Os jovens e a ansiedade financeira

Uma das principais fontes de stresse é o dinheiro, tanto para os mais jovens como para os mais velhos. No entanto, na atual conjuntura socioeconómica e perante a crise mundial, os jovens parecem ser dos mais afetados pela ansiedade financeira, uma vez que são cada vez mais incertas as perspetivas de futuro.

A ansiedade financeira corresponde ao sentimento de preocupação, receio ou desconforto no que diz respeito às finanças pessoais (OPP). Os jovens que estão num período de transição para a idade adulta, tendem a sofrer deste tipo específico de ansiedade, perante as dificuldades que anteveem na aquisição da sua autonomia, devido à precariedade de emprego e aos baixos salários que se praticam no nosso país. Planear o futuro é uma tarefa cada vez mais complexa e geradora de stresse, que pode conduzir os jovens a sentimentos de ansiedade, irritabilidade, insegurança ou tristeza, e que vão interferir com as suas atividades diárias, podendo comprometer, por exemplo, as suas relações sociais.

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O que é ser assertivo?

A palavra assertividade tem origem no termo asserção. Fazer asserções significa afirmar, deriva do latim afirmare, ou seja, tornar firme, consolidar, confirmar  ou declarar com firmeza. A assertividade é mais do que um estilo de comunicação, é uma filosofia de vida!

Uma comunicação assertiva pressupõe uma comunicação criativa e transparente, através da qual os indivíduos expressam os seus desejos e necessidades, pensamentos e sentimentos, de forma direta e honesta, respeitando o ponto de vista e o direito dos outros. É um estilo de comunicação que permite a manifestação da vontade do emissor, a afirmação do seu eu, sem agredir nem ignorar o recetor. Uma atitude assertiva permite-nos ocupar o nosso espaço sem invadir o espaço do outro, uma virtude, uma vez que está no meio de dois extremos inadequados: o estilo agressivo e o estilo passivo.

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Emoções, sentimentos e gestão emocional

Podemos definir emoção como uma experiência subjetiva, que envolve a pessoa na sua totalidade: mente e corpo. Do ponto de vista neurológico, a emoção é descrita como uma variação psíquica e física, que tem origem num estímulo, avaliando-o e reagindo a ele.

As emoções são um modo natural de avaliação do meio envolvente, e a sua reação é consequência de uma adaptação. As emoções podem falar por nós, na medida em que são reveladoras da forma como nos sentimos e de como encaramos a vida. São estados de curta duração e onde estão incluídas a alegria, a tristeza ou o medo, entre muitas outras. Quando falamos de raiva, nojo, alegria, tristeza, surpresa ou medo, estamos a referir-nos a emoções básicas ou primárias, pois são aquelas não necessitam de reflexão ou introspeção. São inatas e estão ligadas ao instinto e à sobrevivência, e, por isso, surgem de forma súbita e inesperada e são de fácil definição pelo facto de serem rapidamente identificadas pelo indivíduo, independentemente da cultura a que pertence. As emoções secundárias ou sociais implicam uma tomada de consciência de si. Resultam das nossas aprendizagens e fazem uso das emoções primárias. No entanto, podem variar de acordo com o contexto cultural. São exemplos de emoções secundárias a vergonha, o ciúme, a inveja, a empatia, o embaraço, o orgulho ou a culpa.

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Natal sem stresses…

Com a aproximação das festas natalícias, algumas pessoas sentem-se invadidas por uma alegria e entusiasmo que contrastam com a tristeza e angustia de muitas outras. Cada um de nós associa ao Natal, emoções tão positivas quanto as nossas memórias e expetativas, o que faz com que este período tipicamente de celebração, se possa transformar para alguns, numa enorme “dor de cabeça”.

De forma a contribuir para a redução do “stresse natalício”, deixo aqui algumas dicas que poderá ter em linha de conta, se o seu humor e os seus pensamentos em relação a esta quadra não forem os mais tranquilos. Comecemos pelos gastos, ou seja, saibamos gerir o nosso orçamento com equilíbrio e moderação, de modo a evitar gastos exagerados que se possam refletir em problemas nos meses seguintes. Presentes simbólicos, acompanhados de gestos carinhosos aos quais associamos emoções positivas, podem dar a quem recebe, uma satisfação maior do que uma prenda cara mas impessoal.

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Consumo de álcool e suas tipologias

Portugal é um dos países europeus, onde o consumo de álcool por pessoa com mais de 15 anos é mais elevado (cerca 12.9 litros/ano).Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2014), entre os consumidores de álcool, quase 17% apresenta um consumo excessivo, perto de 10% um consumo de risco e aproximadamente 2% uma dependência do álcool.

Tem cada vez mais vindo a ser observada, uma relação entre o consumo de álcool e inúmeras doenças, com consequências graves tanto ao nível individual como social. O consumo de álcool está na origem de cerca de 6% das causas de morte, quer por acidentes rodoviários, por doenças cardiovasculares, doenças gastrointestinais, diabetes, cancro, traumatismos, morte fetal, cirrose, etc. (OMS, 2014). Um dos principais alvos da ação nefasta do álcool é o cérebro. Muitos são os estudos que comprovam que o álcool é neurotóxico, com efeitos diretos e prejudiciais sobre as células nervosas. Este facto é especialmente relevante nos adolescentes, levando em consideração que o completo desenvolvimento das estruturas cerebrais e a sua maturação ocorrem apenas por volta dos 25 anos.

Para além dos efeitos diretos do álcool no cérebro, também o restante sistema biológico, na infância e adolescência, não está ainda apto para degradar o álcool, sendo por isso o seu consumo, potenciador de défices cerebrais e neurocognitivos, com sérias consequências ao nível da aprendizagem e do desenvolvimento intelectual (memória, raciocínio, atenção, etc.). Tendo esta consciência, cabe-nos refletir acerca deste tema, acerca dos hábitos etílicos de alguns jovens, bem como sobre as consequências que este problema pode trazer, tanto ao nível da saúde física como da saúde mental e da forma como lhes pode afetar negativamente a funcionalidade nos vários contextos de vida.

O Psicólogo/a, enquanto especialista em comportamento humano, pode ter um papel importante na compreensão dos comportamentos relacionados com o consumo de álcool, das motivações para tais consumos e na consciência dos prejuízos a que estes podem estar sujeitos. Após uma cuidada avaliação, o psicólogo/a estará apto a, perante o perfil psicológico do jovem, desenhar um plano de intervenção levando em conta entre outros fatores, os processos de tomada de consciência e da disponibilidade para empreender esforços de mudança. A deteção precoce e uma avaliação compreensiva e não discriminatória deste tipo de problemas relacionados com o consumo de álcool, é sem dúvida um fator potenciador do sucesso do tratamento.

Podemos distinguir várias tipologias de consumo de álcool: consumo de baixo risco; consumo de risco; consumo nocivo e dependência, sendo que cada um destes tipos tem as suas especificidades. No caso do consumo de baixo risco, há um padrão de consumo que se associa a uma baixa incidência de problemas de saúde e sociais. A quantidade máxima de álcool ingerida e tolerada varia de acordo com o com o género, o consumo deve ser repartido nas principais refeições e de modo descontinuado (até 20 gramas de álcool/dia), sendo recomendado um consumo menor pelo género feminino e por pessoas com mais de 65 anos (10 gramas de álcool), sendo também aconselhável não beber, em pelo menos dois dias da semana.

Um consumo de risco implica um padrão de consumo ocasional ou continuado, que se persistir aumenta a probabilidade de ocorrência de consequências prejudiciais para o consumidor (entre 40 a 60g de álcool/dia para os homens e 20 – 40g de álcool/dia para mulheres). O consumo nocivo pressupõe danos à saúde, quer física quer mental, acompanhado ou não de consequências sociais negativas (mais de 60g de álcool/dia para o género masculino de mais de 40g de álcool/dia para o género feminino).

A dependência, caracteriza-se por um padrão de consumo que inclui um conjunto de fenómenos fisiológicos, cognitivos e comportamentais, que podem desenvolver-se após o consumo repetido de álcool. Nomeadamente o desejo intenso de consumir, o descontrolo sobre o consumo, a manutenção do consumo independentemente das consequências, uma alta prioridade dada aos consumos em detrimento de outras atividades e obrigações, o aumento da tolerância e os sintomas de privação quando o consumo é descontinuado. Importa ainda considerar a tipologia de “binge drinking” atendendo ao seu aumento nos últimos anos. Esta, consiste no consumo esporádico mas excessivo de 5 a 6 bebidas no homem e de 4 a 5 bebidas na mulher, numa única ocasião e num espaço de tempo limitado, estando associado a uma maior probabilidade de se sofrer consequências adversas.

Por fim, importa ainda alertar para o perigo do consumo de álcool em casos particulares como, mulheres grávidas ou a amamentar, indivíduos que vão conduzir ou operar máquinas, pessoas que estejam a tomar medicamentos ou em situação de doença ou com diagnóstico de dependência alcoólica. E claro, as bebidas alcoólicas não devem ser consumidas por menores de 18 anos, mesmo que com moderação. Fique atento a si e aos que lhe são próximos, e lembre-se que a sua autoavaliação e autoconsciência podem ser fundamentais para que dê um primeiro passo numa direção segura.

Procure ajuda especializada!

Fontes:

Ordem dos Psicólogos Portugueses (2016). Guia Orientador da intervenção psicológica nos problemas ligados ao álcool.

World Health Organization (2014). Global status report on alcohol and health. Geneva.

Delírios e alucinações

Os delírios e as alucinações podem estar presentes em perturbações do espectro da esquizofrenia, mas não só. Também na demência, dependendo do tipo e do estadio, estes sintomas podem ter presença assídua.

Os delírios definem-se como crenças fixas, que não são passiveis de mudar, á luz de evidência oposta. O seu conteúdo pode incluir uma variedade de temas, tais como perseguição, referência, religiosidade, somático ou grandiosidade. Os delírios persecutórios, ou seja, a crença de que o indivíduo vai ser perseguido ou incomodado por outro indivíduo ou organização, é muito comum em casos de perturbação psicótica. Quanto aos delírios de referência, dizem respeito à crença de que determinados gestos, comentários ou até mesmo estímulos do ambiente, são diretamente dirigidos ao próprio. Os delírios de grandiosidade, em geral de fama ou fortuna, referem-se a casos em que o indivíduo acredita possuir habilidades excecionais, e, os delírios somáticos, dizem respeito a crenças e preocupações relacionadas com a saúde e com as funções orgânicas.

Os delírios são considerados bizarros, quando são claramente implausíveis e incompreensíveis por pessoas que partilham o mesmo contexto cultural, e sempre que estes não derivem de experiencias comuns da vida. A titulo de exemplo, considera-se bizarro um delírio em que o individuo acredita que os seus órgãos internos foram substituídos, por uma “força exterior”, pelos órgãos de outra pessoa, sem que tenha ficado qualquer marca de cirurgia. Já o delírio de que alguém está sob vigilância da polícia, apesar de não haver nenhuma evidencia que o prove, é considerado um delírio não bizarro, uma vez que é plausível. A distinção entre um delírio e a hipervalorização de uma crença, pode não ser fácil e depende essencialmente do grau de convicção com que a crença é defendida, apesar de haver clara e razoável evidência contraditória, no que se refere á sua veracidade.

As alucinações são descritas como experiências do tipo percetivo, que ocorrem sem um estímulo externo. São vívidas e claras, com toda a intensidade e impacto no indivíduo das perceções normais, não estando sob controlo voluntário. As alucinações podem ocorrer em qualquer uma das dimensões sensoriais, nomeadamente auditivas, visuais, olfativas, táteis ou de paladar. Contudo, as alucinações auditivas são as mais comuns, em casos de esquizofrenia ou outras perturbações relacionadas. Estas alucinações são habitualmente percecionadas como vozes, que podem ou não ser familiares, e que são percebidas como distintas do pensamento do próprio individuo. As alucinações ocorrem em estado de vigília, sendo que, as que possam ocorrer no momento de adormecer ou de despertar, podem ser consideradas como normais. Em alguns contextos culturais, as alucinações podem também ser vistas como algo normal numa experiencia religiosa.

Tanto os delírios como as alucinações trazem muito sofrimento, angústia e desorganização do comportamento dos indivíduos afetados, com prejuízo em praticamente toas as áreas do seu funcionamento. Estes sintomas podem também afetar indivíduos com demência, uma vez que se trata de uma doença que leva a que o paciente perca a capacidade de reconhecer coisas ou pessoas. Estas “falhas” de memória e a redução das competências cognitivas, podem levar à suspeita, à paranoia e a equívocos. Em presença deste tipo de sintomas, o encaminhamento do paciente para a consulta de psiquiatria será o indicado, uma vez que este especialista poderá avaliar a situação, bem como a necessidade e a vantagem, da prescrição de fármacos.

Cuide de si, cuide dos seus! Fique atento aos sinais de que algo pode não estar bem em termos de saúde mental. Procure ajuda especializada!

Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.

Branden e os seis pilares da autoestima

A autoestima é como o nome indica, a estima pelo próprio. Pode definir-se como a consciência do nosso valor e está relacionada com a ideia que fazemos de nós mesmos e do quanto nos respeitamos enquanto indivíduos.

O psicoterapeuta norte-americano Nathaniel Branden, reconhecido pelos seus trabalhos sobre autoestima, defende que esta está diretamente associada a características como racionalidade, realismo, intuição, independência, flexibilidade, capacidade de adaptação à mudança, disponibilidade para reconhecer e corrigir os próprios erros, bem como com benevolência e cooperação. Para este autor, a baixa autoestima está fortemente relacionada com irracionalidade, rigidez de pensamento, falta de abertura à experiência, conformismo, submissão e medo ou sentimentos de hostilidade em relação aos outros. A pessoa com baixa autoestima estará potencialmente mais suscetível a esquecer-se de quem realmente é, a desenvolver relacionamentos com os outros menos satisfatórios, com maiores dificuldades de comunicação e sentimentos de inferioridade.

Branden defende que a autoestima é consequência de atitudes geradas internamente, e propõe que o desenvolvimento de algumas atitudes, possa aumenta-la. Assim, determina aquilo a que chamou os “seis pilares da autoestima”, que todas as pessoas deveriam desenvolver. O primeiro pilar é a consciência, ou seja, a importância de termos consciência daquilo que está subjacente aos nossos comportamentos. Quanto maior for a nossa consciência, entendida como um recurso de sobrevivência, melhor será a nossa relação com a vida. O segundo pilar da autoestima é a aceitação de nós próprios. Sem autoaceitação, a autoestima não é possível Aceitarmo-nos e valorizarmo-nos significa respeitarmo-nos e permitirmo-nos ser. O terceiro pilar tem a ver com a responsabilidade. Sermos responsáveis pela concretização dos nossos desejos, pelas nossas escolhas, pelo nível de consciência com que agimos e vivemos os nossos relacionamentos, pelo nosso comportamento com os outros, pela forma como comunicamos, por aceitarmos e escolhermos os valores pelos quais nos regemos.

O quarto pilar da autoestima é, segundo Branden, a autoafirmação, ou seja, a disposição para honrar os meus desejos e as minhas necessidades. Sem autoafirmação agimos como meros expectadores e não participantes. É necessário sermos atores das nossas próprias vidas. O quinto pilar refere-se à intencionalidade, à atenção necessária para estabelecermos objetivos realistas e produtivos. Viver de forma intencional é assumirmos as nossas escolhas com responsabilidade e de forma consciente. Para vivermos de forma intencional e produtiva, segundo Branden, é necessário desenvolver dentro de nós a autodisciplina, que é uma virtude de sobrevivência. Por fim, o sexto pilar é o da integridade pessoal. Corresponde à integração dos ideais, das convicções, dos critérios, das crenças e dos comportamentos. A integridade é a congruência dos nossos atos, dos nossos valores, compromissos e prioridades. É ter consciência e, responsabilidade, sermos íntegros connosco mesmos, admitindo os nossos erros sem culpar os outros, compreendendo, corrigindo e reparando os danos causados, com o compromisso intencional de agir diferente, de agir melhor.

De referir ainda a ideia veiculada por Branden de que quanto maior for a nossa autoestima, maior será o respeito, a benevolência e a boa vontade com que tratamos os outros, pois não os percebemos como ameaça. O autor pressupõe ainda que se não nos sentirmos capazes de ser amados, dificilmente acreditamos que alguém nos possa amar. A autoestima é fundamental para a saúde psicológica, realização, felicidade pessoal e estabelecimento e manutenção de relacionamentos positivos. No mundo caótico e competitivo de hoje, a autoestima é a base para o nosso poder pessoal, familiar, relacional e profissional.

Fonte: Branden, N. (2002). Autoestima e os seus seis pilares. 7ª Ed. São Paulo: Saraiva.

Distimia, uma perturbação depressiva persistente

É sabido que a depressão tem uma expressão significativa na prevalência das perturbações do foro mental. Porém, nem tudo o que parece é. Há que avaliar cuidadosamente cada critério, cada conjunto de sintomas, uma vez que alguns podem ser comuns a mais do que uma perturbação.

A distimia é uma perturbação depressiva caracterizada pela presença de humor depressivo durante a maior parte do dia, manifesto durante pelo menos dois anos no adulto (em crianças) em mais de metade dos dias. O seu diagnóstico assenta no relato subjetivo (ou por observação dos outros) de pelo menos dois ou mais dos seguintes sintomas: aumento ou diminuição do apetite; dificuldades de sono (ex. insónia); cansaço e/ou falta de energia; baixa autoestima; dificuldades de concentração; dificuldade na tomada de decisões e sentimentos de desesperança. No indivíduo com distimia, estes sintomas podem causar mal-estar clinicamente significativo e/ou défice social, ocupacional ou em qualquer outra área do seu funcionamento.

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Para quê ir ao psicólogo/a?

Por mais que se fale de saúde mental e da importância da mesma para a manutenção da qualidade de vida do indivíduo, parece haver ainda algum preconceito associado à procura de ajuda, nomeadamente de um psicólogo/a. Ideias pré-concebidas erróneas, podem dificultar a tomada de decisão na hora de procurar apoio, ainda que muito dele se possa necessitar.

Reconhece-se hoje em dia que, entre muitas outras patologias, a perturbação de ansiedade e a perturbação de depressão são as doenças do foro mental mais comuns, com elevada prevalência tanto em crianças e adolescentes, como em adultos e idosos. Em alguns casos, uma intervenção de caráter preventivo, pode fazer a diferença entre desenvolver a doença, por vezes até à cronicidade, ou aprender a lidar com a sintomatologia, impedindo que a doença evolua e se instale, comprometendo a funcionalidade e o bem-estar do indivíduo. Deste modo, é fundamental que o psicólogo/a seja visto como alguém que pode fazer a diferença, na vida de uma pessoa, de uma família ou de uma comunidade.

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Estereótipo e preconceito

O estereótipo é o conjunto de crenças que dá uma imagem simplificada das características de um grupo, generalizando aos membros que dele fazem parte. Preconceito é um juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória perante pessoas, crenças, sentimentos ou tendências de comportamento.

Os estereótipos são crenças a propósito de características, atributos e comportamentos dos membros de determinados grupos. São formas rígidas, infundadas e esquemáticas de pensamento, que resultam dos processos cognitivos de simplificação e que se generalizam não só a determinado grupo como a todos os elementos que o integram. Estereótipo significa impressão sólida, e pode dizer respeito á aparência, roupas, comportamentos, cultura, etc. Os estereótipos são muitas vezes confundidos com preconceito, uma vez que acabam por se tornar rótulos, frequentemente pejorativos, causando impacto negativo nos indivíduos alvo, estando muitas vezes na base do racismo, da xenofobia e da intolerância religiosa.

O preconceito é a atitude que envolve um pré-julgamento, na maioria das vezes negativo, relativamente a pessoas ou grupos, ignorando as diferenças individuais. Embora o preconceito também esteja assente na categorização social, difere do estereótipo porque para além de atribuir as características ao grupo, ainda as avalia, emitindo, na maior parte dos casos, juízos negativos a seu respeito.  O preconceito é um juízo preconcebido, expresso geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, locais ou costumes singulares, considerados “anormais”. O preconceito indica o desconhecimento pejorativo de alguém ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são: social, racial e sexual. De modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, definido anteriormente como estereotipo.  No entanto, é possível relacionar os dois conceitos na medida em que o estereótipo fornece os elementos cognitivos de um grupo e o preconceito lhes acrescenta a componente afetiva, crítica e de juízo de valor.

Os estereótipos têm uma função social e cognitiva, uma vez que a categorização da realidade social nos permite enfrentar eficazmente o mundo em que vivemos, determinando o certo e o errado, o bem e o mal e o justo ou o injusto. Outra função dos estereótipos é de cariz afetivo e tem a ver com a  identidade social. De facto, reconhecemo-nos enquanto pertencentes a grupos com os quais nos identificamos. Parte do que somos relaciona-se com o facto de pertencermos a determinados grupos sociais, o que nos leva a distinguirmo-nos dos outros que pertencem a outros grupos distintos e desenvolvemos o sentimento de “nós” por oposição aos “outros”. Assim, os estereótipos permitem que um determinado grupo se defina positiva ou negativamente, por comparação a um outro, sendo que ao caracterizarem o grupo dos  “outros”, reforçam a identidade ao grupo ao qual pertencemos.

O preconceito é uma atitude que envolve um juízo ou julgamento prévios, na maior parte das vezes negativo, relativamente a pessoas ou grupos sociais, podendo refletir-se em comportamentos de discriminação. Contudo, não se pode confundir discriminação com preconceito, uma vez que este corresponde a uma atitude, enquanto a discriminação diz respeito ao comportamento que decorre dessa atitude, ou seja, do preconceito. Observar características comuns a determinados grupos pode ser considerado preconceituoso, principalmente se referentes a agressividade ou discriminação. Porém, reparar em características sociais, culturais ou mesmo físicas por si só não é sinónimo de preconceito. Estas podem referir-se apenas a costumes, modos de estar de determinados grupos ou até mesmo a aparência de povos de determinadas regiões, única e exclusivamente como forma ilustrativa ou educativa. Assim, entende-se que o estereótipo pode ter uma função cognitiva, social ou afetiva, ao contrário do preconceito, que é sempre um erro.

Sugestão:

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