos.
Uma das 3 dimensões da síndrome de burnout é a exaustão. Esta é a primeira reação ao stresse provocado pelas exigências do trabalho, e relaciona-se com sentimentos de sobrecarga e de falta de recursos, tanto físicos como emocionais. Assim, o indivíduo sente-se cansado, sem energia, com as suas capacidades reduzidas, e com extrema dificuldade em enfrentar os desafios e as exigências em contexto de trabalho. As principais causas desta exaustão são a sobrecarga de tarefas e/ou o desajuste das mesmas, mas também os conflitos interpessoais em contexto laboral. Este sentimento de exaustão pode provocar reações de distanciamento emocional, de si próprio e do trabalho, supostamente como um mecanismo para conseguir lidar melhor com a sobrecarga.