O luto éuma reação à perda de um ente querido ou de algo mais abstrato em seu lugar, como por exemplo, o trabalho, um relacionamento, a pátria ou até mesmo uma ideologia.
O modelo dual de intervenção no luto proposto por Stroebe & Schut (1999) tenta compreender as reações dos indivíduos às perdas, sugerindo um modelo de compreensão do processo de se lidar com a perda e de adaptação ao luto. Neste modelo os autores propõem a coexistência de três dimensões ou componentes: (a) orientação para a perda, (b) orientação para o restabelecimento e (c) oscilação. Este processo de adaptação ao luto defende a existência de uma dinâmica de oscilação do indivíduo enlutado entre o confronto orientado para a perda e o confronto orientado para o restabelecimento.
No conforto orientado para a perda o enlutado disponibiliza-se para elaborar a perda, vivenciar a dor, a ausência, os medos, traduzindo-se numa abertura para trabalhar estes aspetos. O confronto orientado para o restabelecimento diz respeito ao investimento na vida e na realidade que o rodeia, traduzindo-se na reorganização da vida. Este processo dinâmico é fundamental para uma adaptação satisfatória, funcionando como um mecanismo regulatório que integra e organiza internamente, quer o confronto orientado para a perda, quer o confronto orientado para o restabelecimento.
Considerar em simultâneo as duas dimensões é muito difícil, mas como é necessário atender a ambas, a oscilação é um processo indispensável e, muito possivelmente, um dos melhores informativos do desenvolvimento da experiência do luto. O valor que os autores atribuem ao processo de oscilação, tratando-se de um processo de ‘coping’ (lidar com), que regula os esforços de adaptação do indivíduo, em paralelo com a proposta de que um ‘coping’ adaptativo seria constituído tanto por stressores de perda como de restabelecimento, que se traduz numa oscilação enquanto indicador do processo.
A tomada de decisão por parte do enlutado, está sempre presente na medida em que pode optar pela atenção dada ao stresse gerado pela perda ou pela supressão da dor e centrar-se na adaptação a uma realidade externa alterada. Partindo deste modelo, o psicoterapeuta assume o papel de facilitador, sensibilizando os seus clientes na tomada de decisão inerente a este processo ativo, ajudando-os a discriminar as implicações que advêm de cada uma das suas decisões, que podem ser tomadas de uma forma consciente ou inconsciente.
A elaboração do luto continua a ser necessária e o tipo de vinculação à pessoa falecida constitui um fator altamente determinante nas intervenções com enlutados. O indivíduo enlutado deve tornar-se capaz de aceitar a realidade da perda e reorganizar a sua vida sem o objeto perdido. Vários autores defendem que, quanto mais complicado for o processo de luto, maiores serão as hipóteses de que a psicoterapia contribua para resultados satisfatórios.
Assim, as intervenções com pessoas enlutadas devem ser principalmente dirigidas para pacientes com riscos sociodemográficos e circunstanciais, sejam elas pessoas sem apoio familiar, social e financeiro, que vivam sós ou cujo luto seja consequência de mortes violentas, traumáticas ou em massa. Parece também relevante dar especial atenção a situações de mães e esposas, sobretudo se a relação com o falecido tiver características de dependência. Indivíduos que apresentem ideação suicida devem ser considerados prioridade, assim como os que manifestaram transtornos psiquiátricos prévios à perda. Sujeitos que tenham sido vítimas de abuso ou negligência parental na infância podem igualmente obter grandes benefícios com a psicoterapia.

“Para além da felicidade e do rir, também a tristeza e o chorar, são elementos intrínsecos ao facto de estar vivo, bem como na elaboração das perdas significativas”.
Bibliografia
Barbosa, A., (2013). Olhares sobre o Luto. Lisboa: AIDMFL.
Parkes, C.M. (2006). Love and loss: The roots of grief and its complications. London: Routledge.
Stroebe, M. S., & Schut, H. (1999). The dual process model of coping with bereavement: Rationale and description. Death Studies, 23, 197-224.
A psicologia do desenvolvimento e gestão de carreira no contexto das organizações tem como foco o estudo da relação entre o individuo e a organização onde trabalha, no sentido de sustentar o desenvolvimento das pessoas, encontrar respostas às necessidades das organizações e procurar um compromisso entre a estratégia organizacional e as aspirações de cada trabalhador.
No passado não eram valorizados nem a motivação nem o auto-desenvolvimento do trabalhador. Atualmente parece haver a responsabilidade do empregado aprender a gerir a sua carreira, e da empresa, em promover programas de desenvolvimento de carreira, visando a sobrevivência e satisfação de ambos, ou seja, passou a haver uma responsabilidade partilhada. Promove-se também hoje em dia, a construção de uma teia de relações e responsabilidade crescente, que se tem vindo a estabelecer entre o individuo em busca de percursos de desenvolvimento de satisfação pessoal e a organização, que reúne as condições necessárias para mobilizar essa procura.
O mundo do trabalho modelou o conceito de carreira na medida em que após a revolução industrial e das mudanças socioeconómicas daí decorrentes, as profissões diversificaram-se e foi necessário ajudar as pessoas e encontrarem o emprego certo. Anteriormente o modelo vigente era centrado exclusivamente nos objetivos da organização e era orientado para a determinação de regras rígidas voltadas para a realização de tarefas e a incrementação do rendimento, ignorando as relações sociais e as necessidades das pessoas, sendo o conceito de carreira baseado somente na progressão hierárquica.
A importância crescente do indivíduo decorre da importância estratégica da gestão dos recursos humanos. São vários os elementos para promoção de sistemas de desenvolvimento e gestão de carreiras flexíveis que promovam satisfação e sucesso para o colaborador e para a organização, nomeadamente a criação e desenvolvimento de mecanismos de detenção de informação, o reconhecimento, a integração dos colaboradores na cultura da organização e o desenvolvimento de sistemas de recompensa pelo seu desempenho e desenvolvimento, entre outras.
A avaliação psicológica individual deverá permitir capitalizar o que de melhor o individuo tem para dar à organização ao mesmo tempo que a psicologia da construção da vida deverá promover a adequação da pessoa aos novos contextos em que o trabalho e emprego se desenvolvem. A carreira do individuo desenvolve-se através do modo como ele perceciona a realidade e a ela se adapta, sem renegar a sua personalidade e as linhas estruturantes da sua história pessoal. Os paradigmas atuais devem considerar as diferenças individuais em oposição à uniformização que conduziu nos tempos modernos, à mecanização dos comportamentos. No futuro, espera-se uma teoria psicológica que vise a promoção do sucesso e que procure a construção como fonte de satisfação. Outro desafio que se apresenta é o apoiar e escutar o individuo, bem como a organização, de forma harmoniosa, enquanto agentes ativos do constante processo de integração, neste novo mundo em que a informação está ao alcance de um clique.
Formar uma impressão significa organizar a informação disponível acerca de uma pessoa de modo a podermos integrá-la numa categoria significativa para nós.
Os esquemas mentais influenciam a codificação da informação nova, a memória de conhecimentos anteriores e permitem-nos inferir sobre informação ausente assim como prever acontecimentos futuros. Interpretamos o comportamento da outra pessoa baseando-nos na nossa memória, isto é, nos nossos conhecimentos e informações anteriores como por exemplo os traços de comportamento e os estereótipos, tornando-se os processos de memória fundamentais para a formação de impressões.
A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano marcada pela mudança, vulnerabilidade, ambivalência e por vezes incompreensão, angústia e rebeldia. Crescer é difícil e nesta fase os jovens têm por vezes dificuldades de expressão emocional, de estabelecerem relacionamentos positivos e de lidarem com algumas questões próprias desta etapa da vida, que marca a transição entre a infância e a idade adulta.
É relativamente frequente, os pais destes jovens não terem conhecimento do que se está a passar com os seus filhos. Alguma dificuldade na comunicação, que caracteriza a relação pais-filhos adolescentes, pode explicar este desconhecimento. Mesmo quando estão a par desta realidade, alguns pais têm dificuldade em nomear e lidar com os comportamentos auto lesivos dos filhos, ou porque lhes provocam um bloqueio emocional ou como mecanismo de defesa, acabam por desvalorizar ou ignorar. Há muitas vezes um desencontro entre as narrativas dos adolescentes em relação aos comportamentos de auto lesão e as dos seus pais, o que por um lado traduz um choque por terem tomado conhecimento do problema mas por outro lado, porque o procuram esconder.
A prevenção é a palavra-chave. Alertar a comunidade escolar para este tipo de problemas e desenvolver programas de prevenção bem estruturados, pode ser um bom princípio. Estes programas deverão contemplar variáveis como a detecção precoce e tratamento dos problemas mentais, assim como a redução do estigma a eles associado. A restrição do acesso a armas ou medicamentos e o controlo do consumo de bebidas alcoólicas é certamente um caminho para prevenção. É também necessária a formação dos profissionais dos meios de comunicação para os perigos do efeito de contágio. A criação de linhas telefónicas de apoio, maior acessibilidade aos serviços de saúde e a formação dos pares para a identificação dos sinais de alerta, têm também o seu papel na prevenção destas práticas auto destrutivas.
Para além disso, a promoção e a manutenção de relações próximas saudáveis pode aumentar a resiliência individual e actuar como um factor de protecção. Jovens pertencentes a famílias com elevado grau de coesão, com capacidade de envolvimento mútuo, interesses comuns e suporte emocional têm menor risco de vir a adoptar este tipo de comportamentos auto destrutivos. Escolhas saudáveis de estilo de vida que promovam o bem-estar físico e mental (exercício físico regular, hábitos de higiene de sono, alimentação adequada, não utilização de álcool e drogas). A par destes hábitos saudáveis, a manutenção de relacionamentos saudáveis, a integração social, e uma gestão eficaz do stress, são também factores protectores para comportamentos auto lesivos. O sentimento de pertença a uma família, a uma escola, a um grupo, a uma instituição ou a uma comunidade, pode também proteger os adolescentes desta problemática.
Em casos extremos, em que os comportamentos auto lesivos entram numa escalada que pode levar a tentativas de suicídio, pode ser necessário o internamento do jovem em contexto hospitalar. Pode ser necessária a intervenção psiquiátrica com prescrição de fármacos no sentido de estabilizar o jovem. Posteriormente, após uma avaliação cuidada, a intervenção psicológica individual, familiar ou uma abordagem mista, poderá ser o indicado. A maioria dos comportamentos auto lesivos acontecem em casa e muitas vezes estão relacionados com acontecimentos do meio intrafamiliar. Assim, o envolvimento familiar é essencial, no sentido de falarem sobre o problema, de o compreenderem e de saírem eventualmente da negação ou de ultrapassarem o choque inicial da tomada de conhecimento. A saúde mental deve ser uma prioridade e os adolescentes não são excepção. Muitos dos problemas emocionais e psicológicos têm inicio nesta fase da vida. As perturbações de ansiedade e depressão, por exemplo, são bastante prevalentes nesta faixa etária.
O não tratamento destas patologias pode levar tanto à sua cronicidade, como a evoluir para outras situações que podem levar a desfechos trágicos. Sabe-se hoje que os comportamentos auto lesivos são um forte preditor para as tentativas de suicídio. É fundamental que os pais e cuidadores se mantenham atentos aos comportamentos dos seus jovens e que estabeleçam e mantenham com eles, relações de afecto e proximidade. Ensinar aos jovens estratégias de resolução de problemas, de comunicação assertiva e facilitar-lhes a expressão emocional, assim como desmistificar crenças erróneas e fantasias, por vezes tão frequentes nesta idade, pode fazer a diferença entre a vida, e a morte.
Numa situação de separação ou divórcio litigioso, o tribunal pode solicitar ao psicólogo, uma avaliação psicológica dos pais, com o objectivo de avaliar as suas competências e capacidades parentais, sempre que estejam em causa filhos menores.
A depressão tardia refere-se ao aparecimento de estados depressivos depois dos 65 anos. Muitas vezes a sintomatologia depressiva está associada à presença de doença física ou neurológica e à incapacidade ou às limitações decorrentes de estados de doença que levam ao declínio do estado geral do indivíduo.
A avaliação psicológica insere-se nas competências profissionais exclusivas do Psicólogo/a e só a este/a é conferida legitimidade para a realização deste trabalho, com recurso a técnicas e instrumentos específicos para o efeito e para cuja utilização está capacitado.
Com o aumento da esperança média de vida, temos na nossa população, cada vez mais pessoas velhas. Escrevo velhas em vez de idosas ou séniores, ou outra coisa qualquer, porque acredito que o que pode ser realmente ofensivo não é a palavra que usamos para nos referirmos aos que já viveram muitos anos, mas sim, o modo como os tratamos ou destratamos.
Após avaliação neuropsicológica, quando os pais se deparam com um resultado abaixo da média esperada para a faixa etária do seu filho, ou seja, quando a criança apresenta um desempenho intelectual de nível inferior, a reacção habitualmente é de preocupação.
Em psicologia clínica pediátrica, o papel dos pais ou de outros cuidadores que os substituam, assume uma importância extrema em termos do sucesso da intervenção.